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Análise do jogo "Binary Domain" para X360 escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 83 de 100, enviado por Anônimo,
O ser humano adora reflectir sobre o seu futuro, mas na maior parte das vezes tentamos ver mais o que nos pode acontecer de mal, do que podemos fazer de bom. Por isso mesmo, não é de estranhar que um filme como uma série de filmes como o Exterminador Implacável tenha sido um dos grandes sucessos dos anos oitenta/noventa. Nestes filmes, os humanos tinham a sua existência ameaçada e as maquinas tinham tomado conta do mundo, um cenário que muitos defendem estar à beira de poder ser uma realidade. Este é um cenário que tememos cada vez mais, não sendo possível definir até que ponto é uma boa ideia melhorar a inteligência artificial, ao ponto de ser impossível distinguir um ser humano de uma máquina. Este tema já foi debatido, reflectido e falado por diversas vezes, tanto em filmes, como literatura ou videojogos, e é este último meio que ganhou mais uma história que explora este limite entre os humanos e as máquinas. Binary Domain é a nova aposta da Sega dentro do universo dos jogos de acção na terceira pessoa. Aqui o mundo está a atravessar uma era de evolução tecnológica desmedida, onde as empresas lutam pelo monopólio de criação robótica. Pelo caminho ficou o Japão, mas não a sua evolução, que muitos suspeitam ser o criador de uma nova geração de robôs, os Hollow Children, maquinas feitas à imagem humana e criados a pensar que são realmente humanos, o que levanta uma série de problemas morais relacionados com o perigo que se pode levantar e o medo de viver lado a lado com este tipo de máquinas. Com uma série de Hollow Children descobertos no ocidente, os senhores que mandam nisto tudo (no futuro), resolvem enviar uma equipa composta por alguns soldados de várias nacionalidades para o Japão, de forma a parar Amada, um cientista genial e a mente por detrás desta vaga de "robôs humanos". Em Binary Domain vão entrar no papel de Dan Marshall, um soldado de elite que após alguns problemas acaba por ficar responsável pela equipa de intervenção enviada para o Japão. Entre a presença de ingleses, chineses e outros, vão descobrir uma história mais profunda do que podiam esperar à primeira vista, com um fundo psicológico, emocional e filosófico bastante forte, que pode até funcionar como uma reflexão da nossa importância e papel no futuro da humanidade tecnológica. Binary Domain é o vosso típico TPS, de acção baseado em cobertura, com muitas armas para apanhar pelo caminho e dezenas de cabines de comércio preparadas para receber os vossos créditos para melhorar as armas que podem utilizar, assim como as dos vossos colegas de equipa. Desde ressuscitar um colega tocando nele ou utilizar golpes físicos, este é um jogo que não foge ao que já foi visto nos melhores do género, o que acaba por não ser muito mau, pois Binary Domain é um jogo que se revela muito competente e representa muito bem aqueles em quem se inspira. Mas em combate, o que torna Binary Domain realmente único são os inimigos que vão encontrar. Esqueçam monstros estranhos, aqui vão defrontar exércitos de robôs em fúria que avançam incessantemente na vossa direcção. Ter um jogo onde robôs são os inimigos é sempre bem jogado, pois é uma desculpa para ter centenas de inimigos iguais e para o facto de serem suicidas demais para não se abrigar. Mas a verdade é que estes são dos adversários mais interessantes que derrotei nos últimos tempos num videojogo. A sua crueldade, frieza e avanço constante dão origem a combates impressionantes e à sensação de que a sua agressividade é infinita. O facto de serem robôs permite que explorem as suas fraquezas. Caso disparem para as pernas estes acabam por perder a mobilidade, mas isso não impede que comecem a rastejar até vocês com arma em punho. Caso rebentem a cabeça de um, este começa a disparar indiscriminadamente em todas as direcções e vê todos como inimigos, outros até preferem autodestruir-se caso estejam prestes a morrer. Estes inimigos acabam por ser uma lufada de ar fresco no género. Como vão andar em grupo com os vossos colegas, vão poder escolher normalmente entre uma equipa de três, com dois soldados a acompanhar Dan. Este modelo de jogo permite que exista mais alguma estratégia empregue, pois podem controlar os vossos aliados com uma série de indicações directas. Estas indicações podem ser dadas através da utilização de um botão ou de voz, sendo necessário utilizar um headset para o efeito. As ordens podem ir de coisas como iniciar um ataque ou abrigar, até coisas mais complexas, mas tudo vai depender da confiança criada com os colegas de combate. Cliquem aqui para ver mais imagens de Binary Domain Caso sejam um bom líder, destruam muitos robôs, curem os vossos aliados inconscientes, entre outras acções, então podem contar com um grupo de aliados leais e prontos a morrer por vocês se for preciso, no entanto, se forem cruéis, ou escolham decisões erradas, preparem-se para ser ignorados ou ouvir um vigoroso "não". Embora traga algo de extremamente interessante a Binary Domain, este sistema não é tão linear e certo quanto isso, pois os vossos colegas só vos vão odiar caso disparem contra eles voluntariamente ou respondam às suas perguntas de forma bruta. Quanto a usar o microfone para dar ordens, este nem sempre funciona bem, parecendo estar afinado para ser usado por ingleses da América, mas cumpre a sua função como um extra que funciona melhor quando dão ordens com o comando. A história de Binary Domain vai fazer-vos percorrer algumas das zonas de uma Tóquio com um futuro distinto, tão depressa estão a combater entre edifícios vazios, como estão a visitar uma zona urbana e podem conversar com os seus habitantes. Estas paragens ocasionais ajudam sempre a dar mais alguma variedade e dar espaço para respirar, especialmente após as batalhas contra os vários bosses do jogo que oferecem desafios bastante pesados e longos, mas diferentes e colossais em grande parte dos casos. Além de um modo história que dura uma boa dezena de horas, Binary Domain aproveitou para incluir um modo online com modos competitivos e cooperativos. Na parte da competição podem contar com os modos do costume como os Deathmatch e Team Deathmatch que testam a vossa habilidade contra outros jogadores. Mas o meu favorito foi mesmo o Invasion, uma espécie de Horde onde vão aliar-se a outros jogadores e combater vagas de inimigos cada vez mais fortes. O modo online não é revolucionário, mas caso queiram um pouco mais de Binary Domain ou procurem algo diferente, então este vai conseguir manter-vos entretidos por mais algumas horas. Visualmente, é notório que Binary Domain procura aproveitar da melhor forma o motor de jogo utilizado pela Sega nos Yakuza da PS3, o que resulta num jogo com um visual bastante atractivo e competente, embora longe do jogos de topo desta geração. Mas o destaque vai mesmo para todo o mundo que vos rodeia, explorar algumas das zonas de Tóquio mostra uma atenção ao detalhe bastante bom, com muito conteúdo espalhado, referências a outros acontecimentos e cenários com horizontes que representam bem uma cidade futurista (ver as estradas que cruzam os céus nos vários pisos de Tóquio consegue impressionar). O som também tem bastante qualidade, a música mistura bem segmentos de rock, techno e industrial. As vozes, que eram o meu maior receio, acabaram por ter um tratamento satisfatório. Mesmo que algumas personagens sejam o típico soldado de guerra, os intervenientes principais ainda mostram alguma personalidade e ficam francamente melhores à medida que a história avança. Destaque também para os barulhos dos robôs que são iguais àquilo que sempre imaginámos desde pequenos. Antes de Binary Domain chegar, o resto dos redactores baptizaram-no do novo Alpha Protocol, mas isso não me assustou, pois Alpha Protocol revelou ser bem melhor do que a crítica fez crer. Binary Domain é mais um desses jogos, um projecto que vai passar ao lado de muitos e que merecia ser jogado por muito mais do que vai ser. Apesar de ter uma jogabilidade boa, um sistema de escolhas e ordens interessante e um inimigo desafiante, é a história e universo criado em redor do tema de Binary Domain que o fazem brilhar. Além disso, se é um jogo que além de nos divertir faz pensar, então decerto que existe alma dentro desta máquina.
Fonte: E-Zine/MyGames
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