.
8

Análise do jogo "Parasite Eve: The Third Birthday" para PSP escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 8 de 10, enviado por Anônimo,
Foram precisos onze longos anos para este momento. Parasite Eve, uma das séries favoritas da PSOne, está de volta. Porém, não é bem aquilo que todos esperavam. Parasite Eve é conhecido por ser um RPG e embora a Square Enix o descreva como um RPG de acção cinemático, The 3rd Birtday assemelha-se mais a um shooter de que a um RPG. Outra particularidade de The 3rd Birthday é que saltou de uma consola caseira para uma portátil. Uma das primeiras coisas que me veio à cabeça quando comecei a jogar foi como seria o jogo para as actuais consolas caseiras. Já na PSP o seu aspecto é fabuloso, mas é difícil não pensar naquilo que poderia ser alcançado caso a Square Enix tivesse decidido produzir The 3rd Birthday para a PlayStation 3 em vez da PSP. Mas não foi esse o caso por isso temos que nos contentar com o que temos, que é um jogo muito bem conseguido para uma portátil e com um nível elevado de polimento. Logo no início é apresentada uma cinemática espectacular onde vemos Nova Iorque a ser envolvida por uns tentáculos gigantes. Estes tentáculos tem o nome de "Babels" e vêm acompanhados de uns monstros chamados Twisted. Aya Brea regressa mas com amnésia, não se lembrando de nada. A única coisa que se lembra é de acordar num vestido de noiva ensopado em sangue. Pouco tempo depois, Aya descobre que consegue viajar para o passado utilizando uma máquina chamada "Overdive System", A jogabilidade funciona exactamente como um third-person shooter. No analógico controlamos o movimento de Aya, no gatilho esquerdo bloqueamos o alvo e no gatilho direito disparamos. Para apimentar as coisas, temos ao nosso dispor algumas habilidades especiais. "Overdive" é uma delas. Esta habilidade permite a Aya sair do seu corpo e entrar no corpo de outro humano e controlar as suas acções. Além de ser uma habilidade, é também uma mecânica essencial em The 3rd Birthday. Quando em combate nunca estamos sós, somos sempre acompanhados por soldados. E é aqui que o "Overdive" começa a fazer maravilhas. Se estivermos prestes a morrer, saímos do nosso corpo e assumimos controlo de um soldado, e assim sucessivamente. O problema é quando os soldados se esgotam, aí não temos por onde fugir. Mas não pensem que The 3rd Birthday é um jogo fácil porque temos várias vidas e mira automática, pelo contrário, irão ver o ecrã Game Over com frequência. O essencial em The 3rd Birthday é estar sempre em movimento e ser rápido, até porque Aya é bastante frágil, basta alguns ataques dos Twisted para que fique à beira da morte. É um jogo bastante desafiante, e apesar da sua jogabilidade simples, obriga-nos a usar tudo aquilo ao nosso dispor para termos sucesso. O "Overdive" desempenha novamente um papel crucial e implementa alguma estratégia. Assumir o controlo de certos soldados dá-nos acesso a armas que nos podem facilitar as coisas, como é caso dos snipers que se colocam em posições mais elevadas que permitem eliminar os inimigos calmamente um por um. Outro das utilidades do "Overdive" é que podemos utilizá-lo para fazer implodir os Twisted. Depois de lhes retirarmos uma certa percentagem de vida, um triângulo irá aparecer sobre eles, é nesta altura que devem activar o "Overdive" para causarem danos sérios. As habilidades de Aya Brea não acabam por aqui, ela ainda causar danos superiores e ganhar super-velocidade durante um curto período de tempo. Embora seja mais um shooter que um RPG, existem elementos característicos deste último género. Aya sobe de nível ao ganhar experiência, o que permite melhorar e desbloquear mais armas. Mas há mais. É possível personalizar ao nosso gosto as características de Aya ao modificar os seus genes. À medida que vamos eliminando os Twisted recolhemos amostras de ADN que podem depois ser combinadas com o ADN de Aya. Diferentes combinações resultam em novos genes. Existem genes que aumentam a nossa vida, danos e defesa, enquanto que outros, os mais raros, garantem mais habilidades especiais. Só para exemplificar, há um que permite que Aya ressuscite. A história é confusa. Como Aya consegue regressar ao passado e alterar os acontecimentos do futuro, por isso a linha temporal está sempre a mudar e o jogo está sempre a andar para trás e para a frente. Para percebemos melhor, é preciso perder um pouco de tempo a ler os ficheiros que explicam todos detalhes. O jogo providencia ainda uma calendário que mete em ordem cronológica todos os eventos que levam aos acontecimentos de The 3rd Birthday. O maior defeito é que torna-se repetitivo. O jogo consiste basicamente no mesmo do princípio ao fim. Os níveis são constituídos por várias secções em que terão de confrontar hordas de Twisted. Quando chegarem a meio do nível, encontram uma área segura onde poderão gravar o vosso progresso. E no final um boss está à vossa espera (normalmente de proporções gigantescas). No fundo, é criada uma rotina e deixamos de ser surpreendidos porque já sabemos o que esperar. O aspecto de The 3rd Birthday é impressionante, e então as cinemáticas são de chorar por mais. Um dos pormenores que me chamou a atenção é a roupa de Aya a desfazer-se em tempo real, até se desfaz de mais para sincero. Cheguei a um momento em que as calças estavam tão rotas que se podia ver literalmente uma nádega. E não esquecer a cena no chuveiro, já é uma tradição. The 3rd Birthday pode não ser aquilo que os fãs desejavam, todavia, não deixa de ser um bom jogo. O tempo que esteve em produção permitiu-lhe tornar-se sólido em quase todos os aspectos. A repetitividade é o maior falha que irão encontrar, mas ao mesmo tempo, é bastante divertido. Com a NGP cada vez mais próxima, este poderá ser um dos últimos grandes títulos a ser lançado na PSP.
Fonte: Eurogamer
label