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Análise do jogo "The Legend of Zelda: The Wind Waker HD" para WiiU escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 10 de 10, enviado por inuyasha302,
Ocarina of Time 3D foi o primeiro jogo da série The Legend of Zelda a entrar para o quadro das remasterizações. Como um dos jogos mais icónicos e emblemáticos da série (para muitos o melhor), a sua remasterização para a 3DS possibilitou à Nintendo retocá-lo e dotá-lo de um aspecto gráfico mais apelativo, ao mesmo tempo que continuava a fascinar e encantar pela sua jogabilidade e estrutura. Se a apresentação em gráficos 3D foi uma das notas dominantes do jogo, já o Wind Waker para a Nintendo Wii U é o primeiro jogo da série a entrar para a alta definição. Confesso que preferia ver essa façanha pelos 1080p confiada ao novo Zelda por que os fãs aguardam com expectativa, mas com Skyward Sword ainda tão triunfante, épico e dotado de um sistema de comandos inovador e sólido, nada como ocupar este "intervalo" pela nova produção, com outro imponente jogo da série. Wind Waker foi o sucessor de Majora's Mask (Nintendo 64) e o primeiro da série a chegar à GameCube. Esteticamente arrojado por força dos visuais cel-shade, que lhe conferem um grau de animação sui generis, como se fosse um filme animado, marcou uma nova direcção para a série que haveria de encontrar desenvolvimentos em Phantom Hourglass e Spirit Tracks, dois jogos desenvolvidos para a Nintendo DS que fizeram uso da mesma direcção artística. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy56ZWxkYS5jb20uYnIvbWF0ZXJpYWwvd2lpdV96ZWxkYXdpbmR3YWtlcl9zY3JuMDkuanBn[/img] Ao entregar Wind Waker HD para a Wii U, a Nintendo destaca-se como produtora de consolas que mais jogos desenvolve para os seus sistemas. Mas será que Wind Waker HD na Wii U não é somente mais um contributo dentro tendência recente para as remasterizações, ou será que na passagem para a alta definição se inscrevem mais alguns elementos, para lá do grafismo, que tornam a aventura de Link, mais entusiasmante, apelativa e definitiva? Há que reconhecer que quando a Nintendo o lançou em 2003, manteve alta a fasquia. Apaixonante pela direcção artística, repleto de dungeons, desafios e uma estrutura de exploração baseada num elemento inovador, o barco, rapidamente pulou para o topo das preferências dos fãs, que mesmo agora continuam a rever na notável direcção artística um dos pontos mais valorizados e determinantes para o sucesso do jogo. É certo que hoje há formas de obter um sinal gráfico melhorado da versão GameCube (se puserem de lado o cabo scart), mas para quem não possui esse sistema de "upscale", assim que vemos a cena de introdução do jogo nesta versão HD, é impossível não sentir dois sentimentos; a nostalgia e o tema de inspiração folk, assim como uma sensação esmagadora por todo aquele grau de resolução e detalhe que acrescentam particular relevo a cada cena. Lembram-se do Tingle Tuner, o item que Tingle vos oferecia depois de o libertarem da prisão na Windfall Island? Para os que não jogaram, esse objecto permitia ao jogador jogar um mini jogo Tingle, desde que para tal ligasse à GameCube a portátil Gameboy Advance. Esse sistema não existe mais e em seu lugar, os produtores acrescentaram o Tingle Bottle. Basicamente, é uma nova forma de interacção com o Miiverse. O jogador pode escrever mensagens, quando quiser, e atirar as garrafas ao mar. Esta mensagem chegará à costa de um outro jogador, do mesmo modo que quem envia também passará a receber garrafas com mensagem na sua costa. Além disso, estas mensagens são publicadas directamente no Miiverse. Isto não significa a exclusão do habitual sistema de publicação no Miiverse. Em qualquer mensagem podem anexar uma fotografia. Com mais texturas, sombras, fontes de luz e uma resolução adicional que vem acentuar os pequenos pormenores, como que a tridimensionalizar o jogo, ver o clássico ocupar plenamente a tela do televisor é uma concretização que presta homenagem à produção original. Porém, esta não é uma remasterização que assenta unicamente na parte dos visuais. O controlo da perspectiva na terceira pessoa está muito mais permissivo, facilitando a observação do ambiente ao redor de Link quando queremos explorar melhor o cenário. Sem nunca perder de vista a direcção artística do original, podemos dizer que nesta versão HD, Wind Waker torna-se na versão definitiva. Mesmo para quem jogou o clássico (o meu save na GameCube ainda marca 2005 e precede a luta final com Ganon), todos estes anos depois é uma revisita que se opera com sucesso e que demonstra como a equipa de Aonuma tem mantido elevado o padrão de qualidade da série. Depois, os produtores procederam a alguns arranjos dentro das quests de modo a evitar alguma saturação que acontecia numa fase mais avançada da aventura. E tendo a partir do GamePad o comando perfeito para escolha dos itens, observação do mapa e outras opções, rapidamente nos apercebemos de que este jogo é um pouco mais que um mero arranjo cosmético. Claro que é o mesmo jogo; pois não há novo conteúdo. No entanto, o grande mérito passa por colocar o clássico em sintonia com o padrão de produção da nova geração, o que coloca este jogo como prioridade para quem nunca jogou o clássico. Mas mesmo os que conhecem e jogaram o clássico vão sentir-se encorajados em experimentar mais uma vez esta admirável aventura, num mundo único. The Legend of Zelda Wind Waker, respeita muitos dos elementos que deram profundidade e especialidade a Ocarina of Time e Majora's Mask. Como terceiro jogo a dar continuidade a um mundo aberto totalmente em três dimensões e com uma vasta área à nossa inteira disposição para que a explorássemos sem restrições, o grande elemento distintivo, com reflexo sobre as formas de exploração, é precisamente o mar, o grande mar. Cobrindo por completo o continente onde se encontrava Hyrule, só ficaram ilhas. Ilhas habitadas por diferentes tribos (Goron, Korok e Rito), de onde se destacam três espíritos: o dragão Valoo, The Deku Tree e Jabun, magnificamente recriados. A história de Wind Waker é a lenda de Zelda; um conto que se reescreve. Segundo o conto que passou entre gerações ao ponto de se tornar lenda, houve um jovem rapaz vestido de verde que viajou no tempo para salvar Hyrule de um destino trágico. Repondo a paz e devolvendo prosperidade ao reino, ficou conhecido como o herói do tempo. Agora, o mal que se encontrava aprisionado, libertou-se novamente. Sem esperança no regresso do herói do tempo que tarda em reaparecer, os habitantes acreditam que o ritual que leva jovens rapazes da mesma idade do herói que viajou no tempo, a vestirem-se de verde, poderá dar-lhes o novo herói que tanto precisam. O canhão instalado no barco permite ripostar os ataques dos inimigos. O jogador é mais uma vez Link (se escolher esse nome), um jovem rapaz que vive com a avó e com a irmã na estupenda Outset Island. Até descobrir que é o escolhido pela deusa para defender o mundo e resgatar das mãos de Ganon a princesa Zelda, Link começará por libertar a irmã do cativeiro (raptada por uma ave de grandes proporções), na Forsaken Fortress. São dois segmentos distintos do jogo. Numa primeira fase, Link ainda não é reconhecido como o herói. Isso só acontece depois de alcançar a Master Sword, à disposição do jovem que dispuser da coragem e bravuras indispensáveis para enfrentar o mal. Wind Waker oferece novas personagens, das quais se destaca a princesa Zelda. Enquanto personagens de uma narrativa que opera a recriação da lenda, o grande mar trouxe consigo a jovem pirata Tetra, orfa e capitã de um navio de piratas. É ela quem começa por acompanhar Link até à Forsaken Fortress, a base das forças do mal que operam neste mundo. Embora a relação que Link manterá com Tetra seja crucial, o carácter prático da relação que Link desenvolve logo ao começo com The King of Red Lions, traduz-se na possibilidade de se deslocar de barco entre as ilhas, desde que haja bons ventos. [img]hide:aHR0cDovL2ltYWdlcy52ZzI0Ny5jb20vY3VycmVudC8vMjAxMy8wNi9aZWxkYS1XaW5kLVdha2VyLUhELTEuanBn[/img] Mas este misterioso King Red of Lions é uma figura omnipresente, que não só nos dá dicas e instruções sobre as próximas ilhas a explorar, identificando a sua localização no mapa, como também nos alerta para especificidades dos inimigos durante as boss fights e outros momentos do jogo. Outra grande vantagem deste barco falante é a possibilidade de ser melhorado, primeiro com um gancho que possibilita a extracção de tesouros depositados no fundo do mar e depois com um canhão (de grande utilidade na defesa contra os inimigos no alto mar). Mas há um item precioso que é entregue a Link logo no começo; uma batuta mágica que permite ao herói comandar a direcção do vento, essencial para que a embarcação navegue na direcção necessária para navegarmos na direcção do destino. A bordo do King Red of Lions entramos numa das sequências mais admiráveis do jogo. Com toda a liberdade do alto mar, o hastear da vela permite-nos seguir na direcção do vento até ao destino traçado, cortar as ondas, contemplar a transição dia/noite e observar a impressionante dimensão do mundo, enquanto algumas gaivotas parecem dispostas a ganhar "momentum" sobre a nossa vela, aproveitando também elas a direcção do vento. O processo de navegação é muito simples, mas é impossível não contemplarmos as cores e os detalhes nesta versão HD enquanto navegamos. O único inconveniente do original tinha que ver com a mudança da direcção do vento e como isso nos obrigava a parar, ensaiar a melodia do vento a fim de empurrar os ventos na direcção que queríamos e só depois retomar a marcha. Era um processo algo custoso. No entanto, nesta versão, será possível comprar uma vela especial que incrementa a velocidade do barco, automaticamente conduzindo a direcção do vento em conformidade com a direcção do barco, ou seja, temos sempre vento na direcção pretendida. Na verdade, The King of Red Lions é o rei de Hyrule, Daphnes Nohansen Hyrule, quem causou a grande inundação do continente, prevenindo a fuga da princesa Zelda para as montanhas, assim como os habitantes das outras tribos, selando as forças do mal no fundo do mar. Mas Ganondorf acabou por renascer e é a partir deste momento que o espírito do Rei se transfere para o barco que acompanha Link nesta aventura. Para além de aconselhar Link em diversos momentos da aventura, apelida-o de herói dos ventos. O espírito do rei foi transferido para o barco que acompanha Link. Uma navegação livre pelo mar mostra-nos a grande quantidade de ilhas que podemos visitar. Umas maiores, outras pequenas, umas com mais habitantes do que outras, todas assumem uma especial configuração e escondem imensas dungeons, o cerne do jogo. Mas no mar também existem perigos como os ciclones, piratas, inimigos, tubarões, mas também áreas secretas, puzzles e arcas do tesouro. Para chegar até elas, Link terá que recolher os "sea charts", onde se encontra assinalada a cruz a zona ao redor da ilha que marca o local do tesouro. Grande parte do sucesso de Wind Waker reside no convite à exploração e consequente abordagem às dungeons, os segmentos mais extensos que permitem ao jogador avançar em termos narrativos. Sem uma progressão linear, cabe ao jogador tomar a decisão sobre como e quando explorar, com atenção às pistas e dicas, embora nalguns momentos tenha de possuir determinados itens para seguir em frente. É um processo familiar que os fãs conhecem. Ao todo existem 7 dungeons; cada uma composta por múltiplos pisos, secções e muitos puzzles, desafiando o jogador constantemente, através de combates e momentos de grande acção que requerem toda a mestria no comando do herói. Se as primeiras dungeons oferecem desafios com diminuto grau de dificuldade, sendo quase um passeio, a partir dos templos a exigência aperta, especialmente nos combates contra os bosses. Depois há a componente secundária na exploração das dungeons, especialmente na procura pelos tesouros, tarefa que tende a ficar facilitada assim que encontrarmos o Compass, e ficámos a saber o seu posicionamento. Até entrarmos na câmara do boss da dungeon, muito teremos que percorrer, embora a navegação fique mais facilitada quando dispomos do mapa da dungeon. A diversidade e dimensão das dungeons projectam ainda mais Wind Waker como jogo alternativo a Ocarina of Time, embora este, em termos gerais, consiga ser ainda mais desafiante. [img]hide:aHR0cDovL3RoZWdhbWVmYW5hdGljcy5jb20vd3AtY29udGVudC91cGxvYWRzLzIwMTMvMDEvV2luZC1XYWtlci5qcGc=[/img] Aqui as versões GameCube e Wii U em comparação. Uma novidade nesta versão HD é a utilização dada ao ecrã táctil do GamePad em termos de gestão de itens e manuseamento do mapa, num modelo que torna mais confortável a deslocação do equipamento para os botões de acesso imediato, sem que tenhamos de pausar o jogo. O GamePad permite ainda que os objectos que possibilitam a transição da câmara para a primeira pessoa possam beneficiar do controlo por movimentos do sensor instalado no comando, o que significa que se quiserem utilizar o binóculo na perspectiva da primeira pessoa, poderão deslocar o comando para observar a área circundante. A função off-TV também é uma possibilidade, caso pretendam jogar apenas através do ecrã do GamePad. Se a batuta mágica que permite a Link comandar a direcção do vento é a novidade mais relevante dentro dos objectos que terá à sua disposição, não podemos esquecer a Pictobox, a máquina fotográfica com a qual o herói poderá capturar e guardar para a posteridade momentos específicos, no cumprimento de quests secundárias. Depois há os objectos mais comuns como as garrafas, o gancho, o bumerangue, as bombas, o arco e um martelo caveira, ideal para quebrar objectos resistentes à força da bomba e aos golpes de espada. As botas de aço permitem a Link caminhar na direcção oposta à dos fortes ventos e a Deku Leaf é uma espécie de pára-quedas que permite ao herói deslocar-se entre certos pontos e evitar grandes quedas. Um jogo da série Zelda não se faz sem grandes batalhas e momentos de grande intensidade de combate, tarefa cujo grau de dificuldade se acentua à medida que entramos na derradeira fase da aventura. Os bosses são muito diferentes e exigem toda uma optimização dos itens à disposição, em conjugação com os movimentos defensivos e ofensivos de Link. A perda de algumas vidas torna-se natural, principalmente quando enfrentamos o grande antagonista do jogo, mas volta a ser um dos momentos mais empolgantes e gratificantes, especialmente antes da batalha começar. [img]hide:aHR0cDovLzQuYnAuYmxvZ3Nwb3QuY29tLy1YZS1ZZlFrLTI3Yy9VZ0V0VlJKa3RQSS9BQUFBQUFBQWxiQS8tSThYRW5HUTNHWS9zMTYwMC9UaGUrTGVnZW5kK29mK1plbGRhK1RoZStXaW5kK1dha2VyK0hEKy0rMDEuanBn[/img] Um dos pontos mais sujeitos a crítica no original tinha que ver com o constante backtracking na quest da Triforce Shards. No jogo para a GameCube, Link tinha que recolher 8 mapas especiais da Triforce e entregá-los a Tingle, capaz de os traduzir e mostrar a Link a localização de cada Triforce Shard. De modo a não tornar o processo tão moroso, Link só terá que procurar 3 charts Triforce e obter a respectiva tradução de Tingle, o que vem aliviar a carga de esforços. Por último, uma referência para o modo herói que pode ser escolhido desde o começo. É uma opção que fica marcada por um aumento de dificuldade, na qual os danos que são infligidos a Link são maiores e os corações de recuperação não podem ser encontrados nos potes de porcelana nem derrotando os inimigos. Só para heróis, portanto. O ponto de partida para comentário nesta versão remasterizada HD do clássico Wind Waker talvez seja a manutenção de toda a fantástica direcção artística que marcou o original. É verdade que a melhoria da definição, na passagem para o HD, projecta o jogo graficamente para um novo patamar e gera ainda mais satisfação aos olhos do jogador. Com mais texturas, sombras e efeitos de luz, os cenários e objectos parecem ganhar mais tridimensionalidade, ainda que seja perceptível algum esbatimento das cores, especialmente quando nos encontramos diante de grandes fundos. Mas seria deficitário focar o mérito desta grande aventura apenas na alta definição. Embora sem apresentar novos conteúdos, Wind Waker HD chega à Wii U após um restauro que coloca o jogo num plano que nada fica a dever às produções da actual geração, sendo por isso uma surpresa menor para quem jogou o original. Os dois grandes avanços seguintes na série Zelda ficaram marcados por diferentes direcções artísticas e por alterações a algumas das mecânicas, mas nem isso fez estremecer os valiosos argumentos de Wind Waker. E isso basta para voltar a experimentar uma das mais entusiasmantes aventuras de sempre, e um particular capítulo da lenda de Zelda.
Fonte: Eurogamer
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