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Análise do jogo "Dead Space Extraction" para Wii escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 9 de 10, enviado por marped,
Primeiro "Dead Space" foi anunciado para o Wii. Os donos do console ficaram, obviamente, felizes e contentes com a novidade da Electronic Arts. Afinal, não é todo dia que um título deste porte é anunciado para a plataforma. O problema é que alguns dias depois surgiu a revelação: Dead Space na verdade seria um shooter ''on-rails'', ou seja, em trilhos. A notícia não foi digerida muito bem por todos, deixando uma dúvida inevitável no ar: será que a EA conseguiria passar a emoção original em um game onde o jogador não tem total controle das ações de seu personagem? [img]hide:aHR0cDovL2ZpbmFsYm9zcy51b2wuY29tLmJyL2ZiNC9mb3Rvcy82LzUvMjQxMTU2LmpwZw==[/img] Se pudéssemos pegar emprestado algum slogan que traduzisse o resultado, nenhum outro se encaixaria melhor que ''Yes, we can''. Dead Space: Extraction não conta com o visual oferecido pelo Xbox 360 ou PlayStation 3, nem mesmo com a liberdade presente no título original, mas possui um acabamento de primeira. Apesar de diferentes propostas, a versão lançada no Wii possui uma narrativa bastante dinâmica e cinematográfica, deixando o jogador a par de todos os acontecimentos. Você se sente no meio de toda a ação, tudo isso graças à interação entre os demais personagens do game, além da maneira no qual as coisas são mostradas. A história do game se passa antes do Dead Space original, mostrando os eventos que antecederam o desastre na colônia espacial Aegis VII. Logo de início o jogador acompanha um grupo de escavadores que descobre um dos mais preciosos artefatos existentes desde o início da história da humanidade. Trata-se do ''Marcador'', um monolito vermelho que, de acordo com alguns cientistas, estaria ligado diretamente à evolução do homem. O problema é que a descoberta acabou desencadeando alguns eventos bizarros. Alucinações, crises de pânico e histeria tomaram conta dos habitantes de Aegis VII, mas o pior ainda estava por vir. Inexplicavelmente, parte da população começou a sofrer com estranhas mutações. Seus corpos eram totalmente transformados, tomando-lhe toda a humanidade e transformando-os em monstros vorazes e sedentos por sangue. Curiosamente, algumas pessoas não foram afetadas pelas mutações, tão pouco pela histeria que se alastrava cada vez mais. O seu objetivo no game não é somente sobreviver e buscar uma saída deste inferno, mas também uma explicação para todos estes bizarros acontecimentos. E assim começa a aventura. O jogador assume então o papel de investigador, cuja missão inicial é apenas averiguar o caso de um minerador que, após perder o controle e a razão, dizimou toda sua equipe. ?? claro que as coisas evoluem de maneira totalmente inesperada e é justamente a narração destes fatos que torna o game tão interessante. Chega um momento em que o jogador está mais entretido com a história em si do que com a própria jogabilidade, que por sua vez não deixa a desejar como se supunha. Os controles são totalmente baseados nas características chave do Wii Remote como pointer, ou seja, o é utilizado como uma verdadeira arma, onde o jogador deve apontar para a tela e realizar os disparos para assim sobreviver em meio à história. Porém a coisa tende a ficar um pouco mais complexa conforme o jogo evolui. Inicialmente o jogador conta apenas com uma pistola simples, mas existe uma variedade interessante de armamentos que pode ser adquirida ao longo da história. Como estamos falando de uma colônia de mineradores, grande parte deste equipamento é na verdade baseado em ferramentas. ?? claro, o título se passa em um futuro distante, então não espere que a mineração em cavernas seja feita com dinamites e picaretas. No lugar disso temos poderosos cortadores laser, capazes de destruir rocha maciça e outros tipos de minério de igual resistência e durabilidade. Não é a toa que o disparo de uma destas armas seja capaz de arrancar um membro humano por inteiro, e é nisso que a jogabilidade se apóia. Os aliens de Dead Space: Extraction são altamente resistentes, mas possuem um ponto fraco bastante peculiar. Eles só são derrotados de forma efetiva quando seus braços e pernas são decepados. Isso não só os incapacita de atacar, como também mina todas as suas forças, fazendo-os sucumbir em seguida. ?? claro que, assim como o original, esta ''desculpa'' do ponto fraco serve obviamente para enaltecer o engine gráfico utilizado no game. Ele possui um sistema de desmembramento bastante realista e que funciona perfeitamente. Algumas armas possuem um raio de ação diferente das outras, tal como a potência de seus disparos. Isso significa que o jogador pode cortar as pernas de um grupo inteiro de criaturas, bastando para isso mirar no local certo e esperar pelo momento apropriado. Isso só é possível graças ao controle de movimentos presente no Wii. Determinadas ações demandam reações rápidas, e o fato de podermos controlar a mira através do Wii Remote ajuda muito. ?? claro, assim como os demais jogos disponíveis no sistema seguindo este estilo, a imprecisão pode ser um problema em alguns momentos. Aliado a isso, temos ações que exigem movimentos rápidos contínuos, e é comum perder a mira por alguns segundos. Em um local totalmente escuro, é possível balançar o controle como se fosse um daqueles bastões luminosos, gerando um ponto de luz que ajuda não só a visualização do cenário, mas também dos adversários. O problema é que, depois de acender o bastão, existe uma pequena demora para que a mira volte a funcionar plenamente. Se pararmos para analisar, existe até um ''quê'' de realismo na ação. Afinal, se você segura uma arma com a mão direita e com a mesma mão balança um bastão luminoso, é natural que você demore um pouco até pegar novamente a arma e ter sua mira ativa. O problema é que isso não foi uma implementação proposital, e sim um problema na detecção de movimento da barra de sensor. Também é possível rotacionar o Wiimote em seu próprio eixo, de maneira que o jogador também vire a arma na tela. Isso garante pelo menos dois tipos de disparo para cada arma, aumentando assim sua eficiência durante os combates e a variedade de comandos disponíveis. Existem também movimentos associados ao Nunchuk. Balançar o periférico permite que o personagem desfira rápidos movimentos defensivos, afastando os inimigos que estiverem próximos demais e destruindo pequenos obstáculos. O analógico controla a seleção de armas, função que desempenha muito bem durante o game. Lembrando que o jogador está limitado a carregar apenas 4 armas por vez, exigindo que você escolha sabiamente qual equipamento levar, sempre baseado no seu estilo de jogo. Porém, como existe a mecânica de rotacionar o controle para obter um modo de tiro extra, esta variedade acaba ficando dependente da criatividade do jogador durante a ação. Sobre os gráficos do game, temos que tirar o chapéu. O estúdio Visceral conseguiu fazer um excelente trabalho no console da Nintendo, oferecendo um título realmente imersivo e que consegue driblar bem as limitações técnicas do console. ?? claro, o jogo não pode ser comparado graficamente com o título original da série, mas ainda assim chama a atenção o resultado obtido nesta versão. Talvez o fato do game ser na verdade uma experiência guiada tenha tornado as coisas mais fáceis para o time de desenvolvimento. O fato é que o clima de terror e tensão predominante é bastante autêntico e faz o jogador pular da cadeira em vários momentos. Existem alguns pontos interessantes e que valem ser citados. A animação facial dos personagens é bem bacana. Os aliens também se movimentam de forma bem realista, além de reagirem de acordo com o corte de seus membros. Uma adição interessante ao conteúdo do game, e que também tem a ver com a parte gráfica e design, é a presença de histórias em quadrinhos que ajudam a contar melhor a história. Elas são liberadas conforme o jogador avança no modo campanha, e mesmo sem contar com uma resolução muito alta, contam com muitos detalhes e algumas animações simples que ressaltam a narrativa. O som fecha com chave de ouro a ambientação do jogo. Este sim pode ser comparado ao game original da série, com todos os seus méritos. As músicas são raras e aterrorizantes, dando lugar a existência constante de efeitos sonoros que aumentam o clima de terror a cada passo dado pelo jogador. As dublagens são bastante competentes e os efeitos sonoros, como os de tiro, são bem gravados e cumprem muito bem o seu papel dentro do game. Um conjunto que consegue trabalhar em perfeita harmonia, proporcionando momentos de tensão durante a jogatina. [img]hide:aHR0cDovL2ZpbmFsYm9zcy51b2wuY29tLmJyL2ZiNC9mb3Rvcy81LzUvMjQxMTU1LmpwZw==[/img] [t2]Prós[/t2] [list]Clima do game é de puro terror, contando com uma narrativa tão boa quanto a do original; Jogabilidade, apesar de em trilhos, possui alguns desdobramentos interessantes, com a presença de armas diferentes e interação com o cenário em momentos específicos; A parte gráfica mostra do que o Wii é capaz, proporcionando um jogo bonito, com boas animações e detalhes como animação facial nos personagens; O game ainda possui uma história em quadrinhos semi-animada, que ajuda a contar a trama com mais detalhes.[/list] [t2]Contra[/t2] [list]Mesmo com bons gráficos, ainda existem alguns problemas de colisão, com membros que ficam preso de forma estranha no cenário; O game não chega a ser difícil, mas alguns momentos específicos, principalmente lutas contra chefões, fazem o jogador arrancar os cabelos.[/list] [t2]Veredito[/t2] Dead Space Extraction é uma grande realização da Electronic Arts e o estúdio Visceral no Nintendo Wii. O título contém bastante conteúdo, incluindo uma campanha completa, modo challenge e uma história em quadrinhos que vai sendo destrancada aos poucos e que ajuda bastante a contar melhor a história. Aliado a isso temos uma jogabilidade decente e que não fica limitada pelo fato do game ser em trilhos. O uso das armas é variado e algumas sequências de interação com o cenário exigem atenção e rapidez do jogador. Para fechar com chave de ouro, o título casa perfeitamente sequências grotescas com trilha sonora assustadora e efeitos que deixam o jogador com frio na espinha. Uma ótima pedida para quem tem o Wii e não se importa em tomar alguns bons sustos.
Fonte: Finalboss
marped
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