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Análise do jogo "Dragon Age: Origins" para PC escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 9 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Fãs ardorosos de RPG são criaturas complexas. E não é à toa: não é uma tarefa fácil transcrever todas as nuances e regras de um RPG de mesa para os videogames. São muitas variantes que podem representar mais uma grande dor de cabeça do que uma solução para os programadores. Ainda assim, algumas empresas se dedicam na tentativa de tentar aproximar ao máximo estes dois mundos, e uma delas é a Bioware. Um de seus principais lançamentos neste sentido foi o game Neverwinter Nights, título que trazia não só uma mecânica totalmente baseada em um RPG de mesa, neste caso o próprio Dungeon and Dragons, mas também permitia que os usuários pudessem criar e ''mestrar'' suas próprias aventuras por meio da internet. O tempo passou, o segundo Neverwinter Nights chegou, mas a magia parecia ter se findado. Após uma sequência repleta de bugs e extremamente pesada para a época, ficou a dúvida se a empresa conseguiria repetir a façanha obtida com o primeiro game. A resposta é sim e vem sob a alcunha de Dragon Age: Origins. Diferente de Neverwinter Nights, Dragon Age não é calcado em um sistema de regras e resolução de batalhas conhecido. No lugar disso ele faz uso de seu próprio sistema. A decisão foi sábia já que tornou o título bem mais amigável para aqueles que nunca tiveram contato com um RPG de mesa tradicional, infelizmente uma atividade cada vez mais rara entre os jovens de hoje. Diferente de Neverwinter Nights, a mecânica de resolução de ações é feita de maneira invisível ao jogador. Se no primeiro era possível ver os testes de resistência, dano e concentração para habilidades especiais, neste a coisa funciona mais próxima do que estamos acostumados no mundo dos games. Outra diferença crucial entre NWN e Dragon Age está relacionada à interface do jogo. Enquanto o primeiro trazia um visual complexo e considerado por algumas pessas pouco funcional, dada sua imensa gama de opções no desenrolar da história, abrindo precedentes até mesmo para a interpretação total dos personagens, Dragon Age permite uma interação mais direta, lembrando um pouco a interface padrão utilizada nos RPGs online. Ainda assim, restam algumas semelhanças entre os games, a começar pelo sistema de criação de personagens. ?? claro que em NWN este sistema era um pouco mais complexo, mas isso não significa que o de Dragon Age seja simples. Nele é possível definir vários detalhes relacionados ao seu personagem, como formato do rosto, cor de pele, cabelo, voz, além de outros dados mais voltados pra sua interação com a história, como raça, atributos básicos, habilidades primárias, habilidades relacionadas à sua classe e também uma especialização. Um fato importante é que tanto a escolha da raça quanto da classe do seu personagem influencia diretamente no desenvolvimento da história. E falando em história, prepare-se para ficar frente a frente com uma das mais complexas e intrincadas tramas já feitas no estilo. A história do game é muito bem feita, começando com o desenvolvimento de alguns clichês clássicos no estilo, mas evoluindo para algo cada vez mais épico. E como as suas ações influenciam diretamente o desenvolvimento da trama, fica ainda mais evidente a complexidade do título neste sentido. Digamos que é um game que certamente vai durar bastante, principalmente na mão dos mais dedicados. A árvore de evolução do personagem possui muitas opções de habilidades especiais, divididas em categorias distintas e com áreas de atuação bem definidas. Isso torna a criação de ''builds'' específicas algo mais fácil, isto é, a escolha pré-definida de habilidades que permite que o seu personagem possa ter um estilo particular de combate, destacando-se dentre os demais. Desta maneira, você pode ser tanto um Wizard focado no ataque direto aos adversários quanto um mago que tem como principal função aumentar os status de seus companheiros e minar as forças adversárias, mesmo sem causar dano direto. Assim como a interface, os controles do game também sofreram pequenas alterações em relação à NWN. Para atacar um adversário, basta clicar sobre ele com o botão direito do mouse, fazendo com que seu personagem ou grupo de personagens ataquem automaticamente. A movimentação do personagem pode ser feita no estilo ''Over the shoulder'', isto é, com a câmera posicionada atrás do personagem principal e com os movimentos definidos pelas teclas WASD. Esta versão para PC ainda conta com um diferencial, uma visão que é bem similar a de Baldur's Gate, permitindo que você defina com o botão direito o local no qual seu personagem vai caminhar. O sistema de combate varia da facilidade trivial à complexidade extrema. Antes de qualquer coisa, é preciso citar que Dragon Age permite que você mude o nível de dificuldade do game, variando entre o muito fácil ao extremamente difícil. A influência deste nível de dificuldade está na forma com que os adversários elaboram estratégias, além do dano causado pelas suas habilidades e também dos inimigos. Apesar dos comandos simples, Dragon Age faz uso de um dos principais recursos presentes em Neverwinter Nights, que é o de elaborar táticas durante as batalhas. O processo é simples: apertando a barra de espaços o jogador pode definir quais serão os próximos movimentos do seu grupo, elaborando assim uma sequência pré-definida de ações, permitindo que estratégias mais complexas sejam criadas. Não basta colocar todo mundo no ataque, é necessário avançar com sabedoria ou então a carnificina será inevitável, e não estamos falando de uma vitória gloriosa e sim uma derrota deprimente. Para facilitar um pouco as coisas e permitir que o game seja um pouco mais fluído, foi implementado no jogo o sistema de táticas. Mal comparando, ele se assemelha com o sistema de gambits presentes em Final Fantasy XII. Porém, diferente do game da Square Enix, o número de ações pré definidas é bem mais compacto, tornando as coisas um pouco mais complicadas. Funciona desta forma: o jogador define primeiro uma circunstância, que deverá desencadear uma ação previamente escolhida. Você pode dizer para o seu personagem que todas as vezes que ele estiver cercado por mais de um adversário ele deverá usar uma habilidade específica automaticamente, ou assim que alguém do grupo ficar com menos de 25% de HP, ele deverá curá-lo, usando uma magia para tal. O jogo possui várias configurações pré-determinadas, mas ainda assim é possível criar suas próprias estratégias, tornando a jogabilidade ainda mais atraente. No início isso se mostra um pouco desnecessário, mas conforme o jogo avança e fica mais difícil, logo o jogador começa a ''programar'' suas primeiras estratégias. Outro ponto interessante é a presença de um movimento especial chamado death-blow. ?? uma espécie de movimento de finalização executado por alguns personagens. Por exemplo, jogando com um guerreiro, vez ou outra você o verá decapitando algum adversário. Cada classe possui seus próprios death-blows e dependendo do seu conjunto de habilidades especiais elas podem variar um pouco. A representação mais marcante destes movimentos especiais acontece no término de algumas lutas contra chefões de fase. Geralmente eles são derrotados de forma dramática, passando a exata impressão de que aquela batalha não foi nada fácil, pelo contrário. ??tima jogabilidade, bom desenvolvimento dos personagens, belos gráficos e uma história cheia de reviravoltas. Tudo o que um bom RPG precisa, se dúvidas. Mas talvez os fãs de longa data da empresa, principalmente aqueles que migraram de Neverwinter Nights para este, esperavam ansiosamente por um único aspecto do game, que infelizmente não está presente na versão final: o suporte multiplayer. Diferente de NWN, o game não permite que as partidas sejam cumpridas de maneira cooperativa, e é claro, nada de partidas customizadas online. Nem mesmo o editor de estágios, alardeado pela Bioware, está disponível em seu lançamento. O próprio ainda não possui data definida para ver a luz do sol e por enquanto só pode ser apreciado por um seleto grupo de usuários em sua fase beta. Ainda assim, o título tem bastante conteúdo e certamente alegrará àqueles que buscam uma experiência que seja mais próxima dos RPGs tradicionais. A trama principal possui muitos desdobramentos que valem a pena serem destrinchados aos mínimos detalhes, além do futuro suporte a conteúdo desenvolvido pela comunidade que gira em torno do game. A parte gráfica de Dragon Age: Origins é bem interessante, contando com alguns detalhes bacanas. Por exemplo, ao entrar em um combate, os personagens envolvidos na peleja ficam totalmente salpicados de sangue. Tudo bem, ele some depois, mas o efeito que dá é bastante original e até mesmo realista, além de expressar com mais detalhes a violência dos combates. A construção dos cenários também evoluiu bastante e não temos mais aquela impressão de que os modelos estão andando sobre um imenso tabuleiro, seguindo rotas pré-determinadas pelo engine gráfico. Tudo é mais fluído e funciona perfeitamente. Um detalhe importante é que o jogo faz uso de alguns recursos técnicos que permitem a criação de objetos bem detalhados. A boa notícia é que o jogo não é tão pesado quanto os games anteriores da Bioware, e ainda assim se mostra bem bonito para os padrões atuais. Talvez o único incômodo sério esteja relacionado às animações dos modelos. Algumas são bem robóticas, e isso chega a incomodar visto o parâmetro de comparação que temos hoje com outros jogos do gênero. O pior é que não existe qualquer tipo de justificativa para que o game seja mostrado desta forma, já que algumas animações apresentam uma melhor execução do que outras. A parte sonora chama a atenção principalmente pelas dublagens. Todo e qualquer diálogo proferido por um personagem que não seja controlado pelo jogador é dublado, sem exceções. Isso dá uma profundidade bacana ao game, além de mostrar o afinco que os produtores tiveram em detalhar o melhor possível a experiência como um todo. Novamente isso nos faz perguntar do porque tamanho cuidado com a dublagem e não com as animações. As músicas são em sua maioria instrumentais e orquestradas, e ajudam a montar todo um clima de terror e tensão nos momentos mais importantes do jogo. Um belo trabalho dos sonoplastas! [t2]A favor:[/t2] [list]Jogo permite um alto grau de customização do personagem, tanto em sua parte física quanto em suas habilidades e talentos; História é bastante complexa e, apesar de começar com alguns clichês, evolui e fica cada vez mais interessante; A interface do jogo é bastante amigável e lembra muito a de alguns jogos online do gênero, além de contarmos com controles simples, tornando o game bastante dinâmico.[/list] [t2]Contra:[/t2] [list]O jogo não tem qualquer tipo de suporte multiplayer, sendo este totalmente focado na campanha single-player; Animação dos personagens é um pouco robótica em determinados momentos do jogo.[/list] [t2]Veredito:[/t2] Dragon Age: Origin pode ser considerado o ''sucessor espiritual'' de Neverwinter Nights, já que é a resposta da Bioware aos pedidos dos fãs por um game que novamente trouxesse um pouco do RPG tradicional para a tela dos computadores e videogames. Sua jogabilidade é dinâmica e boa de acompanhar, além de possuir uma história repleta de reviravoltas e totalmente passível de alterações de acordo com as ações do jogador. Seu único defeito é não possuir qualquer tipo de modo multiplayer, sendo o game totalmente focado na jogabilidade offline. A boa notícia é que em breve a Bioware disponibilizará o editor de níveis para o jogo, permitindo assim que os usuários possam fazer uso de conteúdo exclusivo desenvolvido pela comunidade. Quem sabe isso não incentiva os produtores a lançar separadamente o suporte multiplayer. De uma forma ou de outra, é um ótimo jogo, principalmente para os fãs do gênero.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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