Trabalhadores dos Correios estão discutindo a possibilidade da realização de uma greve para manifestar o posicionamento contrário da categoria ao projeto da privatização da empresa. A aprovação do Projeto de Lei põe fim ao monopólio da estatal e abre o espaço para a privatização.
De acordo com o deputado federal Gil Cutrim, a votação do projeto deve acontecer nesta quarta-feira.
A matéria está bem madura e deverá contar com a aprovação do Congresso
Disse o mesmo à revista Exame.
José Rivaldo da Silva, secretário-geral da Fentect, diz que a privatização dos Correios se sobrepôs aos debates da campanha salarial.
Não adianta ter um reajuste de salário, mas, amanhã, a empresa ser privatizada e a gente perder o emprego
Afirma José Rivaldo.
Segundo José Aparecido Gandara, presidente da Findect, o governo esta pressionando os correios para afim de incitar novas greves, com intuito de denegrir ainda mais a imagem dos correios.
Não vamos aceitar uma barbaridade dessas de braços cruzados. Vamos mobilizar os trabalhadores e a sociedade para que o governo não faça isso. A forma e o momento de fazer vai depender de como o governo vai atacar. Não vamos simplesmente aceitar. Não somos a favor de ficar fazendo greve. O problema é que o governo promove a greve para ter o desgaste
Diz José Rivaldo.
Segundo os sindicalistas, o governo se recusa a dialogar com a categoria, o que pressiona deliberadamente os trabalhadores para provocar uma greve e desgastar a imagem da classe.
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos alerta que a venda da estatal é inconstitucional.
O artigo 21 da Constituição prevê o monopólio da União sobre a exploração do serviço postal, tendo como entre outros motivos a confidencialidade das correspondências. Em função deste artigo da Carta Magna do país, o governo só poderia vender os 100% dos Correios por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e não por meio de um Projeto de Lei (PL), como está fazendo
Ressalta o secretário de Comunicação da Fentect, Emerson Marino, à CUT.
Os Correios são classificados como de utilidade pública. Sendo assim, o serviço postal deve ser mantido como patrimônio do Estado, para garantir o acesso à toda a população. A eventual entrega ao serviço privado acarretará em benefício exclusivo do comprador, com prejuízos em relação ao direito dos brasileiros a um serviço postal abrangente e com custos baixos.
O governo federal está a serviço das grandes empresas e do setor financeiro, que querem uma empresa lucrativa para jogar trabalhadores dos Correios nas demissões. Para serem mais uma grande massa de desempregados. Nosso total apoio às estatais, aos Correios
Declarou o deputado Daniel Almeida (PCdoB-SE).
A privatização da Empresa de Correios e Telégrafos já vem sido tratada há anos pelo governo federal e o processo sofreu uma aceleração na administração de Jair Bolsonaro. A estatal está entre as empresas públicas inseridas no Programa Nacional de Desestatização.