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Análise do jogo "The Legend of Zelda: Skyward Sword" para Wii escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 97 de 100, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9NZWRpYUNlbnRlci9tZWRpYS9pbWFnZXMvZXppbmU0L3plbGRhLXNreXdhcmQtYW5hLWltZzEuanBn[/img] Todas as consolas têm um ciclo de vida, e cada vez que uma nova plataforma é lançada, são vários os jogos que definem os estágios de evolução, amadurecimento e o esforço final quando os recursos começam a chegar ao seu limite. Se existe uma saga que sempre puxou bem pela consola onde corria, uma delas será certamente The Legend of Zelda, uma série que traçou um caminho para os jogos de aventura na NES, redefiniu a jogabilidade em 3D na Nintendo 64 e pelo caminho, explorou as capacidades de cada plataforma da Nintendo onde foram lançados. Quando a Nintendo Wii foi lançada, a nova consola veio arriscar no mercado dos comandos com movimentos, o que deixou muitos a sonhar como seria manejar a Master Sword nas mãos de Link e tudo o que podia ser feito em redor destes novos comandos. Infelizmente, o primeiro Zelda para a Nintendo Wii foi The Legend of Zelda Twilight Princess, que apesar da sua qualidade inegável, foi lançado para a GameCube e Nintendo Wii, sendo que a adaptação ao Wii Remote, não foi exactamente o que se esperava. Quase cinco anos depois, surge então The Legend of Zelda Skyward Sword, o primeiro jogo da saga principal construído de raiz para a Wii e a pensar na melhor forma de dar, finalmente, o uso correcto aos comandos de movimentos da consola. Mas será que The Legend of Zelda Skyward Sword consegue fazer o que muitos tentaram mas não conseguiram com êxito, ou será que os comandos com movimentos não são sinónimo de Zelda? The Legend of Zelda Skyward Sword conta mais um segmento da muito secreta linha temporal idealizada pela Nintendo. Estando situado praticamente no início da linha temporal (algo discutível tendo em conta a história de Minish Cap). Desta vez é nos contada a história de um ser maligno e a sua horda de aliados que invadiram a superfície e começaram a matar tudo e todos à sua passagem. De forma a proteger os seres vivos restantes, a deusa juntou todos os sobreviventes e enviou-os para uma ilha flutuante, fechando depois o mal na superfície e criando uma barreira com nuvens. Vários anos depois vamos então conhecer Skyloft, uma das ilhas do céu onde as pessoas vivem em paz e tranquilidade, evitando guerras e qualquer tipo de derramamento de sangue. Entre os habitantes de Skyloft está Link, um aspirante a Cavaleiro da academia de Skyloft, que no dia da sua corrida de graduação, vê o seu rival, Groose e os seus lacaios aprisionarem o seu Lotfwing, pássaros destinados a formar um laço de amizade com cada habitante de Skyloft. Depois de recuperar o seu pássaro e vencer o torneio que o promove a Cavaleiro, Link recebe da própria Zelda, a sua amiga de infância, o Sailcloth, uma pano que pode usar como pára-quedas, e um "encontro" a sós com a própria Zelda. Mas contra o que seria de esperar, algo corre mal e Zelda é puxada para a superfície por um remoinho deixando Link encarregue de a resgatar. Isto é apenas o início de The Legend of Zelda Skyward Sword, um dos segmentos iniciais que vai levar Link a visitar a superfície juntamente com Fi, o espírito da espada da Deusa, em busca de Zelda, e a derrotar um mal que voltou a por o mundo em caos. Podem contar com visitas a florestas, montanhas e muita viagem pelos céus de Hyrule, numa aventura que tem muito para explorar, e muitas horas de jogo para apreciar. Tal como disse no início da análise, The Legend of Zelda Skyward Sword é um jogo essencialmente assente na jogabilidade explorada ao máximo com o Wii Remote juntamente com o Motion Plus. A verdade é que The Legend of Zelda Skyward Sword é sem dúvida o jogo que melhor tira partido desta tecnologia até aos dias de hoje. Podem esquecer (quase) tudo o que jogaram na Wii até agora, pois este é o jogo que não só faz bem, como faz com que faça sentido jogar desta forma, seja em termos de jogabilidade ou de resolução de puzzles. Logo a início vão começar a perceber que a utilização do Motion Plus é essencial, pois o combate com espada, utilização de objectos como o arco e flecha, o Beetle, ou até a rede para apanhar insectos, tiram proveito da tecnologia por movimentos. Mas é no caso da espada que se nota muito mais a interactividade do Motion Plus, basta movimentar o Wii Remote na direcção pretendida e vão ver Link colocar a espada nessa posição. Isto permite com que façam golpes em qualquer direcção, seja vertical, horizontal ou nas diagonais. Embora possa parecer algo simples e banal, a verdade é que quase todos os puzzles e inimigos que vão encontrar pelo caminho só podem ser derrotados se feito de forma correcta. Cliquem aqui para ver mais imagens de The Legend of Zelda Skyward Sword Dando alguns exemplos, imaginem as plantas carnívoras do passado, agora, estas podem abrir a boca ou na horizontal ou na vertical, caso falhem o ataque, este não tem qualquer efeito na pele grossa da criatura. Alguns inimigos que lutam com espadas vão colocar a espada a bloquear um dos flancos e vocês precisam de atacar a posição desprotegida, ou até em outro caso, precisam de rodar a espada para confundir um olho e assim abrir uma porta. A verdade é que embora pareça básico, este sistema vem alterar de forma drástica a jogabilidade, não só de Zelda, como de um jogo de acção em si. Agora o que conta não é o golpe certo, mas sim, a direcção em que o golpe certo é aplicado, o que vai criar muito mais profundidade e interacção, e tendo em conta que os movimentos são captados de forma bastante precisa pela Wii Remote, então estamos aqui perante um sistema de combate que tem tanto de inovador como de revolucionário. Mas isto é mais um dos elementos de jogabilidade de The Legend of Zelda Skyward Sword, sendo que o arsenal de Link vai aumentando à medida que a aventura avança e cada um deles vai tentar dar o melhor uso a este sistema. Com o Beetle, por exemplo, podem usar a inclinação do comando para guiar o insecto no ar, com as bombas podem agora atirar com um movimento de chicote ou rebolar como uma bola de bowling, e até ao voar no Loftwing, vão usar o comando para controlar a direcção e inclinação. Falando em voar no Loftwing, em The Legend of Zelda Skyward Sword as viagens entre lugares situados na superfície vão ser feitos às costas do vosso Loftwing (podem esquecer a Epona desta vez). O espaço aéreo é bastante grande e existe muito que explorar, com várias ilhas pequenas espalhadas, mas este meio de transporte serve essencialmente como forma de aceder a novas zonas do mundo criadas pelos feixes de luz desbloqueados no altar da deusa de Skyloft. Os feixes de luz vão ser um guia constante ao longo da aventura e até vão poder criar os vossos através da utilização do mapa, apenas mais uma das ferramentas que mostram que The Legend of Zelda Skyward Sword é um jogo mais acessível a todos, sem ser necessariamente mais fácil. A exploração é agora bem mais simples, com todas as ajudas fornecidas, sendo um exemplo, a procura por pessoas e objectos com a utilização do sistema de Dowsing, uma função que permite apontar a espada e procurar por sinais do objectivo. Com os feixes de luz (beacons) criados através do vosso mapa podem sempre marcar posições no cenário que deixam luzes no horizonte que servem de guia. Outra ajuda quase sempre presente são as estátuas com formas de pássaros espalhadas pelos mapas, nestas podem salvar o vosso jogo, regressar ao céu ou no caso de uma masmorra, regressar à entrada da mesma. De notar que desta vez, o vosso progresso numa masmorra não é alterado caso desliguem o jogo, e assim, podem continuar exactamente no mesmo sítio em que pararam. Depois existe a Fi, a "Navi" deste jogo, o espírito em forma de mulher que reside dentro da espada da Deusa e que vos vai acompanhar ao longo da aventura, dando ajuda quando necessário, pistas quando estão presos e ajudando a avançar a narrativa quando é faz mais sentido. Felizmente e ao contrário de Navi, Fi é uma personagem muito pouco intrusiva e bem mais divertida, mas mais importante ainda, é bastante útil. Porém, uma das grandes novidades deste episódio é a inclusão de uma barra de Stamina (resistência), esta barra é de extrema importância e influência todo o jogo pois tudo funciona em redor da mesma, quer tentem correr, escalar, mover caixas ou utilizar os ataques de espada mais fortes. É com a inclusão da Stamina que surge também o Dash, que permite que Link corra e trepe por paredes de uma forma mais credível, ou salte por abismos mais longos. É curioso ver o quão bem a Stamina funciona e como é que não demos por falta de uma barra destas até hoje. Fechando então o capítulo da jogabilidade, The Legend of Zelda Skyward Sword joga-se de uma forma bastante similar a Twilight Princess, com o Nunchuk a servir para controlar a personagem, olhar em redor, utilizar o Z-Targeting e fazer rebolar Link quando o abanam. Embora precisem de calibrar o comando ocasionalmente devido a falhas, não é algo que prejudique a experiência, havendo até um atalho rápido no jogo para o fazer, o que é uma mais-valia. Cliquem aqui para ver os vídeos de The Legend of Zelda Skyward Sword Apesar de estar a correr na Nintendo Wii, nada impede que The Legend of Zelda Skyward Sword seja um dos jogos mais impressionantes a nível visual lançados este ano. Tal como já devem ter reparado pelas imagens, a arte criada para este novo jogo faz lembrar um cruzamento entre o cell-shading de Wind Waker e o visual mais sóbrio de Twilight Princess, o que resulta num estilo visual muito próprio, quer a nível do que podem ver nos cenários como das próprias personagens. Este é sem dúvida um jogo impressionante de ser visto, e embora esteja notoriamente limitado pela Wii, soube contornar bem os problemas técnicos que a idade já demonstra. Visitar Faron Woods, por exemplo e olhar em redor é realmente impressionante, fazendo lembrar a espaços que estão a ver um quadro pintado a aguarela. As personagens por seu lado também estão muito bem-criadas e não sofrem de movimentos presos nem de falta de expressões que demonstrem o seu estado de espírito. Embora Link continue a ser algo vazio (e é assim que deve ser), personagens como Zelda, Fi, os Kikwis, entre outros, transbordam personalidade. Na minha opinião, a Zelda de The Legend of Zelda Skyward Sword é sem dúvida a melhor Zelda criada até hoje (ultrapassando até a de Ocarina of Time) e Fi é uma personagem deslumbrante, mesmo que não possa transparecer emoções. Jutem a tudo o que foi dito, um rol de animações bem feitas e credíveis, e vão perceber porque é que The Legend of Zelda Skyward Sword não precisa de cinemáticas em CGI para ser uma experiência impressionante. A música, como não podia deixar de ser, continua a ser soberba e mistura de forma genial composições antigas, com outras actuais, num resultado impecável. Grande parte das mesmas foram compostas em orquestra, e mesmo as que não foram também exaltam qualidade e mestria a que Koji Kondo e os seus colegas nos habituaram. Tal como no passado, as personagens continuam a não falar, mas apenas a fazer sons, um estilo clássico que tem todo o sentido em ser mantido e dá ainda mais carisma ao jogo. É verdade que muitos não vão achar bem que isto aconteça numa era em que quase tudo usa vozes, mas os verdadeiros fãs de Zelda não o iriam querer de outra forma. Quanto aos sons ambiente, dos inimigos e afins, tudo foi feito de forma exímia e algumas vozes de certos inimigos acabam por ser hilariantes de ouvir, no bom sentido claro. Falando em música, The Legend of Zelda Skyward Sword volta a utilizar a mesma através de um instrumento, sendo introduzida agora a Harpa. Embora faça parte da aventura e resolva alguns puzzles, a Harpa não tem uma presença ou importância tão grande como a Ocarina no passado da série. O tocar da Harpa é simulado pelo Wii Remote, o que pode parecer um pouco confuso a início, mas torna-se mais simples enquanto continuam a jogar e experimentar. Tal como já devem ter ouvido, The Legend of Zelda Skyward Sword não é um jogo nada curto, durando umas boas dezenas de horas apenas para a acabar a história principal e mais outras tantas dezenas para realizar as missões secundárias, apanhar todos os insectos, melhorar todos os objectos que podem aperfeiçoar na loja, ou descobrir todos os cofres sagrados. Para terem noção, até chegar ao primeiro templo, demorei cerca de cinco horas de jogo, e tendo em conta que existem muito mais templos para visitar, é certo que este é um jogo que não tem medo de ser uma experiência apenas para um jogador. Num ano tão recheado de jogos soberbos, visualmente espectaculares e altamente apetecíveis, The Legend of Zelda Skyward Sword surge entre todos os colossos para mostrar que a Nintendo continua bem viva e pronta para lutar pelo título de jogo do ano. The Legend of Zelda Skyward Sword é simplesmente o jogo com melhores gráficos da Wii, o primeiro jogo que realmente cumpre o desafio de criar uma jogabilidade refinada e credível assente nos controlos de movimento, o The Legend of Zelda com a melhor história, diálogos e personagens até agora (novamente, a Zelda e a Fi são divinais), uma longevidade impressionante para um jogo singleplayer e uma quantidade de conteúdo enorme, que tem tanto de vasto como de apelativo. Claro que muitos vão dizer que esta é uma fórmula mais que gasta e a história é a mesma de sempre, mas embora a primeira até possa ser discutível, a segunda não é a mais correcta, pois a história de The Legend of Zelda Skyward Sword é bem diferente do típico "vai salvar a princesa que foi raptada" e há mais para descobrir além disso, tendo até em conta que Zelda embarca numa missão própria. A história de um Zelda precisa de ser vista muito mais como um jogo de Damas ou Xadrez, ao início as peças são sempre as mesmas, o decorrer do jogo é que é diferente. O mesmo pode ser dito da fórmula de Zelda, esta pode ser muito parecida ao que foi feito no passado, mas a verdade é que é um género e tal como um jogo de futebol, um FPS, ou jogo em mundo aberto, os géneros são o mesmo no seu núcleo e Legend of Zelda é isto mesmo. The Legend of Zelda Skyward Sword é tudo o que um jogo deve ser, divertido, empolgante, variado e desafiante, tudo isto sem vos retirar demasiado o controlo, sem ser demasiado fácil ou simplista e com um valor brutal por cada cêntimo gasto na sua compra. Além de ser um dos melhores jogos de Zelda, é também mais um Zelda que redefine padrões e vai servir de inspiração (novamente) para muitos jogos de acção e aventura que se seguem, seja em qual geração for. Se têm Nintendo Wii, são fãs de Zelda, gostam jogos de aventura e acção, de jogos altamente bem feitos, entre tudo mais que já foi dito, então não devem deixar passar The Legend of Zelda Skyward Sword. Apesar da Nintendo Wii já estar a gastar as suas últimas forças, isso não impede que este jogo seja uma das melhores experiências deste ano, e se realmente se confirma que este é o último grande exclusivo do ciclo de vida da Wii, então esta consola não podia terminar de melhor forma, com aquele que está bem próximo de ser o melhor jogo do ano.
Fonte: E-Zine/MyGames
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