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9.5

Análise do jogo "Grand Theft Auto IV: The Ballad of Gay Tony" para X360 escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 9.5 de 10, enviado por Giordano Trabach,
"Existem muitos lados para a mesma história" pode soar como um ditado extremamente batido, mas está bem longe de estar errado. Muitos filmes e livros usam deste artifício para enriquecer suas histórias, e os videogames não são exceção. Depois da saga de Niko Bellic em Grand Theft Auto IV, os jogadores da versão Xbox 360 puderam conferir um outro lado de Liberty City ao controlar o motoqueiro Johnny Klebitz na expansão The Lost and Damned... e eis que o livro desta cidade remetente à Nova Iorque se fecha com seu último episódio extra por download: The Ballad of Gay Tony chegou e se aproveita bem da trama dos anteriores para apresentar uma nova aventura. Neste episódio, o jogador controla o dominicano Luis Fernando Lopes, guarda-costas, associado e faz-tudo de Tony Prince (o "Gay Tony" do título), o rei da noite de Liberty City. Devendo grana a torto e a direito e enfrentando seus próprios demônios ??? que vem nas formas dos cobradores da máfia, um namorado pra lá de interesseiro e mau-caráter e o abuso de drogas ??? o patrão de Luis conta com sua ajuda tentar sair deste buraco enquanto mantém as aparências. Mas como desgraça pouca é bobagem, nem todas as decisões que Luis deve obedecer dão em boa coisa... e as coisas tendem a complicar quando os amigos de infância do herói continuam tentando seguir a vida torta do tráfico, sua mãe cai no conto do agiota que não hesitará em tomar atitudes violentas caso não pague... enfim, a vida do ex-detento que preferia levar uma vida mais tranquila não é nada fácil, e suas companhias certamente não ajudam. A trama de The Ballad of Gay Tony faz um ótimo uso das referências cruzadas dos volumes anteriores desta edição de Grand Theft Auto. O formato continua como no filme "Pulp Fiction: Tempo de Violência", onde certas missões das quais seu personagem participará estão diretamente ligadas a outros eventos mostrados nos outros jogos ??? seja da referência leve, como Armando e Henrique citando que Carmen (um dos possíveis namoros de Niko Bellic) é uma mulher meio "fácil", a outras onde os personagens se encontram cara a cara. Estes momentos cruzados são realizados de maneira ainda mais interessante do que em The Lost and Damned... existir mais conteúdo a ser explorado também ajuda, e quem jogou os dois reconhecerá na hora. Gay Tony traz novidades na jogabilidade, e uma das mais interessantes é um sistema de desafios ligados a cada missão. Ao aceitá-las e cumpri-las, uma lista de requisitos é apresentada ao jogador; os resultados são armazenados e enviados à sua conta no Rockstar Social Club. No entanto, se o jogador morre ou vai preso na missão, este resultado não é usado pelo RSC. E aí, como fica para aqueles que querem cumpri-las no máximo? Simples: ao zerar a trama principal de Gay Tony, uma das opções do celular de Luis permite jogar as missões de novo e tentar realizar os desafios extras, assim dando mais motivos para revisitar o jogo. O jogo oferece novos veículos e armas ??? como o blindado da N.O.O.S.E. (uma unidade móvel com um canhão), que remete às priscas eras do tanque de guerra do GTA original; um explosivo aderente também ajuda bastante em certas missões... jogue-o no alvo, espere que grude e o detone à distância ??? diversão garantida! Além disto, uma das atividades extras do jogo toma os ares da cidade: o BASE jumping. O que começa como parte de algumas missões (como se jogar de um helicóptero e pousar no topo de um prédio) também é uma atividade extra para os completistas de plantão. Bastando comprar um paraquedas de seu amigo Armando, algumas localidades da cidade oferecem esta possibilidade, e o objetivo é pousar em certos alvos ??? às vezes estáticos no cenário, e em outras em veículos em movimento. ?? bem desafiador, e é um bom passatempo para quebrar o gelo. Além disto, um elemento que pareceu ficar no proverbial banco de trás do jogo ??? o combate mano-a-mano ??? ganhou todo um valor extra com a modalidade "L.C. Cage Fighters". Este circuito ilegal de lutas valendo grana coloca o jogador em uma série de combates em uma arena fechada, com tantos inimigos por vez, vencendo quem ficar de pé por último após vários rounds. Além disto, também rola a aposta em outros lutadores ??? o que também é uma excelente pedida entre os assaltos de suas próprias lutas, dado que nem sempre os desafiantes jogarão limpo e poderão vir com tacos, facas e afins... dar esta paradinha recupera sua energia ??? aí o negócio é saber usar o sistema de combos, esquiva, contra-ataque e desarmamento de seu oponente para não ir direto dali para o hospital. Outra atividade é o gerenciamento das boates de Tony: o escritório principal fica na Maisonette 9, que atende a todos os públicos. ?? possível tirar um pouco do horário noturno para fazer as rondas e ver se alguém está causando problemas (e expulsar o maldito de lá)... e quase sempre culmina em uma missão mais inusitada, seja na própria M9 ou no Hercules (direcionado ao público gay, com direito a barman sem camisa e go-go boys). Seja para expulsar os paparazzi que flagraram um rapper de sucesso na noite gay ??? e ele claramente não quer isso, pois era segredo ??? ou buscar comida em outro bairro para uma supermodelo mimada, Luis tem uma vida bem ocupada e variada na noite. Pelo menos os drinks são grátis, e é possível dançar com a mulherada ??? naturalmente, em um minigame de dança dividido em duas partes: uma onde se marca o ritmo com os analógicos e os gatilhos; e a seguinte, quando rola a dancinha coreografada com a galera, que mais nos moldes dos "quick time events". A maneira como a trama é apresentada é interessante, e Luis é um personagem mais envolvente do que Johnny, e por pouco não empata com Niko. Ele trata Tony como um amigo de verdade ??? nem que isso envolva ter que carregá-lo para a pia e dar um banho de água fria, ou mesmo nocauteá-lo quanto ele beira perder a noção por causa das substâncias controladas ??? pois ele tem uma dívida de gratidão com ele. Os novos coadjuvantes também são bacanas, como Mori Kibbutz (conhecê-lo explica muita coisa da atitude de Bruce, o louco por carros e malhação do primeiro jogo) e Yusuf Amir (um árabe muito louco que só pensa em grana, mulher e construção de prédios). Por fim, a empresa continua antenada nas tendências atuais, a ponto de ter uma missão envolvendo um blogueiro queima-filme e outra com um sujeito que precisa ser encontrada pelo microblog Bleeter. Soa familiar? Ah, sim: para aqueles que prestaram atenção nos anúncios fictícios de rádio dos outros jogos, surpresa - finalmente podemos conferir um episódio de "Princess Robot Bubblegum", o anime de grande sucesso em Liberty City. ?? só ligar a TV na casa de Luis: um dos canais passa um longo capítulo repleto de zoações com os desenhos japoneses, o marketing óbvio, a heroína de pouquíssima roupa e outros clichês. E como é de se esperar, o anúncio dos bonequinhos, cards colecionáveis, mangá, videogame, boneca inflável e o diabo a quatro. O estilo visual do game continua fantástico, com uma atenção em especial para o interior das boates de Tony ??? a iluminação, a pista de dança colorida, os estilos claramente diferentes da Maisonette 9 e da Hercules... dá para notar que a Rockstar deu uma atenção ainda maior do que às casas de strip originais. A animação também é boa, e as sequências de dança também ajudam na impressão. E como é de praxe, a direção das intermissões mostrando a trama continuam com o alto padrão de qualidade da empresa. Um elemento que tinha ficado de fora de The Lost and Damned e voltou neste é a variação de roupas para o personagem; além da roupa vista nos trailers, outras são destrancáveis, como o terno preto para as missões nas boates. Por fim, é bom lembrar de tirar as crianças da sala mais uma vez: mesmo sem nudez direta, o jogo tem sequências muito, muito picantes. Para começo de conversa, digamos que Joni - a secretária de Tony - tem bem mais do que uma quedinha por Luis... e o herói se dá bem em mais de uma ocasião. A execução geral de The Ballad of Gay Tony é tão boa que nos deixou questionando certas coisas dos capítulos anteriores. Claro que não é justo citar isto como um problema dos anteriores por se tratar de uma novidade do mais recente, mas o esquema de missões com objetivos ocultos é tão legal que ficamos pensando se não havia maneira fácil de implementar estes elementos nas missões de GTA IV e The Lost and Damned de forma retroativa. Seria interessante ver este tipo de inclusão ??? assim como o sistema de checkpoints durante as missões de TLaD - fará parte do próximo jogo da série. E queremos descobrir quem diabos teve a fantástica ideia de incluir a música da menininha cantarolando em Português no jogo, pois vai dar trabalho tirar aquele refrão grudento e irritante da cabeça ("leruleru lerulê, leruleru lerulá / vem menina, vem sem medo / que eu vô lhe ensiná", enxágue e repita até o fim dos tempos). [t2]A favor:[/t2] [list]Missões mais loucas e radicais do que as dos outros episódios; Atividades paralelas para todos: BASE jumping, "clube da luta", golfe, air hockey e briga de gangues; ??timo uso de GTAIV e The Lost and Damned nas tramas cruzadas; Sistema de desafios extras por missão garante o fator replay; Dançar com a galera nas boates do patrão; PRINCESS ROBOT BUBBLEGUM![/list] [t2]Contra:[/t2] [list]Tirar da cabeça a maldita canção em Português que toca na Maisonette 9 e na rádio ElectroChoc; As melhorias incrementais são tão bacanas que bate uma pena de não servirem aos anteriores; Ter que esperar por GTA V.[/list] [t2]Veredito:[/t2] Grand Theft Auto: The Ballad of Gay Tony fecha com chave de ouro a nova saga de Liberty City. Usando e abusando dos elementos das tramas dos antecessores diretos desta geração, a segunda expansão traz missões ainda mais loucas do que antes (como as que envolvem paraquedismo e BASE jumping, além do incrível assalto ao metrô) e uma motivação a mais para jogar: um sistema de objetivos ocultos a cada missão. Mesmo se o jogador não cumpri-las de primeira, é possível revisitá-las e melhorar sua pontuação depois que zerar o jogo. Esta expansão também se sai bem pela variedade de atividades a serem realizadas na cidade, como o gerenciamento das boates, dançar com a galera, e o circuito ilegal de lutas valendo grana. Como se tudo isso não bastasse, os personagens e a trama são interessantes demais, e mostram mais uma visão do épico da Rockstar. Imperdível.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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