.
7.5

Análise do jogo "Risen" para PC escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 7.5 de 10, enviado por Giordano Trabach,
?? incrível como algumas empresas nos fazem lembrar rapidamente de certas qualidades ou gêneros de jogos. Square Enix lembra RPGs. SNK lembra jogos de luta. EA lembra... err, tudo. Harmonix lembra jogos musicais. E Piranha Bytes lembra bugs. ?? incrível como todos os jogos da empresa são lançados lotados de pequenos problemas de programação, alguns menos nocivos, outros atrapalhando totalmente a jogabilidade. ?? o que acontece com o novo Risen. A versão para PC chama a atenção, pelo menos em princípio, pelos seus gráficos e a execução de algumas mecânicas essenciais para o game. Mas não demora muito para que o jogador perceba que o título possui inúmeros defeitos. O primeiro deles está relacionado à maneira com que a história é contada. Tudo começa ainda em alto mar. O personagem principal está a bordo de um navio, que subitamente é atacado por um imenso monstro. Uma espécie de mago lança um feitiço sobre o monstro, que em um excesso de fúria, destrói o navio, junto com sua tripulação. A ação tem início com o personagem principal acordando em uma praia, junto com uma sobrevivente mulher. E... é isso! O jogador passa a explorar a ilha ??? ou continente ??? e inúmeros acontecimentos dão início. O grande problema é que muitos destes acontecimentos não estão correlacionados. Não existe uma malha bem definida na história, de maneira que o jogador fica vagando, resolvendo quests, mas acaba sem saber qual é a sua verdadeira motivação para estar jogando. Esse tipo de narrativa é totalmente aceitável em um RPG Online, já que a graça é justamente ter uma espécie de vida virtual, mas em um título offline isso não funciona muito bem. Imagine você pegar um livro, saber o título, começar a ler e até um pouco antes da metade não ter a mínima noção do que se trata a história. A coisa é bem por aí. O jogo também peca um pouco em sua jogabilidade. A interface de Risen é bastante pobre, com um visual inicialmente confuso e pouco prática. O personagem conta com um inventário comum, como nos demais RPGs, mas que é totalmente irrelevante, além de pouco prático. A ficha de personagem traz também todas as informações necessárias sobre seus status, como dano causado pelas armas, resistência a magias e outros itens essenciais. Como é possível observar, o título é repleto destas redundâncias em relação aos comandos e todo o resto. E falando em comandos, prepare-se para ter problemas com os atalhos. O que ocorre é que o título é bastante desprovido de ajuda. Você começa a história já perdido e sem saber o que fazer. Que tal ficar sem contar com tutoriais que expliquem melhor a jogabilidade e principalmente os principais atalhos do game? Tirando o manual impresso do jogo, não existe qualquer outra indicação sobre os principais comandos de Risen. ?? preciso experimentar os botões no teclado e descobrir por si só onde ficam as coisas. Ok, não sejamos também tão duros. Em determinado momento do game você é convidado a participar de determinadas atividades que ajudam a entender melhor o sistema de batalha e principalmente o de magia. O problema fica por conta da narrativa do game ??? olha ela aí novamente! Como o título permite que você tome as ações que achar mais coerentes, mesmo que a grande maioria não tenha um sentido definido na trama, esta fase de aprendizagem pode ou não ocorrer. O pior é que não existe sequer uma garantia de que você terá acesso a todas as informações necessárias para uma boa compreensão do sistema de combate do jogo. Felizmente ??? ou seria infelizmente? ??? esta preocupação acaba se mostrando irrelevante. Acontece que o sistema de combate é simples demais e fala em muitos aspectos. Por exemplo, para desferir um golpe contra o adversário, o jogador precisa pressionar o botão esquerdo do Mouse, com sua arma em punho. A defesa fica por conta do botão direito do mouse, assim como o movimento que permite que você esquive das ofensivas adversárias. Agora vamos falar da combinação de tudo isso. O grande defeito do sistema de combate do jogo está relacionado justamente ao movimento de esquiva. ?? a única maneira de fazer seu adversário abrir a guarda, dando a oportunidade de o jogador desferir uma sequência de golpes que, pode ser ou não, primordial para a vitória. Só que para isso é necessário dar um duplo click no momento exato em que o inimigo ataca, usando o botão direito. Se for algo tão simples, onde está o problema? Está na maneira com que as lutas acontecem. Geralmente o jogador fica segurando o botão de defesa, de maneira que os adversários que estão à sua volta não causem uma grande quantidade de dano. O problema é que não há tempo hábil entre segurar o botão, soltá-lo e clicar duas vezes. O resultado disso é que temos um combate totalmente truncado, onde o adversário acaba levando clara vantagem sobre o jogador. As lutas de 1 contra 1 são sem graça, já que não é possível aparar os golpes do inimigo. O jeito então é esperar que ele abra a guarda por conta de algum movimento mal feito ou até mesmo bug do game. As lutas onde você enfrenta vários adversários são às vezes verdadeiros massacres. E por falar em bugs, eles não poderiam ficar de fora da análise. Vamos começar com o sistema de lock. Bem, ele funciona, mas apenas quando quer. O jogador não escolhe em qual adversário a câmera ficará travada, e isso muda sem que você tenha qualquer controle. A única coisa possível é tentar manter o inimigo no centro da tela, rotacionando a câmera. Obvio, isso está longe de ser o ideal. O controle de câmera também não é dos melhores. Ela não se adapta muito bem em ambientes mais fechados, além de estar disponível somente na terceira pessoa e não na primeira, como em Oblivion. Até que funciona, mas poderia ao menos existir a opção de mudar. O som também tem seus problemas. Logo no início achamos muito estranho o fato da câmera tremer feito louca em um período de aproximadamente 10 em 10 minutos. Depois de muito tempo descobrimos que na verdade existe um vulcão ativo na ilha. O problema é que não existe qualquer indicação disso e sequer é possível ver no horizonte indícios de que esse vulcão exista. E o pior: a câmera treme, mas não existe qualquer indicação sonora de que isso está acontecendo. Por algum tempo o jogador fica pensando naquilo, sem saber o que está acontecendo e depois de desistir em descobrir, a informação aparece. Existem também bugs sérios relacionados à colisão entre modelos e cenários. Por exemplo, se algum NPC bater no personagem principal usando uma arma não letal, seu personagem cairá inconsciente por alguns segundos e depois levantará. O problema é quando o seu personagem cai, atravessa o chão ou algum outro objeto e fica travado, impedido de levantar. O jogador é então obrigado a voltar no último save game, e isso nem sempre é algo agradável. A inteligência artificial também é bastante precária. Alguns adversários enxergam o personagem, ameaçam atacar, mas não fazem nada. Outros atacam ao menor sinal e alguns enxergam até pelas costas. Seguindo isto, existem também aqueles personagens que sequer possuem algum tipo de inteligência artificial definida. Isso acaba tornando o game bastante maçante em pouco tempo. A parte gráfica possui tanto créditos positivos quanto deslizes. As texturas em alguns lugares são bacanas, com um bom nível de detalhes e simulação de relevo realista. Por outro lado, os modelos deixam bastante a desejar, principalmente os humanos, que contam com uma direção artística bem estranha. Outra coisa estranha é a vegetação do game. Numa primeira vista, tudo parece belo e bem acabado. Porém o jogador acaba percebendo na verdade a vegetação é composta por sprites chapados, que sempre estão de frente para a câmera, conhecidos tecnicamente como Billboards. Você roda a câmera e a vegetação a acompanha. O ponto forte fica por conta da iluminação. Neste aspecto, a Piranha Bytes soube como trabalhar. As nuances de luz são bastante suaves e realistas, tal como a mudança dinâmica de dia para noite. O resultado é bem bacana. Uma pena que o resto não acompanhe esta qualidade, pelo menos não em sua totalidade. O som é bastante mediano, tanto nas músicas quanto nos efeitos sonoros. A composição de abertura lembra a música principal de Fallout 3 de uma maneira inacreditável, quase uma cópia. ?? praticamente impossível ter jogado ambos os jogos e não perceber a semelhança. As demais músicas seguem esta linha de ''instrumental orquestrada'', mas não chegam a se destacar. Não são excelentes, mas também não chegam a ser desagradáveis. Os efeitos sonoros sim deixam um pouco a desejar em determinados momentos. Alguns não estão bem relacionados com os objetos correspondentes, ou determinadas ações. As dublagens também estão apenas Ok, e não chamam a atenção de alguma maneira positiva ou negativa, mostrando-se neutras. [t2]A favor:[/t2] [list]O game é grande e possui material suficiente para aqueles que gostam de gastar horas e horas explorando vastos cenários; A inteligência artificial de vez em quando apresenta algumas ações interessantes, como você entrar em um aposento que não é seu e automaticamente os guardas mais próximos ficarem atentos às suas ações; Liberdade para ir e vir, tomando rumos diferentes na trama, mesmo que esta por si só não seja muito definida.[/list] [t2]Contra:[/t2] [list]História demora a engrenar demais, fazendo que o jogador avance sem saber muito do que se trata a trama; O acabamento do game de uma maneira geral é ruim, com controles falhos, interface mal feita e outros problemas um pouco chatos para um título do gênero.[/list] [t2]Veredito:[/t2] Risen pode até divertir, mas demora muito a engrenar. A história é arrastada e o game possui muitos pequenos defeitos. O sistema de combate é truncado e falho, e o título possui inúmeros bugs. A impressão que dá é de que estamos lendo um livro que já chegou até perto da metade e ainda não definiu bem a direção da trama. Se você é um daqueles que liberdade e grande quantidade de conteúdo são mais importantes do que acabamento final, então este é um game a ficar de olho. Caso contrário, saiba que Risen possui muitos problemas, alguns estéticos e outros um pouco mais graves. A escolha é sua.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
Membro desde
23 anos, Espírito Santo
label