
Um susto e uma gargalhada. Sempre nessa sequência. Filmes que misturam terror e comédia com inteligência são um belo exemplo de como assustar e divertir através do exagero cênico sem perder a elegância. Brincar com os próprios exageros é uma arte que no mundo dos games já tem bons representantes, como “Duke Nukem” e “Bulletstorm”.
Mas estava faltando um jogo de terror, que resgatasse aquele sarcasmo (literalmente) infernal de filmes como “Evil Dead” (1981) e “Um Drink no Inferno” (1996). Não falta mais: “Shadows of the Damned” sai em junho.
O enredo é um verdadeiro achado: sua namorada foi sequestrada pelo Capeta e você precisa descer ao Inferno para salvá-la. Seu companheiro nessa jornada é uma caveira chamada Johnson, que se transforma nas armas que você precisa. Além de sangue e vísceras para todo lado, você precisa encher a cara de cachaça para recuperar a saúde após as batalhas.
Um enredo desses parece mais uma comédia, sim, mas foram justamente as aplicações brilhantes desses excessos que transformaram Sam Raimi e Quentin Tarantino em gênios do cinema.
E “Shadows of the Damned” é assinado por ninguém menos do que Goichi Suda (o famoso Suda51, de “No More Heroes”, “Fatal Frame”, “Blood+”, “Moonlight Syndrome”, “Codename D”) e Shinji Mikami (“Resident Evil”, “Devil May Cry”, “Ace Attorney”, “Dino Crisis”), com trilha sonora de Akira Yamaoka (autor das trilhas da franquia “Silent Hill”). O que esperar desse pessoal?
Um susto, uma risada
O protagonista de “Shadows of the Damned” é Garcia Hotspur, que tem um jeitão de motoqueiro “easy rider” que, para salvar sua namorada, parte pra pancadaria ignorando vísceras que viram demônios e outros bichos podrões que brotam do Inferno. Quanto mais ele entra nas profundezas sombrias, mas a aventura vai ficando sanguinária.
Quando não são demônios gosmentos que chegam berrando, os desafios são os puzzles sombrios criados pelos servos do Capeta. Ã um mundo sombrio, tosco, pervertido, gosmento e absolutamente grotesco.
A equipe não esconde a alegria com o game, que promete todos os excessos que o estilo permitir. “Estamos empolgados com esse projeto e convidamos os gamers do mundo todo a experimentarem esse novo mundo pervertido que nós criamos”, brincou Suda51, desenvolvedor e presidente do estúdio Grasshopper Manufacture, ao anunciar a finalização do projeto. “Com o apoio da EA, conseguimos fazer um jogo inovador que temos certeza que todos irão adorar.”
“Os gamers agora vão lutar pelo seu amor nas arenas mais difíceis que se pode imaginar”, brinca Shinji Mikami, produtor de “Shadows of the Damned”. “Vai ter muito demônios e muito sangue. Só os fortes sobreviverão.”
A própria EA não esconde a empolgação com o ousado projeto. “Esse é um dos projetos mais ousados e inovadores que a EA já investiu”, exclamou David DeMartini, vice-presidente da divisão EA Partners. O segredo é se divertir com os sustos, com a podreira e com o sarcasmo extremo do game, afinal, esse tipo de projeto dificilmente fica no meio termo: ou é ótimo, ou é um mico. Apostamos na primeira opção.

