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Análise do jogo "Wolfenstein: The New Order" para PS4 escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 7 de 10, enviado por inuyasha302,
[img]hide:aHR0cDovLzEuYnAuYmxvZ3Nwb3QuY29tLy1tSW45WWhEMDVKWS9VZi12NDJkSzdxSS9BQUFBQUFBQWxYUS9MbHZkRE1NQzY0MC9zMTYwMC9Xb2xmZW5zdGVpbitUaGUrTmV3K09yZGVyKy0rMDMuanBn[/img] Versão testada - PlayStation 4 E se os Nazis tivessem ganho a guerra? A pergunta é assustadora e as consequências ainda mais assustadoras seriam se o resultado fosse esse. Será que gozaríamos de liberdade de ação, pensamento e da igualdade que temos hoje? Para muitos, a Segunda Guerra Mundial não passa de um acontecimento que aprenderam nos livros de história e que vêem nos documentários do canal História, é um assunto pouco falado e lembrado pelas gerações mais novas, mas a sua importância para o futuro da humanidade foi, e continua a ser, de um valor inigualável. Com Wolfenstein: New Order, a MachineGames teve a coragem de imaginar como seria o futuro caso os Nazis governassem o planeta, depois de todas as nações, até mesmo os Estados Unidos, se ajoelhassem perante a máquina de guerra Nazi. É um futuro negro, onde a injustiça reina e o medo está entranhado nas pessoas. Já não basta ser destemido para lhes fazer frente, as cidades estão cheias de vigilância e à mínima transgressão os Nazi estão prontos para responder com força bruta e enviar os culpados para campos de concentração, sítios de tortura e a experiências desumanas. Este é maior feito de Wolfenstein: New Order, apresentar a terrível realidade alternativa em que os Nazi são réis do mundo. Não é um jogo para pessoas sensíveis, durante a campanha serão expostos a cenas com violência brutal, injustiças revoltantes e conhecer personagens Nazi maquiavélicas, sem escrúpulos e piedade pelos outros. São personagens tão horríveis que apetece entrar dentro daquele mundo virtual e fazer todos os possíveis para que paguem pelas injustiças e todo o mal que fizeram. [img]hide:aHR0cDovL2Nkbi5zdXBlcmJ3YWxscGFwZXJzLmNvbS93YWxscGFwZXJzL2dhbWVzL3dvbGZlbnN0ZWluLXRoZS1uZXctb3JkZXItMjExOTgtMTkyMHgxMDgwLmpwZw==[/img] Nada disto é real, mas sabemos que estamos perante ficção de qualidade quando não conseguimos ficar indiferentes perante o que está a acontecer no ecrã. Não é suficiente criar um vilão, é preciso fazer esforços para que o público odeie esse vilão. Wolfenstein: New Order deu esse passo essencial com os Nazi, e todas as características negativas são personificadas por Deathstead, uma personagem que regressa dos jogos anteriores, agora com a cara desfigurada e no papel de líder da divisão especial de projectos da SS. Logo quando chegamos ao menu principal de Wolfenstein: New Order percebe-se que não está a tentar imitar os outros FPS, ficando evidente pela ausência de uma componente multijogador que todos os esforços da MachineGames foram colocados na campanha. É raro o jogo deste género que hoje chega às lojas sem multijogador. Por um lado é uma forma fácil de aumentar a longevidade, mas por outro já assistimos a casos em que não há sentido em acrescentar a vertente competitiva, parecendo estar lá apenas por obrigatoriedade ou para seguir tendências. Fica então esclarecido que Wolfenstein: New Order não é o jogo indicado para quem espera participar no multijogador depois da campanha ou saltar a campanha e ir directamente para o multijogador. É indicado quem dá mais valor à história, às personagens e ao mundo apresentando. Nestes aspectos Wolfenstein: New Order surpreende, mas apesar de querer ser dramático e oferecer uma história adulta, ainda comete os erros comuns em jogos de acção. "Este é maior feito de Wolfenstein: New Order, apresentar a terrível realidade alternativa em que os Nazi são réis do mundo." Para começar, o protagonista, o capitão Blazkowicz, dá a ideia de ser uma espécie de super-homem. Digo isto porque durante a campanha vão vê-lo sobreviver e a levantar-se quase imediatamente a seguir, pronto para mais ação, após facadas no abdómen e colisões violentas. Nos jogos de guerra os protagonistas são quase sempre homens duros, mas Blazkowicz parece ser feito de aço em algumas ocasiões. No entanto, é apresentado um lado humano da personagem. Blazkowicz sonha regularmente com uma vida normal, com uma mulher, dois filhos, um cão e uma casa com um pequeno jardim, mas sabe que é impossível realizar o seu desejo, pelo menos enquanto os Nazi não forem derrotados. Wolfenstein: New Order não é o vosso típico jogo de guerra. Tem, como seria de esperar, as sequências de ação com colossais explosões, mas a faceta mais cativante são as personagens e as suas interacções, assistir à forma como a vitória dos Nazi afectou as suas vidas e sonhos. Entre as missões para derrubar o governo Nazi e por um fim à vida de Deathstead, há espaço para um romance entre Blazkowicz e uma enfermeira que cuidou de si quando ficou ferido durante uma missão da Segunda Guerra Mundial, que o colocou de cama durante anos. Quando acordou, Blazkowicz descobre que está na década de 60 e tem que enfrentar a dura realidade de que os Nazi venceram a Guerra. A década de 60 em Wolfenstein: New Order é diferente da década de 60 da nossa realidade. Aproveitando (leia-se roubando) a tecnologia de uma civilização séculos à frente (não perguntem como, o jogo não entra em muitos detalhes e há outras coisas que não são bem explicadas), os Nazi ganharam a guerra e têm ao dispor robôs gigantes que parecem saídos de um filme futurista. É uma sociedade com um aspecto retro-futurista, semelhante aos ambientes criados pela Irrational Games para os jogos Bioshock. É definitivamente um mundo diferente do nosso, Londres virou uma base gigante dos alemães, existe uma ponte que une o Estreito de Gibraltar ao norte de África e os edifícios de Berlim estão repletos com suásticas. Há quase sempre duas formas de abordar as missões em Wolfenstein: New Order: entrar a matar ou caminhar sorrateiramente aninhado e eliminar os soldados Nazis um por um com o infalível corte no pescoço. Ambas as formas de jogar são recompensadoras, uma porque é extremamente divertido usar as armas disponíveis e a outra porque cumprir a missão sem ser detectado é mais difícil do que a primeira opção. Depois de detectados é soado o alarme e não há volta à dar, tem que recorrer às armas de fogo. O jogo tem perks que foram incluídos precisamente para ganharem vantagem na nossa forma preferida de jogar. Por exemplo, se preferem o modo stealth e facas para lidar com os inimigos, rapidamente vão desbloquear mais espaço para carregar facas adicionais. [img]hide:aHR0cDovL2dhbWVyc2Rhd24uY29tL3dwLWNvbnRlbnQvdXBsb2Fkcy8yMDEzLzA1L1dvbGZlbnN0ZWluJTIwVGhlJTIwTmV3JTIwT3JkZXJfOS5qcGc=[/img] Os perks são desbloqueados pelas vossas ações a jogar. Não são obrigatórios para completar a campanha (aliás, cheguei ao final da campanha sem ter acesso a todos os perks), mas podem ser uma ajuda, principalmente se considerarem enfrentar depois as dificuldades "Hard" e "Uber". Na dificuldade "Normal" o jogo tem momentos que podem ser desafiantes pela quantidade de adversários contra nós, mas os confrontos individuais ou mesmo de um contra dois ou três são uma brisa. Na jogabilidade estamos perante o habitual shooter mas aperfeiçoado ao máximo, com liberdade para correr e de seguida deslizar (dando mais estilo aos tiroteios) e espreitar ligeiramente quando estamos aninhados e protegidos em algum sítio. Mas o ponto de maior diferença está no "Dual Wielding". Desde que encontrem um segundo exemplar de uma arma (o que não é difícil), podem optar por segurar uma em cada braço, sejam pistolas, metralhadoras ou caçadeiras. A única arma sem esta opção é o laser, que tem dois modos: serve como arma e serve para "cortar" vedações e outros obstáculos metálicos que possam aparecer. É a arma do jogo com mais upgrades, estando constantemente a evoluir e a ficar mais poderosa. Também se revela a mais essencial para derrotar os bosses e os grandes robôs. Com esta arma laser, as outras acabam por ficar obsoletas. Com ela, derrotar os inimigos é uma questão de dois tiros, que os desfazem em pedaços de carne fumegantes. O uso desta arma é controlado pelas estações especiais onde pode ser carregada, mas se acamparem num destes sítios, podem usá-la infinitamente. Trailer de lançamento de Wolfenstein: The New Order O clássico Wolfenstein 3D representou uma grande evolução e cimentação para os géneros dos FPS. Se por um lado Wolfenstein: New Order tenta não imitar à descarada os sucessos mais recentes neste género tão competitivo e adorado hoje, por outro falha em apresentar algo de novo para o panorama actual. Wolfenstein: New Order quer ser um jogo adulto, e por vezes consegue, outra vezes não faz sentido nenhum. A ligação entre os eventos do enredo é feita de forma curta e sem explicação. Obviamente que isto mantém o ritmo de jogo elevado, mas causa falhas na história. Não é preciso escrutinar a história para encontrá-las, basta utilizar o senso comum. Wolfenstein: New Order acaba por contar a história familiar de um homem só contra um exército inteiro. O jogo mostrado durante as cinemáticas, que expressam o lado humano das personagens e mostram um pouco deste mundo Nazis, é bem mais interessado do jogo jogado, onde temos que abater centenas de soldados Nazis. A jogabilidade polida e fluída, que responde muitíssimo bem aos nossos comandos, assim como o Dual Wielding e outras armas, tornam Wolfenstein: New Order muito divertido. A história é razoável se houver disposição da vossa parte para fechar os olhos a algumas falhas. A campanha oferece o que se pede num jogo de ação: missões de elevado risco, onde é colocado tudo em jogo, que têm como cenário várias localizações do mundo. Este mundo alternativo, tal como os locais presentes no jogo, são tão fenomenais que apetece implorar à MachineGames e Bethesda que façam um hibrido entre um Open World e RPG neste universo para que seja possível explorar livremente as cidades e conhecer mais personagens, tanto do lado da resistência como do lado das forças Nazis. Wolfenstein: New Order satisfaz como um FPS mas deixa apetite para mais, para algo melhor, maior e mais ambicioso. [img]hide:aHR0cDovL2VuZTMucHQvd3AtY29udGVudC9nYWxsZXJ5L3dvbGZlbnN0ZWluLWEtbmV3LW9yZGVyLzEzOTMyNTg0MzUtdHJlbmNoZXMuanBn[/img] Esta geração de consolas ainda agora começou e está longe de atingir o seu auge, mas Wolfenstein: New Order exibe pormenores interessantes que não podem deixar de ser aqui referidos. O detalhe incutido nas armas merece que percam no mínimo alguns segundos a apreciar cada centímetro. Mais impressionante é o nível de destruição que as armas podem causar. Utilizar pilar, secretária ou outras proteções destruíveis não é totalmente seguro, as balas rebentam com tudo. Com a arma laser, nem uma placa de metal pode dar proteção. As caras das personagens estão a atingir um realismo nunca antes visto tanto a nível de expressão como de pormenores, mas ainda faltam alguns passos para que possamos olhar para elas e não as distinguir de um humano real. Sem multijogador depois da campanha, devem estar curiosos sobre a longevidade. Depois da primeira playthrough, podem regressar ao primeiro nível, o prólogo, e optar por uma decisão diferente, que influenciará ligeiramente o resto da campanha. Não são duas campanhas diferentes, a campanha é a mesma mas com pequenas diferenças. Podem também dar uma oportunidade às dificuldades mais elevadas e desbloquear os perks que faltam. Por último restam os colecionáveis, que são a parte mais aborrecida. Como já devem ter percebido, Wolfenstein: New Order deixa sensações mistas. Há coisas que faz bem, outras que faz mal. Não é um jogo perfeito, mas dependendo do que procuram, poderá ser agradável ou até se revelar uma surpresa. Tenho que admitir que na minha experiência foi a segunda hipótese. Estava à espera de um FPS genérico, mas encontrei um diamante em bruto que prova que o universo de Wolfenstein pode ser prolífero. Wolfenstein: New Order vale a pena pela história alternativa que conta. É a sua maior qualidade.
Fonte: Eurogamer
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Enviado por inuyasha302
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