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Análise do jogo "Kirby: Triple Deluxe" para 3DS escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 8 de 10, enviado por inuyasha302,
No vasto périplo pelas diferentes consolas da Nintendo, há um ponto comum transversal a todos os jogos Kirby: a doçura da personagem. Esta simpática bola cor-de-rosa é capaz de colher um sorriso dos rostos mais austeros, é capaz de transmitir uma boa sensação e, no entanto, consegue gravitar dentro de um imenso desafio graças às suas valências, inalando os adversários para usar os seus poderes. Mesmo dentro da linha mais tradicional da série, Kirby tem sido uma das icónicas personagens da Nintendo mais submetidas a diferentes experiências. Kirby Epic Yarn, o jogo que combinou tecidos e todo o envolvimento à volta das lãs com a jogabilidade clássica, permanece como uma das produções mais arrojadas. O respeito pelas mecânicas mais tradicionais permanece. A capacidade de flutuar, enchendo os pulmões com ar e aprisionar os inimigos por meio de um vendaval são alguns dos elementos mais distintivos. Mas Kirby impressiona também pelos elevados níveis de ternura que transmite, como de resto transmitem todas as personagens da Dream Land, sejam elas heróis ou vilões. É um universo genuinamente bem representando, como que retirado de sonhos, de espaços paradisíacos, revelador de um certo "know-how" que o Hal Laboratory soube desenvolver e acarinhar desde o começo. Kirby: Triple Deluxe retoma as origens da série e parece posicionar-se mais perto dos clássicos, ao apostar numa mecânica amplamente reconhecida mas igualmente sólida e bem construída. Do ponto de vista visual, a adaptação para a portátil 3DS permitiu um bom aproveitamento do 3D, através de transições entre diferentes espaços, permitindo que a personagem transite para segmentos mais afastados e prossiga aí o seu trajecto, um pouco à semelhança de Donkey Kong Country Returns. Novos poderes foram incorporados, assim como diferentes transformações e mais alguns movimentos, mantendo a personagem, no entanto, os movimentos básicos reconhecidos. Do ponto de vista do design, Kirby: Triple Deluxe entrega diferentes mundos de fantasia e originais, sem ao mesmo tempo deixar de revisitar personagens e momentos clássicos de outros jogos da série, que os fãs rapidamente reconhecerão. Mas é um mundo tão colorido, terno e rico conceptualmente, ao ponto de surpreender pela quantidade de áreas secretas e puzzles, e até pela dimensão dos níveis, por vezes longos e atestados de itens para recolher. A adaptação às funcionalidades da 3DS, como o giroscópio, também resulta positivamente, ainda que esta funcionalidade não seja propriamente uma grande novidade. [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=tGhaTeBce-k[/youtube] Mais surpreendente é a dimensão do conteúdo. Tal como o nome do título sugere, Kirby: Triple Deluxe oferece uma dose tripla de divertimento. Ao invés de proporcionar uma única aventura, este jogo oferece ainda mais dois modos de jogo adicionais, totalmente diferentes, e que aumentam a longevidade do jogo. No princípio, 3 modos estão disponíveis: a aventura, composta por uma história nova, o Kirby Fighters, inspirado no sistema de combate de Smash Bros e o Dedede's Drum Dash, um agradável jogo de acção rítmica. Felizmente, estes acrescentos convencem. Seria diferente se cada um destes modos adicionais tivesse de subsistir por si. Porém e em conjunto servem um conteúdo bastante forte e seguro nas diferentes mecânicas. Começando pela aventura, temos desde logo uma história nova. O sossego da Dream Land, a terra de Kirby, é numa noite substituído pela adversidade reinante em Floralia. Tudo aconteceu depois de a casa de Kriby ter sido içada por uns enormes rebentos da Dreamstalk. Ao mesmo tempo, o King Dedede foi raptado por uma misteriosa criatura e levado para esse espaço misterioso. Kirby não tem outra alternativa senão arredar pé e avançar nesse novo território. Haverá muitas surpresas e nem tudo é o que parece no começo da história. Ao todo, Kirby visitará seis diferentes mundos, compostos por aproximadamente uma meia dezena de níveis em cada um, aos quais acresce uma batalha contra o respectivo "boss". Não é uma aventura muito longa e o grau de dificuldade, apesar de incrementado a partir do terceiro mundo, não oferece o mesmo nível de desafio existente nos clássicos da NES e SNES. Apesar desta moderação, cada nível é mais longo do que o habitual, abarcando diferentes áreas secretas, planos de progressão em virtude das transições em profundidade e com muitos itens para recolher, pelo que o tempo gasto a explorar tudo aumenta assim que levarem a cabo uma exploração minuciosa. O conceito e tema de cada mundo constituem uma das mais-valias do jogo. Todos eles muito diversos e ligados a contextos diferentes, como um espaço repleto de prendas e brinquedos, por contraponto a um mundo com fortes elementos da natureza, onde não faltam secções subaquáticas, a riqueza visual e atenção ao detalhe ganham ainda mais destaque graças a uma boa fluidez das animações, numa "frame-rate" sólida. As cores fortes e as sucessivas transições em profundidade, conjugadas com a presença de múltiplos adversários a realizar diferentes acções, promovem aquela jogabilidade que conjuga acção arcade frenética com plataformas, como se fosse um "brawler", quase ao ponto de nos dar uma espécie de introdução ao jogo Super Smash Bros. Contudo, é por intermédio das 21 habilidades clássicas e dessa capacidade de Kirby obter constantemente diferentes indumentárias anexas aos poderes, que rapidamente faz sobressair a especialidade do jogo de mais um título de plataformas. Enquanto que as habilidades mais clássicas operam dentro de um processo facilmente identificado pelos fãs, existem quatro novos poderes e um em especial, o hypernova. Trata-se de um efeito de sucção monstruoso, capaz de mover grandes objectos, levantando partículas envolventes num efeito particularmente admirável. Como consequência, mesmo objectos pesados podem ser deslocados, sendo esse o segredo para a sua utilização nos mais diferentes problemas. Os puzzles são constantes e assim que Kirby adquire este poder, fica capaz de superar os desafios seguintes, deslocando objectos para posições que lhe permitem fugir de uma situação complicada. Outra novidade do jogo é a dualidade de planos de progressão: um próximo do ecrã e um outro mais distante. Com o efeito 3D activado torna-se mais perceptível a sensação de profundidade. Ao avançar do lado mais próximo, Kirby é por vezes atacado por inimigos que do outro lado enviam projécteis na nossa direcção, usando tanques de guerra, entre outros. Mas se encontrar uma estrela que permite passar para o plano mais afastado, Kirby consegue lidar de perto com os adversários, ao mesmo tempo que ficam disponíveis mais itens e mais áreas secretas. Enquanto que algumas dessas áreas são acedidas através de uma movimentação normal num jogo de plataformas, outras áreas requerem a utilização de certas habilidades ou então a descoberta de uma chave para abrir uma porta fechada. O efeito 3D de profundidade está bem conseguido, especialmente quando é mais frequente a interacção entre os dois planos. Os fãs não terão grandes dificuldades em reconhecer as habilidades clássicas, como o poder de fogo, o chicote, os shurikens ninja ou a espada. São imensas e sempre muito agradáveis de obter, bastando inalar um adversário e premir o botão direccional para baixo. Uma tecla de acesso fácil no ecrã táctil permite retirar o poder, por forma a permitir a Kirby lidar melhor numa situação em que esse poder não é necessário. Para lá da hipernova, entre as quatro novas habilidades destaco os sinos. Com dois sinos quase do seu tamanho, Kirby usa-os como arma capaz de atordoar os inimigos e causar nado. O efeito visual é notável, qualquer que seja a habilidade. Mas Kirby pode ainda transformar-se num arqueiro, num artista de circo ou usar como protecção um bico pontiagudo de um escorpião. Cada nível abarca diferentes objectos. Alguns são mais importantes que outros, como as Sunstones, com as quais podem desbloquear a batalha contra o boss de um mundo. É diferente o número de Sunstones por cada nível. Alguns níveis têm duas Sunstones, enquanto que outros podem ter quatro, e nem sempre se descobrem com facilidade e à primeira. Mais interessante que propriamente decisivo para a passagem do jogo é a descoberta das "keychains", porta-chaves que traduzem momentos concretos das anteriores aventuras de Kirby, especialmente dos primeiros jogos. Estes objectos podem ser vistos sob uma perspectiva 3D e identificados no quadro inicial com as diferentes opções de jogo. Funcionando quase como "façanhas", há muitos para descobrir, mais de 250. As estrelas também estão disponíveis, e ao recolher mais de uma centena, Kirby obtém mais uma vida. Por fim, os alimentos que permitem a Kirby regenerar o indicador de saúde e obter habilidades especiais, como a hypernova. No que respeita aos dois jogos fornecidos adicionalmente à campanha, Kirby Fighters é o jogo que concentrará mais atenções. Sendo uma espécie de "brawler" 2D, lembra imediatamente Super Smash Bros. pelo seu combate frenético em cenários compostos por diferentes plataformas, onde quatro personagens combatem entre si até uma ser declarada vencedora. É pena que todas as habilidades da aventura não estejam aqui disponíveis. Só poderão utilizar um número limitado de habilidades por combate, ainda que os "power ups" e outros itens lançados para o cenário reforcem as acções de combate a praticar. O jogo é composto por oito "rounds", sendo a batalha final contra Shadowy Kirby. O grau de dificuldade pode ser ajustado, pelo que pode ser um bom aquecimento para o próximo Super Smash Bros. Com mais três jogadores equipados com o mesmo jogo, podem tirar proveito pleno do jogo através da ligação em rede local, caso contrário, as opções são limitadas para o modo "download". [img]hide:aHR0cDovL2ltYWdlcy5ldXJvZ2FtZXIubmV0LzIwMTMvYXJ0aWNsZXMvL2EvMS82LzYvNy83LzAvNC9LaXJieV9UcmlwbGVfRGVsdXhlX3NjcmVlbl9fMl8uYm1wLmpwZw==[/img] É interessante a adição do jogo Dedede's Drum Dash, um jogo de acção e ritmo bastante personalizado. Tendo como personagem principal o não menos icónico rival de Kriby, o King Dedede, neste jogo o ritmo é essencial. Movimentando-se da esquerda para a direita, aos saltos sobre diferentes tambores, pressionar o botão de acção no momento certo permite a Dedede saltar mais alto, obtendo moedas ao mesmo tempo que ao cair sobre o centro do tambor entra no ritmo com sucesso. Porém, há inimigos para evitar e alguns tambores de reduzidas dimensões dificultam a progressão. Composto por um "tutorial" e por três níveis de dificuldade crescente, com diferentes ritmos, não é um jogo forte em conteúdo, mas competente e sobretudo desafiante. No final, a performance dos jogadores será assinalada pela entrega das medalhas, estando reservadas as melhores para os que forem capazes de concluir o nível com a maior pontuação possível. Kirby: Triple Deluxe assinala a chegada da icónica bola cor-de-rosa à 3DS, com sucesso. A aventura, só por si, é conteúdo suficiente para umas belas horas de jogo, e se adicionarmos mais dois jogos, ainda que não tenham a mesma dimensão da aventura, atendendo à diversidade e finalidade de cada um, não deixam de ser propostas atractivas. Em suma, um regresso de Kirby à linha mais clássica da série, capaz de tirar partido das funcionalidades da 3DS e de proporcionar novas habilidades. A moderação da dificuldade retira algum desafio nos primeiros mundos, mas sem deixar de requerer perícia e utilização sapiente dos poderes, ainda que numa fase posterior da aventura. Desta vez, Kirby é bem capaz de inalar quase tudo o que lhe aparecer pelo caminho.
Fonte: Eurogamer
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