O jogo BR1 Infinite está chamando atenção e levantando sérias suspeitas ao se apresentar como o primeiro título de extração com dinheiro real do mercado. O conceito é simples e perturbador ao mesmo tempo: cada spawn em uma partida custa US$ 1 do bolso do jogador, mas cada kill garante outros US$ 1 de volta, além de uma taxa de US$ 10 por hora de jogo. Na teoria, um bom jogador sai no lucro. Na prática, uma sequência ruim de mortes pode esvaziar a conta bancária.
A informação foi inicialmente destacada pelo Polygon e confirmada por postagens oficiais do próprio jogo no X (antigo Twitter). O título é desenvolvido pela Bravo Ready Studios, empresa com histórico declarado nas áreas de apostas e tecnologia para o consumidor. Entre os investidores que bancam o projeto estão nomes pesados: a Krafton, publisher de PUBG: Battlegrounds, a Solana Ventures e a 6MV, entre outros.
O acesso ao jogo é restrito a convites e limitado ao PC, com vagas anunciadas em lotes. Uma vez dentro, o loop financeiro gira em torno de manter um kill/death ratio positivo, saquear e extrair cash drops espalhados pelos mapas e negociar operativos e skins. Os mapas são descritos como simples, e os jogadores controlam drones ou macacos em busca dos pagamentos, uma premissa que já gerou comparações irônicas nas comunidades online.
Leia Mais
A Bravo Ready Studios afirma ter pago mais de US$ 100.000 aos testadores até agora. Esses testers, vale ressaltar, recebem spawns gratuitos como parte do acordo, o que significa que eles não enfrentam o mesmo risco financeiro que um jogador comum enfrentaria ao entrar no jogo.
As preocupações com o projeto vão além da sustentabilidade financeira para o jogador comum. Fóruns como o NeoGAF já apontam que um sistema de dinheiro real é um convite aberto para cheating, boosting e exploração de falhas, afinal, quando há dinheiro de verdade em jogo, a motivação para trapacear é proporcional. Mesmo assim, o Discord oficial do jogo já acumula 40.000 membros.
Mais grave ainda é a ausência de qualquer mecanismo visível de verificação de idade. Não há uma barreira clara que impeça menores de acessar um jogo estruturado em torno de mecânicas que se aproximam do pay-to-win com dinheiro real, uma omissão que, dependendo da jurisdição, pode colocar a empresa em rota de colisão com reguladores.
A presença digital da empresa também levanta dúvidas. Um perfil nas redes sociais ligado ao projeto existe desde 2011 e passou por sete mudanças de nome, a mais recente em 2022 por volta da época em que a Bravo Ready Studios começou a lançar jogos de fato.
Não está claro o motivo pelo qual o BR1 Infinite só ganhou tração agora, embora o ceticismo em torno do projeto já circule online há alguns anos.
Fonte: Eurogamer