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Análise do jogo "Call of Juarez: Bound in Blood" para PC escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 8 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Western, Velho Oeste, Faroeste (que caso não saibam, vem de Far West), ou seja, filmes de bang bang. O gênero pode não ser muito popular entre a nossa geração, mas certamente fez a cabeça dos mais velhos. Clássicos como ''O bom, o mau e o feio'', ''O Dólar Furado'' ou ''Sete homens e um destino'' fizeram bastante sucesso na época do seu lançamento e são considerados obrigatórios por qualquer cinéfilo que se preze. ?? claro, o gênero se enraizou em outras mídias e uma delas foi o videogame. São vários os exemplos de jogos que tiram proveito deste tema, indo de títulos como o excelente Sunset Riders até o bizarro Mad Dog McCree, disponível nos arcades, consoles, nova geração e até ??? pasmem ??? aparelhos de DVD. ?? claro, existiram muitos outros jogos, o que só prova que o gênero sempre esteve presente com certa força no mercado de jogos. O alvo desta análise é uma boa indicação do que estamos falando e reforça mais uma vez este gênero clássico e quase mítico, principalmente os mais velhos e os amantes de produções clássicas antigas. Call of Juarez: Bound in Blood consegue oferecer uma experiência muito boa no que diz respeito a colocar o jogador em um ambiente tipicamente Western. A sequência do título produzido pela Techland ganhou uma ênfase ainda maior na história, sem deixar de lado a jogabilidade frenética e cheia de ação. A história conta a vida dos irmãos Ray e Thomas McCall, além do caçula William, um jovem inocente e religioso. A história começa durante a guerra civil americana em uma época em que ambos os irmãos ainda serviam ao exército. A coisa toda começa quanto um de seus superiores dá a ordem para que os irmãos deixem a região onde nasceram e acompanhem um oficial até uma localidade mais distante. Ray e Thomas acabam deserdando o exército após presenciarem um acontecimento que acaba por marcar de uma vez por todas suas vidas. Vivendo a vida bandida, ambos saem pelo mundo em busca de riqueza fácil, buscando uma chance de voltar para casa e reconstruir aquilo que foi deixado para trás. O fato é que a história do título possui inúmeras reviravoltas interessantes e é ela que vai manter o jogador ligado a todo o momento. Não que a jogabilidade seja ruim, pelo contrário. Mas o fato é que a trama realmente chama a atenção, que acaba sendo auxiliada pelo carisma dos anti-heróis e seu irmão mais jovem. Esta nova versão oferece uma jogabilidade um pouco diferente do game anterior. Esqueça as partes stealth e concentre-se no tiroteio já que a ação aqui é frenética e exige reflexos rápidos do jogador. Como todo bom jogo de PC, é possível mapear os comandos do game à sua própria maneira e gosto, mas isso não significa que as configurações padrões não sejam boas o suficiente. Da maneira que o jogo se apresenta, é possível executar facilmente todas as ações por ele propostas, o que inclui movimentos especiais, movimentação e mira através do mouse. A única coisa que percebemos foi a necessidade de diminuir um pouco a sensibilidade do mouse, já que esta vem configurada um pouco acima do que estamos acostumados a ver. Nada demais, aliás, é uma boa maneira de fazer com que o jogador ande um pouco pelos menus e conheça as opções disponíveis. Em Bound in Blood, cada um dos dois personagens possuem suas próprias habilidades com as armas de fogo, além de outras que acabam complementando sua eficiência no campo de batalha. Thomas é do tipo rápido no gatilho, além de ser bastante habilidoso com o rifle. Seus tiros não causam um dano tão grande quanto os de Ray, mas sua habilidade de rápida locomoção no campo de batalha pode ser uma mão na roda na maior parte do tempo. Thomas também pode usar arco e flecha, possibilitando ataques de médias distâncias sem que sua posição seja denunciada. Por último, o personagem pode também usar uma corda para subir em lugares inacessíveis como o topo de uma árvore ou qualquer outro lugar que permita que o seu laço seja jogado, abrindo grandes possibilidades na hora de transpor obstáculos. Ray faz outro tipo de atirador. O irmão mais velho do trio é dotado de uma mira super precisa, além de causar uma quantidade absurda de dano ao empunhar dois revólveres de uma só vez. Um fato interessante é que, ao jogar com Ray, a mira ganha uma espécie de assistência, ''colando'' na cabeça dos adversários quando passamos por esta região de leve. Isso permite que o personagem acabe com seus adversários com o dobro de eficiência de seu irmão. A desvantagem é que Ray é um pouco lento, além de não conseguir escalar certos lugares, o que deixa sua mobilidade no meio de uma cidade em risco, principalmente em momentos de tensão. A última cartada de Ray é usar uma banana de dinamite, explodindo aquilo que está na sua frente. Se o caminho está bloqueado, nada melhor do que criar um novo não é verdade? Os personagens ainda contam com um tipo de poder especial cada um. Trata-se de uma espécie de movimento ultra rápido e infalível (bem, quase) que só pode ser executado depois que um medidor especial é preenchido. Este medidor fica localizado na parte superior direita da tela e tem o formato de um tambor de revolver. Cada vez que o jogador executa um tiro bem dado ??? leia-se, um tiro na cabeça ou qualquer ataque que acabe com o adversário de uma só vez ??? um ponto extra é adicionado neste marcador. Quando todos os pontos são preenchidos, o jogador tem 60 segundos para executar o movimento especial, ou continuar acumulando pontos e mantendo este marcador. A execução deste movimento é única para cada personagem. Em ambos a tela perde as cores e o foco fica somente nos adversários. Caso o jogador acione este poder com Thomas, a mira é automaticamente levada até o adversário mais próximo. Daí em diante é necessário segurar o botão do mouse e fazer um movimento para baixo, acertando seus adversários com disparos precisos e mortais. ?? necessário fazer isso rapidamente, de modo que todos os adversários na tela sejam baleados. O uso deste poder com Ray é um pouco diferente. O jogador só precisa passar com a mira por cima dos adversários que automaticamente são marcados e baleados após o término do tempo de duração do poder. Estes movimentos são essencialmente úteis em ocasiões onde a quantidade de adversários é grande, fato que não é tão difícil de acontecer no game. Existem alguns momentos em que ambos os personagens precisam unir forças na execução de movimentos especiais em dupla. Na maior parte das vezes, um marcador vermelho mostra na tela onde o jogador precisa se posicionar para que o tal movimento seja feito. O mais comum deles é o que ambos os personagens abrem uma porta e invadem de surpresa um recinto. A mira vai passando pela tela e quando fica em cima de um adversário, basta pressionar o botão de tiro para que este seja automaticamente eliminado. Ainda temos uma terceira variante na jogabilidade, neste caso os duelos. Sabe aqueles momentos onde dois pistoleiros ficavam olhando um para o outro, atentamente, esperando pela oportunidade certa de sacar a arma e dar cabo de seu adversário com um único e certeiro tiro? Aqui temos a mesma coisa. Nesta ocasião, o jogo muda de perspectiva, dando foco à mão direita do personagem e a sua arma, ainda em coldre. Vez ou outra seu adversário vai se movimentar na tela e é de suma importância acompanhar seus movimentos de forma que ele continue sempre em foco. Quando o sino da igreja local der a primeira badalada, o jogador deve rapidamente levar a mão do personagem ao revólver, sacar a arma e esperar que a mira passe por cima do adversário. Se você for rápido no gatilho, seu personagem dará aquele clássico giro no revólver enquanto o coloca de volta no coldre enquanto o corpo de seu adversário tomba no chão. Caso contrário é melhor tentar de novo... Mesmo com todas estas nuances em sua jogabilidade, fica aí uma reclamação. A inteligência artificial dos adversários não é das melhores, mesmo em níveis de dificuldade maiores. Frequentemente eles ficam do lado do seu adversário e erram todos os tiros, dando a deixa para que você se vire e acerte um tiro bem dado em sua testa. Isso ocorre do início ao fim do game, e em alguns momentos chega a ser um pouco frustrante. ?? claro, isso não significa que você sairá ileso durante todo o game, mas é chato ver um adversário se escondendo e logo em seguida ficando totalmente exposto às suas balas. Sabemos que este é um artifício usado comumente pelos programadores para tornar o título ''acessível'' a todos, sem que uma dificuldade muito escabrosa seja utilizada, mas ainda assim é chato ver a burrice de alguns de seus asseclas. O título também é relativamente curto, mesmo com a presença de alguns extras que, após a conclusão do game, são facilmente dissecados pelo jogador. Para amenizar um pouco isso, o game conta com um sistema multiplayer bastante interessante e divertido. Assim como Team Fortress, o jogo é baseado em classes, cada uma com suas próprias particularidades. A diferença entre elas não é extremamente aparente, mas ainda assim esta variação garante algumas possibilidades estratégicas bastante interessantes, além do game se adaptar melhor ao estilo de jogo de cada um. Com vários modos de jogo disponíveis, o multiplayer divide os jogadores entre homens-da-lei e foras-da-lei, no melhor estilo polícia e ladrão bang-bang. Os gráficos de Call of Juarez: Bound in Blood são muito bons e recriam com uma propriedade incrível alguns momentos clássicos do velho oeste americano. Os modelos das armas são bastante fiéis às suas inspirações, da mesma forma que as cidades bacanas com edifícios de arquitetura clássica, tudo feito em madeira. O interior de saloons e cadeias é bem realista, com objetos que fazem jus à sua época e outros pequenos detalhes que terminam por deixar os ambientes bem vivos. As texturas utilizadas estão em boa qualidade e se encontram com uma boa variedade, o que ajuda a manter o realismo dos cenários sem que eles se tornem repetitivos. A modelagem dos personagens é muito boa e rica em detalhes, principalmente a dos personagens principais, mas suas animações deixam um pouco a desejar. As expressões faciais não são tão ricas quanto os próprios modelos e muitas das vezes fica subentendido quais são seus sentimentos durante uma cutscene. Digamos que neste ponto o título é somente passável, mesmo que os modelos em si estejam bem bacanas. Mas este não é o único problema presente no game. Existem vários outros pequenos probleminhas no engine gráfico utilizado no título como pop-ups de modelos e sistema de ''level of details'' mal aplicado. Para quem não sabe, este sistema faz com que o engine mude a complexidade de alguns modelos de acordo com a distância da câmera para o tal objeto. Isso faz com que o processamento seja mais leve, tornando a experiência mais flexível e dinâmica. O problema do game é que muitas vezes o jogador chega próximo demais de um modelo e ele ainda não mudou para a sua versão melhorada. A impressão não é das melhores, principalmente quanto o modelo ''evolui'' do nada, na sua frente. O som é agradável e realmente não temos grandes reclamações sobre esta parte, pelo contrário. As músicas complementam o clima do jogo, junto com os efeitos sonoros que representam muito bem o barulho de disparos de revólver, escopetas, espingardas, explosões, etc. O destaque, no entanto, vai para as dublagens, todas muito bem executadas, ajudando a compor melhor as características dos personagens presentes na trama. Não é a toa que todos são bastante carismáticos e esta parte sem dúvidas é uma das que mais influenciam neste carisma abundante. Call of Juarez: Bound in Blood é um bom representante do gênero Western nos dias de hoje. O título conta com uma ambientação bastante autêntica, além de oferecer uma trama bem composta por personagens carismáticos. O foco na história é bastante evidente em relação ao título anterior, assim como a presença de mais cenas de ação e a ausência de partes stealth. Os gráficos são bacanas, mas possuem alguns problemas inerentes ao engine como pop-ups de modelos e falhas no sistema de LOD (Nível de detalhes). Ainda assim é um game que vale a pena ser conferido, seja pela sua história e ambientação envolventes ou pelo multiplayer, que também é bem divertido. [b]A favor:[/b] - Ambientação fiel à época do velho oeste, seja na construção das cidades como no figurino dos personagens e recriação de determinados objetos, como por exemplo, as armas; - Jogabilidade é totalmente focada na ação e tiroteio, com direito a dois tipos diferentes, dependendo dos personagens escolhidos antes de cada missão; - ??timas dublagens ajudam a manter o carisma dos personagens. [b]Contra:[/b] - O game possui alguns pequenos problemas em sua parte gráfica como pop-ups de objetos e problemas no sistema de nível de detalhes; - Algumas nuances da jogabilidade poderiam ser um pouquinho melhores, como o esquema de duelos que nem sempre oferece uma resposta 100% precisa aos comandos do jogador; - Os mais dedicados vão achar o jogo um pouquinho curto. [b]Veredito:[/b] Call of Juarez: Bound in Blood é um bom representante do gênero Western nos dias de hoje. O título conta com uma ambientação bastante autêntica, além de oferecer uma trama bem composta por personagens carismáticos. O foco na história é bastante evidente em relação ao título anterior, assim como a presença de mais cenas de ação e a ausência de partes stealth. Os gráficos são bacanas, mas possuem alguns problemas inerentes ao engine como pop-ups de modelos e falhas no sistema de LOD (Nível de detalhes). Ainda assim é um game que vale a pena ser conferido, seja pela sua história e ambientação envolventes ou pelo multiplayer, que também é bem divertido.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
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