.
9.2

Análise do jogo "Call of Duty: Modern Warfare 2" para X360 escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 9.2 de 10, enviado por marped,
Todos acompanharam de perto o desenrolar do desenvolvimento de Call of Duty: Modern Warfare 2, sequência a um dos maiores lançamentos da história dessa indústria. Com 13 milhões de unidades vendidas até maio deste ano, o primeiro Modern Warfare ainda é um dos títulos mais jogados online entre usuários de PS3 e Xbox 360. Então o que esperar do seu sucessor? ?? mais do que óbvio que a expectativa em torno desse arrasa-quarteirão permaneceu alta desde o seu anúncio até sua chegada às lojas. Quase todas as fichas foram jogadas em Modern Warfare 2 que, por seu próprio hype, enxotou para 2010 várias outras estreias marcadas para esse período. Call of Duty, de repente, se tornou praticamente absoluto nas lojas e na mente dos jogadores. COD pra cá, COD pra lá. ?? COD pra todos os cantos. A pergunta que não cala é simples: será que a segunda supera a primeira edição em todos os pontos? [img]hide:aHR0cDovL2ZpbmFsYm9zcy51b2wuY29tLmJyL2ZiNC9mb3Rvcy8xLzEvMjQ5MjExLmpwZw==[/img] Modern Warfare 2 possui vários modos de jogo, e todos eles têm suas qualidades únicas. Seja a campanha, o cooperativo com tela dividida ??? chamado Special Ops ??? ou o online, fãs e novatos encontrarão bastante conteúdo e diversão, embora o primeiro seja limitado pela sua própria longevidade. A campanha envolve conflitos em diversas localidades do mundo, onde os jogadores controlam vários agentes distintos, dando continuidade aos eventos do primeiro jogo. Cinco anos depois, e os russos, dessa vez liderados por Nakarov, braço direito de Erhzov, antagonista original, são novamente a maior ameaça, após o líder original ter se tornado um mártir e a organização saído vitoriosa. As missões levarão os jogadores a diversas localidades no mundo como uma base militar debaixo de neve no Casaquistão, uma área deserta do Afeganistão, favelas do Rio de Janeiro, e até a Casa Branca, em Washington D.C., envolvendo uma invasão russa aos EUA. A narrativa, assim como muitos eventos no jogo são bem cinematográficos, embora as sequências de intermissão costumem usar apenas mapas, textos e interfaces para descrever os eventos. Mas apesar da pompa, o conteúdo da campanha deixa um pouco a desejar, visto que em termos de duração é inferior à do primeiro, já considerada curta. O tempo para se chegar ao final depende do próprio jogador: se ele conhecer as manhas, pode terminar em até seis horas. Ajuda bastante o fato de o jogo ser totalmente linear e contar com ícones na tela sempre indicando o caminho e à distância para os objetivos. Como já dissemos, percebe-se, conforme se progride no modo campanha, que a produtora tentou com afinco simular um estilo de cinema em algumas passagens, com tomadas típicas de produções em película e ação frenética em vários pontos. As localidades foram desenhadas de forma a permitir combates dos mais variados tipos, com inimigos surgindo de telhados, esquinas, atrás de portas, caixas, muros, enfim, passando aquela sensação de que você vai ser alvejado a qualquer momento ??? o que geralmente acaba ocorrendo. A parte boa dessa modalidade é ver os vários cenários criados pela Infinity Ward, incluindo o Rio de Janeiro. Para nós, brazucas, principalmente os cariocas, é uma honra ver a cidade maravilhosa representada no jogo... ou nem tanto assim, afinal milicianos e favelas não são nossos melhores cartões postais, embora representem a verdade que os políticos preferem esconder ou ignorar. Também podemos citar a favor algumas cenas bem frenéticas e variadas, que acrescentam um pouco mais à velha fórmula de tiroteio para cá, tiroteio para lá. Entre elas podemos citar uma fuga alucinada no estilo de Mirror's Edge da EA, uma missão de infiltração na neve à lá Metal Gear, e a polêmica fase do aeroporto, onde você joga com um agente da CIA disfarçado de terrorista russo. Mas, tirando isso, faltou ao single de Modern Warfare 2 o acabamento que se espera de um jogo do seu escalão. Uma das coisas que mais desagradam no modo história, além de sua duração, é a fraca trama. Se você jogou o primeiro, entenderá bem o que está acontecendo, caso contrário provavelmente poderá ficar "boiando" em boa parte das missões, visto que as revelações e explicações são muito superficiais. Também não ajuda o fato de contarmos com uma narrativa muito impessoal, que mal coloca o jogador na pele de um personagem. Modern Warfare 2 alterna entre vários protagonistas (como os soldados rasos Ramirez e Joseph Allen, e o sargento Gary "Roach" Sanderson, além do misterioso Ghost), cujos respectivos nomes e passados são indiferentes para o jogador. A trama é basicamente guiada apenas pelos personagens-não-jogáveis, principalmente no caso do General Sheppherd, bem conhecido do primeiro game. Mas, literalmente: os personagens que controlamos são totalmente descartáveis. A Inteligência Artificial dos companheiros e adversários também é um fator que deixa a desejar. Em alguns momentos eles são bastante úteis e farão jogadas condizentes com a situação, e em outros simplesmente ignorarão inimigos ao seu lado ??? e sobra sempre para o jogador que acaba morrendo debilmente com a "cobertura". Em outro ponto, gargalhadas nos fizeram sair até um pouco do clima do jogo ao ver dois de nossos soldados serem estupidamente atropelados pelo nosso próprio tanque. Isso sem falar em uma situação ainda mais estranha quando vimos nosso parceiro encostado em um canto e ao aproximarmos dele fomos alvejados por um inimigo que estava em outro canto. Essas ocorrências não foram muito regulares, mas todas elas tornaram a experiência um pouco menos crível. Outro fator que tirou parte da credibilidade foi a sensação, em vários pontos, de estarmos jogando um "shooting gallery", um Virtual Cop da nova geração. O aparecimento dos inimigos está 100% ligado ao ponto em que o jogador atinge no mapa, tornando totalmente fácil antecipar seus movimentos caso esteja jogando pela segunda vez. Isso sem falar nas janelas que se abrem repentinamente como um terrorista apontando ??? cena essa que se repete muitas vezes no cenário do Rio. Mais Virtua Cop que isso impossível. Nada disso seria um problema se eles ao menos utilizassem essa técnica com um pouco mais sutileza, mas em vários momentos esses "eventos disparados" são bastante óbvios. Para concluir essa parte do single, podemos dizer que tivemos alguns altos e baixos, e a experiência geral foi de satisfatória a boa, mas poderia, e deveria, ter sido melhor. Certamente o jogador não deixará de degustá-la do início ao fim, e vai apreciar muitas das cenas preparadas, ainda mais pelo incentivo na forma de troféus (PS3) e conquistas (Xbox 360), mas sinceramente queríamos e merecíamos mais. A campanha do primeiro já havia deixado espaço para melhorias no sentido de duração, e a do segundo deveria corrigir esse erro, e não aumentá-lo. Mas, quem conhece COD Modern Warfare sabe que o verdadeiro pote de ouro está em seu componente multiplayer, e nesse ponto Warfare 2 não decepciona nem compromete. Para começar, temos o Special Ops, uma forma bastante atraente de realizar missões cooperativamente na companhia de um amigo, local ou online. O modo é dividido em cinco grupos de missões (Alpha, Bravo, Charlie, Delta e Echo), totalizando 23, mas é uma pena que elas não estejam interligadas à campanha. Os objetivos são bem variados e envolvem cooperação entre a dupla. Em uma delas, por exemplo, um dos jogadores realiza operações em solo enquanto o outro provém suporte de um caça AC-130, e em outra os dois participam de uma corrida de moto de neve. Se mover um ponto a outro, derrotar vários inimigos em sequência ou um número pré-determinado são outras possibilidades. Todas essas missões foram concebidas para serem jogadas cooperativamente, mas elas se adaptam caso o jogador queira enfrentá-las sozinho. Há três níveis de dificuldade nesse modo e os jogadores recebem estrelas de acordo com eles. Inicialmente há poucas fases disponíveis, mas outras são habilitadas conforme se adquire essas estrelas. Essa é uma modalidade bastante interessante, mas no PS3 as coisas foram um pouco problemáticas no início. Quando o jogo foi lançado, os servidores na PlayStation Network não aguentaram o alto nível de tráfego e o multiplayer ficou offline por dois dias. Para completar, o sistema de convites na modalidade Special Ops não estava funcionando. Entretanto, hoje, após quatro dias do lançamento, tais problemas já estavam corrigidos. No Xbox 360, porém, tudo funciona às mil maravilhas. No caso do multiplayer online, as coisas foram diferentes. ?? verdade que tivemos sérios problemas de conexão no PlayStation 3 essa semana, mas já na quinta-feira, com exceção de uma estranha desconexão (quando fomos tele-transportados para todos os pontos do mapa durante três segundos até sermos "kickados"), tudo correu às mil maravilhas. Encontrar um lobby é uma tarefa fácil e muito rápida, independente de sua versão, e aqui está o verdadeiro compromisso do jogo: de ser o multiplayer nosso de cada dia, assim como o original. Modern Warfare 2 não deve nada ao primeiro título nesse aspecto, e além de replicar todas as suas características de sucesso ainda traz algumas novidades bem empolgantes. Entre as que retornam estão o sistema de avanço de nível para os jogadores e recompensas destrancáveis, que passam a habilitar novas classes, armas, perks e modos. Experiência é garantida sempre que objetivos são realizados, inimigos mortos e desafios concluídos, na vitória ou na derrota. Os mapas estão muito mais elaborados, oferecendo pouquíssimos locais seguros, pois os pontos de encontro podem ocorrer em qualquer parte, dependendo do cenário. Inicialmente, o jogador começa com apenas três classes e suas armas pré-definidas à disposição. Posteriormente, será possível criar classes, dando nomes a elas e customizando seu armamento inicial, definindo até mesmo duas armas primárias no lugar de usar uma secundária. Além disso, há também equipamentos mais táticos como o sinalizador (flare), que permite designar onde o jogador fará o próximo "spawn", e o popular Riot Shield (escudo) que acrescenta ainda mais opções às partidas, ainda mais se vários jogadores o utilizarem de maneira eficiente ??? as balas ricocheteiam e podem até matar o próprio atirador. Sem dúvida isso dá espaço para muitas opções de configuração, ainda mais que as armas estão em maior número nessa versão, e todas elas podem ser modificadas. Uma AK-47, por exemplo, pode receber acessórios como mira telescópica, tornando-a um rifle mais preciso, ou lança-granadas, garantindo uma função secundária bastante útil. Mas essa arma só será oferecida aos jogadores que alcançarem o nível 70, algo que se consegue depois de muitas horas de multiplayer. Outra novidade vem no sistema de auxílios externos que os jogadores recebem conforme seu desempenho, que foi expandido em Modern Warfare 2. Isso inclui auxílios de veículos aéreos que revelam a presença de inimigos, os bombardeia ou sabota os radares adversários. O laptop que aciona um ataque de mísseis predadores é garantido a quem mata cinco inimigos em sequência, por exemplo. Com 11 mortes, um caça AC-130 fará um rasante e bombardeará o time adversário. Mas todas essas ajudas podem ser conseguidas de outra forma, através de pacotes que são enviados para os cenários. Os modos de jogo seguem o mesmo esquema: no início, há apenas o Free-For-All (cada um por si), o Team Deathmatch (times contra times) e uma variante com times de mercenários. Novos modos como Domination (conquista de territórios), Search & Destroy, Demolition e Capture The Flag são habilitados com o tempo. Insígnias e títulos ??? que destacam para os outros jogadores a sua experiência ??? são oferecidos aos jogadores conforme estes sobem de posição na hierarquia do jogo, onde se começa como recruta. No final de cada round, os jogadores são premiados com Accolades (reconhecimentos) pelas suas feituras ??? atos do tipo "quem mais matou de faca" ou "quem mais usou armas diferentes", etc. Todas as Accolades têm uma descrição prévia de como obtê-las e mais um aspecto para cativar os colecionadores de plantão. Entretanto, utilidade mesmo está no sistema de perks, que dá ao personagem habilidades especiais. Todos os perks, conforme são usados, garantem uma segunda habilidade bônus e isso pode significar muito dentro de uma partida. Entre elas podemos citar aumento do alcance de ataque corporal (faquinha, por exemplo), anulação do dano causado por uma queda, melhor pontaria e muito mais. Perks são oferecidos também para os jogadores que não estão se saindo muito bem. O Copycat, por exemplo, lhe garante a chance de utilizar todo o equipamento de seu último algoz por uma rodada. Outro item garante mais energia por um tempo limitado. E por aí vai. Graficamente, Modern Warfare 2 é um dos jogos mais bem produzidos da atualidade. Ele não supera todos os lançamentos deste ano, mas também não fica devendo tanto assim, e tem seus pontos de destaque. O nível de detalhes dos cenários da campanha single é fantástico, apesar de serem curtos e lineares. Somente as cores é que são um pouco lavadas e não muito nítidas - de "vivo" mesmo apenas o vermelho do sangue que respinga na tela quanto somos atingidos. No multiplayer, a qualidade da textura cai visivelmente, mas o desenho nos mapas, inspirados nos cenários do single, foi muito bem elaborado. Coincidência ou não, o que mais nos agradou foi justamente o conjunto de becos da favela do Rio. Se não fosse pelo radar, seria muito fácil se perder. Os típicos casebres de tijolo foram fielmente recriados no jogo, dando uma forma bastante crível ao cenário. Se não fossem pelas bandeiras do Brasil desenhadas ou penduradas em todos os cantos e pelos milicianos de quepe (parecendo mais cubanos do que brasileiros), a ambientação seria perfeita. Levando em conta que a equipe de produção não veio ao Brasil e se usou apenas fotos para criar a fase, podemos dizer que eles fizeram um trabalho fantástico. Os efeitos sonoros de Modern Warfare 2 são muito verossímeis e consistentes, e deixa dúvidas em torno de sua qualidade. Sons de tiros, explosões, rasantes de avião são ouvidos em todos os cantos, exceto nas missões de furtividade. Contudo, ima das fases que mais nos chamou a atenção, claro, foi da favela do Rio, por um fato curioso: o sotaque dos milicianos. Apesar de eles falarem um português claro, as frases são carregadas e, podemos garantir, não se trata de "carioquês". ?? até engraçado ouvirem gritando um mix de português com inglês como em "Ele foi atingido! He's been shot!" ou "Inimigos adiante, ahead!". Inicialmente achamos um pouco absurdo, mas como eles estão trabalhando com os russos, e deve ser mais fácil do que usar a língua de Kalashnikov. Deixando de lado esses sons que soam estranhos apenas aos nossos ouvidos, as dublagens do jogo estão excepcionais. Para um fã hardcore do primeiro Modern Warfare, essa segunda versão, considerando o pacote completo, é um espetáculo. Não que ela supere a original em todos os quesitos, mas é um produto capaz de sobreviver por suas próprias qualidades. A campanha pede que você conheça os eventos do primeiro jogo, já que as referências só serão percebidas por quem tiver acompanhado a jornada do capitão Soap McTavish em COD4. O modo single deixou muito espaço para melhorias no futuro, mas o componente multiplayer continua arrebentando. Além de um cooperativo bacana, Modern Warfare 2 expande ainda mais a experiência online com melhorias no sistema de avanço de nível, perks, mais armas, cenários mais elaborados, enfim. A segunda versão pode não superar a original em todos os quesitos, mas com um multiplayer ainda mais robusto, ela sem dúvida veio para ficar, e tem todos os ingredientes para substituir, com o tempo, o primeiro título. [img]hide:aHR0cDovL2ZpbmFsYm9zcy51b2wuY29tLmJyL2ZiNC9mb3Rvcy8yLzEvMjQ5MjEyLmpwZw==[/img]
Fonte: Finalboss
marped
Enviado por marped
Membro desde
Niterói, Rio de Janeiro, Brasil
label