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8.5

Análise do jogo "A Boy and His Blob" para Wii escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 8.5 de 10, enviado por Giordano Trabach,
"Subentendido" define algo que não está claro ou expresso, mas é compreensível. Por muitas vezes não precisamos ler a instrução de algo para saber como funciona, principalmente quando temos certa intimidade em manusear, como é o caso dos videogames, para a nossa realidade. Dificilmente você pegou no manual do seu Wii, PS3 ou Xbox 360 quando o comprou. Os botões, luzes ou indicações que estavam ali já se faziam entender para que o aparelho fosse operado corretamente, sem grandes problemas (exceto quando se precisa parear um controle). Este conceito, de deixar algo "subentendido", é muito utilizado no cinema, livros e até mesmo em propagandas de TV. ?? uma ideia às vezes de difícil compreensão, já que muitos expectadores ou leitores esperam que a história, detalhes e outros pontos sejam explicados de forma clara e objetiva. Imagine, então, a ousadia de criar um jogo com esta premissa. A Boy and His Blob é um destes games, apesar de não ser o único em seu estilo. A princípio, este remake de A Boy and His Blob: Trouble on Blobolonia, lançado originalmente para NES, era apenas mais um game de plataforma com elementos de quebra-cabeças, mas não é bem por aí. O game é produzido pela WayForward Tenchnologies, de Lit - título de WiiWare ??? e a recente versão de Contra ??? o quarto capítulo, na verdade ??? para o Nintendo DS. Logo nos primeiros minutos de jogo você é jogado dentro da casa do garoto, o ''Boy'' do título, sem mais explicações ou qualquer detalhamento do tipo. A única história que você vai encontrar aqui será uma rápida cutscene bem no início. Na verdade, esta cena serve mais como uma ''abertura de desenho animado'' do que explicação para a trama em si, já que mostra apenas imagens soltas do tal garoto e a tal bolha. Após este rápido momento, já estamos dentro da casa do jovem, que acorda ao som de meteoritos caindo ao redor de sua moradia. E isto define a história: habitantes maléficos do planeta ''bolha'' caíram na Terra e estão tocando o terror por aí. Resta ao menino, que encontra uma bolha branca ??? um contra-ponto sobre as bolhas negras, as responsáveis pelo caos ??? colocar as coisas no lugar. O game não apresenta qualquer tipo de texto escrito ou falado, a não ser pelos gritos que o garotinho dá ao chamar seu novo amigo, a tal bolha, aplicados com o botão C do Nunchuk. Mas calma, não vamos embolar as coisas, ainda não é o momento de detalhar a simples jogabilidade deste título. Ainda sobre seu conceito abstrato em termos de história, A Boy and His Blob deixa tudo a cargo do jogador em termos de interpretação. Contamos a história logo ali acima, mas você pode interpretar de maneira ligeiramente diferente. Pode até dizer que os tais monstrinhos negros estão poluindo a cidade e precisam ser combatidos. Mas, na verdade, há um ''plot'' oficial para a trama, mas ele está apenas no manual do jogo (exatamente o que dissemos acima). O jogo em si não explica nada, não concede nenhum tipo de informação, talvez para que as crianças exercitem a imaginação, já que elas são o público alvo principal do título. E não, isso não é algo ruim. Declaradamente, A Boy and His Blob é um título infanto-juvenil, mas que pode ser facilmente jogado por adultos. Há dois elementos principais que regem o game: plataforma e quebra-cabeças. Qualquer criança que sentar no sofá, pegar o Wii remote e se aventurar no título poderá se divertir facilmente, enquanto alguém mais crescido irá achar gratificante resolver alguns dos puzzles que o jogo apresenta. O objetivo primário é avançar pelas fases, divididas em mundos ??? como em Super Mario ??? e enfrentando os chefões ao final de cada mundo. Há o objetivo secundário, que consiste em coletar baús pelas fases, que reúnem sempre um total de três destes itens. Coletando-os, você destranca um novo estágio, bônus e mais difícil, que dará acesso à material extra ao ser completado, como artworks e making-ofs. Como dissemos anteriormente, as fases são um misto de plataforma e puzzle. Os comandos são simples e não fazem o uso do sensor de movimento do Wii Remote. Você movimenta o garoto pelo analógico do Nunchuk, enquanto a bolha se move sozinha. O botão A confirma ações, enquanto o B seleciona jujubas. ''Peraí, jujubas?'' Sim, este é um elemento do jogo original, que foi mantido e melhorado nesta atualização. A tal bolha, amiga e companheira do menino, adora as jujubas coloridas da Terra, e, assim, a cada sabor que come, se transforma em determinado objeto ou passagem, para auxiliar o jovem no avanço dos estágios, e é aí que o elemento puzzle se desenvolve. Cada estágio tem seu grupo de jujubas pré-definidas, mas elas variam entre si. A bolha terá a habilidade de se transmutar em escada, trampolim, buraco, bola, balão e até mesmo em um canhão. Cada forma concede uma nova possibilidade de avançar pelo cenário, desenvolvendo a estratégia de quem joga. Ainda assim, aqui o fator de "subentendido" do jogo perdura, já que não há qualquer explicação detalhada sobre o que fazer neste sentido, a não ser placas esparsas com desenhos simplificados, indicando apenas a forma que a bolha deve usar naquele momento, mas sem ir mais a fundo. Além das 40 fases da aventura principal, existem mais 40 destrancáveis através dos baús coletados pelos estágios, totalizando 80 níveis, cada um bem diferente em relação ao outro, com um nível de dificuldade progredindo gradativamente. Podemos dizer que, somando as interessantes batalhas contra os chefões, o jogador irá demorar cerca de oito horas para terminar a história principal coletando todos os baús. Some quase a mesma quantidade de tempo para finalizar as fases extras e você terá um game com bastante conteúdo. Talvez seja em um momento como esse que um sistema de conquistas, ou algo semelhante, fizesse falta no Wii, mas, felizmente, os produtores se encarregam de colocar extras como recompensas para quem terminar os estágios a mais. As artworks, já citadas anteriormente, são legítimos trabalhos da produção e trazem até mesmo informações ''sigilosas'' em relação a seu conteúdo, como: ''O garoto não pode ser muito expressivo, mas não a ponto de ser uma Dakota Fanning ou um Haley Joel Osment''. Engraçado e curioso. O trabalho gráfico é notável, mas sem apresentar nada em alta definição ou com texturas belíssimas como os jogadores mais hardcore estão acostumados. Toda a arte do jogo é altamente inspirada nos traços do mestre dos animês japoneses Hayao Miyazaki, de ''Princesa Mononoke'', ''Meu Vizinho Totoro'' e ''A Viagem de Chihiro'', bem como o character design. As cores predominantes são frias, sem muito destaque, mas que dão um efeito proposital de "pintura em movimento". O grande destaque dos gráficos vai para a animação dos modelos. Mesmo em 2D e desenhado à mão, o garoto tem uma grande taxa de quadros de animação, fluídos e bem definidos, simulando completamente um típico desenho animado de TV. Isso se repete com os inimigos (principalmente os chefões) e a bolha. O som, por outro lado, é básico, sem muitas surpresas. O principal defeito de A Boy and His Blob, e praticamente o único, encontra-se no ''controle'' da bolha. Não podemos afirmar que é realmente um controle pois ela é movida pelo computador, ou seja, a inteligência artificial. Mas, isso por vezes é falho, com algumas truncadas de movimentação. Vez ou outra, a bolha vai ficar presa em determinada parte do cenário e, assim, demorar para se reunir com o menino, atrasando o avanço na fase. Em alguns momentos isso é proposital, mas, em nossos testes, presenciamos algumas legítimas travadas do animado alienígena, preso em partes minúsculas do cenário, tentando sair sem sucesso. Foi necessário realizar alguma ''gambiarra'' para soltá-lo, como jogar uma jujuba ao seu lado para que ele se transmutasse em um objeto menor e, assim, se soltasse. Um mero erro de programação na ''física'' do seu parceiro, que pode ser facilmente contornado, ainda que com um macete. [t2]A favor:[/t2] [list]Toda a parte artística do jogo é um colírio para os olhos, com belas animações e personagens muito bem desenhados à mão; A aventura reúne bons elementos de plataforma e quebra-cabeças, com uma jogabilidade única em seu tema; O jogo apresenta 40 estágios principais e mais 40 destrancáveis, somando o total de jogatina para mais de 10 horas contínuas; Se o menino é fofo, a bolha é mais ainda![/list] [t2]Contra:[/t2] [list]A inteligência artificial da bolha pode ser falha em muitos momentos, o que deixará o jogador menos experiente preso pelo cenário; O trabalho sonoro é um pouco básico, principalmente se comparado aos belos gráficos.[/list] [t2]Veredito:[/t2] Esta nova versão de "A Boy and His Blob" se difere, e muito, da primeira, lançada para NES. Enquanto o jogo original era inspirado pela estética dos anos 80, com direito a um garoto com cara de sapequinha, cabelo arrepiado e jaqueta, o novo título se foca em uma inocente menino que constrói a amizade com um ser de outro planeta - uma fofura só. O game é altamente voltado para um público infanto-juvenil ??? tem até um botão para abraçar a bolha -, mas pode ser jogado por qualquer tipo de público, principalmente graças aos elementos de quebra-cabeças ao longo da aventura, que vai tendo uma dificuldade cada vez maior. Combine isto com gráficos bonitinhos e desenhados, além de uma animação altamente bem produzida, e você terá um game com bastante conteúdo, apresentando uma ideia inovadora de jogabilidade, ainda que seja um remake de algo antigo.
Fonte: Finalboss
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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