O anúncio da Sony de encerrar a produção física de novos jogos para o PlayStation em janeiro de 2028 gerou reação imediata de um dos nomes mais respeitados da indústria: Mike Ybarra, ex-presidente da Blizzard e ex-executivo da divisão de games da Microsoft.
Em um longo post nas redes sociais, ele cobrou das plataformas uma série de compromissos concretos antes de empurrar os jogadores para um futuro exclusivamente digital. Para boa parte da comunidade e de especialistas em preservação, o movimento é um golpe direto aos direitos do consumidor e ao legado histórico dos jogos.
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“Não podemos viver com medo”
Mike Ybarra deixou claro que não é contrário à ideia em si, mas sim ao ritmo e à falta de estrutura que a acompanha. “É triste ver isso acontecendo em toda a indústria de games. Acho que ia acontecer em algum momento, mas não achei que seria tão cedo”, escreveu ele. O principal ponto de sua crítica é a ausência de uma garantia digital formal para os consumidores.
“Precisamos estabelecer uma promessa digital para os consumidores. Não podemos viver em um mundo de medo sobre se nossos jogos vão funcionar no futuro ou não. Vocês devem a todos uma visão clara do nosso ‘cofre digital’ que nos dê confiança de que nossos jogos são de fato nossos. Vocês não podem simplesmente desligar os jogos”, afirmou, ressalvando que entende a diferença entre jogos multiplayer e single-player.
Compartilhamento e revenda
O ex-chefe da Blizzard foi além das críticas e apresentou propostas. Na questão do compartilhamento de jogos, ele foi direto.
“Precisam inovar no compartilhamento de jogos. Emprestar meu jogo para um amigo deve ser tão simples quanto passar um disco para ele. É possível fazer isso, eu vivi isso e investiguei antes. Como jogadores, devemos poder compartilhar nossos jogos. Pode ter restrições, mas fundamentalmente isso deve ‘simplesmente funcionar’ em 75% ou mais das vezes. Um grupo de ‘amigos e família’ de 3, 6, 9 ou qualquer número é uma solução que outros já têm. Copiem isso e tornem padrão da indústria.”
Mike Ybarra foi ainda mais longe ao sugerir a criação de um marketplace aberto nos consoles para que jogadores possam revender seus jogos digitais a outros usuários, seja por crédito na loja ou por dinheiro, com as plataformas ficando com uma parte da transação.
“Os desenvolvedores não vão gostar disso”, ele reconhece, “mas ser amigável ao consumidor tem que funcionar nos dois sentidos. Um mercado de jogos usados é essencial na minha visão.” Por fim, cobrou que as bibliotecas digitais dos jogadores sejam mais públicas, à semelhança do que já acontece com conquistas, e que as plataformas comuniquem com mais clareza como será esse futuro sem discos. “Tudo isso é possível. Façam de sua plataforma o melhor lugar para jogar”, concluiu.
A Video Game History Foundation, organização dedicada à preservação de jogos, também se manifestou sobre a decisão da Sony, afirmando que baixar GTA 6 com a “esperança de que vai funcionar daqui a 50 anos não é uma solução de preservação”.
Fonte: GamesRadar