A SK Hynix, uma das três maiores fabricantes de memória DRAM do mundo, jogou um balde de água fria no mercado tech durante as comemorações de sua estreia na bolsa Nasdaq. O CEO da empresa, Kwak Noh-jung, afirmou à Reuters que 2027 será o pior ano da história da indústria de memória em termos de escassez de oferta, e que a situação não deve se normalizar antes de 2030.
“Prevemos que o próximo ano será o pior ano da história do setor do ponto de vista da oferta”. A projeção é direta, pois a demanda global por memória continuará superando a capacidade de produção da empresa muito além da virada desta década, mesmo com planos agressivos de expansão de fábricas já em andamento.
O alerta não é isolado e executivos da Samsung e da Micron já haviam soado o mesmo sino. A Samsung projetou que a escassez de 2027 se estenderá até 2028 e além, enquanto a Micron foi ainda mais crua na avaliação: segundo seus executivos, os apertos atuais são apenas os “primeiro passo” do problema, e a empresa prevê conseguir suprir apenas entre 40% e 50% da demanda total do mercado nos próximos anos.
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A raiz do problema está na corrida pela inteligência artificial. A demanda por parte de clientes de IA, combinada com acordos de fornecimento de vários anos já fechados com grandes players do setor, comprime a oferta disponível para o mercado em geral. Para atender a esse segmento premium, os três grandes fabricantes de DRAM, SK Hynix, Samsung e Micron, priorizaram a produção de memórias de alto desempenho como HBM (High Bandwidth Memory) e LPDDR5X, deixando em segundo plano as memórias de uso comum: DDR5, DDR4 e as versões de entrada da LPDDR.
Essa mudança de prioridade tem impacto direto no consumidor. O segmento chamado de commodity memory, aquele que abastece PCs, smartphones e consoles, está sendo atingido pelos piores aumentos de preço, afetando toda a cadeia de componentes e plataformas de consumo. Quem compra um notebook novo, troca a memória do PC ou aguarda novidades de hardware de console está sentindo, ou vai sentir, esse cenário no bolso.
Enquanto o trio ocidental colhe lucros recordes com o segmento premium, a lacuna deixada na memória de consumo abriu espaço para fabricantes chineses. Empresas como a CXMT (focada em DRAM) e a YMTC (focada em NAND) estão dobrando suas capacidades de produção para atender a demanda doméstica e ocupar o espaço disponível no mercado global de memória convencional.
Fonte: Wccftech