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7.9

Análise do jogo "Afrika" para PS3 escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 7.9 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Você já foi no Zoológico de sua cidade? Muitos aqui, na redação do FinalBoss, se não todos, já visitaram pelo menos uma vez a Quinta da Boa Vista, que abriga o Zoo mais popular do Rio de Janeiro. A experiência é agradável, por conta do encontro direto que temos com a natureza, ainda que com grades e muretas separando as pessoas dos animais selvagens. Elefantes, girafas, tigres e leões são sempre os mais populares, além de pequenos micos e animais exóticos, como cobras e pinguins. Isso sem falar no Macaco Tião, popular símio que fez a fama do local em anos passados, infelizmente já falecido. O interessante de um lugar como este é que, apesar da polêmica de alguns protestarem contra os animais enjaulados, uma infinidade de espécies pode ser vista por pessoas que nunca tiveram ou poderão ter a chance de visitarem uma selva de verdade, ou um ambiente propício para presenciar a vida selvagem em todo o seu explendor, como a savana africana. Mas, se você não quer sair de casa, ou não pretende comprar um pacote turístico para um passeio em um safári estrangeiro, há uma, digamos, alternativa. Afrika teve um lançamento conturbado para este lado do mundo, com o cronograma mais confuso já realizado. Lançado originalmente em 2008 no Japão, com o mesmo nome atual, o jogo chegou ainda em outros territórios asiáticos com o título de ''Hakuna Matata'' (é lindo dizer!). Um lançamento ocidental estava prometido para a Europa, mas nunca chegou a acontecer e acabou cancelado. Felizmente, a distribuidora Natsume acabou com o impasse e lançou o game na América, em outubro de 2009, mais de um ano depois de seu lançamento original. Exclusivo do PlayStation 3, o título passa a mesma impressão de visitar um zoológico. No jogo, um personagem interage diretamente com animais em seu habitat natural, soltos, mas para o jogador ainda há a limitação, que se dá na barreira entre o real e o virtual, o que está na tela e o que está ao seu lado. A intenção do título é justamente essa, a de criar uma ligação entre o jogador e o que está na tela, principalmente pelo papel que é assumido por quem está com a mão no controle, um fotojornalista, observador por profissão, e tudo o que acontece em sua volta. No início do game, o jogador escolhe entre dois personagens disponíveis. Uma exploradora americana e um jornalista francês, ambos com o papel de fotografar as belezas de um safári na África, a fim de enviar as fotos para os mais diversos trabalhos, como famosas revistas sobre o Reino Animal ou até mesmo para empresas de publicidade. Tenha em mente que este será seu objetivo ao longo de toda a aventura. Não há luta contra animais ou quebra-cabeças para se resolver, aqui o mote é observar, observar e observar, além de, é claro, registrar tudo com uma máquina fotográfica, como solicitado pelos clientes. Por conta disso, Afrika acaba sendo um título restrito, pois não são todos que vão entrar em suas graças. Escolhido o seu personagem, a primeira coisa que você vai receber é sua câmera básica, um modelo fictício, com zoom limitado e qualidade duvidosa. Além disso, um guia nativo te ajudará nas primeiras missões disponíveis. Precisa da foto de uma zebra? Ele te levará de carro até lá, mas não pense que essa moleza dura para sempre, pois o guia só fica presente nas primeiras tarefas, cabendo a você dirigir o jipe ao longo das outras tarefas. Logo de início, você também terá à sua disposição um acampamento, com tendas montadas e preparadas para seus trabalhos e descanso. Na tenda principal, que poderíamos chamar de seu escritório, é possível acessar um notebook, que irá fornecer trabalhos via e-mail, permitir a compra de novos acessórios, descarregar fotos, conferir um banco de dados com informações e, claro, gravar o jogo. Nos cenários externos, o controle de Afrika se dá em terceira pessoa, ou seja, você vê seu personagem enquanto anda pelo cenário. ?? possível alternar para a visão em primeira pessoa, pressionando o botão Start (diferente, não?), o que ajuda em algumas missões. Falando em missões, a primeira delas é a única que irá durar o jogo inteiro. Você deverá registrar fotos de ''novas'' espécies e enviar para seu banco de dados. A cada novo animal, você será recompensado com uma quantia em dinheiro, que pode variar de acordo com a sua performance. O dinheiro será vital para a compra de mais equipamentos, que ajudarão no seu serviço, como por exemplo uma nova objetiva para sua câmera, ou uma barraca de camping, que permitirá acampar durante a noite, dispensando o retorno obrigatório à base principal. Mas, vamos ao que interessa: os animais. Eles estão bem representados? Estão fiéis à realidade? A resposta é sim. Apesar de serem virtuais, todos estão animados em alto nível, bem como toda a modelagem 3D. ?? de se sarapantar ao chegar perto de um elefante e notar até mesmo seus músculos se contorcendo à medida em que ele avança com suas pesadas passadas. Imagine também o movimento da cabeça de um avestruz, daqueles que ficam mexendo a visão para lá e para cá, está tudo lá, como um safári africano deveria ser. O jogo é dividido em três áreas principais, que subdividem-se entre si. Em cada uma será possível encontrar animais únicos, e alguns repetidos, mas com comportamento diferente. Um elefante que está nos pântanos, por exemplo, estará passeando com sua família, enquanto um outro que estiver em uma área rochosa, estará se lavando em uma cachoeira próxima. A variação de terreno influência também no humor do animal, que estará, ou não, mais suscetível a te enxergar de longe, e logo ficar incomodado com sua presença. Por isso, o segredo aqui é a paciência. Se você é daqueles jogadores que pula cutscenes e se prepara para apontar sua arma na primeira coisa que se move em Gears of War, Afrika não é para você. Se faz necessário um grande exercício de paciência, ao observar calmamente um animal até que ele faça o necessário para que sua foto saia como programado. Podemos citar um exemplo peculiar que passamos, um momento em que deveríamos registrar o instante em que um pequeno suricate subisse em um monte de areia. Foi necessária a instalação de uma câmera com tripé na frente deste monte, que não funcionou de imediato, pois os bichinhos estavam assustados com o aparelho próximo demais. Um ajuste se fez necessário, e o tripé foi colocado em um ponto mais distante. Assim, foi apenas necessário que ficássemos de um ponto distante, observando o momento certo para registrar a foto com sucesso. Não levou muito tempo, mas foi necessário largar os comandos do personagem e deixá-lo apenas abaixado, observando, para o momento certo do clique. Existem outros tipos de missões, como registrar fotos de paisagens, e até mesmo a gravação de sons de alguns bichos, que exigem igual ??? ou até maior ??? paciência. Citando outro exemplo, houve uma missão em que a tarefa era gravar o som da trombeta de um elefante líder com um microfone próprio, fornecido pelo nosso empregador. Para isso, precisávamos chegar ao local, identificar o elefante líder apenas observando (o jogo não indica sob nenhuma hipótese) e apontar ??? escondido em um arbusto ??? o microfone para o animal. Nossa gravação tinha espaço para até quatro minutos, e somente aos dois minutos e oito segundos é que a missão foi cumprida. Imagine, cerca de dois minutos apenas parado, aguardando. Não que isso seja ruim, muito pelo contrário, pois passa a exata sensação de estudos em campo realizados com animais, como a própria gravação de sons ou fotografias. Podemos dizer até que o jogo é bem bonzinho, já que todos os animais estão pré-programados com determinadas tarefas que eles terão que realizar logo, para que sua missão seja completada. Imagine um explorador de campo real, tendo que esperar horas, ou até dias, para gravar o som exato do elefante, por exemplo. Além da simulação animal, o jogo preza também pela simulação da fotografia, o ponto principal da aventura. Ao longo da jornada, você irá se deparar com os mais diversos modelos de câmeras ??? todas Sony, obviamente ??? e objetivas. Cada uma tem suas próprias características, vantagens e desvantagens. Uma objetiva pode ter um zoom maior do que a outra, mas por sua vez pode ser mais escura, ou mais clara, tudo depende do modelo escolhido para a situação ideal que você desejar. Cada máquina possui uma configuração, com direito a parâmetros técnicos que somente quem realmente manja de fotografia irá entender. Mas, se você não sabe o que é ''numero F'', ''prioridade de abertura'' ou ''tempo de exposição'', não se preocupe. Baixa deixar tudo no automático, e suas fotos sairão com uma qualidade bastante aceitável. Outro ponto bacana da simulação de fotografia está nos comandos do joystick. Com o quadrado você entra na visão da câmera, que mostra a quantidade de fotos restantes na memória, o nível de zoom e os campos de foco, bem como os pontos que ajudam na regra dos terços, para um melhor enquadramento. Cada câmera pode variar um pouco nestes quesitos, mas todas trarão detalhes semelhantes entre si. Os botões R1 e círculo ficam a cargo do clique das câmeras, que funcionam de forma sensível, ou seja, ao pressionar com leveza a máquina irá ajustar o foco, enquanto a foto será batida somente quando o botão for pressionado com firmeza. O sensor do SixAxis também tem um papel fundamental nas máquinas fotográficas. Ao inclinar o controle, o dispositivo também se inclina, para registrar fotos na vertical. Muito cuidado também ao bater uma foto ou apertar o botão de disparo muito rápido, pois se você tremer o controle, a foto sairá borrada, como em uma câmera de verdade. Infelizmente, há falhas neste ponto da fotografia. Enquanto o jogo permite uma vasta opção de customização e simulação, a avaliação das fotos não é lá muito apurada. Vez ou outra o jogo irá avaliar sua foto de acordo com o momento registrado, e não com a técnica empregada. Por exemplo, como ocorreu conosco. Em determinado momento, fomos contactados pela revista National Geographic, que solicitava uma imagem para sua próxima capa. A missão era simples: registrar o momento em que elefantes tomavam banho, esguichando água pela tromba. Fomos até o local, esperamos em nosso canto com a máquina apontada, até que conseguimos registrar a imagem. Entretanto, ao chegar de volta à tenda, fomos verificar o resultado de nosso trabalho. Qual não foi a surpresa ao ver que a foto havia sido gravada borrada, sem foco. Apenas como teste, enviamos o arquivo mesmo assim, e a revista aceitou, informando que a foto estava excelente, ''como nunca ante vista'', e a capa foi publicada, completamente feio e fora da realidade. Ao invés do jogo recusar a fotografia, por conta da sua baixa qualidade, ele a aceitou, pois, ainda que borrada, havia registrado o momento correto, que a publicação havia solicitado. Outros erros de Afrika incluem pequenos detalhes técnicos, até bobos, mas que incomodam, e podem colaborar para um afastamento ainda maior do público que já não aceitar as peculiaridades do jogo. Por exemplo, há um imenso tempo entre um e dois minutos no momento em que você vai carregar ou salvar um jogo. Isso ocorre por conta do tamanho do arquivo salvo, cerca de 380MB, que pode até ser justificável, mas atrapalha bastante. Você não vai querer salvar apenas em um momento da jogatina. A cada missão concluída será de bom senso salvar o jogo, para não perder seu progresso em qualquer tipo de emergência. Imagina gastar quase dois minutos a cada vez que realizar este processo? Combine isso com uma instalação obrigatória de mais de 2GB, que leva cerca de sete minutos, antes da primeira sessão de jogo. A instalação poderia até ser relevada, se o título não apresentasse tantas quedas na taxa de quadros. A todo momento em que você estiver viajando pelas planícies do safári em seu jipe de exploração, irá se deparar com terríveis slowdowns, que irão desanimar até os jogadores menos exigentes. Problemas de design também atingem o game, como uma transição truncada entre as áreas. Prepare-se para um vai-vém sem fim entre as suas missões. Por conta disso, é sempre recomendável se comprometer com mais de uma por vez, a fim de completar várias de uma só vez e evitar viagens desnecessárias. Não pode ser considerado um defeito, mas, para quem tem dúvidas, não há como morrer em Afrika. Não existe tela de Game Over, algo até comum nos dias atuais, e seu personagem não morre ao ser atacado pelos animais. Não há sangue ou qualquer imagem de violência, representando um ataque real. O mesmo ocorre durante as caçadas de animais entre si. Quando um leopardo põe suas garras e presas em um antílope, não há sangue ou dilaceramentos, e a câmera logo se afasta ou o bicho vai embora com sua presa. Outros grandes momentos que valem destaque são os ''Big Game Trophy'', que funcionam como missões-chave, para que você avance ainda mais no jogo (e destranque um troféu correspondente no sistema do PS3). Interprete estas missões como os ''chefões de fase'', pois geralmente são mais complicadas de resolver, além de mais emocionantes, como capturar o momento exato em que um guepardo coloca as suas garras em um pobre antílope (sempre ele). A precisão é necessária, principalmente por que, geralmente, você estará em cima de seu jipe em movimento nestes momentos. Felizmente, o resultado é gratificante, pois suas fotos saem em ângulos mais épicos, bem como valem mais dinheiro em missões importantes. O resultado dos ''Big Game Trophy'' ficam gravados em sua conta, e podem destrancar ainda vídeos especiais. Já que tocamos neste ponto, vale notar que todo o conteúdo gráfico real, em relação a fotos e vídeos, fora cedidos pela National Geopraphic, provavelmente a maior autoridade no assunto em termos de Reino Animal. Espere por se deparar com fichas completas de todas as espécies, bem como vídeos e fotos extraordinárias, em qualidade inacreditável. Os rugidos e barulhos produzidos pelos animais também vieram da equipe de pesquisa da revista, que fez um bom trabalho. O mesmo não pode ser dito do restante do trabalho sonoro em geral. Apesar das músicas serem boas, com composição do músico japonês Wataru Hokoyama, o game não possui uma vasta biblioteca de sons. Os personagens não têm nenhum tipo de trabalho de dublagem, é possível acompanhar as conversas apenas por textos. Os gráficos são muito bonitos nos animais, com belos visuais e modelagem dos animais. Os cenários não são grande coisa, com texturas em baixa resolução e até design mal trabalhado em alguns pontos, mas não chega a comprometer. Ao menos você pode fazer belas montagens fotográficas com os animais, graças ao alto nível. As suas mais belas fotos poderão ser selecionadas para serem salvar em um pendrive via USB do PlayStation 3. [t2]A favor:[/t2] [list]A simulação de fotografia é altamente apurada, com direito a configuração manual de características técnicas de uma máquina; Uma infinidade de belos animais, com fotos e informações com marca registrada da National Geographic, para serem apreciados e fotografados; As missões são até bem variadas. Você vai fotografar animais em diversas situações e estilos; Há uma apurada simulação nos animais e também nas máquinas fotográficas, com ampla customização de sistema; Os ''Big Game Trophies'' são o ponto alto da jornada, com cenas cheias de emoção em missões especiais; Tem coisa mais fofa do que um elefantinho sendo empurrado pela sua mamãe e você assistir tudo de camarote?[/list] [t2]Contra:[/t2] [list]O jogo sofre bastante de queda na taxa de quadros - em vários momentos é possível notar este defeito; Vai carregar ou salvar o jogo? Sente e espere mais de um ou dois minutos para cada; O arquivo de savegame possui mais de 300MB, enquanto o jogo instala mais de 2GB no HD do aparelho; Em alguns momentos você vai ficar sem missões até descobrir um novo animal ou ponto do mapa. O problema é que o jogo não explica esta funcionalidade.[/list] [t2]Veredito:[/t2] Um curioso título que, mesmo com defeitos, agrada. Afrika apresenta uma experiência única de exploração e simulação de fotografia, em um local que poucos têm a oportunidade de ir. Só por conta disso o jogo poderia merecer uma nota muito maior, mas, infelizmente, há espaço para alguns problemas técnicos que irão chatear até mesmo os mais empolgados com a ideia. A produção sofre de queda na taxa de quadros em diversos momentos, o que atrapalha a experiência em geral. Além disso, há uma instalação obrigatória de sete minutos e um sistema de carregar/gravar savegame que toma entre um e dois minutos de seu precioso tempo. Entretanto, se você souber passar por cima destes empecilhos, Afrika pode ser uma ótima opção. Mas fique ligado, pois é um título que exige dedicação e paciência para que seja recompensador, principalmente para os amantes de belezas naturais, como uma bela paisagem ou animais em seu habitat natural. Uma sequência não seria má ideia, se corrigirem os problemas e adicionarem ainda mais localidades.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
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