.
82

Análise do jogo "Pandora's Tower" para Wii escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 82 de 100, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9NZWRpYUNlbnRlci9tZWRpYS9pbWFnZXMvZXppbmU0L3BhbmRvcmFzLXRvd2VyLWFuYS1tZy1hbmEtaW1nMS5qcGc=[/img] Existem jogos que não correm grandes riscos, que se apoiam em franchises ou estúdios conhecidos para se apresentarem ao público e assim, facturar bastante no retalho. Pandora's Tower estaria no outro lado da barricada, e se não fosse o projecto Operation Rainfall que tanto ruído fez em redor do trio de RPG da Wii, muito provavelmente, Pandora's Tower tinha passado ao lado de grande parte dos jogadores. Felizmente para todos os fãs de RPG e da Wii, ainda bem que assim foi. Do trio de RPG da Wii composto por Xenoblade Chronicles, The Last Story e agora, Pandora's Tower, este é o jogo que menos trunfos tinha na manga para marcar posição entre os três, mas é graças à sua direcção artística, tema adulto e enredo que este jogo consegue ter o destaque que merece. Pandora's Tower conta a história de Aeron e Elena, dois jovens apaixonados ao qual o destino resolve pregar uma partida nada simpática. Durante um festival, Elena é consumida por uma maldição que além de tatuar um símbolo nas costas, faz com que a frágil rapariga comece a sofrer de uma mutação que a transformará lentamente, mas certamente, num monstro hediondo. De forma a tentar salvar Elena, Aeron aceita a ajuda de Mavda, uma velha descendente de uma tribo antiga, que lhe mostra o caminho para a salvação da sua amada. Para que esta consiga combater a maldição, há que ascender ao topo das 13 torres localizadas numa cratera gigante, e através da vitória contra os seus guardiões, alimentar Elena com a carne crua destes Mestres. Isto é apenas o mote para uma longa aventura de acção e RPG que não tem medo de ser violenta e perturbadora, mas ao mesmo tempo, ternurenta e acolhedora. Pandora's Tower está totalmente envolto num clima de insegurança, onde sentimos que algo está bastante mal e que todas as nossas acções têm um peso enorme, mesmo que as consequências não sejam sentidas na sua maioria. Todo o jogo é dividido numa sequência que se repete, vão estar constantemente a viajar até uma das torres, de forma a procurar pela forma mais fácil de abrir a porta que leva ao Mestre da torre e por fim, retirar a sua carne. Porém, cada movimento é assombrado pelo fantasma constante do relógio que mostra o avanço do estado de Elena, que começa a sua transformação ao fim de algum tempo. Por isso, caso não tenham tempo para desbravar a torre até ao seu Mestre, há que recolher a carne de inimigos mais vulgares de forma a fazer recuar a maldição por algum tempo para poderem regressar ao combate. Voltando de qualquer uma das torres vão entrar ao Observatório onde Elena e Mavda se encontram, para a alimentar a rapariga, mas não é só isso que podem fazer nesta zona. Quando estão no observatório podem falar com as duas personagens, explorar as zonas do edifício em busca de material de leitura, comprar items ou criar/evoluir equipamentos com a Mavda. Porém, o mais importante aqui é interagir com Elena, quanto mais falam com ela e dão presentes, maior será a afinidade entre as personagens, o que vai dar origem a finais diferentes para a aventura. No departamento do combate e exploração, Pandora's Tower é uma mistura de vários jogos, fazendo lembrar uma cruzamento entre The Legend of Zelda e Castlevania. Ou seja, cada vez que chegam a uma nova torre, vão ter de explorar cada uma das áreas, resolvendo puzzles ligados ao ambiente, que passam por empurrar objectos, escalar plataformas ou puxar alavancas. Embora sejam uma versão menos complexa do que se encontra em The Legend of Zelda, isso leva também a que a exploração seja feita de forma mais rápida e acessível, pois tempo é coisa que nem sempre vão ter para gastar. De qualquer forma, existe muito para explorar e descobrir em cada torre, com segredos que acabam por compensar. Já na área do combate, Pandora's Tower está ao estilo de um Hack and Slash, sendo que Aeron pode equipar vários tipos de armas principais, como espadas, ou lanças. O sistema de combate directo é bastante básico, com um botão para atacar com golpes fracos (e fortes caso mantenham o mesmo premido), e um para rebolarem e defenderem golpes dos inimigos. Porém o sistema de combate não se fica por aqui, pois o centro de todas as atenções ficam para a sua corrente. Com a corrente, Aeron consegue fazer um pouco de tudo, desde prender os seus inimigos, puxar bocados dos seus corpos, atira-los contra as paredes ou outros inimigos e ainda fazê-los rodar no ar para atingir outros monstros. A corrente é uma verdadeira arma multiusos, mas o seu papel é predominante em outras situações, pois esta é a única forma de arrancar a carne de inimigos mortos, apanhar objectos que estejam mais distantes e combater os muitos bosses do jogo. Cliquem aqui para ver mais imagens de Pandora's Tower Normalmente não costumo falar dos bosses, mas para Pandora's Tower não há como fugir. Não ficam grandes dúvidas de que a Gambarion conseguiu criar um sistema de combate justo e inteligente para estes encontros, onde cada combate pode não ser brilhantemente original, mas foram pensados da melhor forma, obrigando regularmente à utilização da corrente, por isso, caso não tenham evoluído muito a personagem ou a vossa arma principal, não se vão sentir esmagados por estes inimigos, havendo sempre uma hipótese de vitória. Embora não precisem de escalar por nenhum acima, cada um destes combates trouxe sempre à memória Shadow of the Colossus, pois não só são combates de David contra Golias, como ficamos sempre com a ideia de que somos os intrusos e estas criaturas estavam no seu retiro lutando apenas como defesa. São momentos frequentes de alguma espectacularidade, mas também de pressão, pois o relógio não pára. Sendo um RPG, Pandora's Tower engloba logicamente um sistema de experiência e evolução de personagem que aproveita todos os combates que fazem para que Aeron ganhe mais experiência e fique mais forte. Cada vez que evoluem, a personagem recupera toda a sua vida, o que é uma estratégia que pode ser bem explorada em situações de maior aperto, quando estão sem items para curar a personagem. Um dos principais impeditivos iniciais é mesmo o limite dos slots da mala que carregam para guardar items e o espaço para equipar armas e armaduras na personagem, mas isso é algo que pode ser expandido mais tarde durante a aventura. Porém, as viagens às torres não são tão positivas como podiam ser, e a grande culpada de tudo isto é a câmara de jogo. A Gambarion resolveu criar perspectivas de visão fixas para todo o jogo, o que altera os ângulos de câmara automaticamente em determinadas áreas. Mesmo que este sistema tente eliminar problemas de câmara típicos de jogos em 3D, acaba por oferecer algumas perspectivas demasiado afastadas, outras com pouca visibilidade, e em certos casos, esconder um inimigo que se prepara para nos atacar. Como é lógico, isto resulta em items ficarem escondidos, inimigos que nos tiram energia com ataques injustos e quedas para buracos. O ponto positivo desta câmara passa mesmo pelo facto de favorecer a utilização da corrente nas secções de plataformas, que necessitam que apontem com o Wiiremote (ou analógico do comando) e assim tornam este sistema mais fácil. Visualmente, tal como seria de esperar, Pandora's Tower é um jogo que consegue surpreender, não tanto pela sua componente gráfica, mas sim pela sua direcção artística e ambiente criado em redor de todas as zonas do jogo. As personagens também apresentam um detalhe bastante simpático e pormenorizado, mas os cenários são quem sofre mais, estando bem longe de um The Legend of Zelda, ou do mapa massivo de Xenoblade Chronicles. Quato ao som, a banda sonora é mais ambiental do que propriamente sinfónica, o que não é necessariamente mau, pois aumentam imenso a imersão. De qualquer forma, quando é preciso aumentar o volume, podem contar com boas músicas épicas a acompanhar os combates mais importantes do jogo. Fantásticas estão as vozes, gravadas mais uma vez em Inglaterra pela localização da Nintendo. Mesmo que Aeron fale muito pouco, houve um trabalho de localização muito bom, feito em redor de Elena e Mavda, que receberam uma tradução bastante positiva. Mesmo que seja tecnicamente mais fraco que Xenoblade Chronicles e The Last Story, Pandora's Tower foi um jogo que me chamou à atenção pelo seu tema, que não decepcionou de forma alguma, especialmente pela relação que Elena cria não só por Aeron, mas também com o jogador. É impossível não sucumbir aos encantos desta jovem frágil e bem-disposta que quer sobreviver, mas sente o peso da responsabilidade de colocar outros em perigo para a ajudar. Não vão ser raras as vezes que vão chegar ao observatório para ver Elena desolada a limpar o chão porque o seu corpo libertou gosma ao iniciar a sua transformação, ou a esconder-se na cave para não repugnar Aeron antes do seu corpo ser totalmente consumido. Estas reacções criaram em mim uma motivação cada vez maior para ir à luta e curar Elena, mas voltar a correr o mais depressa possível com carne de um monstro apenas para que Elena não tivesse de sofrer por mais tempo. Quando o jogador consegue criar uma empatia deste nível com uma personagem que é meramente digital, só mostra que a Gambarion fez um excelente trabalho com a história e personagens de Pandora's Tower. Embora chegue a tornar-se algo repetitivo e recorra a elementos de jogabilidade que funcionam mas não são os melhores, Pandora's Tower é um jogo único que merece ser jogado por todos. Quando comparado com Xenoblade Chronicles e The Last Story, acaba por ficar em último lugar em termos de qualidade, mas isso não vai ser um impeditivo para muitos, tal como eu, que vão ver Pandora's Tower como um dos jogos de culto deste ano.
Fonte: E-Zine/MyGames
label