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Análise do jogo "New Super Mario Bros. U" para WiiU escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 9 de 10, enviado por Anônimo,
Ainda foram precisos alguns anos, mas finalmente chegou o primeiro Super Mario em alta definição. É um salto que se faz com mais graciosidade do que propriamente visibilidade. Os recentes Super Mario de plataformas em duas dimensões sempre conseguiram apresentar muito bem uma definição dos jogos originais, ao mesmo tempo que acrescentavam pequenas/grandes variáveis ao jogo. Porque a série Super Mario prima pelo design e pela simplicidade de construções dos mundos, a pouca tendência para o foto realismo implica que à primeira vista a apresentação em alta definição não seja tão retumbante. Porém, é indiscutível, desde o primeiro nível, que New Super Mario Bros U está muito mais limpo, colorido e excitante em termos de design, quando comparado com os jogos anteriores lançados para a Nintendo Wii, DS e 3DS. Desde Super Mario world e Yoshi's Island que a Nintendo não fazia um Super Mario em 2D, que fosse tão bom e divertido. Sabe-se que a Nintendo possui dois estúdios distintos a trabalhar nas várias ramificações da série Super Mario. Super Mario em 3D, cuja evolução mais recente foi Super Mario Galaxy 2 para a Wii, é trabalhado num grupo liderado por Yoshiaki Koizume, enquanto que a série New Super Mario Bros é comandada por Takashi Tezuka. Dois grupos de produção distintos que garantem alternância entre os jogos. Por causa disso este foi um ano particularmente feliz para os fãs das aventuras 2D de Super Mario. No final do mês de Agosto, New Super Mario Bros 2 apresentou Super Mario em 2D pela primeira vez na 3DS, desta vez com peso na coleção permanente de moedas, algo que tornou a jogabilidade mais apelativa e reforçada pelo incitamento à descoberta e junção do maior número possível de moedas. Poderia pensar-se que New Super Mario Bros U iria entrar em colisão com o seu irmão disponibilizado para mais recente portátil da companhia de Quioto. Porém, não é isso que acontece, pese embora a afinidade no género, são jogos significativamente diferentes. [img]hide:aHR0cDovL3dpaXVkYWlseS5jb20vd3AtY29udGVudC91cGxvYWRzLzIwMTIvMDYvbmV3LXN1cGVyLW1hcmlvLWJyb3MtdS00MS5qcGc=[/img] Com efeito, New Super Mario Bros U fica também marcado por ser o primeiro Super Mario a ser lançado juntamente com uma nova consola, desde Super Mario 64 e Super Mario World, dois jogos que se tornaram referências da produção em 3D e 2D, respetivamente. Pesando sobretudo do lado da inovação, New Super Mario Bros U não é um jogo revolucionário, mas atinge um ponto de diferenciação interessante face ao que jogámos anteriormente. NSMB U retoma as origens da série para apresentar algumas importantes novidades e funcionalidades oriundas da utilização do GamePad. Conciliando as novas funções disponíveis através do GamePad com o divertimento dos clássicos, a produtora conseguiu alcançar novo toque distintivo. Ampliado pela entrada de Super Mario na alta definição, mas reforçado sobretudo na experiência para vários jogadores, sem esquecer o desafio individual através do modo história. Neste ponto, diga-se que NSMB U é bem mais exigente e longo que o seu congénere lançado para a Nintendo 3DS. Para os fãs da série, e adeptos dos títulos "vintage", este jogo não só presta uma justa homenagem, como ainda consegue brindar os fãs com pequenos e renovados detalhes dentro do jogo (como o novo mapa mundo e a interação que nele podemos fazer). De resto, temos que contar ainda com a qualidade habitual que a Nintendo põe no seu software. É praticamente impossível encontrarmos uma falha, um bug ou má execução nalguma parte do jogo. A coesão dos elementos e da sua estrutura por níveis de plataformas, coloca NSMB U num ponto cimeiro no que toca à execução. [img]hide:aHR0cDovL3ZpZGVvZ2FtZXdyaXRlcnMuY29tL3dwLWNvbnRlbnQvdXBsb2Fkcy8yMDEyLzExL25zbWJ1XzEuanBn[/img] Isto não exclui, contudo, sensações de previsibilidade e repetição de esquemas, mas o campo das plataformas ficou circunscrito a partir de meados dos anos noventa, quando o 2D passou o testemunho ao 3D como modelo de criação de mundos virtuais. Nesta altura pouco mais se pode espremer em termos criativos de um jogo de plataformas em 2D, a não ser que a Nintendo pretenda fazer algo de novo. Sucede que isso traria riscos; primeiro porque poderia existir o desagrado dos fãs que vivem de boas memorias com os clássicos, segundo porque nunca seria um tradicional Super Mario de plataformas. Ciente desses riscos, a Nintendo prefere continuar a investir na linha do clássico, dando garantias de qualidade e de sentido de oportunidade às suas consolas, como agora acontece com a Nintendo WiiU. Em termos de funcionalidades, uma das características que mais ganha destaque em NSMBU é a possibilidade de se servirem do ecrã montado no GamePad para jogarem, sem necessidade de olharem para o ecrã da televisão. Aliás, se o vosso televisor for um modelo recente, podem transformar o vosso GamePad num comando do televisor (através do botão off-tv) e mudar para um canal qualquer, ajustando o volume de som e podendo continuar a jogar através do ecrã LCD do GamePad. Nem sequer precisam de continuar a jogar diante da consola. Podem levantar-se (com o jogo a correr) e sentarem-se num outro ponto da divisão, continuando a jogar. Se estiverem a jogar individualmente a história e a seguir pelo ecrã da televisão, o ecrã do GamePad transmite exactamente o que acontece no ecrã. Outra transformação ao nível da interação a partir do GamePad ocorre quando partilham a experiência até mais quatro jogadores. Por enquanto a Nintendo não permite que seja utilizado mais do que um GamePad por jogo, o que significa que os restantes jogadores terão de utilizar os Wii remotes (rapidamente os ligam à consola). Neste esquema de comandos multiplayer, o jogador que ficar com o GamePad funciona como assistente, assumindo uma intervenção distinta, a tal jogabilidade assimétrica. Sem personagem para conduzir, o seu papel é decisivo através da utilização do ecrã táctil para desenhar plataformas e atordoar os inimigos. É um ser estranho e omnipresente que atua dentro do jogo, sem controlar uma personagem. Dotado de particulares poderes e sem hipótese para perder vidas, pode ser decisivo para manter os outros jogadores em bom ritmo até à meta ou então fazer-lhes a vida negra. Em New Super Mario Bros Wii era possível ter partidas de quatro jogadores. Este quinto elemento, o assistente, vem baralhar as regras da cooperação ou de cada um por si para os restantes jogadores. O assistente só precisa de tocar em pontos do cenário para fazer nascer plataformas (que perduram apenas por uns 3 segundos) antes de desaparecerem. Tocando sobre os inimigos, estes são penalizados, sendo menos um obstáculo para os outros jogadores. Criando plataformas em degraus, o assistente pode levar os restantes jogadores até áreas secretas, o que é óptimo para descobrir as moedas estrela escondidas. O modo história continua a ser o ponto de partida e o aperitivo central do jogo. Numa cena introdutória vemos Mario, Luigi e os Toads, reunidos com a princesa, no palácio de Mushroom Kingdom, a confraternizar num festim, até que Bowser decide juntar-se à festa fazer novamente das suas. Só que desta vez não rapta a princesa; deixa-a encarcerada no palácio, enquanto atira Mario, Luigi e Toads para os confins do planeta. Os manos não têm assim outra solução senão atravessar todos os territórios que distam até ao palácio, implicando passagens por diferentes territórios, mas desta vez com o aliciante de se encontrarem interligados. O mapa mundo oferece-se coeso e interligado num só, uma espécie de mapa mundo gigantesco, ao invés de se dividir por vários mapas de cada mundo. A visão global dada ao jogador permite-lhe seguir preferências. Por exemplo, no final do território Deserto Caramelo, o jogador tem duas alternativas, podendo seguir para o Planalto Sorvete (montanha gelada) ou então para um território abundante em ilhas (Mar de Menta), onde se encontra uma antiga caravela afundada. A navegação pelo mapa implica que tenhamos de superar alguns inimigos e até descobrir caminhos imediatos para o nível seguinte. Pode ser necessário entrar num confronto, através de um combate rápido, contra vários inimigos da mesma espécie, tendo Super Mario à sua disposição um power up (super estrela) para os derrotar. Outras vezes o mapa mundo será invadido por um Coelho larápio que se infiltra em certos níveis. Se forem capazes de o derrotar podem ganhar objetos especiais, como a bolota que permite a Super Mario vestir o fato de esquilo voador, podendo manobrar o voo. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5tYWNoaW5lcmVkLmNvbS93cC1jb250ZW50L3VwbG9hZHMvMjAxMi8xMi9uZXctc3VwZXItbWFyaW8tYnJvcy11LXN0YXItY29pbnMtcmV0dXJuLXNjcmVlbnNob3QuanBn[/img] Não só é particularmente delicioso observar a magnitude deste mundo, como também é agradável percorrê-lo e interagir com ele. Composto por diferentes zonas, sobressaem as torres intermédias onde iremos confrontar os bosses de meio do nível, as casas Ghost e ainda as casas de bónus, como as casas Toad onde podem obter vidas adicionais entre outros power ups. O castelo final de cada mundo com a caravela de um dos filhos de Bowser a flutuar em círculos assinala a batalha final. O mapa mundo também serve como porta de entrada para o Miiverse. Os produtores foram capazes de integrar a rede social da Nintendo dentro do próprio jogo, incitando os jogadores a deixarem mensagens por feitos conseguidos, impressões sobre o jogo e até dúvidas ou questões sobre como vencer algum boss quando perderem vidas em catadupa. Pressionando o botão L do GamePad podem ler as diversas mensagens que os vossos amigos foram deixando na sua passagem pelo jogo (o Mii em forma de balão sob a mensagem). Assim sempre podem ficar com uma ideia do grau de dificuldade ou de imprevisto que irá ter lugar à frente. Quanto à dificuldade do desafio alojado no modo história, pode-se dizer que este jogo não sendo tão exigente como os lendários (Super Mario World ou Super Mario Bros 3), também não é tão permissivo como o recente New Super Mario Bros 2 da 3DS. Com menos cogumelos de 1-Up disponíveis, lá para os níveis finais - próximos da batalha final com Bowser - poderão correr o risco de ficarem sem vidas e repetirem até algumas secções. Os jogadores experimentados terão um desafio à medida, não dos mais exigentes, mas um desafio bastante sólido, particularmente nas lutas contra os filhos de Bowser. Estas batalhas tendem a ser muito iguais, mas haverá duas que ficam na memória. No final, este jogo requer sobretudo um imenso poder de controlo da personagem, coordenação e sentido de aproveitamento dos poderes. Em cada nível existe uma bandeira intermédia que grava a progressão e transforma Mario em Super, o que o deixa apto para sofrer dano pelo menos uma vez antes de perder a vida. Se perderem demasiadas vidas, aparece um cubo chamado Super Guia (manual para novatos), que uma vez aberto faz entrar em cena Luigi para mostrar como se faz o percurso e se vence um boss (se estiverem no fim de território). A qualquer instante o jogador pode optar por passar de comando automático a manual. [img]hide:aHR0cDovL3dpaXVkYWlseS5jb20vd3AtY29udGVudC91cGxvYWRzLzIwMTIvMDYvbmV3LXN1cGVyLW1hcmlvLWJyb3MtdS0yMS5qcGc=[/img] O lado mais previsível do jogo acaba por se resumir ao design, sobretudo um revisitar de secções conhecidas, embora sejam percetíveis as pequenas transformações que tornam a experiência mais refrescante. Por um lado, destaque tem de ser dado a uma das ghost house que nos apresenta um design a lembrar o desenho à mão de Yoshi's Island. Como que pintado a lápis de cor, os fundos encontram-se particularmente memoráveis, e gera todo um gozo percorrê-la de ponta a ponta. Importa também sublinhar a inclusão de novos inimigos, principalmente os esquilos voadores que transportam bolotas e que fazem um percurso retilíneo capaz de causar bastantes dores de cabeça quando temos de atingir alguma plataforma através do salto. Super Mario volta a contar com o triplo salto, algo que lhe garante mais profundidade na passagem pelas plataformas, e também um risco acrescido devido ao apertado "timming" de execução. Mas um dos inimigos mais fantásticos é o dragão marinho. Vão descobri-lo quando atravessarem as ilhas. O seu especial prolongamento oferece alguns riscos a Super Mario, podendo fechá-lo em círculo, mas também lançar uma rápida perseguição que obriga o protagonista a recorrer a vários métodos para deixar para trás este poderoso ser marinho. Os mísseis torpedo Ted pautam-se pela estreia e ainda existem variações de inimigos conhecidos. De um modo geral, as animações de todos estão impecáveis, valendo a pena sublinhar o tom humorístico que preside aos ataques de alguns inimigos. A presença dos Yoshi recupera ainda mais a nostalgia dos jogos originais. Podem neste caso recorrer ao seu préstimo para chegarem mais alto devido ao seu duplo salto e contar com a sua capacidade para comer todos os inimigos para os transformar em blocos que por sua vez geram novos objetos. Para lá dos Yoshi vão encontrar ainda os bebés Yoshi, mais pequenos e que se dividem por três categorias. Os amarelos emitem luz e são ideais para transportar no escuro como as casas ghost ou secções debaixo da terra. Os Yoshi bebés azuis libertam bolhas que aprisionam os inimigos, transformando-os em moedas, e os bebé Yoshi balão conseguem encher-se de ar e transportar a nossa personagem até um ponto elevado. A história levará ainda umas boas horas até ser finalizada, mas para lá disso, o final abre um novo território, mais uma mão cheia de níveis e mais alguns desafios. Para desfrutarem deles terão de possuir todas as moedas estrelas. Neste jogo foi posta mais alguma exigência nesse domínio. Se quiserem ser perfeccionistas terão de dar uso ao vosso instinto de inspetor. Há moedas que se encontram escondidas em sítios onde nem lembra o diabo. É a partir daqui que os veteranos vão gostar do jogo e sentir como esta é uma experiência de plataformas em 2D que não perdeu nenhum carisma nestes anos todos. Existe até um reforço "vintage" nas sonoridades de fim de nível e nas secções em que invadimos a caravela. Boas recordações que agora coexistem com a alta definição. Para lá do modo história, NSMB U apresenta uma imensa quantidade de desafios individuais e para vários jogadores em modo local, divididos por três grandes áreas; Batalha de Moedas, Corrida Turbo e Desafios. A Batalha de Moedas é talvez o modo mais previsível dos três. Nele, até quatro jogadores vão competir por alcançar o maior número de moedas dentro do mesmo nível. Quem reunir mais moedas, ganha. O modo Corrida Turbo é constituído pelo emparelhamento de vários níveis e prevê que Mario tenha de reunir moedas para acelerar o scroll horizontal, tornando mais rápido o jogo. Quantas mais moedas reunir e quão mais rápido for a acabar o jogo, melhor pontuação terá. Este modo, à semelhança do anterior, pode ser desfrutado por vários jogadores, criando mais desordem e caos para ver quem chega à frente. O jogador que segura o GamePad pode assistir, cooperando ou criando dificuldades. Por fim, o modo Desafios. Este modo é o mais completo e relevante dos três em termos de progressão. Desdobrando-se por sub modos de jogo, tem o aliciante de oferecer diferentes medalhas consoante o resultado obtido. Alem disso, depois de finalizarem um desafio no pódio, um outro desafio de idêntica dificuldade ou maior ficará disponível. Os primeiros níveis são normalmente simples de concluir. Haverá depois desafios de dificuldade intermédia e outros de exigência máxima. Após completarem o desafio, fica disponível a repetição para visionamento. A variedade de desafios manifesta-se nas suas categorias: Time Attack (acabar um nível dentro de um tempo limite), Colecção de Moedas (obter o maior número possível de moedas), Especial (desafios de vária natureza como desviarem-se durante o maior tempo possível das bolas de fogo lançadas pelos adversários, ou então planarem, sem tocarem no chão, desde o ponto onde se encontram, até à meta) e Velocidade. Neste âmbito, podemos dizer que os produtores se esmeraram para criar uma séria alternativa à história, cuja estrutura bastante prolongada garante ainda mais horas de jogo. Foram até editados certos níveis e criadas novas configurações para acomodar as dezenas de desafios que irão ter pela frente. New Super Mario Bros U não fica só marcado pela chegada de Super Mario à alta definição. Esta reentrada do famoso canalizador no território das boas plataformas em 2D faculta acesso a uma série de novidades proporcionadas pelo uso do GamePad, entre elas a possibilidade de levar esta experiência para o conforto do ecrã do comando. O desenvolvimento da jogabilidade assimétrica permite ao jogador assistente desempenhar uma tarefa distinta dos restantes jogadores, podendo ser um comportamento cooperativo ou em prejuízo de todos, e a ligação ao Miiverse acrescenta valor à comunidade e permite aos utilizadores trocarem as impressões do jogo. Dentro do jogo, a Nintendo optou por permanecer fiel ao sistema das plataformas, mas sem nunca abdicar dos padrões de qualidade por que rege as suas produções, tendo optado por alterações localizadas mas que abrilhantam o desafio. Situado algures tradição e modernidade, é o melhor Super Mario em 2D desde Super Mario World.
Fonte: Eurogamer
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