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Análise do jogo "The Legend of Zelda: Spirit Tracks" para DS escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 9 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Cá entre nós, para um amante dos livros, nada melhor do que um bom Pocket Book. Você coloca ele na sua bolsa, ou no próprio bolso, e leva para qualquer lugar um mundo totalmente diferente daquele que está a sua volta. Esta mobilidade também é um dos grandes trunfos dos sistemas de videogame portáteis, como é o caso do Nintendo DS. A parte boa é que nele nós também podemos levar para todo o canto grandes histórias e jogos, como é o caso de The Legend of Zelda: Spirit Tracks. O game tem tudo aquilo que consagrou a série de ação e aventura da Nintendo, e, é claro, com uma excelente história como pano de fundo. Isso não fica muito claro, mas as inúmeras referências presentes no game nos levam a crer que este capítulo da série se passa alguns anos após os eventos de The Legend of Zelda: Wind Waker, lançado originalmente no Game Cube. O game conta a história de um mal que está aprisionado nos confins da terra. Após uma grande luta, os espíritos do bem aprisionaram um poderoso espírito maligno nos confins da Terra. Para impedir que ele se manifestasse novamente, os bons espíritos o prenderam com grandes correntes, cujo poder emana de uma grande torre mágica. Centenas de anos depois, os homens acabaram descobrindo uma utilidade para estas supostas correntes: elas serviam como trilhos de trem! Isso permitiu que as cidades pudessem ser ligadas umas às outras sem maiores dificuldades, contando inclusive com um sistema de transporte bastante sofisticado. ?? claro, a história dos bons espíritos soa para todos como uma grande lenda. Pelo menos até agora. Com o passar do tempo, forças ocultas descobriram uma maneira de enfraquecer estas amarras, possibilitando assim a volta deste poderoso espírito maligno. E como não poderia deixar de ser, somente o verdadeiro herói poderá impedir que este mal volte a assolar o mundo. The Legend of Zelda: Spirit Tracks é semelhante a Phantom Hourglass em inúmeros aspectos, game anterior da saga lançado no portátil da Nintendo. A grande novidade é que a produtora conseguiu transformar algumas mecânicas consideradas cansativas em algo fenomenal, somando ainda mais para a qualidade do título. O desenrolar da história também lembra mais a dos games antigos da série, agradando não só os novos fãs, mas também os veteranos. Outra mudança significativa é o sistema de locomoção de Link pelo mundo. Diferente de Wind Waker e Phantom Hourglass, onde Link contava com um barco encantado, Spirit Tracks coloca o jogador a bordo de um trem a vapor. A nova mecânica funciona de maneira excelente e ainda elimina um pouco a falta de objetividade presente em alguns momentos dos games anteriores, onde o jogador tinha total controle sobre o barco, mas não possuía rotas definidas, vagando assim pelos oceanos, muitas vezes sem um rumo certo. Agora existe a chance de nos locomovermos por meio dos trilhos, facilitando assim a exploração no mapa. Alguns destes trilhos estão apagados, enquanto outros encontram-se em situação precária de conservação. Tudo isso tem ligação direta com a história do game e cabe ao jogador descobrir como avançar, tirando proveito de tudo aquilo que o game tem a oferecer em termos de jogabilidade. A inserção dos trilhos e do trem a vapor é uma grande novidade, mas não a única. Em Phantom Hourglass, os jogadores precisavam voltar sempre em um templo, depois de matar um chefe de fase e concluir uma grande missão. Esta sem dúvidas era uma das partes mais enfadonhas do game. Imagine, ter que voltar sempre ao mesmo lugar, decorar de antemão seus puzzles e pior, fazer tudo isso dentro de um tempo pré-determinado! A idéia passou, mas não foi muito bem recebida, sendo este um dos principais contras do título anterior. Eis que a Nintendo decide então repetir a dose e adicionar em The Legend of Zelda: Spirit Tracks mais um destes lugares, onde o jogador precisa voltar sempre que mata algum boss. E com isso chegamos à conclusão de que a Nintendo não aprende e sempre comete os mesmos erros, certo? Errado. A idéia foi reaproveitada, mas a execução melhorou 100%. Ao invés de uma dungeon chata, onde era necessário decorar caminhos e correr contra o tempo, a empresa decidiu criar calabouços criativos, cada um com uma temática diferente e com puzzles distintos. A melhor parte: sem limite de tempo. Além disso, temos também a inclusão de um sistema de ação cooperativo para um só jogador. O funcionamento é simples. Você pode alternar entre Link e Zelda ??? que tem participação ativa no game e aparece de uma forma bastante característica ??? cada um fazendo uma ação ou simplesmente unindo forças na hora de transpor os obstáculos ali presentes. O resultado é incrível. A impressão é que a ação não perde continuidade e o jogador fica sempre entretido com puzzles e maneiras diferentes de avançar no game, bastando usar a cabeça e contar com sua própria habilidade nos controles. E por falar neles, mais uma melhoria. O título continua usando como método de interação principal a tela de toque do Nintendo DS. Isso significa que 90% das ações disponíveis no jogo são feitas com auxílio da stylus. A grande diferença é que os comandos foram bastante melhorados. Podemos dizer que a empresa tirou os excessos presentes em Phantom Hourglass, além de acrescentar algusn atalhos muito bem vindos nos botões digitais, facilitando ainda mais a jogatina. O uso do Microfone também está muito mais intenso. Desta vez ele não se limita à resolução de puzzles, fazendo parte integral da jogabilidade. Existem itens especiais que utilizam este recurso, como é o caso da Flauta Mágica de Zelda. Pensem em uma ocarina. Agora pense em você soprando o portátil e ''tocando'' a flauta. ?? assim que a coisa toda funciona! A impressão é de que a Nintendo quis fazer o maior uso possível dos recursos presentes no Nintendo DS. O resultado não poderia ser outro: um jogo completo e que realmente justifica a presença de todos os recursos de interação presentes no portátil da empresa. E é óbvio, isso fica ainda mais claro na resolução dos puzzles. Assim como o anterior, The Legend of Zelda: Spirit Tracks conta com uma excelente quantidade de puzzles, todos bastante criativos e alguns bem desafiadores. Eles estão presentes em vários momentos do game, seja em uma dungeon importante ou em uma vila qualquer, escondendo algum item interessante. A resolução deles pode ser feita de várias maneiras diferentes, e as variadas opções de interação oferecidas pelo portátil da Nintendo ajudam ainda mais na tentativa dos produtores de criar algo novo e envolvente. Quer saber o que também é super envolvente? As lutas contra os chefões de fase. O título reúne algumas das melhores idéias já apresentadas pelo time de desenvolvimento de The Legend of Zelda. As lutas são extremamente divertidas e, como já é de costume, cada uma é solucionada de uma forma específica. ?? como se cada batalha fosse um puzzle, só que recheado de ação ininterrupta, obrigando o jogador a pensar rápido e de forma precisa. Mais uma vez, as várias opções de interação presentes no portátil contribuem para que estas batalhas sejam criativas e divertidas. Simplesmente memorável. E como se não bastassem todas estas qualidades supracitadas, o título ainda oferece uma vida útil bastante satisfatória. Além da história principal ter uma duração considerável para um game portátil, existem também inúmeros extras a serem conquistados e desbloqueados durante o desenvolvimento da trama. Assim como nos outros títulos da série, cada vez que você avança um pouco mais começa a perceber que seus recursos atuais permitem que você alcance lugares antes indisponíveis. Esta possibilidade de exploração é algo inerente aos games da série, e obviamente não poderia ficar de fora desta versão. E para os que gostam de extrair o máximo de seus games, a Nintendo ainda preparou um modo multiplayer para até quatro jogadores. A má notícia é que nesta versão o multiplayer não é tão atraente. Este modo está limitado a uma arena onde os jogadores precisam recolher itens, enquanto tentam frear o avanço de seus adversários com armadilhas e bombas. O fato é que não é possível que os jogadores lutem diretamente entre si, o que acabou tornando a experiência menos interessante do que poderia realmente ser. Inicialmente pode até ser divertido, mas a falta de complexidade neste sentido acabou tornando a experiência rasa demais. E para terminar, nada de jogatina online. As partidas estão disponíveis somente para jogadores em rede local sem fio, o que deixa tudo ainda menos interessante. ?? claro, este é um dos pequenos pecados cometidos pelo game. Sua execução é realmente primorosa, apesar de ser um game relativamente fácil. E esta qualidade pode ser vista com maior evidência em seus gráficos. ?? neste ponto que podemos ver o esmero dos produtores com o game, apresentando-se facilmente como um dos títulos mais belos já desenvolvidos no Nintendo DS. Nota-se com bastante propriedade que o game está ainda mais bonito que Phantom Hourglass. Os modelos possuem mais detalhes, as texturas estão melhores e as animações soberbas para um portátil do porte do Nintendo DS. O design dos estágios é primoroso, facilmente um dos melhores da série. O mesmo vale para o design dos adversários e chefões de fase. Todos são bastante carismáticos, de maneira que o jogador possa os identificar facilmente. Até mesmo os efeitos especiais como partículas e a fumacinha roxa clássica estão demais nesta versão. Se você curte a série Zelda, certamente vai encarar este novo episódio como um presentão aos fãs, principalmente aqueles que idolatram até hoje o visual mais cartoon apresentado em The Legend of Zelda: Wind Waker. O som não fica para trás. A primeira impressão em relação às músicas é que a Nintendo reaproveitou as composições mostradas em Phantom Hourglass e colocou neste título. Ledo engano! Existem sim, muitas músicas presentes no game anterior que estão também em The Legend of Zelda: Spirit Tracks, mas em pouco tempo o jogador acaba sendo apresentado às novas músicas do game. As músicas antigas são excelentes, mas as novas possuem todo um toque especial. Como o jogador possui parte ativa nisso, com algumas músicas fazendo parte dos puzzles da flauta de bambu, a impressão é ainda melhor. Os efeitos sonoros também foram muito bem escolhidos e fecham com chave de ouro esta parte. [t2]A favor:[/t2] [list]A ação, a jogabilidade, a profundidade da história, a narrativa... tudo contribui para que este capítulo esteja entre os melhores da série, com certeza; Mais uma vez a Nintendo conseguiu extrair aquilo que sequer imaginávamos do Nintendo DS, nos oferecendo um game com gráficos excelentes e ótimo uso dos recursos presentes no portátil; Os puzzles presentes no game continuam bastante criativos, apesar de um pouco fáceis; As músicas são belíssimas e o reaproveitamento de composições passadas ??? sem contar as clássicas ??? não incomoda nem um pouco; O game tem uma boa duração e ainda oferece centenas de destrancáveis para quem pretende explorá-lo de cabo a rabo,[/list] [t2]Contra:[/t2] [list]O título ficou um pouco fácil demais, principalmente se compararmos com os games anteriores da série; Multiplayer é raso e meio sem graça, divertindo no início e tornando-se enfadonho em pouco tempo.[/list] [t2]Veredito:[/t2] The Legend of Zelda: Spirit Tracks é o game que todos os fãs da saga gostariam de ter em mãos. Trata-se de um título super divertido, variado, com ótima jogabilidade e puzzles incríveis. Além disso temos belíssimos gráficos, grandes composições musicais e batalhas contra chefões de fase realmente épicas. Simplesmente um título que consideramos obrigatório para quem tem um Nintendo DS.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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