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8.5

Análise do jogo "Trine" para PC escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 8.5 de 10, enviado por Giordano Trabach,
A produtora finlandesa Frozenbyte não é muito conhecida por todos. Seus únicos produtos de renome foram Shadowgrounds e sua sequência, Survivor. Mas essa história mudou um pouco com a chegada de Trine no PC. O game foi lançado em julho via download e só agora apareceu nas lojas. Felizmente essa demora é justificada por este que é um dos mais interessantes títulos do momento. O mais curioso é que "Trine" não inova em praticamente nada, mas o modo com que ele mistura elementos conhecidos foi simplesmente fantástico. Não se enganem pela simplicidade aparente e inicial do jogo: o título é desafiador, recompensador e, muitas vezes, extremamente hilário. [img]hide:aHR0cDovL2ZpbmFsYm9zcy51b2wuY29tLmJyL2ZiNC9mb3Rvcy8zLzIvMjM1NTIzLmpwZw==[/img] A história conta a aventura de três indivíduos totalmente desconhecidos entre si que se unem, contra sua vontade, em uma missão comum: encontrar Trine, um artefato mágico que os libertará do feitiço que unificou seus espíritos e corpos. São eles Zoya, Amadeus "o Magnífico" e Pontius "o Bravo", respectivamente a ladra, o mago e o cavaleiro. O fato ocorreu quando os três tocaram simultaneamente uma pedra mágica que jazia no castelo abandonado, enquanto uma horda de mortos-vivos começou a perambular e aterrorizar o reino. O artefato que eles buscam também restaurará a paz. Cada um deles possui habilidades distintas que devem ser usadas em momentos oportunos do jogo para sobrepujar os quebra-cabeças e dar o devido prosseguimento à jornada. Em outras palavras, o jogador precisará usar seus olhos e neurônios para descobrir uma forma de ultrapassar as barreiras, levando em conta o que cada um pode fazer. Isso não é nenhuma novidade, afinal há dezenas de jogos por aí que oferecem desafios semelhantes. Mas Trine é especial. Primeiro porque ele utiliza em seus puzzles um sistema de física que, embora possa não ser perfeito, funciona bem na hora de criar soluções usando e desenhando objetos no cenário; segundo que é preciso alternar entre as três figuras e usar suas características de acordo com a situação; e terceiro que seu multiplayer é impagável. [img]hide:aHR0cDovL2ZpbmFsYm9zcy51b2wuY29tLmJyL2ZiNC9mb3Rvcy8yLzIvMjM1NTIyLmpwZw==[/img] O jogador começa sendo apresentado aos elementos mais simples, controlando a ladra enquanto ela adentra o castelo. Suas habilidades são um pulo rápido e mais alto, flechas e, principalmente, seu arpão e corda que a leva a plataformas simplesmente inalcançáveis para os outros personagens ??? desde que haja algo de madeira para que ela se pendure. Em nossa opinião ela é a principal e mais equilibrada, porque é capaz de sobrepujar inimigos e plataformas, enquanto o mago não é capaz de derrotar certas criaturas. Suas principais habilidades são a magia de levitação ??? que ele usa para mover objetos em pleno ar ??? e de desenhar no ar quadrados, retas e triângulos que dão forma a caixas metálicas, plataformas e pirâmides flutuantes. Apesar de a ladra ser muito independente, sem o mago não é possível passar por algumas partes específicas do jogo, onde sua magia de levitação é a única saída. Já o guerreiro, apesar de seu salto levemente menor, é o mais importante na hora de combater os inimigos. Os combos com sua espada são velozes e letais, enquanto seu escudo o salva de qualquer projétil, magia, escombros e o que vier para cima dele. Posteriormente ele adquire um martelo que será a única maneira de quebrar certas barreiras. Talvez vocês estejam se perguntando o que acontece quando um dos personagens vem a falecer. Eles são ressuscitados sempre que o jogador passa por um checkpoint, e as fases foram desenhadas de modo que sempre há um próximo a um obstáculo que necessite especificamente de um personagem. Portanto, para tudo haverá uma solução. Isso permite que o jogador opte por aquele que mais lhe agrada, trocando apenas nos momentos em que o outro possa ser mais útil, ou quando o seu principal está para morrer. Nós, por exemplo, demos total preferência à "Ladra Melee". Ela ganhou esse apelido por sua habilidade de atirar flechas rapidamente, nos permitindo usá-la mesmo quando cercada por muitos inimigos ??? principalmente após ela adquirir a flecha de fogo. Espalhados pelos cenários estão poções de experiência, itens imprescindíveis para a evolução de cada um dos heróis. Quando 50 são coletadas, os jogadores ganham um ponto de upgrade para melhorar as capacidades do trio. A ladra, por exemplo, poderá disparar três flechas ao mesmo tempo quando esta habilidade estiver no máximo, enquanto o mago, só para exemplificar, poderá materializar até quatro quadrados na mesma tela. Uma das novidades extras para o cavaleiro é o aumento de sua força física e dos combos, além de poder pegar e arremessar objetos, algo útil para a destruição de inimigos e também para resolução de puzzles. Muitas dessas técnicas consomem pontos de magia, que podem ser recuperados com poções azuis deixadas pelos inimigos falecidos. Talvez o que mais chame a atenção em Trine seja sua qualidade visual. ?? simplesmente fantástica a direção artística do jogo, que apresenta uma beleza bastante rara. Os cenários são luxuriantes, vivos, brilhantes, com um design muito inspirado. Os jogadores verão enormes cogumelos borrachudos, plataformas, galhos, espetos, armadilhas, enfim, uma variedade incrível. Haverá áreas bem escuras, porém não menos vibrantes, algumas lindamente iluminadas pelo reflexo distorcido da luz que bate na água, e outras mais claras graças às dezenas de raios de sol que atravessam a copa das árvores. Em quase todas as fontes de luz, há vaga-lumes, encantados pelo seu brilho colorido. Sinceramente? Foi exatamente como eles que nos sentimos em quase todo o jogo. Mesmo quando o game foi aos poucos mudando para áreas modificadas pelo homem, ficamos surpresos e satisfeitos com o capricho da produtora na parte visual. ?? verdade que para rodar o game em sua plenitude é preciso um hardware um pouco robusto no PC, mas felizmente é possível desligar várias funções para poder deixar o jogo mais suave em máquinas mais antigas. Os controles em Trine são bastante eficazes. O jogador tem a opção de usar a dupla "mouse e teclado" ou um gamepad. No primeiro caso os personagens são movimentados pelo WASD, enquanto o mouse é usado para a mira do arpão, das flechas, do escudo e para desenhar os objetos a serem materializados pelo mago. Essa última parte funciona de uma maneira bem similar a Crayon Physics, aquele jogo onde desenhos se tornavam objetos que interagiam com uma bola por meio de um sistema de física ??? a diferença é que só existem alguns tipos de objetos em Trine. Apesar de bem funcional, o ideal é que se tenha um gamepad, pois tudo se torna bem mais prático. A única exceção é ter que usar a segunda alavanca analógica do controle para direcionar a defesa do guerreiro, visto que fazer isso, se movimentar e atacar logo em seguida requer um pouco de "contorcionismo" na mão, mas nada impossível. [img]hide:aHR0cDovL2ZpbmFsYm9zcy51b2wuY29tLmJyL2ZiNC9mb3Rvcy8yMDA4LzEyLzIyNDcyMy5qcGc=[/img] Trine é um jogo muito bacana para ser jogado sozinho, mas o seu multiplayer, embora contenha algumas irregularidades, é impagável, principalmente quando há três jogadores. Cada um pode seguir com um personagem e ajudar os companheiros com seus poderes, elevando plataformas, socando pedras, etc. E a graça muitas vezes nem está em fazer as coisas de modo correto ??? as situações mais hilárias ocorrem justamente quando tudo dá errado, involuntariamente ou não. Ninguém ganha bônus por estragar a partida alheia, exceto, claro, as eventuais risadas, mas a única punição é voltar ao último checkpoint ??? o que não costuma ser muito longe. Por exemplo, podemos citar uma passagem de nossa degustação. Mocochock, o guerreiro, não conseguia pular os espinhos e morria repetidamente no mesmo lugar, acusando Vinha de estar "telando", ou seja, se adiantando, levando a câmera consigo e atrapalhando seu pulo. A verdade é que Vinha, usando o mágico, de fato ficava "telando" a todos, pois se achava onipresente. Mas o castigo sempre vem a cavalo, e nas vezes em que ele ficava cara-a-cara com uma penca de esqueletos ou aranhas, chorou e pediu socorro, enquanto o restante, sabendo exatamente o seu merecimento pela situação, ficava assistindo sua inevitável morte. Assim, da pior maneira, ele aprendeu o sentido da palavra "cooperação". Uma pena que, como citamos, há alguns problemas nesse quesito. O primeiro jogador, por exemplo, pode "forçar" a troca de personagens, ou seja, se o jogador dois estiver com a ladra, o primeiro pode "roubar" a personagem. O segundo jogador, então tem que se contentar com os outros dois que sobraram, exceto se houver um terceiro, e nesse caso esses dois ficarão fixos, enquanto o primeiro pode alternar entre os três ao seu bel prazer. Talvez tivesse sido sensato, no cooperativo, permitir que os jogadores trocassem para o mesmo personagem. Se dois ou três quisessem usar o mago, então que fosse. A produtora poderia até citar a trama como motivo para não existirem dois ou três personagens iguais na tela, visto que eles costumam conversar entre si ao início e fim das fases, e isso seria uma cena bizarra. Mas o simples fato de haver dois ou três já quebra um pouco a própria história, pois ela cita que os três estavam unidos em um só corpo e buscavam a Trine para, além de salvar o reino, que voltassem ao normal. Aproveitando a deixa, também percebemos alguns outros pormenores. Um deles é a repetição de inimigos, pelo menos no começo do jogo. Inicialmente o jogador será sempre atacado por dois tipos de caveiras (um arqueiro e um soldado), e isso se repete muitas vezes. Pelo menos mais para frente surgem outros tipos de criaturas como aranhas, trolls, e caveiras maiores, além de soldados com escudos. Pena que isso demora um pouco. [img]hide:aHR0cDovL2ZpbmFsYm9zcy51b2wuY29tLmJyL2ZiNC9mb3Rvcy85LzIvMjM1NTI5LmpwZw==[/img] Para terminar nossas reclamações, Trine vem com uma série de pequenos bugs. Um deles faz com que caixas atravessem o chão quando são empurradas por cima de dispositivos. Outro glitch permite que os usuários "levitem" com o mago ainda no início do jogo, antes que ele ganhe o poder para desenhar a pirâmide flutuante. Para fazer isso o jogador pode desenhar uma plataforma e tentar movê-la por debaixo do mago. Se ele subir na plataforma normalmente, o jogador não pode (ou não deveria poder) fazê-la subir, mas ele empurrar o mago para cima dela, aproveitando uma pedra ou parede, dá para voar bem pelo cenário. Também ocorre algo estranho quando trocamos de personagem em certas situações ??? quando o mago aparece, ele dispara em direção ao teto como se fosse um foguete. Não conseguimos descobrir exatamente como isso acontece, mas ocorreu cinco vezes em nossos testes. Até mesmo o sistema de física, embora funcione em boa parte do tempo, às vezes prega uma peça ou outra, fazendo plataformas se equilibrarem na vertical e caixas quicarem como se fossem de papelão. Vale ressaltar um ponto positivo para a versão física de Trine. Por download, o game estava sendo vendido por US$ 30 em seu lançamento, mas felizmente houve um pouco de sensatez por parte da publisher que lançou o game nas lojas por US$ 20, o mesmo preço que pretendem cobrar pela edição PS3. [t2]A favor:[/t2] [list]Gráficos bem produzidos, com cenários lindamente iluminados e encantadores; Uma boa variedade de puzzles usando, basicamente, elementos de física e plataforma; Multiplayer impagável, onde os jogadores se ajudam para ultrapassar as barreiras... ou simplesmente riem da desgraça alheia; Há uma boa diversidade de inimigos, embora no início ocorra certa repetição.[/list] [t2]Contra:[/t2] [list]Apenas o primeiro jogador pode escolher qualquer um dos três personagens no multiplayer; Alguns bugs, embora apenas um ou outro chegue a atrapalhar a experiência; Há poucas lutas contra chefes de fase; O sistema de física nem sempre funciona como se espera.[/list] [t2]Veredito:[/t2] Apesar de alguns contras, Trine é um jogo especial. Suas dezenas de puzzles de plataforma vão desafiar os jogadores das maneiras mais diferentes possíveis, e seus neurônios serão colocados à prova na hora de pensar em saídas distintas com os personagens disponíveis e suas habilidades. Combates bem fluídos, cenários luxuriantes e bem acabados, e um multiplayer impagável são suas principais características, enquanto pequenos bugs pesam contra. Ainda assim consideramos o investimento válido, pois o game oferece algumas boas horas de diversão garantida.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
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