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Análise do jogo "Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King" para PS2 escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 90 de 100, enviado por Anônimo,
Que a Square Soft é um dos maiores estúdios de videojogos do mundo, ninguém duvida. Muito desta reputação deve-se à série Final Fantasy que há anos tem vindo a reinventar o género dos RPG (na sua vertente nipónica), com entregas de qualidade em diversas eras e plataformas. No entanto, será injusto atribuir todos os louros a uma única licença, visto que a Square tem no seu portfólio diversos títulos dignos de nota. De todos estes, a saga Dragon Quest conquistou um lugar especial no coração dos fãs, mesmo nunca tendo atingido o nível de popularidade de Final Fantasy. Assim sendo, era apenas uma questão de tempo até a Square resgatar a série. É desta forma que nasce Dragon Quest VIII, um RPG na linha clássica para a PlayStation 2, que promete trazer para a consola da Sony uma experiência longa e envolvente, construída de raiz para responder às exigências dos adeptos mais fervorosos dos Role-Playing Games. Desde logo, Dragon Quest VIII marca a passagem da série para o 3D, ao contrário dos seus antecessores, representados numa perspectiva de topo. Pouco tempo depois de entrarmos no jogo, só temos de congratular a Square por esta opção, muito devido à qualidade gráfica que conseguiram incutir. [img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9nNC9pbWFnZXMvcmV2aWV3cy9zaG90XzE2XzEzMjcuanBn[/img] Todos os cenários e personagens são tridimensionais, mas, mais do que isto, é impossível ficar indiferente ao emprego da técnica cel-shading, que aqui é primoroso, dando ao jogo um aspecto que parece ser retirado directamente da animação japonesa, com cores garridas e linhas inconfundíveis. Claro que muita desta qualidade se deve ao envolvimento na produção do mítico artista plástico Toriyama Akira, criador do lendário anime Dragon Ball. O seu traço é reconhecível em cada esquina, desde o desenho das personagens às cidades. É mesmo visível uma semelhança marcada entre as personagens de Dragon Quest e de Dragon Ball, o que não deixa de ser curioso. A isto, juntem ainda o desenho original dos inimigos que enfrentamos e temos em mãos um jogo impressionante a nível gráfico, que corre com uma fluidez invejável. Dragon Quest VIII traz-nos também um estória intrincada, que promete cerca de sessenta horas de jogo ininterrupto. A durabilidade é avassaladora, ainda mais porque este tempo é em muito alargado se decidirmos seguir todas as missões secundárias que vão aparecendo aqui e ali. A narrativa principal coloca-nos na pele de um soldado, o único resistente a uma maldição lançada pelo pérfido Dhoulmagus sobre o seu reino. Com todos os seus habitantes mortos, embarcamos numa viagem contra o tempo para derrotar o malvado feiticeiro e restaurar o nosso reino à sua forma original. [img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9nNC9pbWFnZXMvcmV2aWV3cy9zaG90XzE4XzEzMjcuanBn[/img] Acompanha-nos o rei Trode, transformado num pequeno monstro pela maldição, e um ladrão, Yangus, que salvamos das garras da morte e nos jurou fidelidade. Pelo caminho encontraremos ainda outras personagens, todas elas com um passado e as suas próprias motivações, contribuindo em larga escala para a envolvência do jogo. A jogabilidade de Dragon Quest VIII assume a linha dos RPGs clássicos, com uma grande dose de exploração (mais uma vez, num mapa a 3D), e um enfoque ainda maior nos encontros aleatórios com os mais diversos inimigos. As batalhas decorrem por turnos, com o jogador e os inimigos a atacarem alternadamente. Se no início lutamos apenas com duas personagens, à medida que vamos acolhendo mais companheiros na nossa trupe, as possibilidades estratégicas multiplicam-se, tornando as batalhas em encontros tácticos, onde é necessário aproveitar ao máximo as capacidades únicas de cada elemento. De referir que, ao contrário de muitos outros RPGs, todas as batalhas são complicadas, limitando aos encontros com os bosses. Se não estiverem bem equipados e com um nível aceitável, é muito fácil serem derrotados, mesmo pelos inimigos mais fracos. Esta dificuldade é ainda maior à noite, com a escuridão a trazer oponentes mais fortes do que as criaturas diurnas. [img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9nNC9pbWFnZXMvcmV2aWV3cy9zaG90XzM2XzEzMjcuanBn[/img] A nível sonoro, Dragon Quest VIII não desilude. O diálogo decorre em inglês, não havendo muito a apontar à dobragem, mesmo que existam algumas alturas em que os actores se deveriam ter empenhado um pouco mais. Mesmo assim, as vozes adaptam-se aos seus donos e, não sendo brilhantes, cumprem o seu propósito. Onde Dragon Quest VIII brilha é na banda sonora, extremamente envolvente e que nos traz melodias de grande qualidade. Quer falemos da música presente nas cidades, quer da música durante os combates, ou ainda da que soa enquanto exploramos os mapas, não há falhas a apontar. Que seja editada a banda sonora, é a única coisa que pedimos… Dragon Quest VIII, mais do que inovar, foca-se em trazer para a PS2 uma experiência clássica, cumprindo todas as promessas feitas durante o seu desenvolvimento. O resultado final é fenomenal, conseguindo aliar a jogabilidade tradicional a um aspecto gráfico de sonho e a uma estória simples mas de qualidade. Enquanto Final Fantasy XII não chega ao mercado, têm aqui um dos melhores RPGs editados nos últimos tempos e que justifica por completo a sua compra. É certo que tivemos de esperar largos meses até podermos deitar as mãos a esta pérola, mas só temos uma coisa a dizer: valeu a pena esperar.
Fonte: E-Zine/MyGames
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