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Análise do jogo "Game & Wario" para WiiU escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 8 de 10, enviado por inuyasha302,
Há sensivelmente um ano, enquanto o Emanuel Silva e o Fernando Pimenta remavam para a prata nos jogos olímpicos, crescia na minha portátil 3DS um interesse cada vez mais desmesurado pelo jogo WarioWare Inc, um título proveniente do GBA que integrou a oferta de jogos para os embaixadores da Nintendo 3DS. Em pleno verão, aproveitei o tempo livre para passar o jogo, e sem dúvida que foi uma das melhores experiências do ano passado, isto vindo de um jogo editado em 2001. Uns meses antes tinha experimentado a demonstração de Game & Wario, no showroom da Nintendo (pós E3), um título que veio mostrar as diferentes capacidades da consola através de um conjunto diversificado de mini jogos. À partida, existe uma ligação entre ambos. Wario é o vilão protagonista, mas há uma diferença grande. É que enquanto que os jogos da série WarioWare integram um conjunto de mini jogos alucinantes, passados quase de enfiada, que testam os nossos reflexos e às vezes possuem uma apresentação surreal e quase tosca, em Game & Wario, os jogos individuais funcionam de forma mais prolongada, em jeito de desafios que se articulam com as propriedades tácteis do comando e o giroscópio. Importa assim lembrar a linha que divide os jogos da série WarioWare de Game & Wario. Na prática, a aproximação deste último até é maior ao Nintendo Land, apesar da apresentação e introdução dos mini jogos em Game & Wario nos trazer à memória os desenhos de Beat the Beat: Rythm Paradise. Temos assim um jogo vocacionado para o modo individual, uma vez que dos dezasseis mini jogos, só dois podem ser partilhados até dois jogadores, mas ainda existe um modo composto por mais quatro jogos para dois a cinco jogadores, bem na linha dos títulos "party", o que acaba por ser mais um extra de conteúdo. Todavia, temos de ressalvar que é possível chegar ao fim dos dezasseis mini jogos em pouco tempo. Ainda que cada mini jogo tenha desafios progressivos, a estrutura mantém-se e só o grau de dificuldade é que sobe, nalguns casos acompanhado de pequenas variações da jogabilidade. [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=sbXhAV7wUt4[/youtube] Enquanto que Nintendo Land foi a porta de entrada para a demonstração das capacidades e funções bem peculiares da Wii U, Game & Wario é um prolongamento relativamente eficaz dessa tentativa de seduzir o público dos comandos por movimento e diversos mecanismos de interacção entre o GamePad e o televisor (a tal jogabilidade assimétrica que permite ao jogador receber uma informação gráfica no ecrã diferente da que é projectada no televisor). Na verdade, dos dezasseis mini jogos de Game & Wario, poucos são os que primam pela originalidade, capazes de nos agarrar não por curtos períodos de tempo, mas por horas, surpreendendo, que é justamente uma das qualidades dos jogos da série WarioWare. Infelizmente e exceptuando o mini jogo Gamer, onde temos o 9-Volt que decide jogar videojogos debaixo dos cobertores, evitando que seja descoberto pela mãe, a maioria dos outros jogos não atinge o mesmo nível de genealidade e humor. Tanto mais que a máquina do 9-Volt projecta jogos da mesma forma com que se sucedem em WarioWare Inc. É uma sensação fantástica pela velocidade, timming dos comandos e carácter surreal dos mini-jogos, sem esquecer uma devoção retro que deixa a salivar os fãs retro. Do design à construção dos jogos, tudo é perfeito. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy53aWktYnJhc2lsLmNvbS9hcnF1aXZvLzAyMjM2MjIwMDEzNzMyOTkzODcuanBn[/img] Este jogo seria mais forte se muito do humor materializado nas introduções e noutras opções, acompanhasse mais regularmente as mecânicas de jogo. Por exemplo, à medida que forem completando os objectivos dos mini jogos, obtêm um token que pode ser colocado numa máquina onde ganham sempre prémio. Neste caso a máquina assemelha-se com uma galinha, só que esta dá cápsulas em vez de ovos. Nas cápsulas há um prémio, e este pode ser um som de um mini jogo, um desenho, um mini jogo desbloqueado, entre muitos outros que integram uma lista impressionante de coleccionáveis. Se quiserem obter tudo isto terão de jogar bastante, pois os tokens desaparecem num instante. Sobre os jogos em destaque, já referi porque Game rapidamente ganhou honras de meu favorito. O outro é muito provavelmente, Taxi. As duas personagens são fenomenais; Dribble e Spitz e o objectivo não é menos apelativo. É talvez o jogo mais tenso de todos e aquele que nos obriga a passar do ecrã portátil para a grande tela com muita frequência. Recuperando alguns elementos do clássico micro machines, terão de conduzir um táxi por um cenário em três dimensões, de modo a recolherem passageiros e items antes que uma nave UFO os puxe a bordo. No final terão que destruir o aparelho, apontando o GamePad na direcção da nave e acertando com os disparos. Na lista dos mais acessíveis, simples e imediatos, seguramente que Design oferece uma mecânica básica, embora apelativa, uma vez que teremos que desenhar no ecrã algumas linhas de acordo com instruções fornecidas pelo Dr. Crygor. A existência de um tempo limite acrescenta algum pânico quando nos pedem, por exemplo, para desenhar uma linha com 30 cm de extensão. Quanto mais perto ficarmos da solução, melhor a pontuação. Bowling é talvez dos jogos mais previsíveis, mas nem por isso deixa de ser desafiante. A intensidade do arremesso da bola depende de um toque no ecrã tácti do GamePad, sendo que a inclinação deste permite a mudança de trajectória da bola. Patchwork obriga-nos a fazer um esforço de construção mental, descobrindo a colocação certa das peças, em ordem a destacar objectos a partir de pequenas peças. Um jogo de tentativa e erro que se destaca pelo bom uso do ecrã táctil. Kung Fu possui uma mecânica algo estranha, ao relacionar-se com plataformas e uso do GamePad para, através de impulsos, conduzir Cricket através de uma série de plataformas. Observando a existência de uma sombra na plataforma significa que podem fazer uma aterragem rápida após o salto, podendo nesse caso, premir um botão para uma descida mais rápida. Com os olhos postos no ecrã do televisor vemos onde se encontram os pergaminhos, que devemos recolher para satisfazer o mestre Mantis. Jimmy T, e a sua habitual locução "oh Yeah" estão de volta, desta vez num jogo de Ski, que obriga o jogador a colocar o GamePad numa posição vertical, inclinando-o para a esquerda ou direita de modo a curvar a icónica personagem em stages sucessivos ou então para o tempo mais rápido em desafios de dificuldade crescente. A música, animações e o glamour extra da personagem reforçam o valor do mini jogo. Shutter é outro dos mini jogos mais apetecíveis. Agora o objectivo é fotografar uma série de suspeitos de modo a garantir uma capa do jornal estrondosa. Num ambiente de investigação, são colocados diante de umas fachadas de edifícios, onde há jardins e zonas públicas infestadas de pessoas, mas das quais só uma mão cheia nos interessa fotografar. Uma fotografia de um criminoso à janela ou ao ar livre, com boa definição, pode merecer aceitação imediata da redacção. O tempo urge e se identificarem alguns extras ainda são premiados por isso. Neste jogo o GamePad dá lugar a uma máquina fotográfica, onde podem fazer zoom para uma boa qualidade da fotografia. O tempo aperta e o desafio é constante. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy53aWktYnJhc2lsLmNvbS9hcnF1aXZvLzAyNTU0OTMwMDEzNzMyOTkzODcuanBn[/img] Em Pirate, tal como o nome sugere, temos o capitão Wario em destaque, num jogo que possui alguns elementos dos jogos de ritmo. A mecânica deste jogo obriga a posicionar o GamePad como alguém que segura um escudo, protegendo-se dos projécteis enviados por um conjunto de embarcações que se posicionam à esquerda, ao centro, à direita e em cima. Muito próximo do que vimos em Beat the Beat, é de notório interesse. A música dá uma ajuda. Arrow é o primeiro mini-jogo disponível e nele irão usar o GamePad como um arco. Estão a ver o Kung Fu Castle do Nintendo Land? Este jogo é parecido, só que em vez de atirarem shurikens aos ninjas, atiram setas aos inimigos, mas agora com atenção e operacionalidade no ecrã táctil que vos obriga a calcular a queda da seta, numa trajectória circular. Pelo meio encontram explosivos e se forem invadidos pelas hordas de inimigos, terão de os esmagar no ecrã táctil, pressionando com a ponta do dedo. E ainda existe uma fase de confronto com um boss, desde que sejam certeiros nos pontos frágeis, temporariamente expostos. É um dos jogos que dá gozo devido à boa engenharia de mecânicas, especialmente no uso do ecrã táctil. 2 O GamePad mostra os jogos que 9-Volt está a passar, enquanto que o ecrã da TV revela o que se passa à sua volta. Jogabilidade assimétrica. Ashley, é talvez um dos jogos mais originais, lembrando os shooters em 2D, mas com algumas nuances. Neste jogo há que dar uso ao giroscópio do GamePad para que a bruxa Ashley sobrevoe num mundo cheio de bolos e doces. É possível colocar a personagem a fazer loopings de modo a recolher o maior número de guloseimas possível, para que ela se mantenha no ar. Por fim, Bird é um jogo que traz a nostalgia da portátil Game & Watch, e no qual o jogador usa a língua comprida de Pyro para chegar à fruta. Ao cair, a fruta pode desfazer o solo e limitar o raio de acção da personagem. Um clássico incontornável. Sobre os jogos para vários jogadores, desde dois até um máximo de cinco, com partilha de GamePad, Disco é o único que só permite partilha até dois jogadores. O objectivo é passar ao adversário sequências de notas. Fruit é talvez um dos mais interessantes, já que um jogador que segura o GamePad, volta-se de costas para o televisor, enquanto escolhe uma personagem que irá avançar para o meio de uma multidão, tendo que roubar frutas. Os outros jogadores terão que descobrir o larápio. Pelo meio terão dicas à sua disposição. Skecth é um jogo com forte influência de Pictionary. Um jogador terá em mãos o GamePad, onde fazer desenhos em conformidade com os pedidos. Os restantes jogadores terão que adivinhar a resposta. Em Islands, os jogadores competem pela pontuação máxima numa espécie de tiro ao alvo. Por aqui não vão faltar competição. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy53aWktYnJhc2lsLmNvbS9hcnF1aXZvLzAyNTU5OTEwMDEzNzMyOTkzODcuanBn[/img] Estas caixas de jogo trazem à memória as disquetes para a Famicom Disk. Enquanto jogo demonstrativo das funções do GamePad, Game & Wario não vai tão longe como o Nintendo Land. Os conteúdos são suficientes para algumas horas de diversão, mas quer em termos individuais, quer enquanto experiência para várias jogadores, era possível ter ido mais além e fornecer mais algum conteúdo. Apesar de tudo, Game & Wario esta longe de decepcionar enquanto promotor de muitas sensações retro e de um humor que lateraliza os lugares mais comuns da comédia nos jogos. As apresentações são notáveis e estrondosas. Todos os jogos revelam personagens e oferecem uma narrativa, ainda que escassa e seja só meramente contextual algumas vezes. De todo o modo isto traduz sempre um ganho comparativamente à apresentação singela de demonstrações de funções como tivemos no Wii Sports. Todavia, a Intelligent Systems poderia ter ido mais longe nalguns jogos e explorar mais vezes o sentido do jogo Gamer, o mais delirante deste pacote. Algo que enriquece o conteúdo de jogo, pelo menos em termos comunitários é o Miiverse Sketch, um aplicativo que aprofunda a ligação com o Miiverse. Neste modo, os jogadores podem incentivar os outros a apresentarem e desenharem uma ideia ou um objecto em particular. Sem limites e com muitas sugestões, deriva desta opção um interesse claro em aprofundar o serviço de ajuda e troca de informações entre a comunidade de utilizadores da Wii U. E mesmo que não tenham o jogo, podem sempre ver o que andam a desenhar os titulares do jogo. Como rival de Nintendo Land, Game & Wario tem como principais trunfos; a originalidade na apresentação, valioso humor e tributo aos jogos retro. É pena que o resultado, nas mecânicas de jogo, não tenha sido mais reforçado. Apesar disso, vão descobrir aqui um bom pacote de jogos e diversões, para jogar a solo ou com os amigos.
Fonte: Eurogamer
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Enviado por inuyasha302
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