.
8

Análise do jogo "DmC: Devil May Cry" para X360 escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 8 de 10, enviado por WILLBLACKOPS,
Versão testada: Xbox 360 Não é todos os dias que um estúdio tem a oportunidade de redesenhar por completo um título com a tradição de Devil May Cry. A cargo dos Ingleses da Ninja Theory, este é o primeiro jogo da série desenvolvido fora da alçada da Capcom, e apesar de se manter no estilo "hack and slash", não sofre de qualquer constrangimento herdado dos títulos anteriores e apresenta uma forte mudança de tom, pretendendo apelar a uma fatia demográfica mais jovem e abrangente. É sempre um caso sensível quando surge um "reboot" ou "spin off" de uma franquia conhecida, mas mais do que tentar um ângulo diferente em relação à história ou uma nova perspetiva no que diz respeito ao gameplay, é ainda mais sensível quando se redesenha por completo um protagonista adorado por tantos fãs como é o caso de Dante, mas já lá vamos. O jogo apresenta-se com o antagonista principal Mundus (de novo), e desde logo se percebe o tom de sátira que tenta estabelecer. Mundus não é só o demónio mais assustador e influente da cidade, como detém a presidência do banco mais poderoso do país, cuja raiz do poder assenta na quantia de dívida que a economia e o próprio estado têm para com a sua instituição, ora onde é que já vimos isto? Isso faz com que detenha o controlo total sobre a indústria, e até da imprensa onde tem demónios lacaios de confiança em posições centrais. A única oposição ao poder de Mundus vem de uma organização secreta que a imprensa afirma ser um grupo terrorista conhecido como "The Order". Provavelmente vão reconhecer o líder desta organização no primeiro contacto, mas a figura que assume maior relevância neste primeiro momento é Kat, uma jovem médium que consegue ver através do Limbo. O Limbo é basicamente uma representação demoníaca e paralela do mundo, algures entre o real e o inferno. É onde os demónios mostram a sua verdadeira forma e por isso é também onde se desenrolará a maior parte da ação do jogo. Kat é ainda a responsável por encontrar Dante, que vive sozinho numa pequena casa móvel desprezível, e convencê-lo a unir esforços com a "The Order" na luta contra a influência de Mundus. Achei a apresentação de Dante muito forçada, não temos grande background sobre ele, nem porque se deve importar, ele dá a informação como garantida demasiado rapidamente e nem vou especular sobre o que leva um jovem todo-poderoso a viver em condições tão miseráveis. Com uma aparência rebelde e facilmente relacionável para um adolescente, Dante mostra-se desde logo um jovem destemido que se esforça em demasia para ser "cool". Esta visão simplista do protagonista é acompanhada pela simplicidade do combate num primeiro momento, quando um demónio puxa Dante pela primeira vez para o Limbo e vemos a cidade envolvente a mudar de forma surreal à nossa volta. Tudo isto para dizer que esperava mais das primeiras missões do jogo, essenciais para agarrar o jogador para o resto da aventura. Felizmente a história rapidamente se desenvolve para contornos mais interessantes, e rapidamente se percebe também o porquê de a Ninja Theory introduzir o combate de forma amigável. "...um número francamente impressionante de armas e golpes que transformam as lutas num surpreendente modelo de combate com uma profundidade notável." Sendo um "Hack and Slash" o combate é o núcleo do jogo, aquilo que o distingue. Inicialmente Dante apenas tem acesso à sua arma base Rebellion, mas à medida que o jogo progride acedemos a um número francamente impressionante de armas e golpes que transformam as lutas num surpreendente modelo de combate com uma profundidade notável. Para além dos ataques com a arma principal e com as pistolas Ebony e Ivory, temos dois modificadores nos gatilhos do comando que permitem a Dante aceder ao seu modo anjo e demónio respetivamente. O mais interessante destes modificadores é que nos permitem realizar enormes séries de golpes com várias armas diferentes sem nunca interromper a ação, e acreditem, os combos mais impressionantes exigem imensa capacidade de reação e coordenação. Temos o Arbiter, um enorme machado, e os Eryx, dois punhos gigantes, no modo demónio. A Osiris, uma espécie de foice, e as Aquila, umas "glaives" perfeitas para enfrentar grupos, no modo de anjo. E finalmente a Revenant e a Kablooey, a primeira é uma mini caçadeira, e a segunda um revólver que dispara umas agulhas explosivas. Em conjunto com a Rebellion e as Ebony e Ivory, estas armas oferecem opções capazes de envergonhar o próprio "Neo" (if you know what i mean). Os modos anjo e demónio (ou diabo) alteram também a mobilidade de Dante durante o combate de forma significativa. O primeiro permite lançar umas correntes que projetam Dante na direção de um inimigo, enquanto o último permite puxar os inimigos e objetos na direção de Dante, estilo Scorpion no Mortal Kombat. A estrutura dos níveis está desenhada para aproveitar por completo estas opções de mobilidade, e a ação nas missões alterna quase sempre entre hordas de inimigos que o jogo nos atira para cima e momentos de verdadeiras plataformas em que estas habilidades são fundamentais. A progressão pelos níveis é sempre rápida e fluida, pena se manter nos 30 frames mas enfim, a minha experiência ao longo das vinte missões do jogo foi sempre a um ritmo agradável e francamente divertido. Existem missões secretas escondidas pelos níveis, bem recompensadas mas que provavelmente só vão aceder numa segunda rodada. A progressão das habilidades de Dante está dividida entre os pontos de "upgrade" e as souls, com os primeiros podem ir desbloqueando vários movimentos dedicados a cada arma, e as segundas servem para aumentar a vida total e comprar consumíveis. Só vos garanto que é complicado aperfeiçoar os movimentos novos ao ritmo que os desbloqueamos, quase impossível diria. As batalhas com os Bosses não são especialmente difíceis, mas são memoráveis. Não quero estragar a surpresa mas todos estes monstros são repugnantes e particulares da sua própria maneira, uma destas lutas é uma espécie de tributo aos "beat em up" e uma outra é uma sátira ao poder que a televisão tem sobre as massas por exemplo. À medida que os eventos se desenrolam vamos sabendo mais sobre o passado de Dante e o miúdo rebelde e vazio que nos apresentam de início vai nos conquistando aos bocados. Filho de um demónio e de um anjo, Dante faz parte de um grupo especial conhecido por Nephilims, criaturas que herdam o melhor dos dois mundos e por isso são uma ameaça especial para Mundus. O jogo é algo "scripted", ou seja, pré-determinado, com o objetivo de contar uma história exatamente da forma que a Ninja Theory estabeleceu, não existe por isso um modo cooperativo ou qualquer tipo de escolhas durante a aventura. Gostei muito mais dos ambientes em termos estéticos do que técnicos, as texturas não são do melhor que podemos ver nesta geração, mas a proporção e o aspeto grotesco do Limbo e principalmente de alguns demónios compensam a falta de fidelidade de algumas texturas. As animações são excelentes, principalmente do combate, e uma última palavra sobre camera que é livre (analógico direito) e por isso poderá parecer estranha para alguns. Não existe o "lock on" tradicional, mas antes um "soft lock", ou seja, Dante foca-se no inimigo mais próximo tendo em conta a direção em que nos movimentamos, pessoalmente gosto mais assim, mas é natural que existam opiniões contrárias. Outro aspeto em que o jogo é muito competente é no campo dos sons, quer seja nos diálogos durante as cutscenes, que já agora, são demasiadas, mas principalmente no que à musica diz respeito, fundamental para acompanhar o ritmo da ação. Sempre num tom a alternar entre o heavy metal e o dubstep, coincidente com o tom geral do jogo. No final de cada missão o jogo atribuí uma nota à nossa prestação, que tem em conta coisas como os pontos de estilo obtidos através do combate e dos combos, dos consumíveis que utilizámos ou das nossas mortes durante a missão. Para servir de suporte a este sistema existe ainda uma tabela de líderes que regista a melhor pontuação conseguida. E se julgam que podem bater DmC facilmente, experimentem completar todos os objetivos em todos os modos de dificuldade. "...surpreendente nas duas dimensões mais importantes num jogo deste género, o combate e a estética." O jogo não é muito longo, acabei toda a aventura em duas sessões de gaming intenso, mas para lá das missões secretas e dos tradicionais três níveis de dificuldade (Human, Devil hunter e nephilim), existem ainda mais quatro dificuldades que não só aumentam a vida dos inimigos e o dano que infligem, como tornam as vagas de monstros aleatórias e aumentam o seu arsenal de habilidades. Quando terminam um modo de dificuldade desbloqueiam outro imediatamente a seguir, na rodem Son of sprada, Dante must die, Heaven or hell e finalmente Hell and hell. Os últimos modos são para os mais audazes, ou loucos se quiserem, já que Dante morre com um golpe apenas. Engraçado porque inicialmente este Devil May Cry foi exatamente o que eu esperava dele, pouco mais do que um "Hack and Slash" genérico e muito focado num público-alvo, mas com o desenrolar do jogo e à medida que a minha própria "skill" crescia, fiquei preso até ao final como raramente acontece. Não é nenhuma obra-prima, mas consegue ser surpreendente nas duas dimensões mais importantes num jogo deste género, o combate e a estética. Com um combate acessível mas muito profundo e complicado de perfectibilizar, Devil May Cry acaba por ser um bom regresso, certamente divertido e com bastante "replay value". Os fãs mais acérrimos do Dante original poder-se-ão sentir traídos, mas se derem uma oportunidade a si mesmos, livres de preconceito, talvez acabem por admitir no final que o miúdo até tem pinta.
Fonte: Eurogamer
WILLBLACKOPS
Enviado por WILLBLACKOPS
Membro desde
30 anos, Pernambuco, Brasil
label