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8.5

Análise do jogo "Ghostbusters The Video Game" para X360 escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 8.5 de 10, enviado por Alan Bessa,
Quando jogos baseados em filmes são produzidos, eles geralmente sofrem de um mal comum. O fator prazo costuma atrapalhar o desenvolvimento de tais títulos, que precisam estar nas lojas a tempo da chegada do filme nos cinemas, tudo em nome do marketing. Não estamos criticando o modo capitalista do mundo moderno, pois é assim mesmo que funciona hoje em dia. Mas, contudo, porém e entretanto, nem por isso estamos proibidos de ficarmos tristes quando sai um jogo daquele filme pipoca que você adorou que não corresponde às expectativas. Os exemplos são muitos, pois raras são as exceções de jogos de filmes que são bons. Além disso, a maioria destas exceções se deve pelo fato de que tais jogos não saíram com a pressão de um filme, como The Warriors e The Godfather. Não por acaso, o assunto desta análise é similar aos jogos citados, pelo fato de ser baseado em um filme antigo, mais precisamente, dos anos 80. Se você tem pelo menos 20 anos, sabe quem são os Caça-Fantasmas. Um dos ícones do cinema, o filme modernizou um conceito antigo de temas assombrados e consagrou alguns nomes em Hollywood, como boa parte do elenco. O filme original, Ghostbusters, chegou às telonas em 1984 e ganhou uma sequência anos mais tarde, em 1989. A história, uma das mais divertidas e carismáticas do cinema, contava a saga de um grupo de caçadores de fantasmas e outras criaturas similares (e arrepiantes). Em Nova York Peter Venkman (Bill Murray, de ''O Feitiço do Tempo''), Ray Stantz (Dan Aykroyd, de ''Cônicos e Cômicos'') e Egon Spengler (Harold Ramis, roteirista de diversos filmes) são três cientistas do departamento de psicologia da Columbia University, que se dedicam ao estudo de casos paranormais. Mas quando os recursos financeiros se esgotam, eles são despedidos. Assim, Venkman sugere que tenham um negócio próprio, mas como não têm dinheiro fazem empréstimos e inauguram uma exterminadora de fantasmas chamada "Ghostbusters", funcionando em um prédio do Corpo de Bombeiros abandonado e um veículo Manhattan Spirit, apelidado de ECTO-1. Após conseguirem o primeiro trabalho oficial com Dana Barrett (Sigourney Weaver, a eterna Tenente Ripley de ''Alien'', que resolveu ficar de fora da dublagem do game), que sofria com uma infestação de fantasma em sua casa, os ''Ghostbusters'' fazem fama e são acionados em diversas ocasiões de ameaça sobrenatural, conseguindo sua primeira captura pública em um hotel. Com o tempo, o grupo fica sobrecarregado de trabalho e contratam Winston Zeddmore (Ernie Hudson, ator de diversas séries como ''Os Gatões'' e ''Esquadrão Classe A''), que nada sabe de assuntos paranormais mas quer um emprego que pague bem. Mais tarde, a equipe - já com quatro membros ??? finalmente descobre a ameaça principal que aterrorizava a vida de Dana ??? Gozer ??? o nêmesis central do filme, que logo encontra seu fim nas mãos dos caçadores. ''Os Caça-Fantasmas'' foi um estrondoso sucesso na sua época e possui uma legião de fãs que perdura até os dias de hoje. O segundo filme, na opinião dos fãs, pode não ter superado o primeiro em diversão, mas ainda assim é uma grande produção. O que se seguiu foi uma onda de marketing em cima da franquia, com histórias em quadrinhos, bugingangas, videogames e desenhos animados. Mas, ao longo dos anos 90, a série foi dando uma esfriada e sendo um pouco esquecida. A promessa de um terceiro filme começou nesta mesma época e perdura até hoje. Graças à onda de revival dos anos 80, os Caça-Fantasmas ganharam força novamente e, assim, o novo filme está às portas de ser produzido, a começar por um novo game, que serve de re-introdução dos personagens. De acordo com Dan Aykroyd, roteirista de Ghostbusters: The Videogame, o game é o que ''Os Caça-Fantasmas 3'' deveria ter sido nos anos 90. Dessa forma, o título realmente funciona como um terceiro filme, mas podemos tratá-lo como sendo o ''Caça-Fantasmas 2.5''. A história se passa em 1991, dois anos após os eventos de ''Os Caça-Fantasmas 2'', onde os agentes do paranormal derrotaram o vilão Vigo, o soberano dos Cárpatos. O jogador controla um personagem chamado apenas de ''Rookie'', ou calouro em português, um recém-contratado para os Caça-Fantasmas, elevando o grupo a cinco membros. O tal ''Rookie'', ou seja, você, já chega em má hora, quando soa o alarme, indicando uma nova ameaça fantasma que surgiu na cidade. A história não se desenvolve muito além disso e, basicamente, narra a caça a diversas entidades que misteriosamente fugiram de seu cativeiro e estão aterrorizando alguns locais da cidade de Nova York. As entidades são carinhas bem conhecidas dos fãs da série ou de pelo menos quem já viu algum dos filmes. O jogo apresenta, em versões digitais fiéis, inimigos como Geleia, Gozer, Vigo, a dama da livraria, entre outros. A história nos introduz a alguns novos personagens, como o novo prefeito da cidade ??? Jacques Mulligan (voz de Brian Doyle-Murray, irmão de Bill Murray) - e a Dra. Illyssa Selwyn (voz de Alyssa Milano). Falando em vozes, todos os atores dos personagens principais estão em seus lugares, dublando seus respectivos caça-fantasmas, o que é ótimo, já que tal ponto positivo é somado à fidelidade com que os modelos digitais foram desenhados. Podemos citar ainda a participação da atriz Annie Potts, a eterna telefonista Jeanine que atendia os chamados no quartel general com aquela boa vontade. A jogabilidade é estritamente fiel ao clima dos filmes, mas ao mesmo tempo é altamente inspirada em games de sucesso. Não se espante ao lembrar de jogos como Resident Evil 4 e 5 ou Gears of War ao se deparar com mecânicas similares, como a movimentação de seu personagem, no estilo ''tanque'', ou o sistema de ''corridinha'', retirado do jogo da Epic. Não há qualquer tipo de HUD na tela, sua energia é medida com um efeito de borrão vermelho que vai aumentando a medida que seu personagem apanha. Se você ''morrer'', o que é um pouco difícil de acontecer, logo um personagem controlado pelo computador vem ajudar. Isso dificulta que você efetivamente perca e se depare com uma tela de Game Over. Para não dizer que não temos HUD, há um pequeno contador de danos causados ao cenário (somado em dinheiro, mas não se preocupe, isso é um tipo de high score e o objetivo é destruir o cenário mesmo), mas somente isso. Até o medidor de sobrecarregamento da sua mochila de prótons é exibido na própria mochila. Falando em mochila, mais para a frente o jogo adiciona novas munições para seu disparador, cada uma própria para uma determinada situação. O combate, porém, se dá de forma extremamente aditivante e emocionante. A sensação que o combate passa é de realmente estar aprisionando os fantasmas de forma coerente e realista, na medida do possível desse realismo. Controlando seu personagem com um analógico, a mira é controlada pelo outro. O raio de prótons é liberado com o botão superior traseiro do joystick. Tal raio faz com que o fantasma alvo enfraqueça, diminuindo sua energia marcada em uma retícula de tracinhos verdes. Quando a energia da criatura chega fica vermelha, é possível aprisioná-lo em seu raio e ficar ''rebatendo'' com o fantasma nas paredes e no chão para deixá-lo tonto. Feito isso, jogue sua armadilha no chão e direcione o fantasma para sua abertura, e aí ocorre um das partes mais interessantes. O fantasma obviamente não quer ser pego e, por isso, vai tentar fugir de todas as maneiras do feixe da armadilha. Para que isso não ocorra você deve segurá-lo com todas as suas forças em seu raio de prótons, não deixando com que ele saia do feixe da armadilha. O efeito, tanto visual quanto em termos de jogabilidade, é de alta qualidade e realmente te faz sentir estar ali no momento. Não esqueça de recolher a armadilha deixada no local! Há ainda o medidor de PKE, ou Psycho-Kinetic Energy meter, que ajuda a localizar fantasmas escondidos em objetos ou pessoas. Com o PKE é possível catalogar cada criatura, dos 55 fantasmas presentes no game. O jogo permite que você controle apenas um personagem, mas isso não quer dizer que ele vá sozinho nas missões. Os outros quatro Caça-Fantasmas sempre te acompanham. Em alguns momentos você só está com um, mas é normal andar em companhia dos quatro. Podemos dizer que o trabalho realizado na inteligência artificial é satisfatório, mas alguns problemas ainda ocorrem e atrapalham um pouco. Houve uma fase em que ficamos presos, sem poder avançar no cenário, pois dois personagens que nos acompanhavam ficaram simplesmente andando contra a parede, sem possibilidade de empurrá-los. Por sorte, bastou esperar um pouco para que a ''travada'' terminasse, mas um jogador menos paciente iria aplicar o reset e perder o progresso conseguido naquela fase. O que nos leva a outro problema: o sistema de saves e checkpoints. O sistema de saves é falho pois não indica quando o jogo está sendo guardado. Nos estágios, se você acabar morrendo, vai voltar uma boa parte, pois os checkpoints são um pouco distantes. O jogo, como um todo, é relativamente grande. A aventura principal pode ser terminada em cerca de seis ou sete horas. Esse tempo pode se estender por volta de 10 horas para jogadores que se importarem em procurar todos os segredos de cada fase, bem como tentar realizar o upgrade de todos os seus equipamentos, ou catalogar todos os fantasmas e ameaças encontradas pelas missões. Estes extras dão um charme maior ao jogo e impede que ele se limite a ficar apenas no setor de ''caçar fantasmas maus'', colaborando para reforçar o clima dos filmes, onde a história e os personagens também eram desenvolvidos. Para prolongar a experiência há ainda o multiplayer, somente online, que coloca até quatro amigos para jogarem em modo cooperativo capturando fantasms. A modalidade é interessante e envolve alguns tipos de sub-jogos como ''Survival'', onde o tempo conta na captura de fantasmas, ou o ''Slime Dunk'', para competir e ver quem captura mais criaturas do que os amigos. No modo online existem ainda alguns níveis exclusivos, que não estão presentes no modo para um jogador. Graficamente falando, Ghostbusters: The Videogame é um belo destaque. Já citamos que os atores estão bem representados em suas versões digitais, o que é uma verdade, a semelhança chega a ser assombrosa, com o perdão do trocadilho. Em geral, os cenários também são bem construídos, amplos e com modelagens decentes. Além disso, boa parte dos objetos são destrutíveis, tornando a experiência um pouco mais realista. Os fantasmas estão um show a parte, com efeitos idênticos aos vistos nos filmes originais, mas obviamente com melhorias tecnológicas, porém sem perder o clima old-school de efeito especial de filme antigo (que, diga-se de passagem, não era nem perto de ser tosco já na época). Entre as plataformas, há uma pequena diferença de gráficos entre as versões PS3 e 360 de Ghostbusters. O resultado é mais satisfatório no console da Microsoft, já que, inexplicavelmente, o título é exibido em uma resolução menor no PlayStation 3, fazendo com que seus gráficos fiquem um pouco mais pixelados e menos definidos quando exibidos em telas de alta definição. Não há muito o que falar sobre a parte sonora a não ser que é um grandes destaques do título. A famosa música tema do filme ??? Ghostbusters, de Ray Parker Jr. (veja o clipe abaixo!!) - é reprisada em diversos momentos, como na introdução e nas telas de loading. E, falando sério, quem é que se cansa de uma música divertida como essa? Você estaria mentindo se negar que adora repetir o refrão. A dublagem, já citada parágrafos acima, também está em alto nível de qualidade, bem como efeitos sonoros em geral. Ghostbusters: The Videogame é um belo presente para os fãs da franquia do cinema, ou do cinema como um todo. O game passa todo o clima divertido dos filmes, com as mesmas sacadas, diálogos e, principalmente, personalidade dos caça-fantasmas. Isto graças ao belo trabalho de dublagem de dublagem e pela participação direta de boa parte do elenco original na produção. Deixando um pouco do gênero ''filme'' de lado, como jogo Ghostbusters também se destaca, utilizando elementos de séries consagradas como Resident Evil e Gears of War, adicionando uma jogabilidade de captura de fantasmas que chega a ser emocionante. Se você é da ''geração anos 80'', viu Caça-Fantasmas no cinema, ou se curtiu os filmes mais para a frente, na Sessão da Tarde, o jogo é altamente indicado, principalmente pelo fator nostalgia. E que venha ''Os Caça-Fantasmas 3'', se os deuses do cinema ajudarem. [b]A favor:[/b] - Dublagem com o elenco original de caça-fantasmas chega a derrubar lágrimas de emoção; - O mesmo vale para o tema musical dos filmes, que toca em algumas partes do jogo e nas telas de loading; - A jogabilidade é criativa e passa o clima perfeito de captura de fantasmas dos longa-metragens, com toda a emoção possível; - Gráficos caprichados demonstram um alto nível de cuidado da produção; - Ghostbusters 2.5: Preparando terreno para o próximo filme. [b]Contra:[/b] - Algumas sequências podem ser repetitivas, como enfrentar alguns inimigos iguais repetidas vezes; - Os sistemas de saves e de checkpoint são um pouco falhos e podem atrapalhar os menos incautos; - A inteligência artificial não chega a comprometer, mas não é das melhores; - Poxa, Sigourney Weaver, por que ficou de fora? [b]Veredito:[/b] Ghostbusters: The Videogame é um belo presente para os fãs da franquia do cinema, ou do cinema como um todo. O game passa todo o clima divertido dos filmes, com as mesmas sacadas, diálogos e, principalmente, personalidade dos caça-fantasmas. Isto graças ao belo trabalho de dublagem de dublagem e pela participação direta de boa parte do elenco original na produção. Deixando um pouco do gênero ''filme'' de lado, como jogo Ghostbusters também se destaca, utilizando elementos de séries consagradas como Resident Evil e Gears of War, adicionando uma jogabilidade de captura de fantasmas que chega a ser emocionante. Se você é da ''geração anos 80'', viu Caça-Fantasmas no cinema, ou se curtiu os filmes mais para a frente, na Sessão da Tarde, o jogo é altamente indicado, principalmente pelo fator nostalgia. E que venha ''Os Caça-Fantasmas 3'', se os deuses do cinema ajudarem.
Fonte: Finalboss
Alan Bessa
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