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Análise do jogo "999: 9 Hours, 9 People, 9 Doors" para DS escrito por Eurogamer

Escrito por Eurogamer, nota 9 de 10, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL2xoNC5nZ3BodC5jb20vX1pxNVlYRXdqanBFL1RTeVJxMG5zbU1JL0FBQUFBQUFBQVJRL25CTzZnb1BoLXBZLzk5OV90aHVtYiU1QjQlNUQuanBnP2ltZ21heD04MDA=[/img] Depois de várias horas com os olhos grudados no DS, minha esposa me pergunta: "Ainda com esse jogo chato que só tem texto?". Respondo-lhe: "Estou quase no final!". Mais algumas horas depois, ainda estou jogando o mesmo jogo. Se você leu o Top 10 Surpresas de 2010 do Felipe Antunes e os Blast Awards 2010 listados pelo Gustavo Assumpção você pode ter concordado com algumas eleições ou xingado e reclamado por causa de outras… mas é bem possível que um título, presente em ambas listas, tenha deixado você com cara de paisagem. 999: 9 Hours, 9 Persons, 9 Doors é um jogo que muitos provavelmente nem ouviram falar antes do seu lançamento, por não ter sido muito divulgado. Descubra, na análise a seguir, porque esta mistura de ficção interativa com puzzle, com uma trama que envolve do Titanic e faraós amaldiçoados a telepatia e bases numéricas, se tornou uma das surpresas de 2010 e vencedor do prêmio "Melhor História" do Blast Awards. 9 Horas, 9 Pessoas, 9 Portas Imagine-se acordando em um pequeno quarto de um navio, sem saber como foi parar ali. Você descobre, preso ao seu braço e sem aparente forma de remoção, um grande bracelete com um painel mostrando um único dígito. No local, você vê apenas uma porta de saída, trancada e – curiosamente - com o mesmo número do seu bracelete pintado sobre sua superfície, em tinta vermelha. Depois de solucionar alguns enigmas, você consegue abrir a porta e logo se encontra com mais oito pessoas. Conversando, vocês descobrem que todos estão em uma situação parecida, cada um com um dígito diferente em seu bracelete, variando de 1 a 9. As memórias começam a se recuperar e todos se lembram de terem sido abduzidos por um homem mascarado que, usando bombas de gás, os deixou inconscientes. Uma voz sintetizada se ouve pelos alto-falantes espalhados no navio. A voz é familiar a todos: é a mesma do seqüestrador mascarado. Seu dono se identifica simplesmente como "Zero" e explica a situação: você e as outras oito pessoas estão presas no navio e são participantes de um jogo chamado "Nonary Game" (ou "Jogo Nonário"). O objetivo é fugir em menos de nove horas, já que, após esse tempo, o navio será inundado e afundará. Para conseguir escapar, basta encontrar uma porta com um "9" pintado, mas será necessário desvendar muitos enigmas e encontrar chaves para abrir diferentes caminhos e chegar à saída. Além disso, estão espalhadas pelo navio outras portas que, além da 9, são numeradas com os demais dígitos de 1 a 8. Estas portas numeradas possuem algumas regras para serem abertas e atravessadas e, se alguém passar por uma delas violando as regras, uma bomba implantada dentro do estômago da pessoa explodirá, causando – obviamente – a morte do indivíduo. Começa, então, uma corrida contra o tempo, cheia de tensão, mistério e desconfiança. Não, este não é o enredo de "Jogos Mortais VIII" (ou seja lá qual número astronômico a série já tiver atingido quando você estiver lendo isto), mas sim a trama por trás de 999: 9 Hours, 9 Persons, 9 Doors, um título de DS que mistura jogo de terror, point-and-click, puzzle e ficção interativa e sem dúvida é uma extraordinária adição à biblioteca do portátil nesta sua reta final de vida. 999 é também um dos raros casos de um jogo para o DS com classificação etária M ("Mature"). Então já sabe, né? Quem tem menos de 17 anos não pode jogar. Promete que não vai jogar? Aham, sei, acredito no coelhinho da Páscoa também. O personagem que você controla é Junpei, um estudante que mora sozinho em seu apartamento, lugar onde foi seqüestrado por Zero. Os outros oito participantes do Nonary Game são pessoas que variam de um homem cego a uma dançarina com proporções típicas de desenho japonês e roupas convenientemente reveladoras. Embora todos (ou quase todos) sejam inicialmente estranhos entre si, a história por trás de cada personagem, bem como suas personalidades vão sendo reveladas com o decorrer do jogo. A identidade de Zero, a mente por trás do Nonary Game, é também um dos grandes mistérios a desvendar. No começo ninguém faz idéia de qual é a identidade por trás da máscara. Até onde se sabe, Zero pode ser um andróide com cabelos loiros compridos e um sabre de luz. Mas a medida que fatos são revelados e perguntas são respondidas, a verdade vai surgindo aos poucos. [img]hide:aHR0cDovL2xoNC5nZ3BodC5jb20vX1pxNVlYRXdqanBFL1RTeVJ4MFFveC1JL0FBQUFBQUFBQVNJL1lscXQwY3NCOExNLzk5OS05LWhvdXJzLTktcGVyc29ucy05LWRvb3JzLTIwMTAwOTIwMDcxMTA0ODg1XzY0MHdfdGh1bWIuanBnP2ltZ21heD04MDA=[/img] [img]hide:aHR0cDovL2xoNi5nZ3BodC5jb20vX1pxNVlYRXdqanBFL1RTM0p1eVRCcEVJL0FBQUFBQUFBQVNjL2VBdnN6WlVNZ3FJLzQ3ODEwMF9fZXh0cmVtZS1lc2NhcGUtOS1ob3Vycy05LXBlb3BsZS05LWRvb3JzX3RodW1iJTVCMSU1RC5qcGc/aW1nbWF4PTgwMA==[/img] Entre textos, fugas e mais textos Apesar de misturar outros elementos, 999 é, essencialmente, um jogo de ficção interativa. Ou seja, prepare-se para ler extensos textos e diálogos. E com extensos eu quero dizer muito extensos. Se você não é adepto à longas leituras em jogos, talvez 999 não seja para você, mas uma coisa é certa: se você começar a jogá-lo, a complexa história do jogo te intrigará de tal forma que dificilmente você conseguirá deixá-la de lado até que todos os mistérios estejam resolvidos. Os participantes do Nonary Game têm nove horas para fugir do navio, mas não há uma contagem em tempo real, então você não precisa se apressar em jogar. Aliás, os personagens parecem saber disto, porque algumas conversas são tão compridas e aparentemente sem importância que às vezes é difícil imaginar que eles estão correndo contra o tempo para salvar suas vidas. Quando eu fico preso em um frigorífico e preciso encontrar uma maneira de sair antes que eu morra congelado, eu não fico conversando sobre composições químicas e estruturas moleculares. Sim, os diálogos acabam tendo importância para a história ou para a resolução de puzzles, mas acho que uma maior sensação de urgência teria caído bem. Quando você não estiver ocupado lendo, você estará tentando fugir de algum quarto cheio de puzzles. Se você tem familiaridade com jogos de fuga - que ganharam uma tremenda popularidade na internet - você ficará completamente à vontade nestas partes de 999. O funcionamento é a mistura tradicional de point-and-click e puzzle: movimente-se pelo ambiente, investigando, juntando e combinando itens, solucione puzzles e, por fim, descubra como abrir a porta de saída. Você é daqueles que gosta de quebrar a cabeça com desafios extremamente complexos que exigem usar até o último neurônio para resolver? Se for, 999 provavelmente te decepcionará um pouco nesse aspecto. Sim, os puzzles requerem certo raciocínio e são bem bolados, mas não chegam a ser excepcionalmente desafiantes e, mesmo quando você está com dificuldade em algum enigma em particular, dicas de como solucioná-lo são reveladas com freqüência, queira você ou não. Há uma boa variedade entre os puzzles, mas se você está acostumado com as aventuras de um certo professor de chapéu grande, não espere nada perto da quantidade nem do desafio dos jogos do Prof. Layton. Ficou claro que o maior atrativo de 999 é o roteiro, extremamente complexo, bem escrito e cheio de surpresas, não é? Se você tem em mente jogá-lo apenas pelas partes de point-and-click e puzzle, passando rápido pelos textos, desista. Não é exagero dizer que você provavelmente passe 80% do tempo lendo e apenas 20% jogando propriamente dito. Isto também significa que se a sua compreensão da língua inglesa não for lá essas coisas, você perderá muito do que este jogo tem a oferecer. Então, se esse for seu caso, vá correndo fazer um curso de inglês. Afinal, quer uma motivação melhor do que poder aproveitar ao máximo excelentes jogos como este? E o que há atrás da porta número 5?!? Uma das grandes sacadas do jogo são as decisões que você deve fazer para escolher como progredir a história. Lembra daquela série de livros "Aventuras Fantásticas" nos quais, em algumas partes, você tinha que tomar uma decisão e dependendo da opção escolhida você era direcionado a uma parte diferente da história? (caso a resposta seja "não", você perdeu uma enorme diversão da infância… mas ainda dá tempo, procure um livro desses por aí e divirta-se!) Pois bem, a história de 999 progride mais ou menos da mesma maneira. Em certos pontos do jogo você terá que fazer decisões que terão impacto não apenas no caminho que será seguido, mas também no relacionamento entre os personagens, suas motivações e suas maneiras de agir e pensar. Embora algumas destas decisões correspondam a qual resposta dar em meio a uma conversa, os momentos de escolher uma das portas numeradas são os mais importantes e impactantes na história. Lembra aquelas portas com os números de 1 a 9 que falei no começo? Em certos pontos do jogo, o grupo se depara com duas ou três destas portas e você terá que decidir qual atravessar, o que também influencia os grupos de pessoas que irão juntas. Por que as portas e as pessoas estão relacionadas, você está se perguntando? Isto acontece graças àquelas pequenas regrinhas que também já mencionei e que, caso violadas, "só" fazem o infrator explodir por dentro. As regras são simples. Apenas grupos de três a cinco pessoas podem passar por uma das portas e apenas se a combinação dos dígitos de seus braceletes tiverem uma "raiz digital" igual ao número da porta (a raiz digital de um número é a soma de seus dígitos até que o resultado tenha um único dígito. A raiz digital de 536, por exemplo, é 5, já que 5 + 3 + 6 = 14 –> 1 + 4 = 5). Dois dispositivos, um do lado de fora e outro do lado de dentro, garantem que apenas grupos corretos possam atravessar a porta, já que cada pessoa deve colocar a mão nos dispositivos para abrir a porta e depois de entrar. Depois de passar pela porta, o detonador da bomba dentro da pessoa é ativado e, caso esta não ponha a mão no dispositivo do lado de dentro em menos de 81 segundos, a bomba explode. Ou seja, se um dos que abriram a porta não entrar, ou se alguém passar pela porta sem tê-la aberto… bom, digamos que o resultado sangrento disso é um dos motivos do jogo ter recebido classificação etária "M" (não é mostrada nenhuma imagem muito explícita, mas a descrição do que acontece quando uma bomba explode dentro do estômago de uma pessoa pode ser bastante rica em detalhes). De cara, essas regras já deixam no ar uma grande preocupação para o jogador e para os personagens: se no máximo cinco pessoas podem passar pelas portas e se a saída é a porta com o "9", isto significa que pelo menos quatro pessoas terão que ser deixadas para trás? Todas estas escolhas levam a diferentes lugares, diálogos e a um dos seis possíveis finais. Uma vez que a história termina, seja de uma maneira boa ou má, a única opção é começar tudo de novo. Sabe o que isso significa? Passar novamente por longos trechos de história que você já viu. Mas não se desespere ainda! Os desenvolvedores foram bondosos o suficiente para incluir uma opção de fast-forward, que, com o simples pressionar de um botão, permite você passar rápido por textos que já leu. No momento em que algum texto ou diálogo novo aparecer, o fast-forward é interrompido automaticamente. Esta possibilidade traz um grande incentivo para jogar a história novamente, buscando os diferentes finais, já que textos que antes você ficou mais de meia hora lendo podem ser avançados em poucos segundos. O único – e pequeno – problema é que este fast-forward não funciona para as partes de puzzle, o que significa que você terá que resolver um mesmo enigma repetidas vezes. É claro que, sabendo a solução, estas partes podem ser também passadas rapidamente, mas estaria mentido se dissesse que resolver muitas vezes um mesmo puzzle em particular não começa a ficar cansativo. Mas esse é um detalhe que você certamente deixará passar, pois duvido muito que fique satisfeito terminando o jogo apenas uma vez. Até porque é literalmente impossível obter o verdadeiro final de primeira, já que você é obrigado a ver um determinado final para que o verdadeiro fique disponível. Não vou revelar nada que possa estragar a história do jogo, mas basta dizer que o verdadeiro final é tão surpreendente e emocionante que vale muito a pena investir o tempo e esforço para obtê-lo. É o tipo de coisa que fará você ficar pensando e discutindo com outras pessoas, mesmo vários dias depois de ter terminado. Mesmo que você consiga ver a verdadeira conclusão obtendo apenas os finais necessários (muito pouco provável, a não ser que você tenha seguido algum "detonado"), ver os demais finais ainda é muito recompensante. Não só para ver as maneiras alternativas de como a história poderia terminar, mas também porque cada "caminho" esconde diferentes puzzles e revela diferentes fatos sobre o passado dos personagens que, combinados, ajudam a encaixar todas as peças do quebra-cabeça (bom, talvez não todas, mas a maioria pelo menos). "Está na hora. Que comece o jogo." Acho que o que foi descrito até agora é o suficiente para ter uma idéia de quem vai gostar ou não de 999, mas resta dizer que os gráficos e o som combinam perfeitamente com o jogo. O navio onde se passa a história está muito bem representado pelos belos cenários, pré-renderizados em 3D, mas o destaque fica para os personagens, muito bem desenhados no melhor estilo anime. Não há nenhum diálogo com voz (o que é perfeitamente compreensível, considerando a enorme quantidade de diálogos), mas como jogar 999 é mais ou menos como ler um livro, não faz muita falta. As músicas de fundo são ótimas e se encaixam muito bem com o que está acontecendo, aumentando a sensação de perigo, urgência ou drama. 9 Hours, 9 Persons, 9 Doors é definitivamente uma surpresa muito agradável para o DS. Os puzzles deixam o jogo ainda mais divertido, mas o que realmente o torna tão bom é a excelente história e as ramificações de acordo com as escolhas feitas. Claramente, o jogo não é para todos. Quem prefere jogos com muita ação e quem não tem um entendimento de inglês pelo menos razoável provavelmente vai querer passar longe deste jogo. Por outro lado, aqueles que enfrentarem Zero e o Nonary Game, vivenciarão uma aventura extraordinária, culminando em um final surpreendente de todas as formas possíveis e que dificilmente será esquecido.
Fonte: Eurogamer
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