.
9

Análise do jogo "Assassin's Creed III" para PS3 escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 9 de 10, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL2ltZzY4OS5pbWFnZXNoYWNrLnVzL2ltZzY4OS8zNTYxL2Fzc2Fzc2luc2NyZWVkMzIwMTJnYW1lcy5qcGc=[/img] A série Assassin's Creed representa muito bem a atual geração de videojogos, com um alargadíssimo leque de títulos que atravessaram vários momentos e diferentes plataformas desde o primeiro aparecimento de Altaïr na Playstation 3 e Xbox 360 em 2007. O maior elogio que posso dar à série é o facto de ter conseguido ir melhorando a cada entrada, mesmo durante os "spin-offs" Brotherhood e Revelations. Existe no entanto uma maior responsabilidade nos chamados títulos numerados, e se a maior evolução na série se viu na transição do primeiro para o segundo jogo, este terceiro e último título é francamente surpreendente e uma excelente forma de encerrar a trilogia. Passado em plena Revolução Americana, um período importantíssimo na história do mundo em geral, e que mudou a forma como as pessoas percecionam o conceito de governo. O horizonte temporal da aventura é gigantesco, atravessando toda a revolução, mas começando mesmo antes desta, no período entre 1754 e 1763 quando os Franceses travaram um conflito com os índios nativos ao mesmo tempo que mantinham uma disputa com os colonizadores Ingleses. O enredo está muito bem escrito, e melhor do que isso, liga muito bem os diferentes períodos e acontecimentos durante as etapas do jogo. A aventura começa com uma espécie de prólogo, que se desenrola de forma algo confusa, pois inicialmente não conseguia discernir exatamente para onde os produtores me levavam, e ao final de duas horas (sim este primeiro ato é extenso) tinha mais perguntas do que antes de começar a aventura. Não vou adiantar nada mais sobre isto, com a exceção de dizer que termina com um momento de estupefação que nos alimenta a vontade de saber mais, exatamente o que a apresentação de um jogo deve fazer. [img]hide:aHR0cDovL2kuaW1ndXIuY29tL2YzazFVLmpwZw==[/img] A forma como a Ubisoft apresenta o protagonista deste terceiro título, as suas origens, motivações, porque nos devemos importar e relacionar com ele é mais cuidadosa que nunca. Connor, ou Ratohnhaké:ton para a família, não é apenas uma personagem muito detalhada, como está muito bem caracterizado, representando aquilo que provavelmente é o mais próximo possível de um verdadeiro Norte-americano. Meio Britânico meio nativo americano, Connor representa uma mistura entre as origens nativas índias daquele continente e as forças estrangeiras que invadiram a América do Norte. Confesso que me surpreendeu a sua exagerada impulsividade inicial, mas a forma como a sua própria personalidade evolui durante a aventura tornam-no credível. Admitido que gostei mais da forma como caracterizaram Ezio, nomeadamente no que diz respeito às motivações e carisma da personagem, mas ainda assim, é notável o detalhe do desenvolvimento de Connor num jogo apenas. [t2][i]"A forma como a Ubisoft apresenta o protagonista deste terceiro título, as suas origens, motivações, porque nos devemos importar e relacionar com ele é mais cuidadosa que nunca."[/i][/t2] Um dos protagonistas da série Assassin's Creed que mais responsabilidade carrega pelo sucesso da mesma é o próprio meio envolvente. A forma como os ambientes são retratados é sempre excelente, e neste caso não são apenas as cidades e vilas, mas uma extensa zona selvagem com florestas e zonas rochosas. Como se não bastasse, temos ainda uma respeitável extensão de mar ao longo da costa, algo que entraremos em detalhe mais à frente quando falar das batalhas marítimas. Esteticamente o ambiente selvagem está excelente e ainda por cima goza do facto de ser jogável em diferentes estações, horas e condições climatéricas que inclusive afetam diretamente o gameplay, um exemplo disso é Connor a caminhar de forma mais lenta e esforçada quando neva, cambaleando com os pés a enterrarem à medida que avança na direção desejada. Esta qualidade dos ambientes enquanto figura estática é acompanhada por todo um conjunto de eventos e pequenos detalhes da vida das populações que torna o ambiente credível. Isto é típico na série, mas um pouco como tudo o resto neste terceiro título, está elevado a uma dimensão superior de detalhe. Existem vários momentos no jogo em que interagimos dentro de cenários em completo movimento, dentro do bloco de celas de uma prisão, no seio de uma batalha, e até mesmo no interior de um estádio no Brasil só para dar alguns exemplos. [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=V5212LRp5YQ[/youtube] Toda esta variedade aproveita-se do facto de jogarmos com vários protagonistas, e ainda que Connor seja o elemento mais central no que ao gameplay diz respeito, Desmond tem mais destaque que nunca num jogo da série. Vamos pela primeira vez poder ver Desmond verdadeiramente em ação, e inclusive teremos a possibilidade de obter vingança contra uns certos raptores do passado. As suas missões são forçosamente diferentes por se passarem no tempo atual, mas em termos de mecânicas, navegação e combate são em muito similares ao que fazemos com as outras personagens que controlamos durante a aventura, e sim, há mais. No que ao gameplay diz respeito existem várias novidades, mas sempre assentes na base daquilo que é Assassin's Creed. O primeiro elemento a salientar é a grande quantidade de novas animações para praticamente tudo, claro que com o combate e a navegação em primeiro plano. Além das animações específicas para a navegação na floresta e zonas rochosas, existem montes de novas execuções incluindo as chamadas execuções de contexto, que como o nome indica, permitem-nos utilizar o meio envolvente para o golpe final. É ainda possível executar múltiplas execuções, acompanhadas de grandes planos e momentos "bullet time" que são uma excelente forma de recompensar um "timing" de bloqueio perfeito. Ainda no combate, gozamos de uma panóplia de armas novas a acompanhar as respetivas animações para o combate. Além das conhecidas lâminas escondidas temos um pequeno machado (tomahawk), várias armas de fogo, a "rope dart", uma corda com uma lâmina na ponta que permite por exemplo enforcar inimigos do topo de uma árvore, bombas, e finalmente um arco, arma que é essencial para caçar. Gostei ainda da possibilidade de utilizar os inimigos como escudo humano, porque sim, já existia pólvora, e ainda de desarmar e utilizar a arma do oponente contra ele. A mecânica de "stealth" sempre esteve intimamente associada com a série, não estivesse o próprio conceito de assassino ligado a algo furtivo. Assassin's Creed III usa e abusa de missões onde utilizamos mecânicas furtivas, aproveitando também os novos ambientes e o facto de jogarmos no tempo presente. Eis o meu problema com as mecânicas de "stealth", eu acredito que se deve recompensar o jogador pela correta utilização da mecânica, mas ela não deve ser obrigatória e é penalizadora por natureza. Durante o jogo existem várias missões em que precisamos alcançar uma determinada zona/objeto sem sermos detetados, e se formos descobertos perdemos imediatamente. Não podemos assassinar os inimigos, não se trata de evitar ser denunciado por um guarda, se alguém nos vê perdemos e começamos do início. Ora é muito difícil ultrapassar estas missões sem uma boa dose de tentativa-erro, e sim, mesmo com a ajuda da "eagle vision". A questão é que isto não se trata de medir a habilidade do jogador, mas apenas obriga-lo a aprender um padrão frustrante pela recompensa de chegar à próxima etapa do jogo. [img]hide:aHR0cDovL2kuaW1ndXIuY29tL0Q1TjBHLmpwZw==[/img] Esta não é felizmente a única forma que o jogo encontra para promover gameplay furtivo, existem momentos em que temos por exemplo de manter uma distância constante de um grupo para escutar a conversa deles, e podemos utilizar o meio envolvente para passar despercebido, seja confundindo-se com a multidão, utilizando as ervas para nos escondermos, os montes de feno em movimento numa carroça ou até as prateleiras onde as pessoas colocam os vasos nas janelas. A sincronização completa muitas vezes também exige o completar das missões com o menor alarido possível, mas isto não representa nada de propriamente novo. O inimigo principal da série sempre foram os templários, e assim continua no caso deste terceiro título, no entanto, o enredo desta vez consegue ser muito mais pessoal e ao mesmo tempo envolver várias partes no conflito. A própria natureza também assume o papel de inimigo em Assassin's Creed 3, os animais selvagens dão uma vida própria aos ambientes e não se mostrarão contentes com a presença de um elemento estranho. A caça está intimamente ligada à economia do jogo, existem inúmeras zonas dedicadas à caça ao longo do mapa, e vários animais cujas peles e carne são essenciais para o crafting do jogo. O interessante aqui é que quanto mais limpa for a morte do animal, melhor é a qualidade do material que retiramos dele, normalmente isto envolve ação furtiva (ora ai está outra boa utilização da mecânica) e um golpe certeiro, sendo uma seta a melhor opção. Isto é apenas um exemplo da montanha de atividades que o jogo promove para lá da linha de história principal, podemos participar numa quantidade respeitável de mini-jogos desenhados para passar o tempo e ganhar alguma moeda extra, recrutar indigentes para viver junto à Homestad, a zona onde montamos o nosso quartel-general numa mansão onde vive o mentor de Connor durante a aventura. Podemos ainda conquistar fortes aos templários, perseguir colecionáveis espalhados um pouco por todo o lado, evitar execuções, ajudar civis, desenvolver a irmandade de assassinos, e até participar nas chamadas missões navais, onde controlamos o nosso próprio navio, o Aquila. Estas batalhas são uma lufada de ar fresco para a série, oferecendo um cenário e gameplay diferentes do que estamos habituados. Várias missões navais opcionais vão sendo desbloqueadas ao longo da costa para que enfrentemos a marinha Britânica ao nosso ritmo, mas existem também algumas que fazem parte da linha principal. Inicialmente controlar o navio por entre as rochas revelou-se uma tarefa titânica, principalmente quando tentamos afundar os inimigos, ao mesmo tempo que nos desviamos dos obstáculos e procuramos posicionar os canhões na direção desejada. [img]hide:aHR0cDovL2kuaW1ndXIuY29tL1pWYVFnLmpwZw==[/img] Em termos de jogabilidade as missões navais são algo repetitivas, mas controlar o leme do navio é muito divertido e impressiona pela imensa escala da ação, é nada mais do que épico ver dois navios embaterem no meio do oceano. Uma das formas mais interessantes de gastar o dinheiro que vamos recolhendo é investir na melhoria do dito navio, desde um leme melhorado, canhões adicionais, ou até um aríete naval, uma peça de metal desenhada para tornar as investidas do navio absolutamente mortíferas. Todos estes elementos são apenas a ponta do véu de toda a atividade que o mundo de Assassin's Creed III oferece, desde as cidades de Boston e Nova Iorque até ao extenso cenário da Frontier. Se houve promessa que a Ubisoft cumpriu com este terceiro título, foi a de que tudo seria maior e mais detalhado. A questão é que infelizmente o jogo sobre de vários bugs irritantes, que apesar de não cortarem o acesso à experiência, quebram a imersão e engajamento do jogador e revelam o limitado polimento a que o jogo teve direito. Aliás em termos técnicos o jogo tem tanto de elogiável como de criticável, nota-se um aumento de fidelidade nas texturas, aproveitando também o facto de assentar num novo motor de jogo. Mas depois surgem cenas em que passamos no meio de um cavalo durante uma cutscene, ou vemos um npc a levitar no ar, ou pior ainda, ficamos presos no ambiente. É provável que vários dos problemas estejam já resolvidos para a versão PC, assim como certamente que irão existir vários patches nos próximos tempos que atenuarão estas falhas e bugs. "Se houve promessa que a Ubisoft cumpriu com este terceiro título, foi a de que tudo seria maior e mais detalhado." As expressões faciais sofrem do ocasional momento arrepiante de revirar de olhos, ainda que a linguagem corporal durante os diálogos esteja bem adaptada à mensagem, aspeto importante para a credibilidade de uma cutscene. Existe também muita mais variedade de npc's, inclusive crianças que correm atrás de nós sempre na brincadeira, e não, não é possível assassinar crianças. Sendo o terceiro e último jogo da trilogia dedicada a Desmond Miles, é requerido bastante conhecimento prévio. O trama global da série chega mesmo a ser transversal aos jogos, existe muita informação que foi sendo disponibilizada noutros meios, nomeadamente em livro. De qualquer modo é pelo menos aconselhável jogar os jogos anteriores da série para aproveitar Assassin's Creed III da melhor maneira. [img]hide:aHR0cDovL2kuaW1ndXIuY29tL3Q5Q1lDLmpwZw==[/img] Resumindo, Assassin's Creed III é um jogo gigantesco, julgo que é também o melhor jogo da série até à data, ainda que em termos de personalidade comece a cansar. As missões com Desmond provam que é possível para a série continuar a avançar no tempo, mantendo a mesma base mas explorando protagonistas e ambientes mais modernos. É também uma perfeita representação do que é um título "triple A", que apesar de não ser brilhante em termos de design, é sempre colossal e competente nas suas várias dimensões.
Fonte: Eurogamer
label