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Análise do jogo "Dragon's Dogma" para PS3 escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 86 de 100, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9NZWRpYUNlbnRlci9tZWRpYS9pbWFnZXMvZXppbmU0L2RyYWdvbnMtZG9nbWEtcHMzLWNvdmVyLmpwZw==[/img] O final do ano passado ficou marcado pela luta entre dois grandes colossos dos RPG de aventura, de um lado, apresentou-se The Elder Scrolls V Skyrim, enquanto da terra do sol nascente, chegou Dark Souls. A luta travada entre estes dois jogos foi épica e conseguiu alimentar os fãs do género durante muitas e boas horas. Entretanto, enquanto estes dois competiam, nas sombras a Capcom preparava Dragon's Dogma, um híbrido entre o estilo de jogo de Dark Souls, a exploração de Skyrim com vários elementos de criação e angariação de recursos ao estilo de Monster Hunter. Desde que foi anunciado no ano passado, não demorou muito tempo até que Dragon's Dogma visse a luz do sol nas consolas. O projecto é ambicioso e neste estão algumas das melhores mentes da companhia, mas será que ainda há espaço no mercado para este novo híbrido da Capcom? Dragon's Dogma conta a história do Dragão, uma criatura altamente temida por todos os habitantes de Gransys, a terra criada pela Capcom para alojar a acção do jogo. Vocês vão começar o jogo como um habitante de uma pacata aldeia que é atacada pela Dragão, e após este combate, a vossa personagem é morta e o seu coração retirado e comido pelo Dragão. Assim nasce mais um Arisen, uma pessoa sem coração que tem como objectivo matar Dragão e acabar com a guerra. Apesar da história tentar levar gradualmente até ao confronto final com o Dragão, a verdade é que Dragon's Dogma nem sempre faz um bom trabalho para manter o jogador agarrado à história. Embora as referências ao Dragão e ao nosso papel como Arisen estejam sempre presentes, vão ser sempre banhados com missões extra e várias actividades para fazer que vos levam a explorar Gransys e a desviar do percurso da narrativa. Porém, a exploração assume contornos realmente impressionantes e compulsivos, cada caminhada de um ponto a outro convida a sair das estradas para explorar um grupo de ruínas ou derrotar um grupo de Goblins. A ajudar a isto está um sistema de dia/noite que funciona de forma pacificadora quando o sol nasce e opressiva quando o sol se põem. De dia as zonas mais afastadas ou inexploradas oferecem bons desafios, mas quando a noite cai, a penumbra esconde todo o estilo de monstros poderosos e pequenos exércitos sempre prontos a atacar. É uma pena que grande parte dos pontos de Respawn diários tragam sempre o mesmo número de inimigos às mesmas zonas, o que cria alguma repetição. Além da história principal, vão encontrar centenas de missões para fazer que surgem normalmente nas estalagens (Inns) abertos pelo mundo, dadas por alguns NPC espalhados por algumas zonas ou, em certos casos, accionadas pelo aparecimento de um inimigo mais poderoso ou segundo emboscadas. Isto faz com que tenham de explorar vários pontos do mapa que oferecem vários estilos de vistas, como penhascos à beira-mar, praias, florestas, catacumbas, cavernas, entre muitos outros locais típicos dos universos de fantasia. Indo beber bastante a Monster Hunter, Dragon's Dogma é um jogo que também vive muito dos itens que apanham, seja dos inimigos derrotados, ou espalhados pelo mundo. Podem colher plantas, retirar minério de rochas, encontrar baús de tesouro escondidos ou vasculhar por sacos de viagem abandonados por todo o estilo de objectos feitos pelos humanos. Todos estes itens têm utilidade, como curar a vida da personagem que vai encurtando à medida que sofrem dano, para melhorar as vossas armas e armaduras, ou em casos especiais, combinar objectos para criar outros totalmente novos. Mas como explorar zonas distantes é perigoso sem ajuda, Dragon's Dogma introduz um sistema inovador e bem pensado de personagens controladas pelo computador que nos ajudam durante a aventura. Depois de criar a vossa personagem e chegar à primeira zona de importância, vão ser presenteados com a oportunidade de criar um Pawn, um ser humano sem alma que tem como única missão ajudar cada Arisen. Tal como com a vossa personagem, vão poder personalizar todos os aspectos do vosso Pawn, não esquecendo até a classe que vai usar. A criação do Pawn é um elemento altamente importante, pois se a vossa consola estiver ligada à internet, vão poder recrutar Pawns criados por outros jogadores, assim como o vosso Pawn pode ser recrutado. Este recrutamento não retira o vosso Pawn da aventura que estão a viver, mas cria uma imagem do mesmo no mundo de outro jogador, depois da sua utilização, toda a experiência de viagem, conhecimento dos inimigos e missões são passadas para o vosso Pawn, o que vai providenciar informação vital para missões futuras, ou galardoar pontos de Rift com os quais podem recrutar Pawns com um nível superior ou comprar itens raros. Dragon's Dogma faz com que queriam sempre equilibrar a vossa equipa com as classes e vantagens ideais para o inimigo que encontram com mais variedade. Os Pawns que vos acompanham dão informação constante sobre cada zona ou monstro que surge, ao ponto de se tornarem repetitivos, algo que só se torna intrusivo quando passam pelo mesmo sítio ou encontram um Goblin pela vigésima vez no mesmo dia. Cliquem aqui para ver mais imagens de Dragon's Dogma Quanto ao centro da acção, Dragon's Dogma teve direito a um sistema de combate que mistura muito do que já do visto em Dark Souls, Monster Hunter e até um pouco de Shadow of the Colossus. Dependendo da classe que escolherem, vão poder utilizar um determinado lote de armas ou magias que conferem um grande número de habilidades que podem desbloquear e equipar para usar nos muitos confrontos. Todos os inimigos que encontram em Gransys variam entre ratazanas e aranhas do tamanho de coelhos até Ciclopes, Quimeras e Grifos. Tirando os inimigos mais pequenos, seja um Goblin ou um Troll, cada criatura ataca de formas diferentes e usam vários estilos de tácticas, por isso mesmo, e tal como com Dark Souls, a aproximação a cada inimigo é feita sempre por vários níveis de aprendizagem do seu padrão de ataques e a suas fraquezas. Hobgoblins odeiam fogo e Trolls ficam paralisados com electricidade, deixando cair as suas mocas e permitindo que possam trepar pelas suas costas e atacar as zonas com menos armadura. O combate de Dragon's Dogma nunca chega a ser tão impiedoso como o de Dark Souls, mas ainda oferece alguns desafios de grande peso e dificuldade. Atravessar o mapa até uma zona mais agreste pode revelar inimigos bastante fortes ou emboscadas inesperadas. Durante as minhas horas de jogo cheguei a deparar-me com um ataque nocturno de uma Quimera que depressa se transformou num combate de grupo quando todo o barulho atraiu um grupo de homens-lagarto conhecidos por Saurion. A certa altura cheguei a até temer uma luz azulada no breu da floresta, que após alguns combates contra vários espíritos revelou ser uma fonte para curar as personagens. Tudo isto podia correr na perfeição se os Pawns respondessem de uma forma mais eficaz, utilizando as magias certas na altura exacta, ou fugindo do perigo, especialmente no caso dos Mages que insistem em preparar feitiços mesmo quando estão a poucos metros de um Ciclope enraivecido enquanto este começa a rodar os seus braços em todas as direcções. Felizmente isto não é algo que prejudique a experiência por demais e podem sempre dar algumas ordens básicas que colocam os vossos Pawns na ordem. Como já mencionei antes, Gransys é uma região vasta e com muito para explorar que nos convida a sair das estradas para fazer mais uma missão ou matar mais um grupo de ladrões. As paisagens e regiões de Gransys são realmente vistosas, especialmente em dias mais solarengos, mas o impacto surge tanto de dia como de noite, pois o ambiente nocturno é altamente avassalador. Quando a noite cai, Gransys fica às escuras no verdadeiro sentido da palavra e é quase impossível ver muito além de uma meia dúzia de metros, mesmo com a lanterna acesa. Ao cair do sol, o horizonte fica cheio de pontos de fogueiras que revela acampamentos de monstros o que cria grandes momentos de pressão e receio, e não vão ser raras as vezes que vão ser surpreendidos por um monstro gigante que surge quase colado à vossa personagem vindo do nada. Apesar de Gransys ser realmente impressionante, o mesmo não se pode dizer das personagens que compõem o mundo. Sejam humanos ou Pawns, a verdade é que tudo o que não são monstros, parecem mais marionetes do que seres vivos. Isto fica ainda pior quando surgem cinemáticas ou diálogos em que as caras ganham mais destaque, o que mostra sincronizações labiais muito más, animações repetidas e modelos pouco trabalhados. Outro grande problema de Dragon's Dogma é a escolha visual que a Capcom resolveu dar, seja nos dias com mais sol, ou mesmo nos nublados, este é um jogo demasiado escuro. Eu até percebo que a ideia é passar um pouco do ambiente de fantasia negra, e como já referi, as noites em Gransys estão brilhantemente trabalhadas, mas por vezes o ambiente é tão cinzento que a imagem parece desfocada e torna a visibilidade menos "amigável". Este problema surge muito mais no mapa-mundo e cidades do que até nas masmorras e catacumbas do jogo, que mesmo no meio da penumbra, não parecem tão desfocadas. Outro problema igualmente grande são as quebras de fluidez que algumas situações de combate sofrem, muitos destes momentos acabam por cortar algum do impacto e dificultar a movimentação após um ataque especial mais forte ou veloz. A nível sonoro, Dragon's Dogma é um jogo bastante sólido, com vozes e diálogos ao estilo medieval que cumprem bem o seu trabalho e conseguem ser credíveis na sua maioria. A música, embora que parca e os sons ambientais estão espectaculares, mas com a tendência de repetição, especialmente no que toca às frases ditas pelos Pawns que vos acompanham, ou à música de combate recorrente que só fica diferente em combates com inimigos mais fortes. Por fim, o último grande defeito de Dragon's Dogma passa mesmo pela estranha decisão da Capcom de não ter incluído qualquer estilo de modo cooperativo para esta aventura, algo incompreensível dado o sistema de combate e exploração promovido pela presença dos Pawns. Durante quase toda a minha experiência não deixei de pensar no quão espectacular seria jogar Dragon's Dogma com outros jogadores através do Online. Não é um problema do jogo, mas sim uma má decisão por parte da Capcom que tinha aqui todos os ingredientes necessários para fazer deste jogo o maior RPG online de consolas desta geração e uma evolução natural daquilo que tinha sido feito com Monster Hunter. No geral, mesmo com alguns erros e problemas, Dragon's Dogma é uma aventura de excelência com uma premissa capaz de o colocar um confronto directo com os melhores do género. Uns vão adorar a sua aproximação ao género, outros vão rotula-lo de uma versão medíocre de Dark Souls ou Skirym. A verdade é só uma, Dragon's Dogma é altamente divertido e desafiante, e um jogo que é tão empolgante e viciante quanto vocês estiverem dispostos a investir nele, altamente recomendado aos fãs de RPG de acção ao estilo ocidental. Se Dragon's Dogma 2 aproveitar os melhores momentos desta primeira experiência, corrigir os erros verificados e adicionar modo online, então os restantes jogos do género que se preparem para ter mais um grande concorrente.
Fonte: E-Zine/MyGames
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