.
5

Análise do jogo "Murdered: Soul Suspect" para PC escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 5 de 10, enviado por inuyasha302,
Devo começar por dizer que iniciei Murdered: Soul Suspect sem expectativas formadas, sabia que não era um projecto de grande dimensão, mas ao mesmo tempo, que a equipa da Airtight Games tinha ambições para ele, depois das boas reacções na E3 do ano passado. Posso também dizer que a apresentação é daqueles casos em que apesar de ser quase livre de interactividade, nos cola à cadeira de curiosidade, "o que é que está a acontecer mesmo?". Vestimos a pele do detective Ronan O'Connor, ou melhor, o que resta dele, depois de uma vida marcada por excessos e demasiados erros marcados por uma perda trágica, e que agora chegam ao clímax com a sua própria morte. Não é a primeira vez que começo um jogo com a morte do protagonista, mas só aqui tive a possibilidade de assistir a todos os momentos que antecedem e sucedem o momento trágico. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5qdXN0cHVzaHN0YXJ0LmNvbS93cC1jb250ZW50L3VwbG9hZHMvMjAxNC8wNi9NdXJkZXJlZC1Mb2dvLmpwZw==[/img] Um pouco como naquela série de televisão "Ghost Whisperer", que a certa altura fui obrigado a aturar por uma obsessão da mulher da casa, o mundo é partilhado pelos vivos e pelos mortos, estes últimos presos à matéria por assuntos que ficaram por resolver. No caso de Ronan, o factor que o impede de ascender á um mistério para nós e para ele, mas terá certamente algo a ver com o seu próprio assassinato. É por aí que começa a sua/nossa demanda por respostas. Em termos de gameplay, o jogo vai um pouco na senda de outros títulos onde a nossa missão passa por procurar pistas e associar acontecimentos até chegar à verdade. É um pouco como uma aventura gráfica, mas no lugar dos cenários planos em duas dimensões, temos um mundo para explorar em 3D, ainda que com uma estrutura bastante circunscrita. "O mundo é partilhado pelos vivos e pelos mortos, estes últimos presos à matéria por assuntos que ficaram por resolver." Murdered: Soul Suspect - Trailer 101 Como fantasmas, supostamente as nossas habilidades em vida, são ampliadas na morte. Não somos impedidos pela matéria, e por isso podemos atravessar paredes e objectos como se não estivessem lá. Existem excepções, caso contrário a coisa funcionaria mesmo como um mundo aberto, mas qualquer estrutura ou parede com um ligeiro brilho azul não pode ser atravessado. É estranho, mas ao mesmo tempo muito interessante não sofrermos dos mesmos constrangimentos a que estamos habituados nos jogos na terceira pessoa, atravessar as paredes dos edifícios, possuir pessoas e provocar um poltergeist faz-nos sentir como uma verdadeira alma-penada. Estes são alguns truques ao nosso dispor, na procura por pistas nos cenários com que vamos sendo confrontados. Há sempre um limite mínimo de pistas, e depois uns segmentos em que associamos alguma informação para a narrativa avançar. Cada zona é como um mini puzzle que varia entre a navegação e o tentativa/erro, mas que nunca nos coloca realmente a pensar. Uma coisa que o jogo faz bem é o impor do factor de mistério, que nos aguça a curiosidade logo desde o primeiro momento, mas que vai perdendo urgência ao longo do jogo, e muito por culpa da repetitividade do funcionamento de cada cenário. Rapidamente a coisa acaba num ciclo em que apenas vamos vasculhando os cenários à procura dos elementos com que podemos interagir. [img]hide:aHR0cDovL2Nkbi5kZXN0cnVjdG9pZC5jb20vL3VsLzI1NTI1NC1zb2x2aW5nLXlvdXItb3duLW11cmRlci1pbi1tdXJkZXJlZC1zb3VsLXN1c3BlY3QvRmF0ZV9TY3JlZW5zaG90c192MV8wNCUyMGNvcHktbm9zY2FsZS5qcGc=[/img] No meio deste processo, há no entanto algo que o jogo faz muito bem, e isto está relacionado com os demónios. Os demónios não são particularmente assustadores visualmente, mas o seu comportamento impõe uma tensão admirável. A única forma de exorcizá-los passa por apanhá-los distraídos pelas costas e efectuar um QTE ("quick time event") rápido. Mas até chegar aí, preparam-se para ser perseguidos e sofrer com um berro horripilante nos ouvidos. Para nos escondermos dos demónios podemos utilizar umas nuvens que se encontram espalhadas pelos cenários, ou possuir outros seres-vivos nas redondezas. Isto deve ser feito com cuidado, porque se o demónio nos vir, vasculha incansavelmente os esconderijos da zona, restando-nos a possibilidade de os distrair com o que conseguirmos. As criaturas demoníacas, que mais não são do que almas que depois de ficarem tempo demais no mundo dos vivos, perderam qualquer vestígio de quem foram outrora e deambulam obcecados por capturar outras almas. Por vezes vivem mesmo no chão, de onde surgem braços que nos arrastam para a perdição. Estas são utilizadas como forma de barrar a passagem do jogador em determinadas áreas. "As criaturas demoníacas, mais não são do que almas que depois de ficarem tempo demais no mundo dos vivos." [img]hide:aHR0cDovL2Nkbi5hcnN0ZWNobmljYS5uZXQvd3AtY29udGVudC91cGxvYWRzLzIwMTQvMDYvNTNiYTlkOWY4ZTJkOGJjZWQyNzg3OTkxZWRiOGVhYmUuanBn[/img] Apesar da génese narrativa ser interessante, juntando o típico caso do assassino misterioso, com elementos sobrenaturais que contemplam espíritos, demónios e médiuns, Murdered: Soul Suspect nem sempre é bem escrito e interpretado. É aliás algo vazio para lá das cenas que contemplam o caso principal, aqui e ali encontramos espíritos perdidos e que precisam de ajuda para ascender, mas estes momentos mais não são do que um replicar do sistema principal mas numa escala mais pequena. Outro elemento adicional são os coleccionáveis espalhados pelos cenários, existem dezenas de objectos, alguns que precisamos primeiro revelar, e que ora trazem pedaços de informação sobre o assassino, ou dos eventos da vida de Ronan, quando este ainda respirava. No geral, diria que Murdered: Soul Suspect é um jogo médio mas diferente, e por isso é distinto. Não é todos os dias que fazemos coisas como ler o pensamento de outras pessoas, que vemos o nosso próprio corpo na morgue a preparar-se para uma autópsia ou que possuímos um gato, vale por estes momentos, por algum brilhantismo estético, tudo o resto está longe de ser notável.
Fonte: Eurogamer
inuyasha302
Enviado por inuyasha302
Membro desde
label