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Análise do jogo "Kid Icarus: Uprising" para 3DS escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 8 de 10, enviado por Anônimo,
Não é mentira nenhuma que a Nintendo 3DS não teve um bom começo, e o catálogo de jogos inicial não ajudou propriamente a erguer a nova portátil da Nintendo. Mas pouco a pouco, jogos mais apelativos foram sendo lançados, e com a mascote mais popular da Nintendo a aparecer em força na portátil com Super Mario 3D Land e Mario Kart 7, a 3DS explodiu nas vendas. No entanto, pensar que as consolas da Nintendo resumem-se ao carismático canalizador é um erro. Embora faça maravilhas, a companhia japonesa tem no seu armazém uma grande variedade de jogos que pode ir buscar se bem lhe entender. Kid Icarus é um dos jogos que esteve desaparecido durante muito tempo e que regressou na E3 de 2010 durante a apresentação da 3DS e que deixou o público encantado. Kid Icarus: Uprising é um dos títulos mais aguardados para a 3DS, não só porque é o regresso de Pit e Medusa, mas porque tem um aspeto fantástico e é a primeira vez para a série no campo tridimensional. O processo de transição do 2D para o 3D pode ser complicado e resultar num desastre. Kid Icarus: Uprising, felizmente, conseguiu efetuar com sucesso a transição, mal-grado a jogabilidade que é o ponto negro do jogo. A jogabilidade não é forma alguma intragável, mas sem dúvida que não é o ideal. Como a 3DS não tem um segundo botão deslizante, foi necessário atribuir a função de controlo de câmara ao ecrã tátil e stylus. O resultado é terem que segurar a consola só com o mão e controlar a câmara com a outra. Inevitavelmente vão acabar por ficar com o braço esquerdo cansado mais rápido do que devia. O suporte para a 3DS que vem incluído na caixa de Kid Icarus é algo necessário, não pensem que é algo tipo de bónus. Dado que como estão a segurar a consola só com o mão, há uma grande instabilidade e a consola treme, e se estiverem com o 3D ligado torna-se desconfortável. O suporte serve precisamente para jogarem com o efeito 3D ligado sem problemas, mas também é inconfortável porque vão acabar com uma dor de costas. E há ainda a questão de portabilidade, o suporte serve unicamente para jogarem em casa ou outros locais com uma mesa. Depois de algumas horas, acabamos por ficar habituados aos controlados, apesar de estranheza inicial. Mas há sempre um desconforto que permanece e esta-se constantemente a mudar de posição enquanto se joga numa tentativa de procurar o conforto. O que me deixa perplexo é a existência do Circle Pad Pro ter sido ignorada. Kid Icarus poderia usar o acessório lançado para a 3DS com Resident Evil Revelations para oferecer uma melhor jogabilidade. Em vez disso, o Circle Pad Pro serve apenas para controlarem pit e dispararem com a mão direita em vez da esquerda. Agora que já posemos de lado a pior parte, podemos falar finalmente das muitas coisas fantásticas de Kid Icarus Uprising. Visualmente é um dos jogos mais belos da 3DS com uma apresentação bem cuidada e cenários/ambientes mágicos capazes de fazer inveja aos melhores jogos de fantasia em qualquer portátil. O maravilhoso trabalho que a Project Sora fez em transformar um clássico 2D aos padrões atuais merece ser reconhecido. Graças a esse trabalho, Kid Icarus regressa com toda a sua magia e um design de personagens capaz de conquistar tanto os mais novos como os mais graúdos. O efeito 3D torna tudo mais vivo e faz toda a diferença nas secções de voo, em que a profundidade se torna relevante para percecionarmos a que distancia se encontram os inimigos e sentirmo-nos no papel de Pit enquanto este voa por desfiladeiros apertados ou pelo meio das nuvens que escondem a paisagem vertiginosa cá em baixo. Kid Icarus: Uprising é um renascer de um grande clássico, mas as características retro continuam bem visíveis na sua divisão em vários níveis, e tendo cada um deles uma pontuação no final. Com as suas personagens de cara simpática, exceto claro os mauzões, Kid Icarus é enganador, este é um jogo para quem procura desafios. A moeda de troca são corações (ganhos durante os níveis ao eliminar inimigos), que depois servem para apostar em dificuldades mais elevadas. Quanto maior for a dificuldade maior será o número de corações que terão de apostar. Se perderem, parte dos corações apostados vão à vida. Há sempre o fator risco a ter em conta, mas quanto maior for a aposta, maior será a recompensa. Apostar mais é aliciante porque os corações também podem ser usados para comprar melhores armas e facilitam as dificuldades mais elevadas. Outro modo de obter excelentes armas sem gastar corações, é usar a fusão de armas. Nas armas têm que se preocupar fundamentalmente com dois aspetos: ranged e melee, que determinam a qualidade da arma em combate ao longe e perto. O ideal é ter uma arma equilibrada, mas tudo depende da forma como preferem jogar. A jogablidade acaba por ser mais complexa do que aparenta ser inicialmente. As armas são uma das razões, que podem ter características adicionais como aumentar a defesa, velocidade e outros aspetos de Pit. Além das armas, Pit conta ainda com a ajuda de itens/equipamento adicionais que lhe garantem habilidades como ficar invisível, refletir automaticamente os ataques inimigos, lançar granadas, entre outras coisas. Ao longo do jogo vão desbloquear vários itens/equipamento desta natureza que depois podem equipar, no entanto há um limite. Cada item/equipamento ocupa um determinado número de quadrados e terão que os colocar muito bem ordenados dentro de um retângulo para aproveitarem ao máximo o espaço. Os níveis estão sempre separados em duas partes. Uma secção de vôo e outra com combate no solo. Esta divisão entre voar e caminhar deve-se às limitações de Pit, que embora tenha asas, não consegue voar sem a ajuda da deusa Palutena. A deusa só consegue garantir a habilidade de voo a Pit durante 5 minutos, e Pit não consegue controlar em que direção voa. Por outras palavras, as secções de voo são onrails, mas não deixam de ser espetaculares. No final de cada nível há sempre um boss à nossa espera aconteça o que acontecer. A ação não pára e mantém um bom ritmo durante todo o decorrer do nível. Todo este processo é acompanhado por diálogos hilariantes entre Pit, Palutena, Medusa e outras personagens que vão aparecendo e contribuem para o desenvolvimento do enredo. Os níveis estão sempre estruturados da mesma forma e não há muito espaço para exploração, para além de umas portas que só abrem caso tenham escolhido um certo nível de dificuldade. Mas Kid Icarus sai por cima ao apresentar novos tipos de inimigos em que disparar contra eles ou atacá-los diretamente não resulta, é necessário algum tipo de estratégia. Sempre que aparece um inimigo novo, Palutena dá dicas como derrotá-lo, por isso é bom que estejam atentos aos diálogos constantes. O multijogador foi pensado para ser desfrutado só depois de estarem adiantados no single-player pois ambos estão ligados. As armas que ganharam no single-player podem ser usadas no multijogador e vice-versa, e regra geral, é que os outros jogadores já possuem armas bem avançadas, pelo que não é aconselhável aventurarem-se antes de terem uma arma digna. O ritmo dos confrontos online é frenético e pode-se tornar até confuso no combate corpo-a-corpo devido aos problemas já referidos em controlar a câmara. O multijogador é constituído apenas por dois modos: deathmatch e team deathmatch. Neste último modo o ultimo jogador sobrevivente de cada equipa, terá o privilegio de se tornar em Pit ou Dark Pit, dependendo da equipa. No final de cada ronda, as vossa mortes serão contabilizadas e transformadas em corações. Para completar a robustez em termos de longevidade, Kid Icarus Uprising conta objetivos in-game semelhantes aos achievements/trofeus que prolongam o jogo muito além das cerca de oito horas necessárias para completar todas as missões. E há ainda as cartas de realidade aumentada para colecionar, que certamente agradará sobretudo aos mais novos. Os controlos impedem-no de voar mais alto, mas Kid Icarus: Uprising consegue ultrapassar esta adversidade ao proporcionar uma aventura memorável e rica em diversão que tem a capacidade de cativar quem nunca antes teve a oportunidade de contactar com a série, nomeadamente as gerações mais novas. Ao mesmo tempo, consegue ser um jogo hardcore com muito para oferecer e uma jogabilidade profunda ainda que bastante simplista. Kid Icarus Uprising é um dos melhores companheiros de bolso que podem encontrar para a 3DS e que se adapta para qualquer ocasião, quer estejam a jogar em casa ou na rua.
Fonte: Eurogamer
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