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Análise do jogo "Ridge Racer Unbounded" para X360 escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 55 de 100, enviado por Anônimo,
Ridge Racer é uma série que já nada cá há muitos anos e que ficou conhecida pela sua simplicidade, diversão e jogabilidade arcada. Contudo, os tempos são outros e com o lançamento de Ridge Racer: Unbounded, a Namco transformou a série radicalmente para uma mistura entre Need for Speed: Hot Pursuit e Split/Second: Velocity. A verdade é que a Bug Bear, produtora de Ridge Racer: Unbounded, criou um jogo de corridas sólido e que até consegue ser divertido. A combinação de mecânicas dos jogos supracitados, garanta-lhe uma mudança apreciável na série, embora a falta de polimento e duração sejam factores que condicionam este lançamento. O Ridge Racer: Unbounded (ou RR:U) não tem qualquer tipo de pretensões, acabando por passar um pouco despercebido. O menu é deveras simples e apenas conta com três opções - Single-player, Multiplayer e City Creator – bem como uma tentativa nada arrojada de estória e que simplesmente não oferece nada ao jogador. Mas é por baixo do capô que encontramos a essência deste "novo" Ridge Racer: Unbounded. Para os puristas da série, RR:U oferece pouco para além de pequenas semelhanças com o passado da franquia: o drifting está presente mas, para o activarmos, necessitamos de pressionar um botão. Os laços quebram-se no preciso momento em que vocês se apercebem que Ridge Racer: Unbounded oferece mecânicas nunca antes vistas na série. Quase tudo nos cenários é destrutível e podemos olhar para os carros como ferramentas robustas para esse efeito: seja paredes, lojas ou outros objectos, quase tudo pode ser deitado abaixo. Contudo, isto levanta um problema, visto que o jogo não oferece uma distinção clara do que pode ou não pode ser destruído. Dei por mim a ir contra paredes, confiante que estas se destruiriam, algo que não aconteceu e que acabou por me prejudicar. Falhas de concepção à parte, em Ridge Racer: Unbounded a condução agressiva faz com que o nosso carro vá enchendo uma barra de energia. Quando esta se encontra devidamente cheia, nós podemos usá-la para destruir os adversários, usar objectos explosivos a nosso favor ou até para ganharmos um boost de velocidade temporário, bastando para isso pressionar o "A" ou "X" na Xbox 360 ou PS3, respectivamente. Espalhadas pela pista encontram-se algumas obstruções que podem ser usadas a nosso favor. Se usarmos o "Power", ou seja, pressionarmos "A" quando a barra de energia se encontra cheia, podemos ir contra um tanque de gasolina e fazê-lo explodir. Esta explosão irá, então, destruir todos os carros adversários que se encontram no raio de acção. Toda a destruição que provocamos irá traduzir-se numa maior pontuação no final da corrida, o que fará com que ganhemos recompensas – carros, blocos de cidades para o editor – através do sistema de progressão por níveis. Ridge Racer: Unbounded é um jogo que requer que vocês utilizem todas as ferramentas à vossa disposição, visto que a curva de aprendizagem é inexistente, para além de oferecer pouca margem para os novatos nestas andanças, uma vez que a IA é agressiva e fará de tudo para tornar o vosso carro numa autêntica sucata. Isto pode tornar-se frustrante porque não existe um processo de habituação, ou seja, os jogadores são colocados num ambiente hostil desde o primeiro minuto. Porém, a meu ver, não é algo mau, já que a agressividade e violência são as temáticas do Ridge Racer: Unbounded. Ainda assim, os problemas descritos acima são o resultado das falhas do jogo. A maneabilidade dos carros não está tão apurada como em Need for Speed: Hot Pursuit, fazendo com que os drifts sejam incrivelmente inconsistentes e frustrantes de controlar e, por consequência, de dominar. O jogo apresenta, ainda, alguns tipos de corrida, que vêm trazer a tão necessária variedade a Ridge Racer: Unbounded. Desde concursos de drift, contra-relógios, ou até pegar num camião e destruir os carros da polícia que nos perseguem. Todavia, o jogo falha em oferecer a variedade necessária ao jogador, o que me fez ficar cansado do jogo após a chegada ao terceiro distrito. A falta de inspiração na criação das pistas, tornam-nas bastante repetitivas. Ou seja, a produtora pegou na cidade do jogo e dividiu-a em vários pedaços para o criador de pistas. O que acontece é que estamos limitados ao que a produtora nos deu para as mãos, sendo uma questão de tempo até voltarmos a ver os mesmos edifícios e fazermos as mesmas coisas vezes e vezes sem conta. Quando comparado com jogos com os que já referi mais acima, Ridge Racer: Unbounded é apenas um jogo razoável. A espectacularidade e o sentido de escala, no que toca à destruição, são simplesmente inexistentes, para além de estar longe de oferecer a diversão que Need for Speed: Hot Pursuit nos veio dar como um jogo de corridas arcada. A própria lista de músicas inclui alguns artistas conhecidos como Skrilex mas que, rapidamente, se torna repetitiva devido ao facto de não ter tantas músicas disponíveis. A única coisa em que o jogo se destaca em relação aos demais, é o editor de pistas, que usa um pouco do conceito do LittleBigPlanet. Esta ferramenta permite-nos criar a nossa própria cidade mas de forma limitada. Podemos pegar nos blocos que vamos ganhando na progressão a solo e criar ao nosso gosto. A parte engraçada está quando entramos no editor avançado e começamos a "povoar" a nossa cidade com extras – rampas, tanques de gasolina, barris, entre outros – e até definir as regras da corrida. Assim que o processo estiver completo, podemos partilhar a pista online e até jogar na nossa criação (ou na de outros). A esperança reside na experiência multijogador mas que, infelizmente, mal a pude testar por falta pessoas. As poucas partidas que fiz nunca chegaram a estar lotadas Existem algumas cidades criadas por jogadores, no entanto, o desafio está em encontrar quem esteja a jogar nelas. Ainda assim, o multijogador não oferece o necessário para os padrões construídos por outros jogos do género. Ridge Racer: Unbounded consegue ser um jogo razoável, se prensarmos que, por vezes, conseguimos tirar algum divertimento dele. Contudo, este jogo está longe de ser rei no seu género, sendo completamente abafado por jogos que saíram há bem mais tempo que este. O jogo falha naquilo que tenta emular e esta faceta de "mauzão" necessita de ser aprimorada. Ridge Racer: Unbounded é daqueles jogos que é bom quando estiver a um preço bastante, mas bastante inferior.
Fonte: E-Zine/MyGames
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