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Análise do jogo "Fire Emblem: Shadow Dragon" para DS escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 8 de 10, enviado por Anônimo,
Inesperado. Depois de tantos anos a ser ignorados pela Nintendo Europa – a começar pelo anterior Fire Emblem que lançou , cujos sucessivos adiamentos convenceram muita gente de que nunca veria as terras do velho continente – os fãs da companhia nipónica são agora recompensados com um lançamento Europeu de Fire Emblem: Shadow Dragon para a Nintendo DS, enquanto que os Norte-Americanos esperam pela sua oportunidade dentro de alguns meses (alguns relatos apontam para Fevereiro). Claro que tal situação teria de trazer marosca, que se parece manifestar nas reduzidas quantidades do jogo que foram colocadas à venda. E é pena, pois este é um jogo que merece a atenção de todos os fãs do género. Convém realçar que este é o terceiro remake do jogo que segue a história de Marth, príncipe e ultimo descendente de um grande herói e, como tal, o único capaz de salvar o seu reino e, de caminho, os restantes, da opressiva sombra do mal. A história não é tão complexa quanto os últimos Fire Emblem nos têm habituado, é certo, mas ainda assim permitem compreender as motivações dos diferentes personagens e de todas as batalhas em que somos colocados. Isto é principalmente visível na maioria dos personagens que recrutamos, que são largamente deixados de fora do desenrolar da história, o que, em conjunto com a remoção das conversas entre personagens para desenvolver simbioses entre eles, retira muita da carga psicológica que normalmente enche os jogos desta franquia. Felizmente, a dose menos carregada que o costume de história de fundo e ligações inter-pessoais é compensada pelas muitas batalhas interessantes, do ponto de vista estratégico, onde somos incitados a explorar as capacidades das diferentes unidades. O ónus da morte continua bem presente, com a queda de um soldado em combate a reter pouco de metafórico. Um personagem derrotado é perdido para a duração de todo o jogo. Existem sempre personalidades de sobra caso algumas se percam pelo caminho (o número de unidades a utilizar por mapa é sempre limitado), mas a vontade é sempre de tentar manter evitar as perdas no mínimo possível, mesmo que isto exiga repetir um mapa. O jogo tem melhor aspecto em movimento... Neste aspecto, o jogo é permissivo, dando possibilidades de gravar (uma ou duas vezes por mapa, regra geral) a meio do desenrolar da batalha e a dificuldade, em geral, é adequada para quem já esteja habituado a jogos deste género. Isto falando da dificuldade normal, os mais exigentes poderão atravessar o modo "hard", onde o desaparecimento dos pontos para salvar o jogo é o menor dos desafios colocados. Unidades inimigas em maior número e nível tornam a gestão da experiência que cada unidade ganha crucial. Embora não tão opressiva, a gestão da experiência no modo normal é também muito importante, sendo de evitar utilizar as unidades mais evoluídas que são disponibilizadas à partida, pois estas recebem uma quantidade reduzida de experiência. Maximizar as oportunidades de experiência para as unidades mais frágeis é essencial, e é agradável ver supostas unidades "fracas" ultrapassarem as expectativas após subirem alguns níveis. A gestão de inventário e equipamento não exige tanto trabalho como nos jogos mais recentes (para quem não esteja familiarizado, Radiant Dawn na sua fase final exigia a gestão de três exércitos em alternância), com o número de unidades a convocar por batalha a manter-se em números bastante aceitáveis, algo que também se reflecte na duração de muitas das batalhas, perfeitamente plausíveis para um título portátil. A nível sonoro, os efeitos e barulhos parecem ter sido largamente repescados dos jogos do Game Boy Advance, mas nem por isso perdem a sua graça e qualidade geral. A música é também de elogiar, com algumas músicas a serem, provavelmente, familiares para fãs de Super Smash Brothers. Já no departamento artístico, Masamune Shirow tomou a responsabilidade de redesenhar os personagens e os seus retratos. Ao mesmo tempo, as sprites desenhadas e animadas à mão foram substituídas por gráficos gerados por computador, o que dá um aspecto distinto a este jogo. Dependerá das preferências de cada um avaliar se esta foi uma mudança positiva ou não, mas não se pode negar a qualidade das animações. Em relação às características da Nintendo DS, a utilização do stylus é, além de funcional, perfeitamente opcional, com os botões nas funções da praxe. Ambos os métodos do controlo estão disponíveis a todo o momento, sendo por isso uma questão de preferência. O grosso da estratégia ocorre no ecrã inferior, enquanto que as batalhas se desenrolam no ecrã superior. Fora dos momentos de embate, o ecrã superior pode alternar entre mostrar os atributos da última unidade com que interagimos no ecrã inferior e um mapa completo que mostra as posições das nossas unidades e inimigos, algo bastante útil. O ecrã superior desempenha funções úteis. Com mais de vinte capítulos, a longevidade do jogo está dentro daquilo que a série nos tem habituado nas portáteis, existindo ainda a dificuldade superior para quem goste de um desafio extra. Uma das inovações do jogo é a introdução de um sistema que permite mudar a classe das diferentes unidades, numa tentativa de criar um exército adaptado às necessidades de cada campo de batalha. Existem limitações quer no número de unidades de cada classe que podem ser criadas, e a mudança de classes vem com a devida (e regida por um complexo algoritmo) alteração de atributos. Uma interessante ferramenta para quem esteja interessado a experimentar. A nível de modos multi-jogador, o jogo é bastante completo, quer offline, quer online. Se tiverem trocado friend codes com a segunda pessoa, é possível utilizar o microfone para conversar, talvez até trocar insultos. Nestes modos é possível activar nevoeiro para que as acções do opositor não sejam aparentes. É também permitido emprestar personagens que são efectivamente duplicadas. Até existe uma loja que vende vários itens à troca de dinheiro do jogo. Fire Emblem: Shadow Dragon, apesar da sua idade avançada, disfarçada por uma nova estética, é aquilo que Fire Emblem sempre se propôs ser, um jogo viciante, onde o sucesso é recompensador para o jogador. Pode não oferecer uma história muito complexa ou até deixar muitos personagens no anonimato, algo que destoa dos mais recentes trabalhos na franquia, mas tudo o resto está lá. Essencial para qualquer fã, é uma excelente forma de introduzir um novato ao género.
Fonte: Eurogamer
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