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Análise do jogo "Valkyria Chronicles" para PS3 escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 86 de 100, enviado por Anônimo,
No que à cena Role Playing Games na PlayStation 3 diz respeito, Valkyria Chronicles pode ser considerado o D. Sebastião que apareceu no meio do nevoeiro. Os devotos deste género há muito que desesperam por uma obra que os faça "queimar" o tempo todo de DualShock 3 em punho. Atenta a esta lacuna, a SEGA fez chegar ao mercado um Role Playing Game destinado aos amantes do género em geral, piscando o olho àqueles que têm na estratégia as suas preferências. Desenrolada numa Europa ficcional dos anos 30, a estória principal de Valkyria Chronicles é contada em torno de Welkin Gunther, filho de um herói da Primeira Grande Guerra Europeia – um intelectual excêntrico por natureza. À semelhança de outras narrativas, a vida de Welkin não demora muito a ser virada ao contrário quando a sua cidade natal, Bruhl, é apanhada na invasão imperial a Gallia. Regendo-se pelas leis em vigor, Welkin é destacado para comandar a sétima esquadra. Contudo, como as guerras não costumam ser actos de heróis isolados, Welkin faz-se acompanhar da sua irmã, Isara e uma jovem que nasceu e cresceu em Bruhl, Alicia. Será este o trio de personagens principais que servirão de pedras basilares ao desenrolar da narrativa. Há duas características que deixam a sua marca bem vincada em Valkyria Chronicles: a mecânica de jogo e o seu aspecto gráfico. Apesar dos gráficos serem aquilo que mais chama à atenção, debrucemo-nos para já na sua mecânica de jogo. Tal como havíamos mencionado, este Role Playing Game da SEGA assenta em estacas de estratégia. Tendo como base um livro fictício intitulado "On the Gallian Front", percebemos que cada batalha é uma "leitura" desta obra escrita por Irene Koller. No campo de batalha, depois de seleccionarmos a missão em causa, é-nos dado o objectivo principal e, assentando numa mecânica que parece ter ido beber inspiração a Advance Wars, é altura de seleccionarmos as classes (soldados, franco-atiradores, engenheiros e batedores de terreno são apenas alguns exemplos) de soldados que pretendemos levar para aquela missão em particular e dar azo à nossa veia estratega. No início de cada turno temos um conjunto de Command Points que são gastos a mover os nossos tropas pelo cenário. Se já colocaram as mãos em algum jogo de estratégia por turnos, não será difícil perceberem que o encanto deste jogo – e outros do género bem programados – reside na escolha da melhor classe, no planeamento dos movimentos e, finalmente, no ataque final que aquela unidade pode fazer ao esquadrão inimigo. Agora, aquilo que Valkyria Chronicles traz ao género é a mistura de alguma essência de Atirador na Primeira Pessoa, ou seja, quando é chegado o momento de acabar com o inimigo convém que tenham em atenção que não há tiros certos nem mortes pré-anunciadas. E isto pode ser algo frustrante para os menos persistentes, uma vez que algumas missões alongam-se no consumo de tempo para terem que ser repetidas face a uma pontaria menos apurada de alguns. Convém também fazer uma ressalva para uma característica que não costuma ser muito apreciada pelos devotos da saga Fire Emblem: quando um soldado morre, morre de vez. Portanto, tenham atenção redobrada aos médicos e ao seu posicionamento em campo. [img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9NZWRpYUNlbnRlci9tZWRpYS9JbWFnZXMvSW1hZ2VMb3QvMDAwMDQ0NjUvVmFsa3lyaWFDaHJvbmljbGVzUFMzMTcxMTIwMDgtMDAwMy0yMDA4MTExNzE3MzA1NDc0Ny5qcGc=[/img] Tratando-se de um Role Playing Game, a tarefa de fazer subir o nível das personagens é uma rotina. Para tal, têm que se deslocar ao quartel-general do batalhão e distribuir a experiência acumulada pelas tropas, de modo a que possam ficar mais fortes e aprender novas habilidades. Outro ponto crucial desta microgestão é o dinheiro. Com ele poderão comprar novas armas como oferendas aos vossos subordinados, aumentando em muito as probabilidades de não serem aniquilados no próximo combate. Com toda a preparação possível, existem ocasiões fora do nosso alcance em que a inteligência artificial dá sinais de insanidade. Ver o inimigo gastar pontos à toa, mesmo que ajude ao nosso desempenho, deixa-nos na boca um sabor a vitória inglória. Atalhando caminho para o aspecto mais técnico de Valkyria Chronicles, salta à vista a quase ausência de tempos de carregamento, o que é sempre um factor bem-vindo. E isto para carregar cenários que parecem pintados com aguarela e crayon. É nesta sobreposição de texturas que os nossos olhos se encantam, ainda que, por vezes, se sintam alguns solavancos na fluidez do jogo. Todo este encanto com a beleza dos cenários é quebrado com um olhar mais atento, pois detectámos a escassez de pormenores no desenho dos níveis. Se alguns são meramente estéticos, outros afectam a nossa performance, sendo o mais gritante a ausência de pontos de abrigo em algumas etapas, o que nos pode deixar expostos ao fogo inimigo de uma maneira letal. O chamamento aos nossos tímpanos faz-se sobre a forma de melodias que têm tanto de belo como trabalhado. Acelerada e ritmada em momentos de maior tensão, calma e melancólica quando a narrativa assim o exige, luta de igual para igual com a que ouvimos nos Role Playing Games japoneses de maior renome. A acompanhar esta banda sonora, temos a possibilidade de escolher as vozes em inglês ou em japonês. E como nestes casos o original costuma ser melhor, não hesitámos em ouvir os protagonistas dialogar em nipónico. Se são adeptos de RPGs com uma grande componente de estratégia e têm uma PlayStation 3 não há grandes motivos para ainda não terem este jogo na vossa colecção. Independentemente das vossas preferências, nós dizemos que Valkyria Chronicles é um bom jogo, com altos de valores de produção e apenas é traído por algumas arestas por limar. Nada que a SEGA não consiga compor caso venha a existir uma sequela. Nós e os amantes do género ficaríamos duplamente agradados.
Fonte: E-Zine/MyGames
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