Desenvolvedores da Ubisoft dançam enquanto fazem greve

Mais de 1.200 desenvolvedores da Ubisoft protestam contra cortes e política de retorno presencial, criticando o CEO Yves Guillemot

A Ubisoft enfrenta uma onda de protestos nesta semana, com mais de 1.200 desenvolvedores participando de uma greve em frente aos escritórios da empresa em Paris. A paralisação, que começou em 10 de fevereiro, surge como resposta à controversa política de retorno ao trabalho presencial anunciada pela desenvolvedora de Assassin’s Creed, além de questionar a gestão do CEO Yves Guillemot.

Os manifestantes têm se reunido diariamente e, mesmo sob chuva, mantiveram o protesto ao som de músicas como “Disco Sanwa” e até mesmo dançando. Esta demonstração de união acontece após a Ubisoft revelar um plano emergencial de reestruturação que inclui o adiamento de grandes títulos, cancelamento de vários projetos e um novo programa de redução de custos que resultará em cerca de 200 demissões.

“Neste estágio, parece claro para nós que Yves Guillemot não tem conhecimento ou compreensão de sua empresa ou de seus funcionários”, declarou Marc Rutschlé, representante do sindicato Solidaires Informatique na Ubisoft Paris, ao portal GamesIndustry. Ele acrescentou que “nossas equipes já estão trabalhando sob pressão, frequentemente com falta de pessoal” e que, após anos sem aumentos significativos, os funcionários entenderam que novamente não receberão reajustes este ano.

Literally dancing in the rain

— Mando (@mrmandolino.itch.io) 2026-02-10T10:31:34.083Z

A greve de três dias também conta com a participação de desenvolvedores do estúdio de Milão e ocorre em um momento crítico para a empresa. Além dos cortes e da compressão nos aumentos anuais durante tempos difíceis, a Ubisoft está exigindo que todos os funcionários retornem ao trabalho presencial integral até o final de 2026.

Esta diretriz, comunicada pelo próprio Guillemot em um email interno e em reuniões recentes, foi extremamente mal recebida pelos funcionários. A frustração é amplificada pelo fato de que, apesar de falar sobre mudança e evolução, Guillemot e seus irmãos, fundadores da empresa nos anos 1980, permanecem no comando graças, em parte, a um resgate de US$ 1 bilhão da Tencent.

A situação é ainda mais tensa nos estúdios canadenses da empresa, onde um funcionário foi demitido por criticar as novas políticas em canais internos de trabalho, o que a Ubisoft classificou como violação do código de conduta da empresa. Diferentemente da França, os grandes estúdios canadenses em Montreal, Quebec e Toronto não são sindicalizados.

Vale destacar que uma pequena equipe de jogos móveis da Ubisoft no Canadá havia se sindicalizado no início deste ano, mas foi posteriormente fechada. A empresa afirmou que o encerramento não tinha relação com a organização trabalhista.

Os sindicatos atribuíram a greve desta semana à “decisão arbitrária do CEO que nem sequer se atreve mais a falar com os funcionários”, evidenciando a crescente distância entre a liderança e os desenvolvedores da companhia.

Fonte: Kotaku

 


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