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9.1

Análise do jogo "DJ Hero" para PS3 escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 9.1 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Em 2005, a Harmonix Music Systems renovou o mundo dos jogos musicais no Ocidente. Até então, o gênero se limitava a máquinas de Dance Dance Revolution, Stepmania e alguns pouquíssimos fãs de karaokê, como SingStar, que ainda engatinhava em seu sucesso no PlayStation 2, e até - por que não? - Donkey Konga, do GameCube. A série, distribuída até hoje pela Activision, pendia para um lado mais rock'n roll da coisa, com grandes clássicos repletos de riffs de guitarra, trazendo a assinatura de verdadeiras lendas do rock. A verdade é que jogos de guitarra já existiam no Japão desde a década de 90, com a série Guitar Freaks, produzida pela Bemani, divisão musical da Konami. Mas, Guitar Hero foi o início do verdadeiro sucesso do gênero neste lado do mundo, seguido por outros títulos similares, como Rock Band, da própria Harmonix, e Rock Revolution, da Konami. Entretanto, graças a esta popularização, temos um mar de jogos musicais, somando mais de 10, isso se ficarmos só nos principais. Este exagero, por assim dizer, dá margem para o comprometimento de qualidade e a mesmice. Por conta disso, até mesmo os fatídicos analistas de mercado, já começaram a prever uma estagnação do gênero em pouco tempo. Mas, felizmente, as produtoras sempre tentam se renovar e trazer novas ideias, como é o caso de DJ Hero. Produzido pela FreeStyleGames, DJ Hero pode ser considerado um spin-off da série Guitar Hero. Apesar de trazer uma ideia quase que completamente diferente, o novo game se inspira bastante em seu irmão mais velho, principalmente pela progressão de ''notas'' na tela, bem como o acompanhamento de um controle em forma de instrumento. Sim, reserve mais espaço na sua sala de estar ou no seu quarto, agora temos um joystick em formato de turntable, ou pickup, como podemos chamar a principal forma de ganha-pão dos nossos queridos e prezados disc jockeys. O controle de DJ Hero tem um formato retangular, que pode ser facilmente apoiado no seu colo ou em uma superfície plana, como uma mesa ou estante. Ele é formado por duas partes básicas: a primeira traz um disco girável com três botões coloridos, enquanto a segunda vem com comandos básicos do console, um seletor de crossfader, o botão de Euphoria e um controlador knob. Acredite, cada um dos componentes é fundamental no gameplay. A jogabilidade é simples, mas, de certo, diversificada, a ponto de ser complexa ao mesmo tempo - um paradoxo musical. O intuito do game é de simular o trabalho de um DJ em sua mesa de som. Claro que de forma bem simplificada, afinal, é quase impossível simular 100% o que é feito em uma montagem eletrônica completa. Durante as músicas, há a ''pista'', ou ''notechart'' de Guitar Hero, na tal pista existem as ''notas'', que aqui funcionam como batidas. Se nos jogos de guitarra temos cinco espaços ??? verde, vermelho, amarelo, azul e laranja ??? aqui existem apenas três ??? verde, vermelho e azul. Mas não pense que a limitação de botões torna o jogo mais fácil. Os botões da ponta, verde e azul, funcionam como dois discos em uma pickup de verdade, enquanto o vermelho, do centro, é um botão de efeitos, ou samplers. Este serve também para tocar efeitos ''free style'', que são pré-selecionados antes das músicas, e nada mais são que frases clássicas como ''Bring it on!'' ou ''Hey DJ!''. Infelizmente essa funcionalidade não soma pontos ao seu ranking, servindo apenas como um charme extra para que você insira nos remixes. Convenientemente, o setlist de DJ Hero é formado por mash-ups, ou seja, misturas, que comportam duas músicas em duas, mixadas pelos mais diversos DJs. Assim, a jogabilidade se encaixa como uma luva. Vamos pegar como exemplo a faixa "Another One Bites the Dust" Queen X "Da Funk" Daft Punk. Enquanto o botão verde funciona com a música do Queen, o azul fica responsável pelo som do Daft Punk, por exemplo. Pressionando na sequência certa, a mixagem é feita, com as músicas tocando alternadamente, e de forma encaixada, como vemos em muitas baladas por aí. ''?? só isso? Moleza''. Ledo engano. Aprofundando mais na jogabilidade, o prato principal vem dos ''scratchs'', clássica técnica de DJs, que nada mais é que um tipo de distorção feita a partir do movimento dos discos com as mãos, para frente e para trás. Esta manobra é fielmente representada no game, graças ao disco giratório. Vez ou outra, a pista vai apresentar faixas seguidas nos botões verde e azul. Nesta faixas será necessário segurar o botão e girar o disco para frente e para trás, como se estivesse ''arranhando-o''. Nas dificuldades Fácil (Easy) e Iniciante (Beginner) esta funcionalidade é bastante básica, não sendo nem necessário girar a placa. Já no nível Médio (Medium) a função é mandatória, mas ainda sem grandes exigências, que se fazem presentes nos modos Difícil (Hard) e Experiente (Expert). Nestas dificuldades, as mais altas do jogo, os scratches virão com setas direcionais indicando para onde o disco deverá ser girado, e elas devem ser prioritariamente seguidas para que sua mixagem tenha sucesso. Um dos problemas no conjunto jogabilidade/controle de DJ Hero está em outro de seus componentes, o crossfader. Em uma pickup real, o seletor de crossfader está ali justamente para alternar entre os dois discos de uma mixagem, para direita e para a esquerda. Aqui funciona de forma exatamente igual. No jogo, as linhas que seguem os botões verde e azul terão variações de direção para os lados. Esta é a indicação de onde e como você deve movimentar o seletor. Entretanto, a coisa não é tão precisa quanto aparenta. Primeiro de tudo, tenha em mente que o botão seletor do controle é extremamente frágil, daqueles que dão a impressão de que vão quebrar a qualquer movimento um pouco mais empolgado. Segundo, o jogo exige que o movimento de alternância de pistas seja mais do que preciso, caso o contrário, seu contador de multiplicador zera e você perde boa parte do seu esforço feito em uma sequência. A passagem de um lado para o outro pode ser falha em alguns momentos, principalmente para iniciantes, por conta da extrema sensibilidade do seletor. A coisa só fica ainda mais dificultada nas modalidades mais altas, por conta de mais uma variação na jogabilidade, que traz uma pontinha, similar a agulha, indicando que o seletor deve ser colocado rapidamente para o lado e voltar à posição central. O movimento é rápido demais e exige treino para evitar erros diversos. A situação fica um pouco pior pela inexplicável falta de um modo para praticar. Por fim, os dois últimos, mas não menos importantes, componentes do controle e da jogabilidade são o botão de Euphoria e o controlador knob. O Euphoria nada mais é que o equivalente ao Star Power de Guitar Hero. Em determinadas partes de uma música, a trilha ficará brilhando em azul, indicando que, se o jogador passar por ali sem errar, irá acumular sua barra de Euphoria. Quando há quantidade o suficiente, o jogador poderá apertar o botão, que ficará aceso em vermelho, ativando assim o Euphoria. Aqui, o crossfade fica automático, sem a necessidade de movimentar o seletor. Além disso, seus pontos são duplicados, somando-se ao seu multiplicador atual. O knob, um pequeno controlador ao lado do botão de Euphoria, distorce as músicas em momentos pré-selecionados, com efeitos de abafamento de som ou super-exposição. Com isso, é possível também aumentar sua pontuação e, consequentemente, suas estrelas. As estrelas demarcam a pontuação de sua música, como ocorre em ''Guitar Hero''. Aqui, não há medidor de performance, assim, não há como falhar em um mash-up. Você pode até mesmo largar o controle em uma faixa sendo executada no Expert que ela não irá acabar prematuramente. A princípio, isso pode parecer estranho ou até chato. Mas, pense da seguinte forma: quando um guitarrista está lá, dedilhando seus riffs, e ele erra, a música para, não prossegue. Quando um DJ erra em um mix, a música não para, pois está, obviamente, tocando em um disco. Essa realidade é espelhada pelo jogo. Seu mash-up não acabará, mas irá ficar feio e, com isso, você não ganhará estrelas suficientes. Como foi dito, as estrelas regem o sistema de jogo, é com elas que você irá destravar novos DJs, setlists, roupas, pickups, pinturas e outros elementos. Por exemplo, apenas para destravar a dupla Daft Punk no game, é preciso mais de 150 estrelas, obtidas em pequenos sets de três ou quatro músicas. ?? uma quantidade elevada, que dará trabalho para aqueles que jogarem em um nível mais avançado, buscando maior desafio. Por falar em Daft Punk, a participação da dupla francesa é um dos pontos mais altos de ''DJ Hero''. Como na série de guitarra, o título conta com a presença de diversos figurões da música, mas desta vez da música eletrônica. Grandmaster Flash, DJ Shadow e DJ Jazzy Jeff são outros nomes presentes, inclusive com Flash fornecendo sua voz para o detalhado tutorial do jogo. Os rappers Jay-Z e Eminem não participaram diretamente, mas colaboraram com a produção. Apesar de todos esses grandes nomes, é na dupla de DJs que a emoção está concentrada. Não é à toa que o setlist com o Daft Punk seja um dos maiores de todo o jogo, com oito músicas, além do estágio ser especialmente modelado, baseado na turnê ''Alive 2006/2007''. A sensação é de estar tocando ao lado da dupla, com direito a poses ''heróicas'' e outras firulas de palco. Tudo acompanhado dos mash-ups produzidos por eles mesmos. Sensacional é pouco para definir. Variando ainda mais na jogabilidade, a produtora inseriu partes para guitarra. Sim, aquela guitarrinha de plástico que você usa para ''Guitar Hero'' e ''Rock Band'' também serve aqui. Alguns mixes trazem fortes sequências com músicas voltadas para o rock, caso de ''Disturbia'' Rihanna x ''Somebody Told Me'' The Killers. O primeiro jogador faz seu remix pelo controle em formato de pickup, enquanto o segundo acompanha com uma segunda canção, via joystick/guitarra, com direito a pontuação, multiplicador e Star Power. A diversão é garantida, mas, como o foco do game é nos DJs e na música eletrônica, o som da guitarra não é tão perceptível nestes mash-ups. Pode ser um ponto fraco para alguns, mas é preciso ter a ciência que este segmento da jogabilidade é apenas um bônus, o que já está bom demais. O modo online é divertido, mas carece de uma atenção maior. No multiplayer via rede, há apenas uma modalidade disponível, a Versus, onde você irá desafiar o DJ do servidor mais próximo. Cada DJ toca exatamente a mesma música, com as mesmas partes. Ficaria mais divertido se fosse um desafio no estilo daquelas batalhas de rap, onde cada um toca uma parte da música, alternando. Mas, como este é, possivelmente, o primeiro de muitos jogos, dá para deixar passar. Fica apenas aquela sensação de que está faltando algo. DJ Hero não apresenta gráficos exuberantes, apenas competentes, sem grandes surpresas. O grande destaque nestes quesitos técnicos vai para, inevitavelmente, o som - todas as músicas estão em excelente qualidade de áudio. ?? recomendado o uso de fones de ouvido, os maiores possíveis, para se sentir um verdadeiro DJ nas mixagens, mas também é possível degustar o som com as saídas normais de uma TV ou Home Theater. Todo o setlist, com exatos 93 mash-ups, é um primor de qualidade, ainda que com algumas músicas repetidas entre si. Além disso, espere por misturas bem inusitadas, como "Disco Inferno", do 50 Cent com "Let's Dance", do David Bowie ou "I Want You Back", do grupo Jackson 5 e "Semi-Charmed Life", da banda Third Eye Blind. ?? tão inesperado que fica incrivelmente legal. ?? um fato que alguns grandes nomes da música eletrônica ficaram de fora, como Fatboy Slim e até mesmo ??? pasme ??? Kraftwerk. Seria uma boa a inclusão dos citados, e tantos outros, via conteúdo baixável. [t2]A favor:[/t2] [list]O ponto mais alto do jogo é a imensa quantidade de mash-ups - mais de 90 - com diversas músicas famosas; A jogabilidade, criada quase que do zero, é criativa e se encaixa bem no contexto do game; Possibilidade de tocar com um amigo em um controle de guitarra, ainda que não seja tão necessária, aumenta o fator diversão; Mais um criativo e bem feito controle em formato de ''instrumento'' de plástico; Ver uma mistura entre 50 Cent e David Bowie não tem preço; DAFT PUNK![/list] [t2]Contra:[/t2] [list]O crossfader é uma bela adição à jogabilidade, mas sua estrutura é um pouco frágil no periférico. ?? preciso muita prática para pegar o jeito; O Freestyle é um ponto legal, mas está ali apenas para constar, já que não adiciona pontos ao seu total; Apesar de agradar bastante, o setlist deixou de fora alguns bons nomes da músicas eletrônica, como Fatboy Slim, Infected Mushroom e, principalmente, Kraftwerk.[/list] [t2]Veredito:[/t2] Quando você acha que o gênero de jogos musicais estagnou, a Activision chega trazendo mais uma novidade e, de certa forma, com grande inovação. DJ Hero está para a música eletrônica assim como Guitar Hero está para o rock'n roll, com elementos na jogabilidade criados quase que do zero - ''from the scratch'', em uma piadinha de duplo sentido DJ no inglês. Além da gameplay, o jogador pode esperar por um imenso setlist, composto por mais de 90 mash-ups, ou seja, misturas e mixes de músicas, que farão a alegria de qualquer amante de boas melodias, dada a qualidade que são apresentadas. Como o primeiro jogo de uma franquia totalmente nova, DJ Hero apresenta espaço para melhorias, principalmente em seu periférico, um controle em forma de pickup, ou turntable, que pode ter o seletor crossfader melhorado. Entretanto, o título se prova divertido o suficiente para garantir horas e mais horas de jogo, bem como fixar seu nome no mundos dos jogos musicais. Não estranhe se, daqui um ano, tivermos DJ Hero 2, versões portáteis ou outras edições especiais.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
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