Resident Evil Zumbis, escopetas e quebra-cabeças em um game que mudou a indústria

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Quando a Capcom lançou o primeiro “Resident Evil”, em 1996, os zumbis não tinham esse apelo que têm hoje em dia. Os patéticos e mancos mortos vivos estavam em clássicos gore do cinema, magistralmente dirigidos por George A. Romero, mas não estavam na boca do povo, nem na mira das escopetas.

Quinze anos depois, a franquia ainda resiste heroicamente, mesmo tendo passado por uma grande reformulação após “Resident Evil 4”. Agora, a Capcom anuncia “Resident Evil: Operation Raccoon City”, um shooter com ênfase em esquadrões e multiplayer cooperativo online. Relembre como tudo começou, com uma equipe de elite, uma mansão, uma infecção viral e um exército de zumbis famintos.

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A cidade do guaxinim

A trama de “Resident Evil” hoje em dia tem mais voltas que um rocambole, mas no primeiro game, as coisas ainda estavam sob controle. Alguns assassinatos perturbadores começam a acontecer nos arredores de Raccoon City, com corpos encontrados parcialmente devorados, com traços de canibalismo. A equipe STARS, uma espécie de tropa de elite da cidade, foi mandada para investigar o caso, divida em dois esquadrões: Alpha e Bravo. O esquadrão Bravo desaparece e cabe ao esquadrão Alpha investigar o que acontece.

Em um glorioso vídeo de abertura, relembrado até hoje como um pequeno clássico do cinema trash, a equipe Alpha é perseguida por cachorros até uma assustadora mansão. Lá, a equipe descobre uma série de experimentos ilegais ministrados pelo conglomerado farmacêutico Umbrella Corporation, que, sabe-se lá porque, estava pesquisando com o altamente contagioso T-Virus, que transforma os hospedeiros em zumbis famintos.

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O nascimento de um gênero

“Resident Evil” é um dos games mais importantes da indústria pois cunhou o termo “survival horror” na cultura pop. “Alone in the Dark” até começou com as ideias, mas tinha um ritmo mais lento e deliberado, que o aproximava mais de um adventure “aponte e clique”. O jogo trazia tanto quebra-cabeças quanto ação e em gráficos impressionantes para a época.

O jogador assumia o controle de Chris Redfield ou Jill Valentine, cada um com vantagens diferentes. Chris era mais resistente e tinha mais poder de fogo, enquanto Jill podia carregar mais coisas e tinha acesso a uma ferramenta para abrir fechaduras que a dava acesso a áreas trancadas da mansão. Completavam o esquadrão Alpha a médica Rebecca Chambers, o especialista em armas Barry Burton e Albert Wesker, o misterioso líder da operação.

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Horror no joystick

O personagem se movia como um tanque, ou seja, girava em torno de seu próprio eixo quando era comandado para esquerda ou para a direita e andava para frente ou para trás. Para atirar, era necessário apertar um botão que levantava a arma e impedia o movimento do personagem. A câmera era fixa nas salas, o que, por vezes, gerava alguns ângulos desfavoráveis para a jogabilidade.

Ainda que o sistema pareça meio arcaico, na época ele caiu como uma luva no game e foi usado em todos os games da série, até “Resident Evil 4”, primeiramente no GameCube, mudar tudo. O primeiro “Resident Evil”, quando comparado ao resto da série, tem muito mais elementos de horror, até mesmo na jogabilidade: por mais que o jogador ocasionalmente comande lança-granadas e escopetas, a munição pode ser bastante escassa, o que cria uma permanente urgência na exploração.

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Zumbis eternos

Os gráficos do game eram formados por uma mistura de personagens animados em 3D contrastando com cenários pré-renderizados. A técnica, que hoje em dia parece extremamente datada, permitiu aos desenvolvedores criar salões elaborados dentro das limitações do PlayStation. A técnica foi usada até “Resident Evil 0”, no Game Cube, que mesclava os cenários pré-renderizados com algumas animações pré-programadas, como garrafas tremendo à bordo de um trem em movimento.

O game vendeu quase 3 milhões de cópias no PlayStation 1 e marcou a criação de uma das maiores franquias da Capcom. “Resident Evil” ganhou um remake no GameCube, com gráficos atualizados e melhorias na jogabilidade. A série, desde então, mergulhou cada vez mais fundo na ação e menos no horror, mas o primeiro susto, em uma isolada mansão cheia de monstros, é inesquecível.

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