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Análise do jogo "Prototype 2" para PC escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 7 de 10, enviado por Anônimo,
Comparações com inFamous à parte, o primeiro Prototype foi um jogo fantástico e a definição perfeita daquilo que deve ser um sandbox. A cidade estava aos nossos pés, no papel de Alex Mercer, afetado por um vírus que lhe garantiu poderes sobre-humanos e invejáveis a qualquer super-herói ou vilão, nada nos conseguia parar. Poder escalar arranha-céus e saltar de telhado em telhado sem qualquer limitação era extraordinário, assim como o poder de destruição, que ao aterrar depois de um grande salto, deixava uma cratera enorme no chão e mandava todos os objetos em redor pelo ar. Prototype 2 oferece, sem tirar nem por, a mesma experiência, desta vez na pele de James Heller, um soldado americano no Afeganistão que vê a sua mulher e filha morrerem devido ao vírus Blacklight que se espalhou pela ilha de Manhattan, em Nova Iorque. Ao descobrir que foi Alex Mercer o responsável pela libertação do vírus, Heller jura vingança. Num confronto com Mercer, Heller acaba por ser infetado pelo vírus e ganha todos os seus poderes: super força, velocidade, habilidade de planar e disfarçar-se de qualquer pessoa. Com três anos de distância em relação ao lançamento do primeiro, Prototype 2 é um jogo mais amadurecido e que não comete os mesmos erros. A estória é apresentada de forma bem clara e não confusa, é mais sentimental e há um motivo concreto para vingança, se bem que há um conflito entre este lado sentimental e a forma como o jogo se desenrola, que consiste em consumir sem qualquer piedade indivíduos importantes da Gentek (empresa que criou o vírus Blacklight) e aliados de Mercer, já para não mencionar que é possível consumir qualquer pessoa que atravesse à nossa frente no meio da rua. Alex Mercer é o grande vilão, e embora a Gentek seja vítima dos ataques de Heller de uma forma constante, é sempre com o propósito de descobrir os planos malvados de Mercer, que conseguiu infiltrar-se nas posições elevadas da Gentek. Mercer e Heller não são os únicos com super habilidades, existem mais infetados com as mesmas habilidades que teremos de enfrentar e consumir para descobrir os planos maléficos de Mercer. "Esta sensação de poder é contagiante. Não há qualquer receio em atacar seja o que for." Esta é a segunda vez que a cidade de Nova Iorque é infetada por um vírus deste género e progressivamente vemos a cidade a ficar um caos, são cada vez mais os monstros e infetados a deambular pelas ruas e a presença militar fica mais forte. Os poderes de Heller também ficam progressivamente mais fortes e dentro de pouco tempo somos uma força da natureza imparável. Não há helicópteros, tanques ou qualquer outra força militar que consiga resistir, e parecem mais brinquedos nas mãos de Heller que veículos militares reais. Esta sensação de poder é contagiante. Não há qualquer receio em atacar seja o que for, e dentro de pouco tempo, até os outros infetados com poderes semelhantes aos de Heller deixam de representar uma grande ameaça. Por vezes é necessário conter todo este poder e força destrutiva, há missões que requerem stealth para que Heller se possa infiltrar num edifício da Gentek ou fazer passar-se por alguém para que possa descobrir informações. Mas em grande parte, Prototype 2 é um jogo de destruição excessiva, e se é isto que procuram, não vão encontrar melhor. Também há missões secundárias que ajudam a Heller a evoluir aspetos que as missões da estória não conseguem, como a capacidade ofensiva e defensiva. Não vão encontrar muita variedade, as missões não são mais que de apanhar pacotes deixados por helicóptero de telhado em telhado ou encontrar alguém e consumi-lo, ou então ir a determinado local do mapa e destruir tudo. Ficar mais poderoso é o único incentivo para completar estas missões, mas no fundo, esse acaba por ser o objetivo do jogo todo. Heller é uma máquina de destruição massiva com meios para se adaptar a qualquer situação. Os braços de Heller podem-se transformar numa questão de segundos em garras, uma lamina gigante, punhos gigantes, um chicote ou um escudo protetor para contratar atacar inimigos ou refletir misseis. Qualquer uma destas armas é igualmente mortífera e capaz de cortar ao meio qualquer um que se oponha à nossa vontade. Está à vista que Prototype 2 não é um jogo para pessoas sensíveis, os níveis de violência e gore são extremos. Quando Heller consome as suas vítimas suga as suas entranhas e deixa apenas os restos. A bio-bomb, que transforma uma pessoa numa bomba, é particularmente violenta. Quando explode, as suas entranhas transformam-se em tentáculos que amarram todos os objetos em redor (carros, destroços, etc) puxando-os para o centro e esmagando tudo o que estiver no raio de alcance. Não há que enganar que Prototype 2 usa a formula e as bases estabelecidas pelo primeiro, e quem o jogou sentir-se-á imediatamente em casa. O que surpreende, é que apesar de acabar por se tornar repetitivo, não cansa. Há uma sede de poder que só fica saciada quando elevamos Heller ao nível máximo, o que implica completar a 100 porcento Prototype 2, um processo que dura sensivelmente 20 horas, contabilizando tanto as missões da estória e secundárias. Sendo um sandbox, Prototype 2 aposta nos colecionáveis. As "landmark orbs" presentes em Prototype 2 desapareceram, e por boas razões, apanhá-las a todas era um pesadelo pela dificuldade em registar quais é que já tinham sido encontradas. Em Prototype 2 existem cassetes que revelam detalhes adicionais do enredo e que basta estarmos perto delas ativar um detetor que indica a que distância estão. Em adição, espalhados pela ilha de Manhattan existem os ninhos dos infetados e equipas especiais da Gentek que terão que encontrar e destruir. Manhattan continua um local enorme para navegar, mesmo quando as capacidades locomotivas de Heller estão maximizadas. Graças a ligeiras melhorias no motor gráfico, a cidade apresenta um melhor aspeto em relação ao primeiro, porém, têm ainda as mesmas falhas. Todos os edifícios parecem iguais e apenas os arranha céus se destacam, devido à sua altura, mas pelo menos já não dão a sensação que são feitos de cartão. Os gráficos nunca foram uma prioridade para Prototype, e isso ficou bem claro logo com o original, que dava primazia a uma cidade enorme, jogabilidade repleta de poderes e variada e muita destruição. Por isso, se Prototype não ficou conhecido por surpreender graficamente, é certo que este segundo segue o mesmo caminho. Mas como vão passar a maior parte do tempo a saltar de edifício em edifício ou a planar, ou a espalhar o caos e depois ser perseguido pelas forças armadas do exército ou Gentek, nem dão conta ou importância à falta de beleza da cidade. Quem comprar Prototype 2 em primeira mão, receberá um código para aceder à Radnet (disponível em todas as unidades à venda em Portugal), um serviço que dá acesso a novos desafios e conteúdos, como uma skin para jogar na pele de Alex Mercer. Mais conteúdos serão adicionados no futuro, tendo sido prometidos 55 DLC para aqueles com acesso à Radnet. Em suma, esta é o medida semelhante ao Online Pass para encorajar a compra em primeira mão, só que em vez de limitar o acesso a conteúdos in-game, ou seja, prejudicar quem compra usado, privilegia quem paga o preço completo. Não há mais para dizer sobre Prototype 2, é um jogo de pura irracionalidade que força em nós uma vontade inexplicável de destruir e a sensação que transmite enquanto jogámos é fantástica. Sim, é um jogo simples, sem muita profundidade ou marcante, contudo, é excelente no que faz. Mas há que reconhecer que a Radical Entertainment teve um período de três anos para desenvolver Prototype 2, e com todo esse tempo, era esperado uma maior evolução maior em relação ao original. O lema "não mexas no que não está estragado" pode ser aplicado aqui, e passados três anos Prototype permanece um jogo explosivo e uma experiência como nenhuma outra.
Fonte: Eurogamer
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