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Análise do jogo "Monster Hunter 3: Ultimate" para WiiU escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 9 de 10, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovLzIuYnAuYmxvZ3Nwb3QuY29tLy1JanQyZnlBeUNjcy9VUHNKUWJCalMySS9BQUFBQUFBQUEyMC9sdVlMdjZfYllwMC9zMTYwMC9tb25zdGVyLWh1bnRlci0zLXVsdGltYXRlLXdpaS11LWczYXIuanBn[/img] É sempre um momento especial quando os europeus recebem produtos cuja popularidade obtida no Japão não encontra paralelo noutro lugar do planeta. À curiosidade inicial sucede-se uma imensa vontade de descoberta, para mais quando sabemos que a produtora por detrás deste título é a Capcom. Monster Hunter é uma dessas séries particularmente misteriosas, sendo que muito do mistério se deve à natureza do jogo, porque ao contrário de outros jogos que deixam o jogador subir para um carro de montanha russa e rolar por uma série de eventos, aqui estamos perante um desafio onde esforço e trabalho manual coexistem em todas as operações, proporcionando uma diferente sensação de achievement. A ganhar mais adeptos em solo europeu e no continente americano, é relevante este esforço e dedicação desenvolvidos por Capcom e Nintendo no sentido de entregarem uma nova versão de Monster Hunter, localizada e pronta para alargar a audiência, através de duas edições para as consolas da Nintendo, Wii U e 3DS. Por cá e mais recentemente, os europeus puderam experimentar uma versão 3 (Monster Hunter Tri), exclusiva da Nintendo Wii, que deu já conta da direcção que se impunha na série para o futuro. Ultimate é o ponto de partida e chegada de Tri, mas agora um jogo bem mais vasto, dotado de mais monstros e capaz de proporcionar outro grau de satisfação através da ligação online. Monster Hunter é originário da Capcom e apesar de já termos visto produtos satélites como Lost Planet ou até Dragon's Dogma, que na sua base envolvem a caça a grandes criaturas, sem esquecer a influência de Dino Crisis, o certo é que não existe mais nenhuma oferta que se aproxime desta autêntica máquina de caça e sobrevivência. Ultimate, tal como qualquer Monster Hunter, também assume uma complexidade que afasta muitos jogadores pouco prevenidos e talvez com pouco tempo disponível para se afincarem a uma obra desta dimensão. Mas temos de reconhecer que essa complexidade esconde um apelo irresistível e que tende a conquistar a nossa atenção quanto mais nos deixamos levar pelas suas imensas quests. [img]hide:aHR0cDovLzIuYnAuYmxvZ3Nwb3QuY29tLy1mQTdHXzBtVXR6OC9VR0RlSGUtWFlwSS9BQUFBQUFBQUY4Yy9VM3dsZWV3UDY1US9zMTYwMC9Nb25zdGVyK0h1bnRlciszK1VsdGltYXRlKy0rMS5qcGc=[/img] Então, o que é isto de Monster Hunter, e porquê esta admiração pelos japoneses? Monster Hunter é basicamente um jogo no qual o jogador constrói uma personagem através de um editor bastante personalizado, equipando-a depois com armas e escudos de modo a combater dezenas de criaturas, de modo a sobreviver mas também a progredir. O segredo da jornada reside então na sua amplitude e capacidade de progressão. Ao matarmos as criaturas que habitam nos territórios ao redor da nossa aldeia, ficamos na posse de certos materiais e objectos que podemos usar para forjar novas armas, melhorar os equipamentos que possuímos, fabricar novas armaduras e mais seguras, desafiando consecutivamente criaturas mais difíceis de caçar. Dessa forma poderemos realizar quests cujo grau de dificuldade superior põe à prova as nossas habilidades, mas também a nossa capacidade para melhorar as ferramentas de combate. E aqui podemos pensar em tudo o que é tradicional num jogo de role play nipónico, só que sem nenhum level up ou sequer mecanismos de progressão automáticos. "Imbuído de um espírito de fantasia medieval, a imagem de marca de Monster Hunter são as grandes criaturas que vagueiam pelas grandes áreas dominantes." Isto é um processo naturalmente mais exigente e árduo. Até sentirmos confiança e domínio do que estamos a fazer são necessárias bastantes horas de esforço, mas também não é assim uma experiência tão oculta. Existem sempre explicações e quadros de ajuda em certas quests que rapidamente nos contextualizam as operações. Conhecido o básico e elementar de Monster Hunter, queremos depressa chegar mais longe e descobrir outros territórios onde se escondem mais perigos. É aí que entramos no melhor do jogo, pois quanto mais nos dedicarmos a melhorar os nossos atributos, mais quests ficam disponíveis e mais monstros podemos enfrentar, sendo que nesse caso é obrigatório possuir já um grande nível de desenvolvimento da personagem, até para progredir com mais eficácia no multijogador local e na rede. [img]hide:aHR0cDovL3ZnYnIuY29tL3dwLWNvbnRlbnQvdXBsb2Fkcy8yMDEyLzEwL01vbnN0ZXItSHVudGVyLTMtVWx0aW1hdGUuMDFfMDQxMDEyLmpwZw==[/img] Este intricado processo, pleno de quadros de operações, é necessário a fim de melhorarmos a habilidade da nossa personagem, mas daqui também vislumbramos o núcleo e mensagem que emanam deste jogo; um regresso aos primórdios da humanidade, quando o homem caçava os animais e fazia das suas peles, ossos e entranhas, toda uma série de bens indispensáveis para a sua sobrevivência. Há aqui uma indústria de transformação que operamos e nem falta mesmo a quinta onde podemos plantar e desenvolver produtos aptos a melhorar o nosso estatuto. No quadro nipónico, a caça aos cetáceos ainda se faz, pelo que ao olharmos para o mar em Monster Hunter, não conseguimos deixar de o fazer aos olhos dos japoneses. Imbuído de um espírito de fantasia medieval, a imagem de marca de Monster Hunter são as grandes criaturas que vagueiam pelas grandes áreas dominantes. Desde criaturas mais fracas até aos gigantes Azure Rathalos, Abyssal Lagiacrus, Brachydios, todas assumem um particular significado, mas é indiscutível que à medida que nos aproximamos destas espécies colossais e entramos em contacto com elas, depressa sentimos que estamos diante de algo verdadeiramente épico e que cada triunfo ou captura tida com sucesso representa uma oportunidade para conseguir trocar bens raros (tesouros) com os mercadores que aportam na vila piscatória Moga Village, o ponto de partida desta campanha. Ao lado de Moga Village estendem-se as zonas montanhosas e verdejantes de Moga Woods, um espaço abundante em recursos e que é a nossa primeira grande zona livre de actuação. Quase como uma zona económica exclusiva, é por ali que iremos aprender a caçar mas também a coleccionar e procurar objectos indispensáveis ao melhoramento do equipamento. [img]hide:aHR0cDovL2Nkbi5zZWdtZW50bmV4dC5jb20vd3AtY29udGVudC91cGxvYWRzLzIwMTMvMDIvTW9uc3Rlci1IdW50ZXItMy1VbHRpbWF0ZS0xMi0xOS0yMDEyLTAwOS5qcGc=[/img] Ao contrario do que sucede nos jogos de role play, em termos de atributos o jogador só tem de se preocupar essencialmente com o indicador de saúde e de resistência. Estes podem ser melhorados, mas há um limite, sendo que no caso da resistência esta tende a diminuir em função dos golpes operados com as armas, das corridas e fugas realizadas, sendo que o desgaste devido à realização de uma quest faz cair o nível de resistência, deixando a personagem à beira da imobilidade. Isso não será preocupante se usarem o grelhador que vos acompanha para assar uma coxa de um Jaggi. Mas atenção, muitas vezes a carne destes monstros faz mal e deixa-vos ainda mais apertados do estômago. Para evitar situações como esta, o melhor é combinar certos itens ou então usar os produtos cultivados na quinta. Em alternativa podem sempre solicitar refeições na vila e confortar o estômago. De resto, a capacidade da nossa personagem para enfrentar criaturas mais poderosas e vencê-las, dependerá dos upgrades e forge que efectuem ao vosso equipamento. Felizmente o jogo permite-vos que entrem na aventura tendo 12 armas à disposição. Cada uma pode ser melhorada ou então podem forjar novos equipamentos desde que reúnam os materiais necessários. A melhoria das armas existentes efectua-se através da colocação de materiais específicos dentro das slots. É importante observar a grelha de dados, já que ocorrem grandes variações entre os níveis de ataque e defesa para os respectivos equipamentos. O mesmo sucede com as armaduras. Estas são fabricadas a partir dos materiais deixados pelos monstros. Ou seja, podemos usar as suas carcaças para fabricar protecções mais resistentes, escudos e indumentárias exclusivas. Aqui o grau de personalização é de uma riqueza espantosa e tanto vale para o equipamento como para a indumentária. No fundo podem experimentar incontáveis soluções, mas também desenvolver uma que seja do vosso agrado, permitindo que potencializem e desenvolvam a vossa habilidade em determinados equipamentos. Considerando a vocação multijogador do jogo, online e local, é fruto deste sistema a grande variedade de personagens que se vê em combate, quase ao nível de um mmorpg. [img]hide:aHR0cDovL2ltbWFnaW5pLnotZ2lvY2hpLmNvbS8yMDEzLzAyL21vbnN0ZXItaHVudGVyLTMtdWx0aW1hdGUtd2lpLXUtc2NyZWVuc2hvdC0yLmpwZ2h0dHA6Ly9uZXJkcmVhY3Rvci5jb20vd3AtY29udGVudC91cGxvYWRzLzIwMTMvMDEvTW9uc3Rlci1IdW50ZXItMy1VbHRpbWF0ZS1BcnR3b3JrLmpwZw==[/img] Monster Hunter 3 Ultimate - Novo trailer Sendo certo que Monster Hunter 3 Ultimate possui um forte pendor para o multiplayer, haverá muitos jogadores mais interessados em começar por desenvolver a componente individual do jogo e só depois de terem alcançado um grau mais exigente de quests, e após dominarem os princípios básicos do jogo, é que finalmente embarcam em quests até 4 jogadores. Porém, a componente individual não se desenvolve totalmente de forma isolada. O jogador terá companhia. Para isso foram adicionados dois camaradas de campanha; Cha-Cha e Shakalaka. A sua entrada não ocorre ao mesmo tempo, e não esperem o mesmo grau de entreajuda que pode ser provocado por uma personagem controlada por um humano, mas sempre surtem efeitos positivos nas batalhas mais complicadas, permitindo que disponham de mais algum tempo livre para lidar com criaturas mais exigentes. A morte em Monster Hunter não é tão penalizadora como em Dark Souls. Se perderem a barra de saúde terão de voltar ao acampamento mais próximo, no entanto só têm mais dois créditos. Quando os esgotarem terão de recomeçar a quest. "É fascinante descobrir estas criaturas no seu "habitat" natural, como elas reagem na sua biosfera e se servem de certas propriedades para lançar determinados ataques." Claro que é sempre mais útil caçar as criaturas mais difíceis tendo por perto três camaradas bem apetrechados, dispondo de preciosas poções, itens, armas e equipamento ofensivo. O combate atinge o expoente máximo em Monster Hunter 3 Ultimate quando defrontam os "bosses" de cada uma das áreas de jogo. No começo encontram-se restringidos a Mega Woods, mas rapidamente progridem e embarcam para mais meia dúzia de áreas que atingem relevância por se articularem com elementos como o fogo e a água (gelo). Existe ainda uma zona vulcânica que obriga o jogador a ter algum cuidado em termos de equipamento e uma selva colossal. É fascinante descobrir estas criaturas no seu "habitat" natural, como elas reagem na sua biosfera e se servem de certas propriedades para lançar determinados ataques. O mar constitui outra área relevante, sendo que neste caso a personagem terá de lidar com quantidades de oxigénio que lhe permitam mergulhar e nadar em profundidade bastante tempo. Bastante útil é o botão que nos permite acivar uma perspectiva que coloca a personagem na direcção do monstro ou do mais importante da manada. Importa salientar que estas criaturas, quando atacadas, também reagem, expondo as suas fraquezas quando estiverem prestes a ser vencidas, mas também possuem alguns truques na manga, materializando toda uma ira que depressa se pode revelar através de ataques devastadores. Fugir de uma zona em direcção a outro local pode não ser suficiente para as despistarmos. Nalguns momentos isso pode complicar a tarefa, já que nos dá menos tempo para repousar e redefinir a estratégia de ataque. Este é mais um dos jogos da Wii U com modo offscreen. [img]hide:aHR0cDovL3ZnYnIuY29tL3dwLWNvbnRlbnQvdXBsb2Fkcy8yMDEyLzEwL01vbnN0ZXItSHVudGVyLTMtVWx0aW1hdGUuMDVfMDQxMDEyLmpwZw==[/img] Cada quest tem uma duração de 50 minutos. Por vezes é tempo em demasia para certas demandas, mas não levará muito tempo até que ocorra o inverso e nos vejamos a apressar certos actos para não deixarmos a missão por concluir. Algumas batalhas prolongar-se-ão pela totalidade do tempo reservado para a quest, o que diz bem da dimensão do jogo. Em termos de opções à disposição durante a exploração e o combate, o ecrã do GamePad pode ser utilizado como interface para os dados de saúde da personagem, selecção de itens e outras indicações que tendem a preencher o ecrã. Ora isto permite um desimpedimento total do ecrã do televisor, deslocando para o ecrã do comando essas opções e sempre à distancia de um toque. O resultado disto é que possibilita uma imagem mais limpa e isenta de interferências. Enquanto escrevemos esta análise os servidores multijogador ainda se encontram vazios e só por algumas ocasiões conseguimos estabelecer contactos com outros caçadores. Das vezes que mantivemos as ligações, a experiência decorreu fluída e sem quebras ou interrupções. Cumpre salientar que o modo multijogador pode ser jogado através de ligação à rede ou ligação local, via Monster Hunter 3 Ultimate para a Nintendo 3DS. Para activarem esta opção terão de embarcar para a zona portuária chamada Port Tanzia. Lá poderão escolher as quests, convidar os amigos, escolher servidores, definir password de acesso à sala, podendo partilhar estas aventuras com mais amigos. Se quiserem jogar ao lado de estranhos podem solicitar um toque no gongo da área central. Uma vez que Monster Hunter 3 Ultimate para a Wii U e 3DS são o mesmo jogo, poderão trocar o ficheiro de gravação de uma para outra consola. Podem, por exemplo, se tiverem ambas as versões, começar a jogar a versão Wii U, passar os dados para a 3DS e prosseguir a demanda fora de casa, retomando o jogo da consola domestica mais tarde. Em termos de quests, quantidade de monstros, itens, materiais e áreas, estamos diante de um jogo que vai muito para lá de uma expansão de Monster Hunter Tri. Ultimate é um jogo praticamente redesenhado. Os cenários não estão tão detalhados ou plenos de pormenores como desejaríamos, por oposição aos monstros que se revelam mais magnânimes, colossais e intimidatórios, ainda que em tempo real fiquem aquém da sua opulência transmitida através de sequências animadas. Essa acabou por ser a preocupação principal dos produtores nesta edição, mas é pena que não tenha sido dirigido mais algum esforço para o melhoramento visual das áreas de jogo, essencialmente muito despidas. Apesar disso e para quem jogou Monster Hunter 3, persistem motivos mais que suficientes para acolher esta renovada campanha recheada de novas e complexas demandas. "Uma vez que Monster Hunter 3 Ultimate para a Wii U e 3DS são o mesmo jogo, poderão trocar o ficheiro de gravação de uma para outra consola." A ausência de uma narrativa de grandes dimensões, é compensada por uma escrita bem disposta e humorística desenvolvida para os diálogos, e ainda temos personagens como os Neko (significa gato em japonês). É pena que para a versão Wii U, a caixa de diálogos seja quase minúscula, obrigando muitas vezes a um esforço redobrado da visão para seguir as conversas com atenção. Sobre a versão Monster Hunter 3 Ultimate para a 3DS, para colmatar a falha de um segundo analógico e se não possuírem o Circle Pad Pro, a perspectiva de jogo pode ser comandada através de um botão direccional instalado no ecrã tátil. Não é a solução mais eficaz, embora também não seja de difícil habituação se não estiverem dispostos a investir no acessório que alarga a dimensão da consola. De resto é impressionante ver correr este jogo numa portátil como a 3DS, nada escapando ao que vemos na Wii U. Os efeitos 3D estão muito bons e apesar de existir uma diminuição do detalhe e pormenor dos monstros e áreas, a frame rate revela-se estável e segura, mesmo no calor da batalha. Sem um modo online, cuja ausência não se compreende, a única possibilidade de reunir até mais 3 amigos numa mesma quest será através de ligação em rede local (lan party). Apesar dessa limitação, a versão 3DS de Monster Hunter 3 Ultimate surpreende em particular pela dimensão colossal (possui o mesmo conteúdo da versão Wii U) e por permitir levar até qualquer local esta experiência. [img]hide:aHR0cDovL3R3LmdhbWVyaG90bGluZS5jb20vY2F0YWxvZy9nYW1lL25ld3MvMjAxMi8yMDEyMTIvMTIyMC9NSDNHX0hELzAzLmpwZw==[/img] Apesar da exigente curva de aprendizagem, Monster Hunter 3 Ultimate não passa despercebido à luz de qualquer jogador. Podendo aliciar mais depressa os amantes dos jogos que escondem múltiplos menus e uma listagem imensa de itens cuja combinação e conhecimento é essencial para progredir, mesmo os jogadores menos habituados podem encontrar aqui uma experiência bem gratificante, desde que estejam dispostos a investir e começar a perder umas horas até apanharem o jeito. Depois de dominadas as bases, este jogo pode ser altamente gratificante, e mais ainda se partilharem as quests com outros caçadores. Cumprir todas as quests disponíveis é tarefa para dezenas e dezenas de horas e se contarmos com as quests que a Capcom planeia distribuir através de DLC, podemos ter aqui um jogo a roçar a barreira do infindável. Assumindo a pele de um caçador que se vê permanentemente em situações de perigo e numa luta contra o relógio, é a oposição de um David contra Golias que mais entusiasmo gera. Além disso as melhores armas e os equipamentos mais adequados são forjados e melhorados pelo jogador, estabelecendo o seu progresso. Apesar de se reinventar a partir de Monster Hunter 3, esta versão Ultimate ocupa uma posição cimeira e depressa se assume como a referência da série.~ 9 / 10
Fonte: Eurogamer
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