Observação: O artigo a seguir não tem propósito de difundir Flame War ou Guerra entre fãs ou a franquia, quanto menos apontar o dedo para qual é a melhor no que e em qual segmento, pois isso é de cabimento do jogador e de sua opção com as IPs. O intuito do quadro é falar sobre suas semelhanças, como uma influenciou a outra no mercado, e sobre sua rivalidade como um todo, e se ela ainda permanece forte nos dias atuais.
Uma disputa bastante antiga na comunidade de jogadores de Consoles, especificamente nas de Xbox e PlayStation, é entre suas franquias de FPS com abordagem de Science-Fiction, a velha guerra de Halo vs Killzone.
Ambas são sagas de estética militar futurista com foco na abordagem Espacial da Ficção-Científica, mas o que sempre distanciou uma da outra é que em Halo temos uma franquia com abordagem mais Arcade/Space-Opera, enquanto a série Killzone tenta nos trazer mais a sensação de Realismo.

A história de criação divergem bastante entre si. Halo surgiu originalmente como um jogo de RTS (Real-Time Strategy) exclusivo para dispositivos Mac, exibido em uma série de eventos oficiais da Apple, na qual ganhou muita atenção de empresas a fora. Esse interesse chegou na Microsoft, que viu um grande potencial no título e na empresa por trás dele, a Bungie, e foi ai que em 2000 eles adquiriram totalmente a Bungie, tornando-a uma subsidiária First-Party da nascida Microsoft Game Studios, e Halo, se transformou em Halo: Combat Evolved, um FPS destino a ser título de lançamento do primeiro console de videogames da empresa, o Xbox.
Originalmente, eles não estavam esperando que o título obtivesse tanto sucesso e fosse uma sensação completa no mercado, com Halo: Combat Evolved atingindo uma média crítica de 97/100, vendendo mais de 5.5 milhões de unidades, e sendo considerado por muitos como o GOTY 2001, superando Grand Theft Auto. Essa explosão e sensação no mercado fez com que a franquia ganhasse diversas outras sequências e adaptações, que quanto mais passava o tempo, mais outras empresas queriam ter seu ”próprio Halo.”
Uma dessas empresas foi a Sony, e com isso nasceu Killzone em 2004; produzido pela Guerrilla Games e publicado pela SCE, o título foi descrito em desenvolvimento original como ‘The Halo Killer’, porém diferente de Halo, seu lançamento foi bastante conturbado, levando a possuir uma média de 70/100. Muitos elogiaram seus gráficos, o sound design e realista e de alta qualidade, bem como o enredo.
Porém, as críticas foram bastante grandes, com críticas indo para a IA do jogo sendo diversas vezes falha, ter diversos bugs em vários momentos de ação, ter um excesso em repetição de falas de personagens ou de ações constantes, e que o gameplay do jogo, por tentar trazer mais realismo, foi considerado muito pesado e pouco intuito para um Joystick como o DualShock 2.
Em sua sequência, Killzone 2, para PS3, as coisas mudaram, e foi ai que a disputa entre as séries chegou num ápice. Com Halo 3 chegando ao Xbox 360 em 2006, e Killzone 2 em 2009 (porém anunciado na E3 2005) muito se falava de qual jogo seria o melhor, mas no fim ambos atingiram um pico de excelência. Halo 3 concluiu a trilogia de Master Chief, com um lindo Finish the Fight, enquanto Killzone 2 aprimorou tudo o que deu certo no jogo anterior, e consertou seus erros, resultando numa experiência de altíssima qualidade, com um Score de 91/100, o maior até hoje da Guerrilla.
Ambas as series travaram um último embate, de Halo: Reach e Killzone 3, com o primeiro vindo no final de 2010, enquanto o segundo chegou bem no início de 2011. Ambos são considerados títulos muito bons em diversas camadas, Técnica, em jogabilidade, trilha sonora, mas algo que foi reclamado em Halo: Reach foi seu enredo não ter sido totalmente empurrado para frente como os jogos anteriores da série, com muitos comparando-o com um Call of Duty.
Já Killzone 3, altamente cotado como um dos grandes títulos da Sony para o fim da vida do PS3, sofreu em seu enredo e na jogabilidade mais simplificada, também sido considerado um título que perdeu um pouco da sua essência para trazer elementos de Call of Duty. Em termos de vendas, ambos foram um sucesso, mas a partir daqui, as séries tomaram rumos bem diferentes.
E como anda a disputa entre séries atualmente?
Killzone ainda deu as caras na última e mais recente geração da Sony, o PS4, com um título de lançamento da série sendo Killzone: Shadow Fall; enquanto isso, Halo 4 ainda foi lançado no Xbox 360, um ano antes de Killzone: Shadow Fall.
Nesse ponto, as séries já estavam sendo consideradas um pouco desgastadas, e a poeira da batalha estava mais calma, com muitos citando mais a rivalidade de Call of Duty vs. Battlefield como o auge daquele ano. Killzone: Shadow Fall foi recebido de forma muito mediana, até pior do que Killzone 1 de 2004, com diversas críticas indo para diversas partes do título, que apesar de possuir um setor gráfico de excelente qualidade, pareceu um jogo apressado para o lançamento do console.
Desde então não há sinais que Killzone estará retornando em breve, especialmente depois que em 2020 a Guerrilla Games aposentou o site da série de forma oficial; já Halo continuou com todo vapor no Xbox One, trazendo a coleção The Master Chief Collection em 2014, um título principal, Halo 5: Guardians, em 2015, que faturou exatamente 500 milhões de dólares de lucro apenas na sua semana de lançamento, e um novo capítulo de RTS com Halo Wars em 2017.
O novo capítulo da série virá em 2021, sendo Halo Infinite, para os Xbox Series X/S, que promete concluir a Trilogia Reclaimer criada em Halo 4, e ser um dos maiores títulos já feitos em toda franquia, com um altíssimo orçamento sendo investido.
No lado de Killzone, muitos fãs almejam o retorno da série, e que ela volte a ter sua qualidade alta de Killzone 2, que conseguiu emplacar uma grande briga com a série da Microsoft. Estaremos esperançosos que isso um dia aconteça, quem sabe agora com o PlayStation 5 no mercado.
