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Análise do jogo "Baten Kaitos: Eternal Wings and the Lost Ocean" para GC escrito por E-Zine/MyGames

Escrito por E-Zine/MyGames, nota 87 de 100, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9nNC9pbWFnZXMvcmV2aWV3cy9zaG90XzVfMTE2Ny5qcGc=[/img] Baten Kaitos quer dizer em árabe "a barriga da baleia" e também é o nome de uma constelação, Cetus, "A baleia". Isto não surge por acaso, e no mundo de Baten Kaitos as pessoas vivem no céu, em pequenas ilhas flutuantes que os locais apelidam de "As Cinco Baleias", onde as nuvens são uma presença constante, e tudo está repleto de uma forte mitologia. Neste mundo as pessoas adquiriram asas, que são a expressão física dos seus desejos, e toda a noção de continentes e oceanos é pura lenda. Kalas é uma dessas pessoas, um rapaz especial, pois apenas tem uma asa natural, sendo a outra uma obra de engenharia do seu avô. Vocês vão entrar no jogo como a consciência de Kalas, uma espécie de anjo da guarda. A forma como reagirem às sugestões de Kalas irá fortificar ou enfraquecer os laços espirituais com ele. Baten Kaitos é um role-playing game bem ao estilo nipónico, mas com muitas características próprias, a começar pelo seu sistema de combates, às vezes um pouco problemático, mas que, ao fim e ao cabo, é bastante consistente. Se adicionarmos a isso bosses poderosos e toda a genialidade criativa dos criadores de Xenosaga, temos jogo! Kalas vai cruzar-se com Xelha, uma jovem aventureira e vão acabar se envolvendo numa trama que revolve à volta de forças poderosas, desde o Império, que domina todo o mundo de Baten Kaitos, a deuses, há muito adormecidos. A partir daqui vão embarcar numa aventura capaz de se estender por mais de 50 horas e onde vão juntar-se a mais aventureiros, como Lyude e Savyna, entre outros. [img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9nNC9pbWFnZXMvcmV2aWV3cy9zaG90XzI1XzExNjcuanBn[/img] Em Baten Kaitos a magna essence é a essência vital de todas as coisas. Cada objecto possui uma magna essence. Depois existem as magnus, cartas que conseguem aprisionar a magna essence das coisas. Este sistema de gestão de inventário é engenhoso e funciona de uma forma muito interessante. Numa magnus podemos aprisionar um objecto de uma missão, qualquer arma ou feitiço que podemos usar em combate e ainda outros objectos. Por exemplo, se guardarem um conjunto de bananas verdes dentro de uma magnus, passado um tempo essas bananas estão madurinhas e prontas a comer. Imaginem o que acontece a um peixe… O facto de alguns magnus mudarem ao longo do tempo é um conceito interessantíssimo. O sistema de combates é uma mistura entre turnos e tempo-real. Isto é, quando atacamos o inimigo pode sempre usar esse turno para defender-se e vice-versa. É um sistema por vezes confuso, e que exige bons reflexos, tanto mentais como agilidade nas mãos, para escolhermos os nossos ataques e defesas no pouco tempo disponível. Mas mesmo antes de começarmos a combater convém dar uma vista de olhos no nosso baralho de magnus. Dentro dele vamos encontrar cartas de ataque, cartas de defesa e ainda objectos úteis. Existem vários tipos de defesas e vulnerabilidades nos inimigos e há que escolher o baralho certo para os enfrentar. [img]hide:aHR0cDovL20ubXlnYW1lcy5wdC9nNC9pbWFnZXMvcmV2aWV3cy9zaG90XzQ1XzExNjcuanBn[/img] Um dos aspectos do combate mais complicados de dominar é as combinações. Em algumas magnus podem encontrar pistas de como os executar, mas terão de encadear o ataque com as cartas correctas para que surta efeito. Caso consigam fazê-lo terão um bónus à vossa espera no final do combate. O mundo de Baten Kaitos está repleto de inimigos. Esses inimigos também possuem um baralho de cartas magnus, tal como nós. Quando os derrotamos podemos ficar com uma das suas cartas e também ganhamos experiência. Contudo, para subirmos as nossas capacidades temos de rezar… O limitado número de zonas para gravar o jogo leva-nos a alguns Game Over frustrantes. É verdade, a única maneira de subir de nível é ir à igreja rezar. Dado que só temos acesso a essa igreja a partir de uma flor muito especial, vai acontecer andarem bastante tempo com o mesmo nível e depois subirem dois ou três de uma assentada, isto claro está, se não quiserem andar para trás e para a frente com frequência. Quando queremos curar alguém do nosso grupo temos de mudar rapidamente o alvo para não curarmos o inimigo, algo que nos aconteceu com frequência no início do jogo. Não existe nenhum mostrador com a vida dos elementos do nosso grupo, o que nos obriga a um grande exercício mental para calcular, por alto, o seu estado. Além do fio central da estória de Baten Kaitos, existe uma série de missões laterais onde podemos embarcar, preenchendo a nossa experiência nesse mundo tão peculiar. Não houve um grande foco nas personagens principais. O enredo em si assume a total preponderância na imersão dos jogadores. Os ambientes estão espectaculares. Qualquer pessoa que goste de fantasia vai ficar deliciada com o que se vê neste jogo. Usando um sistema que mistura cenários estáticos com alguns elementos dinâmicos, os cenários de Baten Kaitos têm um apelo impar, digno dos melhores contos de fadas da nossa infância. A Monolith Soft. volta a vincar o seu jeito para envolver os jogadores em estórias fantásticas. O aspecto sonoro tem pormenores muito bons e outros onde se esperava mais, como é o caso das vozes, que estão interessantes mas longe da qualidade de Xenosaga. A banda sonora peca por se repetir muitas vezes e por estar muito colada ao estilo Final Fantasy, o que não lhe retira qualidade, mas que não a permite ser excepcional. Baten Kaitos é um excelente RPG, mesmo com o seu sistema de combate extremamente complexo. O enredo base é o costumeiro para qualquer RPG mas o mundo envolvente é de uma criatividade impressionante. Com mais de uma mão cheia de dezenas de horas de jogo, não podia ser mais recomendado pela G4mers.
Fonte: E-Zine/MyGames
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