Konrad Tomaszkiewicz, diretor de The Blood of Dawnwalker e ex-diretor de The Witcher 3: Wild Hunt, afirmou que um possível adiamento da próxima geração de consoles seria “melhor” para um estúdio como o seu. As declarações foram dadas em meio a um cenário inédito na indústria: pela primeira vez em uma geração, os preços das máquinas base subiram após o lançamento, em vez de cair, pressionados pela escassez de componentes causada pela demanda dos data centers de inteligência artificial generativa.
O contexto é delicado para as fabricantes. Há rumores de que o PlayStation 6 pode custar até US$ 1.000 para a Sony fabricar, enquanto a Xbox projeta que os preços de componentes podem dobrar novamente dentro de um ano, o que, segundo a própria empresa, pode impactar o seu console de próxima geração, codinome Project Helix. O Steam Machine da Valve já sentiu esse efeito na prática, chegando ao mercado a um preço significativamente acima do que a empresa havia planejado originalmente.
Para Tomaszkiewicz, lançar um jogo em múltiplas plataformas é um esforço que vai muito além do que parece à primeira vista. Atualmente, o estúdio Rebel Wolves gerencia quatro builds distintas de The Blood of Dawnwalker: uma para Xbox Series S|X, uma para PlayStation 5 e duas para PC, sendo estas últimas necessárias por conta de restrições de classificação etária em diferentes regiões. A lógica é simples, porém pesada na prática.
“Digamos que temos quatro builds e, depois, você quer entregar um patch para os jogadores”, explicou o diretor. “Você precisa ter certeza de que essas mudanças funcionam no Xbox, no PlayStation, no PC um e no PC dois.” Adicionar plataformas de próxima geração ao mix significaria incluir mais dois builds nessa equação.
“Quando você tem next-gen, está adicionando dois builds a mais, e isso multiplica a quantidade de trabalho que você precisa fazer”, disse. “Parece fácil, mas você precisa saber que existe um grupo de testers que precisa testar cada plataforma separadamente, não apenas essa mudança em particular, mas se o jogo inteiro não tem bloqueios, se você consegue terminar do início ao fim, e assim por diante. É um esforço enorme, para ser honesto.”
Segundo ele, trabalhar com o parque de consoles atual traz uma vantagem operacional clara: “Se trabalhamos nos consoles que temos agora, é mais fácil, porque sabemos quantas builds temos e é mais fácil gerenciar.” Quando questionado sobre se um possível atraso do next-gen impacta os planos do Rebel Wolves em transformar The Blood of Dawnwalker em uma franquia, Tomaszkiewicz foi direto: “Não impacta de forma alguma e, para ser honesto, é ainda melhor para nós.”
The Blood of Dawnwalker chega em 3 de setembro e é, por definição, um título desta geração. Mas o Rebel Wolves não esconde suas ambições de longa data. No Summer Game Fest, o estúdio exibiu um trailer que deu um vislumbre de uma ambientação em dias modernos para a franquia, sinalizando que a franquia, atualmente ambientada em um cenário medieval, pretende avançar até os tempos contemporâneos ao longo dos jogos.
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Fonte: Eurogamer
