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Análise do jogo "Kingdom Hearts Re: Chain of Memories" para PS2 escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 91 de 100, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9NZWRpYUNlbnRlci9tZWRpYS9pbWFnZXMvZXppbmUvS2luZ2RvbUhlYXJ0cy1yZS1jaGFpbnMtbWctYS0xLmpwZw==[/img] Como o próprio nome indica, Kingdom Hearts Re: Chains of Memories é um remake do jogo lançado em 2004 para o GameBoy Advance. Sequela directa do primeiro Kingdom Hearts, este remake foi lançado pela primeira vez em conjunto com Kingdom Hearts II: Final Mix + (versão com extras do segundo capítulo exclusiva no Japão) em 2007 e veio posteriormente a ser lançado a solo no mercado americano no ano de 2008. É, na verdade, uma versão muito bem-vinda para os jogadores de PS2 que não tenham tido a oportunidade de o jogar no GBA visto que é parte crucial da história da série. Como já referi o jogo inicia logo após o final do primeiro título, com Sora, Donald e Pateta a continuarem a sua procura por Kairi, Riku e King Mickey. Numa noite, enquanto o trio gozava o seu merecido descanso, uma estranha personagem de sobretudo preto atrai o grupo para o Castle Oblivion e aponta-o como o seu objectivo caso queiram encontrar os seus amigos. Também os avisa dos perigos que é procurar no castelo visto que, quanto mais andares subirem mais memórias serão perdidas mas, por outro lado, pode ser que encontrem quem procuram. Nas palavras do próprio: "Find is to lose and lose is to find". O desenrolar da história deverá ser do agrado dos fãs pois não só explica os acontecimentos que antecederam o 2º capítulo como também está repleto de localizações do primeiro jogo. Estas localizações são nada mais, nada menos do que as próprias memórias de Sora, fornecidas pelo misterioso homem que os guia ao castelo, pertencente á misteriosa Organization XIII (ou nem tanto para quem jogou Kingdom Hearts II). Estas cartas são parte crucial da aventura (característica também única dentro da série) pois permitem aceder aos diversos andares do castelo sob forma dos mundos da Disney visitados no primeiro jogo. Contem então regressar a mundos como Olympus Coliseum, Wonderland, Halloween Town e Traverse Town, casa de conhecidas personagens de Final Fantasy como Squall (Leo), Aeris, Cid e Yuffie. A progressão dentro de cada mundo faz-se através de salas, cada uma com a sua própria característica (aumento do número de hearthless, inimigos mais fortes, tesouros, etc…), também implementadas num sistema de cartas que são ganhas após cada luta. Cada uma destas cartas está numerada de 0 a 9 e tem uma de três cores (vermelho, azul e verde) e estes factores têm de tidos em conta pois cada sala requer um determinado número e uma determinada cor. Contudo a decisão de que tipo de carta associar a uma determinada sala está estritamente nas mãos do jogador, de modo a que possa criar uma progressão ao seu gosto. Apesar desta vantagem os cenários não têm toda a magia da Disney pela qual a série é reconhecida. Em Halloween Town, por exemplo, não se encontra em nenhuma sala o característico Curly Mountain como nos outros jogos da série. Apesar de se tratarem de pormenores fazem a diferença e não torna cada visita a estes mundos tão especial como seria de esperar num Kingdom Hearts. Mas não é este o único ponto negativo neste campo. As salas limitam-se a mudar de papel de parede (cada andar tem um diferente número de salas e estrutura mas nada além disso) dependendo de que filme Disney escolheram o que torna a experiência um pouco repetitiva e não motivadora à exploração (que também só serve o propósito de evolução dos atributos e a descoberta de mais cartas para os decks). Talvez os produtores o tenham feito de modo a que o jogador tivesse sempre a sensação que estava dentro do castelo mas este factor tornaria a progressão enfadonha se não fosse a história cativante. Para além do esquecimento de acontecimentos passados, Sora vai também ver-se impossibilitado de combater. Pois é, assim que entram em Castle Oblivion o trio vê-se desprovido de qualquer habilidade que possuíram anteriormente e Sora vê-se obrigado a usar (mais uma vez) cartas referentes a determinadas habilidades. As cartas usadas em combate dividem-se em três categorias: ataques físicos (cartas vermelhas), magias e summons (cartas azuis) e itens (cartas verdes). Existem ainda cartas de cor cinzenta que conferem certas habilidades passivas (como mais velocidade, maior alcance da Keyblade, entre outras) e que são ganhas após a derrota de bosses e inimigos. Para ganhar um combate o jogador terá de ir jogando as cartas até estas terem sido todas jogadas. Quando isto acontecer o jogador terá de voltar a "biscá-las" num command próprio para o efeito. Cada uma destas cartas (exceptuando as de cor cinzenta) encontra-se numerada de 0 a 9 e a importância destes números reside na dificuldade que o inimigo terá em quebrar a carta jogada com uma sua e será bem sucedido caso o seu número seja maior ou jogar uma de valor 0, que tem a vantagem de poder quebrar qualquer número mas também a desvantagem de poder ser quebrada por qualquer um. Para aumentar o número do ataque podem ser feitas combinações de três cartas e que, dependendo do número, podem dar origem a "sleights", ou seja, ataques especiais ganhos quando se sobe de nível de experiência. Quando aumentam o nível de Sora, o jogador poderá escolher que aspecto quer melhorar na personagem, se aumentar a saúde, o número de cartas por deck ou aprender uma "sleight". Apesar de úteis estes ataques especiais têm a desvantagem de tornar as cartas usadas impossíveis de "biscar" e só podem voltar a ser usadas se o jogador puser em jogo os summons e os itens certos. Para não estar sempre a alterar o seu deck o jogador poderá ainda criar mais dois decks adicionais o que permite mudanças de estratégias mais rápidas. Convém avisar que também não poderão contar com Donald e Pateta como parceiros pois estão apenas disponíveis como cartas de Summon que aparecem ocasionalmente no campo de batalha. Contudo, apesar de totalmente diferente dos outros jogos da série este sistema de combate é bastante competente e compensador. Tudo se desenrola em tempo real, num ritmo bastante acelerado e requer bastante mais estratégia e cuidado na forma como evoluem o vosso deck e personagem. Este sistema para torna-se ainda mais difícil nas (exigentes) lutas de boss, que, ao contrário do que acontece nos outros jogos da série, exigem que se pense mais e seja feita uma rigorosa gestão das cartas que levam para a luta. Se jogaram os outros jogos da série sentir-se-ão um pouco perdidos nos primeiros tempos e muitos podem até desistir devido a falta de paciência para os bosses mas com o passar das horas o combate torna-se bastante mais fluído e conseguirão tirar total partido do jogo em si. No departamento sonoro (que foi passado para segundo plano na versão de GBA devido ás óbvias limitações técnicas), este remake não envergonha de maneira nenhuma a série visto que apresenta melodias muito bem construídas assim como um cast de fazer inveja. Como já vem sendo habitual contem com Haley Joel Osment (o rapazinho, agora crescido, de O Sexto Sentido) no papel principal e dezenas de vozes originais da Disney. Para além disto cada andar do castelo tem melodias diferentes de acordo com o seu próprio mundo Disney, que retira alguma da repetitividade dos cenários. Já no que toca a gráficos estes são do melhor que se fez na série e seguramente dos mais limpos da Playstation 2. Se Kingdom Hearts II tinha texturas limpas e gráficos cartoon/manga bastante singulares Kingdom Hearts Re: Chains of Memories tem pormenores faciais (apesar de algumas expressões menos bem conseguidas e até básicas existem fases em que conseguem descortinar qualquer emoção da personagem, um nível que dificilmente encontram noutro jogo de PS2) e efeitos como electricidade e fogo ainda melhores que o seu antecessor/predecessor. Contudo, regressa o problema da falta de imaginação no ambiente de jogo. As salas são desprovidas de quaisquer pormenores apenas decoradas com alguns motivos de acordo com o próprio universo Disney. De qualquer forma há que realçar as diferenças em termos de cor de andar para andar. Se Nightmare Before Christmas ou Atlântida são um pouco monocromáticos (mas mesmo assim muito bonitos) já o interior da baleia Monstro está coberta de cores de células (por muito estranho que possa ser). Tudo isto e, apesar da já referida repetividade, torna os mundos Disney, cromaticamente, bastante variados. A demanda de Sora e companhia, apesar de mais pequena que a de Kingdom Hearts II, consegue estender-se por mais de 20 horas e depois de terminada poderão ainda jogar com Riku na sua própria história. Depois de ter ficado fechado com King Mickey do lado oposto da Door to Light em relação a Sora, Donald e Pateta, Riku consegue chegar a Castle Oblivion e batalha para eliminar toda a escuridão que resta no seu coração (proveniente da possessão que teve por Ansem no final do primeiro título). Apesar de mais pequena do que a aventura principal é interessante ver o que aconteceu em outras partes do castelo e ajuda também a perceber o estado em que se encontra no inicio de Kingdom Hearts II. Apesar do sistema de luta ser igual ao de Sora não podem determinar as cartas que usam em cada mundo Disney e contem ainda com mudanças a nível de evolução de Riku que estão ligadas á sua forma alternativa que, para além da mudança na vestimenta, tem bem mais poder. Kingdom Hearts Re: Chains of Memories, apesar de igual em termos de história e jogabilidade ao original de GBA sai vencedor com a inclusão de melhores gráficos, melhor som e, sobretudo, vozes. Numa série tão emotiva como Kingdom Hearts a ausência vozes e expressões faciais (que conferem emoções e estado de espírito ás personagens) prejudica e experiência da narrativa mas estes factores foram implementados com grande mestria e estão, por isso, isentos de mais comentários. Em suma, Kingdom Hearts Re: Chains of Memories é um remake muito bem-vindo á PS2 (que esperemos que ainda veja a luz do dia cá na Europa), destinado a amantes de RPG's (estes podem encontrar neste jogo um bom desafio) e um episódio crucial para todos os fãs que queriam compreender na íntegra a história da saga Kingdom Hearts que, apesar de ter grandes diferenças em relação aos outros jogos da série é extremamente recomendado pois não ficarão desapontados.
Fonte: E-Zine/MyGames
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