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Análise do jogo "Gravity Rush" para PSVITA escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 94 de 100, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9NZWRpYUNlbnRlci9tZWRpYS9pbWFnZXMvZXppbmU0L2dyYXZpdHktcnVzaC1hbmEtbWctaW1nMS5qcGc=[/img] Apesar de não ter um line-up de lançamento totalmente ecléctico, a PS Vita conseguiu mesmo assim apresentar algumas armas de peso logo na altura do seu lançamento, como foi o caso de Uncharted Golden Abyss, Wipeout 2048, Vitua Tennis 4 World Tour, Rayman Origins, Ultimate Marvel Vs Capcom 3 e Ninja Gaiden Sigma. Mesmo sendo jogos de lançamento com bastante força, nenhum deles nasceu originalmente na PS Vita, sendo conversões directas, sequelas ou spin-offs de algo que já tinha sido lançado anteriormente noutras consolas da família Playstation. Apesar de alguns bons lançamentos originais decentes como Little Deviants e Escape Plan, foi preciso esperar algum tempo para que o jogo mais aguardado da consola chegasse finalmente. Gravity Rush, é um dos primeiros grandes exclusivos inéditos construídos para a pensar na PS Vita, o que coloca no centro de todas as atenções. Depois do mercado japonês o ter recebido de braços abertos, será Gravity Rush o grande exclusivo único da PS Vita. [img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9NZWRpYUNlbnRlci9tZWRpYS9pbWFnZXMvZXppbmU0L2dyYXZpdHktcnVzaC1hbmEtbWctaW1nMy5qcGc=[/img] Neste jogo vão acompanhar a história de Kat, uma rapariga sem memória do seu passado, que descobre ser capaz de controlar a gravidade em seu redor com o auxílio de Dusty, um gato bem diferente do habitual. Sendo uma Gravity Shifter, Kat vai perceber que a opinião dos habitantes de Hekseville, a cidade do jogo, sobre os Gravity Shifters não é a melhor, o que a vai levar numa aventura para ajudar os moradores da cidade, enquanto tenta recuperar segmentos desaparecidos de Hekseville, e claro, a sua memória. No que toca à narrativa, Gravity Rush utiliza vários elementos diferentes, havendo cinemáticas que descrevem momentos com mais acção, ou situações chave para a história; ilustrações em forma de banda desenhada onde folheiam cada um dos quadradinhos com falas tidas entre as personagens, e por fim, o diálogo entre personagens através da presença da imagem estática de cada interveniente e a utilização de um balão de fala. São formas bastante bem concebidas de contar a história e funcionam bem, tendo em conta a aproximação visual do mesmo ao cell-shading. Gravity Rush oferece uma série de personagens carismáticas que ajudam a tornar a história mais interessante, como o amigo detective, uma Gravity Shifter que se faz acompanhar de um corvo, ou o "criador", que oferecem bons momentos de jogo. Porém, o destaque vai inevitavelmente para Kat, a protagonista desta aventura é uma personagem adorável e bem longe do estereótipo da pobre coitada que perdeu a sua memória. Kat é determinada, brincalhona e divertida, e é impossível não simpatizar com a sua forma de ser, e a sua busca pela simpatia dos habitantes da cidade, que começam por a odiar, mas aprendem a aceitar após os seus esforços para ajudar. [img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9NZWRpYUNlbnRlci9tZWRpYS9pbWFnZXMvZXppbmU0L2dyYXZpdHktcnVzaC1hbmEtbWctaW1nNC5qcGc=[/img] A história gira em redor da cidade em si, uma grande metrópole dividida em áreas interligadas por comboios, a flutuar acima de uma espécie de buraco negro gigante. De forma inexplicável, os restantes segmentos da cidade começaram a ser sugados por buracos negros, o que isolou famílias e locais distintos. Para recuperar cada uma das áreas, Kat terá de entrar em dimensões alternativas e derrotar as criaturas conhecidas por Nevi, de forma a devolver Hekseville ao seu estado normal. Para levar esta missão a bom porto, Kat terá de aprender a dominar as suas capacidades de Gravity Shifter, que lhe permite controlar a gravidade de forma a poder voar pelos cenários, andar pelas paredes e tectos, fazer levitar objectos, e até dar impulso para deslizar pelo chão. Ao contrário do que muitos podiam prever, a jogabilidade de Gravity Rush ainda demora alguns minutos a interiorizar, mas a Japan Studio conseguiu criar um sistema de jogabilidade simples e eficaz que permite controlar Kat no ar de forma graciosa. Usando os gatilhos superiores, podem activar ou desactivar o controlo de gravidade e apontando com o analógico ou com a consola para uma determinada direcção e carregando no R novamente, ou X, fazem com que a Gravity Shifter flutue nessa direcção. Desde que a gravidade esteja accionada, vão poder voar ao encontro de cada superfície e caminhar por ela normalmente. Tudo isto é controlado pelo medidor de gravidade de Kat que vai descendo à medida que mantêm a sua utilização. Esta barra precisa de ser constantemente controlada pois quase todas as habilidades requerem gravidade, seja para deslocar a personagem de forma aérea pelo cenário, transportar objectos ou para combater de forma mais eficaz. Falando em combate, não existem dúvidas de que mais uma vez a Japan Studio acertou em cheio na muche, criando um sistema de combate simples e intuitivo, mas que pode ser tão complicado quanto o jogador desejar. Quando no solo, Kat pode atacar directamente com murros e pontapés, fazer levitar objectos para atirar aos inimigos, ou até aplicar uma investida nos Nevi após um desvio bem feito, bastando para isso que deslizem o dedo pelo ecrã. Mas o combate assume proporções épicas quando misturam a gravidade, sendo possível, por exemplo, derrotar os inimigos no chão com golpes normais, e depois activar a gravidade para utilizar os golpes aéreos de Kat que criam uma investida aérea. Os Nevi surgem em várias formas e feitios, o que coloca os seus pontos fracos em zonas difíceis de alcançar, mas com algum tempo de treino, vão conseguir realizar autênticos bailados aéreos aos quais sobrevivem sem levar dano e com todos os inimigos destruídos em menos de nada. Cliquem aqui para ver mais imagens de Gravity Rush Tendo evitado ao máximo todo e qualquer spoiler relacionado com Gravity Rush, foi com grande surpresa que descobri ao jogar, que a Japan Studio resolveu deixar de lado a aventura por missões em sequência, para oferecer um mundo aberto livre de ser explorado pelo jogador. Por isso mesmo, preparem-se para explorar as zonas de Hekseville em busca de missões alternativas, buracos de esgoto que permitem viajar entre vários pontos da cidade de forma mais rápida, falar com os habitantes para saber mais sobre a história, encontrar um casal separado pelo tempo e apanhar o máximo de cristais de evolução para Kat. A cidade é realmente mais um dos pontos altos do jogo, sendo visualmente apelativa e recheada de pessoas, que fazem com que pareça viva e orgânica, fudamentalmente porque estas reagem à vossa passagem, especialmente quando utilizam os vossos poderes perto das mesmas, o que as pode projectar pelo ar ou assustar. É um cenário muito bem concebido com um visual vitoriano misturado com um ambiente clássico ao estilo da Disney que vale a pena visitar. Como perdeu a sua memória, Kat terá de reaprender a utilizar as suas habilidades, como tal, existe um sistema de evolução por níveis que podem melhorar usando os cristais roxos que encontram espalhados pelo mundo, ou que arrancam dos inimigos derrotados. Com eles podem melhorar características como a vida, a velocidade a que a barra de gravidade se esgota e que regenera, a quantidade de objectos que conseguem carregar com o campo gravitacional, a velocidade a que se deslocam pelo ar ou até o poder do vosso ataque especial, representado com uma bola cor-de-rosa que surge perto da barra de gravidade. A forma de evoluir é aberta e existem muitas habilidades para melhorar que vão sendo desbloqueadas à medida que a história avança. Sendo um mundo aberto com uma boa dose de RPG, Gravity Rush ainda oferece boas razões para levar o jogador a explorar bem os cenários em busca de tudo o que há para apanhar, ou missões secundárias que podem ser feitas para ganhar ainda mais cristais. Por isso mesmo, a longevidade da história vai depender do empenho de cada um, mas podem contar com algo entre as 7 e as 10 horas apenas para terminar a história e mais umas quantas para completar os desafios, e apanhar tudo o que existe em Hekseville, o que pode ascender às 20 horas. Visualmente, Gravity Rush é um dos jogos mais bonitos da PS Vita, pode não estar ao nível do visual de Uncharted Golden Abyss que consegue estar próximo do visual das consolas HD, porém, é através da sua mistura entre Cell-shading, o 3D normal e a sua direcção artística que Gravity Rush consegue brilhar. Desde a construção da cidade, ao ambiente de cada distrito que visitam, até ao espectáculo visual oferecido pelo viajar pelo mapa com Kat, este é um jogo que é um verdadeiro luxo visual sem precisar de ter um aspecto realista. Gravity Rush podia muito bem passar por um filme da Disney ou ser um projecto de Hayao Miyazaki (Estúdios Ghibli). Por vezes podem existir algumas quebras de fluidez ao viajar entre cenários, mas tendo em conta que estamos a falar de um jogo que utiliza um mundo aberto que podem explorar na sua íntegra sem loadings pelo caminho, é algo totalmente desculpável. Quanto ao som, Gravity Rush consegue ter uma das bandas sonoras mais épicas e geniais que podem encontrar na PS Vita, com músicas que vão do já referido estilo mágico à Disney, até outras mais barulhentas dedicas ao combate que nunca deixam de ficar bem em todo o universo de jogo. Estamos a falar de uma banda sonora que vale a pena ouvir vezes sem conta, mesmo quando não estão a jogar. Apesar de não poderem contar com diálogos falados além de uma ou outra fala numa língua estranha, tudo o resto foi criado de forma cuidada, e nem os sons e gritos produzidos por Kat chegam a ser repetitivos ou irritantes. Mas nem tudo são rosas e mesmo na melhor toalha cai sempre uma nódoa. Neste caso, a nódoa mais grave de Gravity Rush são os seus tempos de Loading que conseguem superar os 30 segundos em muitos casos, especialmente quando estão a iniciar o jogo. Estes são algo mais curtos quando acontece algo dentro do jogo, mas, mesmo assim, esperar quase 15 segundos para iniciar uma missão secundária ou por um respawn após terem saído dos limites da cidade, é demasiado tempo para um experiência portátil e acaba por quebrar um pouco o ritmo. Outro problema, está ligado ao próprio desafio de criar um jogo com algo tão exigente como a gravidade, o que ergue alguns problemas de jogabilidade e colisão quando um ou outro objecto mais pequeno surge pelo caminho, mas nada que seja muito grave. Como já devem ter percebido pelo que foi dito até agora, Gravity Rush é um grande jogo para a PS Vita, mas a verdade é que chega a ser bem mais que isso. Desde a sua jogabilidade à sua liberdade, visual, música e personagem principal, este é um jogo realmente deslumbrante e impressionante, que me deixou agarrado à consola de forma compulsiva. Resumindo, não há nada como Gravity Rush na PS Vita, sendo um uma série totalmente inédita que felizmente deixou a PS3 para trás para se tornar num exclusivo de peso que encaixa como uma luva na portátil da Sony. Original, genial, viciante e único. Gravity Rush é um jogo que merece todos os elogios, o que lhe confere logicamente o título de melhor jogo da PS Vita até agora.
Fonte: E-Zine/MyGames
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