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Análise do jogo "Valkyrie Profile 2: Silmeria" para PS2 escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 89 de 100, enviado por Anônimo,
Foi no virar do século que Valkyrie Profile foi lançado na PlayStation original. Infelizmente, apenas os mercados japonês e americano tiveram direito a este Role Playing Game da tri Ace e talvez por isso a PlayStation Portable tenha sido alvo de um remake desse jogo no decorrer deste ano. Agora, perto de entrarmos no frenesim de lançamentos típico desta época do ano, eis que a Square Enix lança Valkyrie Profile 2: Silmeria, na PlayStation 2. Um ano depois do jogo ter sido lançado na América, vamos finalmente revisitar a mitologia nórdica, principal tema de inspiração a esta produção da tri Ace. Os acontecimentos aqui vividos têm lugar algumas centenas de anos antes das ocorrências da primeira entrega da série. Silmeria é o nome de uma valquíria que, depois de uma quezília com Odin, deus dos deuses, sai de Valhalla. Com medo de perder controlo sobre Silmeria, Odin aprisiona o seu espírito no corpo de Alicia, uma princesa humana. Quando Alicia vê a sua mente ocupada por um espírito, gera-se um diálogo que leva a que a jovem princesa acate o pedido de ajuda de Silmeria para regressar a Valhalla. É um fio narrativo pouco comum nos Role Playing Games que nos chegam de solo nipónico. Todavia, não é só no argumento que Valkyrie Profile 2: Silmeria se demarca dos demais. Toda a exploração dos cenários faz-se movimentado a personagem num universo a duas dimensões onde os cenário têm um desenho tridimensional. O único momento em que vão explorar cenários a três dimensões será no instante em que confrontarem os vários inimigos presentes ao longo da aventura. Mesmo antes do nosso primeiro combate vamos travar conhecimento com personagens bastantes peculiares. Um arqueiro, um guerreiro com uma força abissal e um mágico que mais parece um sósia de Harry Potter. Todos eles trazem algo de novo à narrativa, fazendo com que esta se mantenha interessante por longas dezenas de horas. Mas se Silmeria é um espírito, não é de estranhar que este jogo traga até nós inúmeras criaturas que não são de carne e osso. É esse o caso dos Einherjer, uma palavra familiar a quem perceber de mitologia nórdica e que identifica as almas dos guerreiros mortos no campo de batalha. No total, existem mais de 40 Einherjer que podemos libertar para lutarem lado a lado connosco. Caberá ao jogador a gestão deste grupo, pois nem todos podem fazer parte da nossa equipa. Teremos de escolher os mais apropriados consoante as batalhas que temos em mãos. E é precisamente no sistema de combate que Valkyrie Profile 2: Silmeria revela todo o seu esplendor. Totalmente em tempo real, este sistema tem tanto de acção como de estratégia. Cada personagem ocupa um botão na face do vosso controlador, ou seja, quatro no total. Para efectuarem um ataque basta pressionar o botão desejado. Podem até dividir a equipa em dois, para que o leque de inimigos afectados seja mais amplo. Tudo isto parece simples e claro como a água, mas com o passar da aventura os inimigos vão ficando mais fortes e para os derrotar há que perceber e efectuar ataques combinados com as personagens que temos à mão. Ou seja, não só a escolha dos Einherjer é crucial, mas também a ordem como os fazemos atacar pode ditar a diferença entra uma vitória ou a morte. Dada a sua elevada complexidade não é um jogo aconselhável aos novatos nestas andanças. O mais certo será metralharem o controlador da vossa PlayStation 2, acabando frustrados por não conseguirem obter os ataques desejados. É que antes de usarem os "músculos" terão de usar a mente de um verdadeiro estratega. Para adensar ainda mais a questão, cada personagem tem nove pontos de material que pode ser personalizado. Armadura, armas e vários acessórios vão interferir de maneira directa com as habilidades de cada um. Se multiplicarem isto por 20 personagens, estão a imaginar o trabalho que dá manter as vossas "tropas" nas suas faculdades máximas. Para que a exploração não se tornasse uma mecânica repetitiva a tri Ace puxou de toda a sua experiência e fez com que Silmeria disparasse fotões de luz. Além de paralisarem os inimigos, os fotões fazem com consigamos ter acesso a lugares mais recônditos do cenário e em alguns casos ajudam a derrotar inimigos com fraquezas ambientais. Uma pedrada no charco! É esta a melhor maneira de descrever o capítulo gráfico de Valkyrie Profile 2: Silmeria. Como já foi dito, todos os cenários são percorridos apenas a duas dimensões. Mas esse facto não retira mérito ao jogo, bem pelo contrário, confere-lhe carisma. Parece que estamos num palco e somos a personagem principal, estando rodeados de adereços. A mitologia nórdica serviu para inspirar aqueles que traçaram as linhas de todas as personagens de Valkyrie Profile 2. Em especial destaque encontram-se os bosses, que impõe respeito mesmo antes de desferirem o primeiro golpe. A nossa mente viaja até aquele mundo imaginário sem precisar de autorização ou esforço, Tanto as vozes como toda a banda sonora fazem jus à restante obra. Mesmo sem contar com as vozes em japonês, os actores contratados para o efeito conseguiram desempenhar a sua função quase sempre bem. Pena que hajam linhas de diálogo que sejam repetidas mais do que o aceitável. As valquírias ficam bem representadas na PlayStation 2. Valkyrie Profile 2 é um RPG diferente. Carismático, complexo e difícil, assume estas qualidades que para muitos podem ser encaradas como defeitos. A velhinha PS2 continua a receber títulos com uma qualidade ainda não vista na alegada "nova geração" PlayStation.
Fonte: E-Zine/MyGames
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