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Análise do jogo "Resistance: Burning Skies" para PSVITA escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 45 de 100, enviado por Anônimo,
A chegada da PS Vita ao mercado veio abrir uma porta há muito cobiçada, uma vez que o seu hardware, na teoria, permite trazer a experiência de jogos das consolas caseiras, para onde quer que fossemos. Mas a realidade é outra. Poucos jogos da PS Vita conseguiram demonstrar o seu verdadeiro potencial e focando-se demasiado nos controlos tácteis. O anúncio do Resistance: Burning Skies veio trazer algum alento aos puristas, que esperavam ansiosamente por uma experiência na primeira pessoa semelhante às muitas que existem na PS3. Com isto, a Nihilistic Software esteve sob o olhar atento de todo o mundo, visto possuir a árdua tarefa de trazer o primeiro FPS para a nova portátil da Sony. E certamente que deve ter sido árdua para ter este resultado final. Portanto, Resistance: Burning Skies possui uma campanha a solo e uma vertente multijogador. A campanha a solo coloca-nos na pele de um bombeiro, chamado Tom Reilly, que vê a sua cidade a ser invadida pelas Quimeras, assim como a sua mulher e filha perderem-se durante as evacuações da mesma. Descontente com a situação, a única preocupação de Reilley é reunir-se com a família. É precisamente aqui que os problemas de Resistance: Burning Skies começam. A estória é pobre e pouco ou nada oferece ao jogador, apesar de esta tentar desesperadamente enveredar pelo drama e o horror que seria sermos invadidos por estes bichos, enquanto o paradeiro da nossa mulher e filha são escassos. O problema é que em nenhum momento senti uma ligação com a personagem principal, algo que é causado pelo fraco impacto das cenas que supostamente mais dramáticas e pela falta de familiarização da personagem com o jogador. Rilley começa por ser um bombeiro perfeitamente normal e do nada passa a ser "o maior da aldeia" e a matar tudo o que lhe apareça à frente. Rilley raramente fala e muito menos sobre o que está a sentir. Aliás, sem querer ser desmancha-prazeres, existe uma cena em Resistance: Burning Skies do mais dramático possível. Esta situação em particular exige que nós tomemos uma decisão e façamos algo que arrasaria o mundo de qualquer pessoa com sentimentos, e o Rilley faz aquilo parecer fácil. É uma cena que fica arruinada pela sua fraca "interpretação". Rilley acaba por uma personagem vazia, que teve a infelicidade de ser escolhida para este papel. Tratando-se de um título com o nome "Resistance" era de esperar um leque de armas novas e inovadoras mas que, infelizmente, devem ter ficado esquecidas algures. As armas disponíveis são perfeitamente banais e vão desde a carabina à Auger, ficando bem abaixo do esperado para um título que faça jus ao nome da franquia. Os puristas também não ficarão agradados com o facto de poderem carregar todas as armas em simultâneo, bastando um simples pressionar de um botão para mudarmos rapidamente de arma. Algo que também é banal é a acção presente no jogo. Tirem o cavalo da chuva se pensam que vão encontrar cenas de acção espectaculares ou vão fazer outra coisa para além de "procurar cobertura, matar inimigos, seguir em frente". Sempre que entramos num nova zona iremos ter de matar uma horde de Quimeras sem qualquer tipo de inteligência artificial. É tudo demasiado rotineiro, linear e que acaba por ser ainda mais penalizado pela falta de ambiente e envolvência. O sistema de checkpoint é completamente falhado e por diversas vezes tive de começar bem atrás de onde o jogo tinha gravado automaticamente. Mas o pior é que, quando isto acontece e temos o azar de apanhar uma daquelas cinemáticas, o jogo simplesmente obriga-nos a revê-la e não nos deixa passar à frente. Deixo aqui um conselho: invés de saírem do jogo e desligarem a consola, suspendam-na. Resistance: Burning Skies, tal como a sua campanha, é um jogo sem alma. Dei por mim a passar cerca de 90 porcento do jogo só a ouvir o som dos meus passos. Imaginem-se a avançar no jogo e a combater Quimeras, onde só se ouvem os efeitos sonoros. É como se a banda sonora fossem os meus passos e os grunhidos dos Quimera. O mais estranho é que, das raras vezes em que existe música, esta consegue ser bastante agradável. Os próprios efeitos sonoros não têm qualquer diferenciação, ou seja, estar a um quilómetro de um Quimera a grunhir ou a 100 metros é igual. No que diz respeito à apresentação do jogo, Resistance: Burning Skies é horrível e que não foi polido. Os cenários e as personagens não têm vida, as texturas são demasiado simples e carecem de detalhes, e os NPCs não têm qualquer expressão ou cor. De vez em quando reparamos nuns bons efeitos de luz mas, comparado com o supra sumo da actualidade, o Uncharted, Burning Skies não oferece mais do que uma apresentação medíocre e empestada de bugs e glitchs, que vão desde NPCs presos contra paredes ou objectos, ao cenário desaparecer por completo. O jogo nem me deixou tirar screenshots para colocar na análise(porque será?). Aliás, as imagens presentes na análise são um bom exemplo de como o jogo deveria ser visualmente. Menos mal que a jogabilidade ainda consegue apresentar algo minimamente bom, apesar de sofrer do mal de quase todos os jogos da PS Vita. Isto é, estamos perante mais um jogo que força o jogador a usar o ecrã táctil. Se o Rilley quiser abrir uma porta, então vocês terão de carregar no ecrã. Simplesmente, não é viável assumir uma posição de desconforto (deixar de agarrar a Vita com as duas mãos) para abrir uma simples porta. É parvo, se pensarmos que um simples botão de acção servia. Para além disto, a equipa por detrás deste jogo tentou colmatar a falta dos botões "L2" e "R2" com controlos tácteis. O ataque corpo a corpo é realizado com um toque no ícone do machado e o mesmo acontece para o lançamento da granada, embora esta implique apontar com o dedo o local para onde a queremos atirar. O primeiro não é totalmente funcional, visto que o jogador tem de, mais uma vez, largar a consola para o executar, e se pensarmos que o analógico direito controla a direcção, o resultado por vezes não é o esperado, uma vez que os inimigos se mexem e nós não temos polegar no analógico para controlarmos a direcção. O fogo secundário das armas é sempre efectuado por gestos ou toques. Por exemplo, a carabina possui a habilidade de ter munições que seguem os inimigos, bastando que toquemos no ecrã para fixar o alvo. No caso do lançador de mísseis podemos fixar vários alvos em simultâneo, utilizando um simples movimento deslizante do dedo no ecrã. Mas controlos tácteis à parte, Resistance: Burning Skies prova que existe espaço para os FPS na PS Vita. Como acontece na PS3 e Xbox 360, iremos usar um botão para apontar e outro para disparar, ao mesmo tempo que procuramos cobertura. Aliás, o jogo possui um sistema de cobertura simplista, mas perfeitamente funcional: basta encostarmo-nos numa caixa (ou derivado) e agacharmo-nos. A partir deste momento, sempre que apontarmos, iremos "espreitar" e disparar de forma segura. E nem se precisam de preocupar, uma vez que os inimigos não possuem inteligência suficiente para usar tácticas de flanqueamento postas em prática há muitos, muitos anos atrás. Tudo isto poderia ser facilmente posto de parte, se a componente multijogador viesse trazer uma grande vertente multijogador. Mais uma vez, a Nihilistic Software conseguiu provar que não. As partidas online têm latência e são afectadas pela quebra de frame rate que o jogo apresenta online. Quando usamos um ataque corpo a corpo, o jogo não tem animação ou som, deixando-nos na dúvida se realmente acertámos no alvo. O próprio sistema de progressão reflecte o que este jogo é, já que subir de nível apenas faz com que desbloqueemos armas e bónus. Naturalmente, isto levanta um enorme problema de equilíbrio: os novatos serão simplesmente dizimados perante adversários com armas bem mais poderosas. Nesta vertente, Burning Skies apenas apresenta três modos de jogo: Team Deathmatch, Deathmatch e Survival. Os dois primeiros são os conhecidos de toda a gente e colocam os jogadores em carnificinas por equipas ou todos contra todos. Por outro lado, o Survival é o único modo de jogo que traz um pouco de variedade e acaba por ser divertido. Aqui, todos os sete jogadores começam como humanos contra apenas um Quimera. Quando um humano morre, ele passará para o lado dos Quimeras, sendo que, para ganharem, os humanos necessitam sobreviver durante cinco minutos. Resistance: Burning Skies é, muito provavelmente, o pior jogo da Vita. O facto de ser o único FPS lançado para a portátil não serve como desculpa para o trabalho aqui realizado. É um jogo que está longe de estar finalizado e que, claramente, necessitava de mais tempo de produção. A única coisa boa que posso dizer sobre este jogo, é que vem provar que os FPS têm potencial nesta consola, porque Resistance: Burning Skies, como FPS, é funcional, mas falha redondamente enquanto jogo.
Fonte: E-Zine/MyGames
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