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8.5

Análise do jogo "Borderlands" para PS3 escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 8.5 de 10, enviado por Giordano Trabach,
O que é tão interessante em Fallout? Alguns podem dizer que é a jogabilidade, outros a capacidade de interação entre o jogador e o cenário. Nós acreditamos que o seu foco de interesse está intimamente ligado à ambientação do game. O universo caótico é atraente e desperta a curiosidade do jogador. Que tal então oferecer um universo semelhante, mas com referências mais ligadas a filmes como Mad Max e ainda por cima com uma interface mais charmosa e uma jogabilidade mais dinâmica? Pois foi isso que a Gearbox fez com Borderlands. O título aproveita o tema utilizado por Fallout, apresentando assim várias semelhanças com o game da Bethesda. O grande diferencial é que Borderlands não tenta simplesmente copiar uma receita que já se mostrou acertada. O título tem identidade própria e adiciona em sua mecânica algumas idéias bastante atraentes, além de contar com uma progressão que preza mais pela ação em primeira pessoa do que pelo RPG. A história de Borderlands é bem simples, funcionando mais como uma desculpa para colocar o jogador em meio a um cenário caótico. Para começar, a trama não se passa no planeta terra, e sim em outro lugar da galáxia. Isso já dá aos produtores a ''licença poética'' de adicionar lugares e criaturas totalmente inéditas, criando aquilo que acharem mais interessante. Diz a lenda que neste planeta existe uma espécie de terra prometida, um lugar que, se encontrado, dará ao explorador recursos para viver uma vida de rei até o fim de seus dias. Esta lenda faz com que grupos de jovens exploradores adentrem os desertos insólitos de Borderlands, à procura deste tesouro esquecido. Para auxiliá-los em sua busca, eles contam com a ajuda de uma misteriosa mulher, que se identifica somente como ''angel''. Não se sabe se ela quer realmente ajudar os personagens ou somente usá-los como peças em um grande jogo. O que importa é que ela possui informações preciosas para a sua busca e é nisso que o personagem se agarra ao longo da trama. O início de Borderlands é bastante travado, mas com o tempo o jogador começa a perceber o potencial do game. Estamos falando de um RPG em primeira pessoa que tem como foco as batalhas com armas de fogo e veículos armados, tudo bem no estilo Mad Max. O desenvolvimento da história acontece através de quests, que são adquiridas através de personagens secundários à trama. Por meio delas, o jogador conhece melhor o cenário que o cerca, tal como os seus perigos. Um detalhe bacana é que todas contam com uma descrição bem detalhada, permitindo que você tenha uma noção um pouco maior da história, fato que acaba garantindo um interesse contínuo na exploração do game. O título possui ao todo 30 missões relacionadas diretamente à história e outras 120 missões extras. Jogando somente as missões principais o game terá uma duração que pode variar entre 15 e 20 horas, o que é bastante considerável para um título do estilo. Mas se você quer as melhores armas, enfrentar os inimigos mais difíceis e conseguir a maior quantidade de dinheiro possível, então você certamente vai preferir explorar todas as 150 missões do jogo, o que aumenta sua longevidade para mais de 100 horas de jogo facilmente. A estrutura de missões lembra bastante a de Hellgate: Londom, só que de uma maneira bem feita. Não existem diálogos alternativos, a personagem somente pega a sua missão e dá um jeito de executá-la. A vantagem é que isso adiciona certo dinamismo ao game. Por outro lado, o título perde um pouco de profundidade, já que textos melhor elaborados poderiam ser utilizados nos diálogos entre personagem e NPCs. Este método se encaixa bem na proposta do título, mas não faria mal se fosse um pouco melhor elaborado. O sistema de combate é totalmente dinâmico e depende diretamente da habilidade do jogador nos controles. Caso não saibam, o título é em primeira pessoa e toda a mecânica de jogo é baseada neste tipo de visão. O único momento em que ela assuma uma perspectiva em terceira pessoa é quando seu personagem está no controle de algum turret ou no comando de um veículo motorizado. Outro diferencial em relação aos demais games do estilo é que em Borderland não existe um sistema de criação de personagens. Ao contrário, o jogador conta somente com 4 arquétipos, cada um com suas próprias características. O personagem Roland representa a classe Soldier. ?? a classe mais equilibrada do game, onde é possível usar com relativa facilidade todas as armas presentes na trama principal. Lilith é uma Siren, a única classe capaz de utilizar magia dentro do jogo. Com ela é possível encantar armas e adquirir ataques especiais únicos, sacrificando um pouco da sua velocidade e também precisão nos disparos. Mordecai é um dos personagens mais carismáticos e representa a classe Hunter. Perito em armas de longa distância, o jogador que escolher esta classe poderá fazer um uso mais preciso de rifles de longo alcance e pistolas, ganhando alguns bônus bem vindos. O último personagem disponível é Brick, um Berserker. ?? o clássico personagem tank, dotado de uma defesa sem igual e ataques de proximidade devastadores. Apesar dos nomes já definidos, o jogador pode escolher o nome que desejar para o personagem, apesar de continuar com sua aparência básica. Outro ponto importante está relacionado à arvore de habilidades de cada um. ?? possível montar ''builds'' diferenciadas, isto é, combinações específicas de habilidades, de forma que um estilo de jogo possa ser melhor definido. As habilidades se desenvolvem na medida que o personagem evolui, onde cada nível alcançado representa um ponto a ser gasto neste aspecto. Além de habilidades distintas, cada personagem conta com um movimento especial, adquirido no nível 5. Este movimento permite que a sua participação nos combates tenha um significado maior, dando uma importância singular para cada tipo de personagem. Apesar desta carência na customização dos personagens, Borderland traz uma vasta combinação de equipamentos. São vários tipos de armas de fogo, além da presença de mods que modificam algumas de suas propriedades mais básicas, permitindo que o jogador crie armas diferentes das originalmente adquiridas ao longo da história. Alguns acessórios também suportam Mods, como os escudos, assim como as granadas, que podem combinar propriedades diferentes, aumentando de maneira considerável as possibilidades de combate dentro do jogo. Porém cuidado! Os adversários também contam com uma pequena variação entre os membros das gangs. Quando o alvo principal de uma quest é um adversário em especial, ele permanece imutável em sua posição, para facilitar a conclusão da missão. Porém os adversários que o cercam podem variar de maneira randômica, pegando o jogador de surpresa em vários momentos. E como alguns inimigos possuem tipos de ataque e proteções diferentes, fica ainda mais complicado elaborar uma estratégia mais específica para cada missão. Mas porque não piorar? Vez ou outra, dependendo da missão aceitada, surgem as versões Badass dos adversários comuns. São inimigos maiores e mais fortes que suas versões originais, apresentando também um brilho maligno em seus olhos, facilitando assim sua identificação. Apesar de adicionar uma maior variedade nas missões, pegando o jogador de surpresa e obrigando-o a ter mais de uma estratégia na manga, o game acaba pecando por apresentar um nível de dificuldade um pouco desbalanceado. Cada missão apresenta um nível que mostra se ela é ou não muito difícil para você. O problema é que com a presença destes Badass, a coisa pode ficar bem mais complicada do que deveria. Pior ainda é se você decidir encarar uma missão mais difícil. Em dado momento, tivemos contato com dois Badass em uma mesma sala, o que tornou a resolução da missão um verdadeiro caos. Outro problema está relacionado à maneira com que você morre e volta. Ao longo dos mapas, existem vários checkpoints que servem como ponto de respawn para cada vez que você morre. Seu funcionamento é simples e eficaz, cobrando apenas uma mínima taxa por cada respawn. Porém, imaginem esta cena. Você está enfrentando um adversário super resistente. A luta é ferrenha e sua munição está quase no fim. Por um golpe do destino, você acaba morrendo justamente quando a energia dele está próxima do fim. Você então pensa, ''bem, vou voltar lá e acabar com a raça dele de uma vez!''. Seria bom se fosse assim, mas não é. Caso você morra, o adversário voltará com a energia completa, e não da maneira com que você o deixou. De certa forma é o mais justo, mas não o mais fácil. Para tentar amenizar este tipo de coisa, a Gearbox incorporou ao game um sistema bem interessante no sistema de combate. Trata-se do Last Stand. Funciona assim: toda a vez que a energia do personagem chega ao fim, ele tem alguns segundos para detonar algum adversário próximo. Caso consiga a façanha ele ganha automaticamente uma ''segunda chance'' levantando bravamente e contando com um pouco de HP, muitas vezes o necessário para continuar lutando. ?? um sistema bacana e que facilita um pouco as coisas em alguns momentos, além de ser bem criativo. O título também conta com um eficiente modo cooperativo online ou através de system link. Com ele os jogadores podem se ajudar mutuamente, participando de partidas onde vários compartilham de um mesmo objetivo. Existe ainda um sistema de duelos onde é possível participar de lutas Player versus Player. Não é um sistema muito conciso, mas funciona para o que se propõe. A grande sacada deste modo, além de oferecer a chance de avançar na história em grupo, é o compartilhamento de equipamentos. Sempre existirá um ou outro item exclusivo para cada personagem e esta troca é bem interessante. Outro ponto é que a experiência compartilhada aumenta conforme o número de participantes, facilitando assim o desenvolvimento do seu personagem. A parte gráfica de Borderland é bastante peculiar. Ao invés de adotar um estilo mais realista, a Gearbox decidiu utilizar um render em cell-shade, tornando os gráficos mais próximos de um desenho animado. As texturas são super estilizadas e parecem ter saído de um caderno de esboços, mas nem por isso são ruins, pelo contrário. Todas são bem definidas e apresentam um nível de detalhes bem interessante. O design dos personagens e criaturas também é bem atraente, assim como as animações utilizadas. Além de apresentar uma boa parte técnica, o título também chama a atenção pela simplicidade e funcionalidade de seus menus. Tirando o de equipamentos, que pode parecer um pouco confuso no início, tudo é bastante direto e mostra de cara o que o jogador precisa ou quer saber. Outro ponto interessante é que quando achamos uma arma no chão, automaticamente é mostrado um pequeno painel que mostra suas principais particularidades, além de fazer uma comparação rápida com o equipamento utilizado pelo jogador. E como o seu personagem possui um inventário limitado, é primordial que você pegue somente aquilo que for de interesse para a sua estratégia de sobrevivência. Coisas assim tornam a experiência mais prazerosa, além de dinâmica. O som também é bem bacana. O título possui um senso de humor bem sarcástico, como quando seu personagem faz um acerto crítico no adversário e pergunta ''isso doeu?''. A dublagem neste caso ajuda um pouco a manter este clima. Destaque para o robô chamado Claptrap, que vive dançando e fazendo suas estripulias no perigoso deserto. As músicas são boas, mas como o título possui muita ação elas acabam passando batidas em certos momentos. Isso é uma pena já que elas poderiam ser melhor utilizadas, adicionando o clima de tensão necessário para algumas batalhas. [t2]A favor:[/t2] [list]Ambientação lembra bastante a de Mad Max, com algumas pequenas mudanças como a adição de criaturas bizarras e até mesmo magia, ou seria tecnologia avançada? Sistema de combate dinâmico e sólido, funcionando bem na maior parte do tempo; Boa variedade de missões, o que aumenta bastante a longevidade do título; Misturar habilidades diferentes e modificações em seus equipamentos permite a criação de estratégias bem variadas.[/list] [t2]Contra:[/t2] [list]A falta de um mini-mapa dinâmico pode prejudicar um pouco a experiência em alguns momentos; A dificuldade do jogo varia de maneira randômica, com a presença ou não de inimigos Badass, algo que pode atrasar um pouco o desenvolvimento do game, obrigando o jogador a recuar; A customização de seu personagem é fraca.[/list] [t2]Veredito:[/t2] Borderlands é uma espécie de mistura entre Fallout e Hellgate: London. Felizmente é uma mistura que funciona, apresentando uma jogabilidade exclusivamente em primeira pessoa, contando ainda com elementos de evolução de personagem, aquisição de experiência e missões. O título não é perfeito, com pequenos probleminhas como a falta de um automap decente e vários loadings, mas promete divertir os fãs do gênero.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
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