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9.1

Análise do jogo "Machinarium" para PC escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 9.1 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Um quadro, normalmente, não se mexe. Por mais que uma pintura seja viva e expressiva, com técnicas centenárias aplicadas sobre a tela, a figura ali não vai se mexer, não vai saltar na sua frente e não vai criar vida. Entretanto, e se isso, porventura, ocorrer um dia? Você ficaria atônito, sem palavras, completamente petrificado, ou maravilhado com tamanha vida gerada através daqueles traços e tintas? Pode-se dizer que já podemos ter reações parecidas, graças às maravilhas da tecnologia do século XXI, e, é claro, com a ajudinha de um time de produção competente, capaz de fazer uma obra de arte criar vida e sair andando por aí, quase que literalmente. Quando nos referimos a obra de arte, claro que estamos falando de um game, nosso assunto principal. ''Machinarium'' é um título da produtora independente Amanita Design, formada por um pequeno grupo de desenvolvedores da República Tcheca. Hoje, para muitos, a ideia de ''produtora indie'', como são chamadas, dá a entender a produção de um jogo simples, sem muitas firulas, mas de imensa qualidade. Infelizmente, há o outro lado da moeda, pois produtoras ''indie'' também são responsáveis por algumas bombas, ou jogos experimentais que não saíram de acordo com o planejado. Para não criar guerras, não vamos citar nomes, mas tenha em mente que de tais produtoras é que saem as maiores surpresas atuais da indústria. ''Machinarium'' é uma delas. O jogo é o clássico adventure de apontar e clicar. Remetendo ao popular estilo de game presente, primordialmente, em computadores nas décadas de 80 e 90, ''Machinarium'' traz a aventura de um simpático robôzinho em busca de algo perdido, em uma luta constante contra malfeitores que querem ver sua desgraça. Yosef, o nome da simpática criatura, é uma máquina capaz de andar, erguer objetos, entre outras tarefas. Mas, sem dúvidas, sua principal habilidade é pensar, o que ele faz com a ajuda do jogador. Neste game, você controla todas as ações se Yosef a partir de cliques em determinadas localidades ou objetos que ele deverá ir ou coletar. Como em todo ''point & click'', muito familiar para aqueles que estão acostumados a jogar os clássicos da LucasArts, ou títulos como ''Myst'', ''Runaway'' ou até mesmo o mais recente ''Zack & Wiki: Quest for Barbaros Treasure'', para o Wii. O principal mote de ''Machinarium'' está na forma com que a história é contada. Não aguenta ler 500 mil linhas de diálogo em um RPG ou adventure? Sem problemas, este jogo não tem uma palavra sequer em todo o momento, ao menos não uma lida. Toda a saga do simpático Yosef é contada através de figuras, expressões e até balões imaginativos da cabeça do personagem. Aliás, até o nome do próprio só ficamos sabendo se lermos no site oficial ou no manual do jogo. A linguagem utilizada pelo título é mais do que interessante, e até desafiadora. Casa bem com um adventure, justamente por fazer com que a imaginação do jogador seja ainda mais trabalhada. Outro destaque fica por conta dos gráficos, como já comentamos rapidamente no início desta análise. Não pense que ''Machinarium'' é um título pesado, já que ele roda em Flash. Sim, aquela mesma tecnologia que te permite assistir vídeos no YouTube ou visualizar boa parte dos itens aqui mesmo, no FinalBoss, por exemplo, como campos nos menus. A jogada aqui não foi produzir um motor gráfico próprio e sim usar a animaçao em flash como principal fonte. Se você tiver um PC que consiga reproduzir isso (praticamente todo e qualquer computador existente em funcionamento), você não terá problemas em rodar o game. Com isso, foi possível reproduzir gráficos altamente artísticos, que lembram, e muito, uma artwork em movimento. Quando você se depara com uma tela parada de ''Machinarium'', você não pensa de pronto que se trata de uma tela ''in-game'', e logo acha que trata-se de um estudo de arte da produção do jogo. Ledo, e belo, engano. Alguns pequenos erros se escondem nas entranhas de ''Machinarium''. Sendo um adventure, ele deve ser, realmente, desafiador, mas isso não indica que ele deve apresentar partes sem sentido, o que ocorre em poucos momentos. Não que isto seja errado, mas algumas soluções para os quebra-cabeças podem parecer um pouco forçada, mesmo para aqueles com imaginação fértil. Felizmente, há um criativo sistema de FAQ em dois níveis. Primeiro, ao chegar em um cenário, você tem logo uma ideia fornecida pelo jogo do objetivo que deve ser alcançado. Se não conseguir, o game possui ainda a explicação completa do caminho, no ''livro de walktrough'', localizado no topo da tela. Se optar por utilizar esta função, o jogador, primeiramente, será desafiado para uma partida de um típico game shooter, daqueles de ''navinha''. Outro pequeno problema encontrado aqui está na sucessão de tentativa-e-erro, que pode frustrar os menos preparados, defeito agravado com a ausência de um sistema que reinicie um cenário, sendo necessário sair do jogo e carregar seu savegame novamente para ''zerar'' todos os seus erros. Entretanto, não é nada que atrapalhe a maestria que ''Machinarium'' se revela. [t2]A favor:[/t2] [list]Trabalho artístico belíssimo, com gráficos que lembram artworks, mas em movimento; Soluções criativas e inteligentes em boa parte do jogo estão a espera dos jogadores; A trilha sonora colabora com a ambientação, com temas contidos, na medida; A própria ambientação é uma bela mistura com o clima dos filmes de Tim Burton com aqueles desenhos educativos da Rede Cultura; Apesar da história se desenrolar sem diálogos falados ou com apoio em texto, qualquer pessoa vai entender facilmente; O preço final ??? US$ 20 - pode parecer meio salgado para um adventure ''simples'' sem extras, mas o game acompanha trilha sonora original em MP3. E vale a pena dar uma força ao estúdio, que bancou o desenvolvimento de forma independente.[/list] [t2]Contra:[/t2] [list]Alguns cenários podem confundir os mais incautos, com tarefas e efeitos um pouco inexplicáveis; Poderia ter uma opção de reiniciar cenário, para zerar seu percurso caso tenha cometido algum engano.[/list] [t2]Veredito:[/t2] Dizem que um quadro não se mexe. ''Machinarium'' chega direto contra esta teoria, que em 99,9% está até certa. A verdade é que o título é, de fato, uma obra de arte em movimento, com gráficos que remetem a artworks estáticas, mas que fluem pela tela de seu computador. Felizmente, para quem aprecia o game, ele não se resume a um belo trabalho artístico, e traz também uma jogabilidade cativante, ainda que seja um adventure ??? ou seja, sem muitas variações na gameplay. Isso sem falar na história, singela e que mostra, apesar do clichê, que uma máquina pode amar. Vale o preço, bem como horas gastas de jogatina.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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