Se você parar para pensar, os games comerciais são normalmente inofensivos. Claro, eles podem ser violentos, mas raramente existe uma grande controvérsia envolvendo drogas, política ou sexo.
O que torna Custer's Revenge, de 1982, ainda mais interessante. E bizarro. Cuidado, há conteúdo levemente NSFW a seguir.
Custer's Revenge foi um jogo desenvolvido e publicado pela Mystique para o Atari 2600. A Mystique foi uma das várias empresas que, no começo dos anos 80, viu o boom do mercado de videogames caseiros como um jeito de ganhar dinheiro fácil. E o melhor jeito de fazer dinheiro fácil e rápido é, como sempre, produzir pornografia.
O que não deveria ser tão surpreendente, já que a dona da Mystique era a Caballero Control Corporation, uma grande produtora de filmes pornô da época.
A Mystique lançou alguns games para o Atari 2600, todos eles adultos e sob o selo "Swedish Erotica" ("Erotismo Sueco"), mesmo que todos eles tenham sido desenvolvidos nos EUA. A maioria, voltada para o público adulto, era relativamente inofensiva. Beat'Em & Eat'Em e Bachelor Party eram alguns deles.
Custer's Revenge, porém, era tudo menos inofensivo.
O game se passava no século XIV, e seu protagonista era o General George Armstrong Custer, uma das figuras mais trágicas da história dos EUA. Agente importante na política hostil contra os indígenas do governo da época, Custer se tornou um mártir e um herói depois de ser morto por forças "selvagens" junto com 250 de seus homens na Batalha de Little Bighorn em 1876.
Mas o game não falava de estratégia militar. Ou do exército. Você controlava o General Custer (que vestia nada mais do que um par de botas, um chapéu, um lenço e uma ereção) e seu objetivo não era derrotar os indígenas em batalha, mas estuprar uma moça. Uma indígena que estava amarrada em um poste.
A "jogabilidade" era mínima e consistia apenas em andar da esquerda para a direita, desviar de uma chuva de flechas e tentar chegar até a mulher indefesa para penetrá-la repetidas vezes.
Lembre-se: esse não era um jogo do mercado negro, era algo comercialmente disponível em lojas. Tínhamos ali o selo de "Proibida a Venda para Menores" e nenhuma relação com a Atari. Como era de se esperar (e com razão), o game causou furor.
A Atari processou a Mystique por conta do conteúdo ofensivo, dizendo que isso prejudicaria a imagem e a reputação da empresa. O condado de Suffolk, em Nova York, foi processado pela população e obrigado a tirar o jogo de circulação. Oklahoma proibiu a venda sem fazer perguntas. Representantes dos direitos das mulheres e dos inídigenas organizaram um protesto em Nova York, chamando o jogo de "completamente nojento" e acusando que ele falava apenas de "atacar e estuprar".
Joel Miller, o criador do jogo, ainda tentou (de maneira ridícula) dizer que tudo não passava de uma brincadeira. "Ele está seduzindo-a, mas ela faz isso porque quer".
Apesar de Custer's Revenge ter sido retirado rapidamente das prateleiras, a controvérsia nacional que ele causou provocou um pico de demanda e fez com que cerca de 80 mil cópias fossem vendidas antes da proibição.
Uma coisa é fazer um jogo com conteúdo adulto. Há um mercado para sexo em videogames, e os desenvolvedores têm todo o direito de ir atrás dele. Mas não há desculpa para fazer um jogo cujo objetivo é estuprar uma pessoa, e não há desculpa para fazer um jogo que ridiculariza o sofrimento de um povo que já havia sofrido o suficiente pelos últimos 400 anos.
Em um caso de justiça acidental, a Mystique faliu pouco depois do lançamento de Custer, em 1983, vítima do grande "crash" do mercado de games nos EUA. Infelizmente, os direitos do game foram passados para alguns publishers, dentre eles a Playaround, que fez algumas alterações nele, editando a mulher para que ela parecesse menos indefesa, e até criou uma espécie de sequência chamada General Retreat. Nela os papeis se invertiam: era a moça que precisava "atacar" o General Custer.
Não por acaso o jogo é, hoje, lembrado como um dos piores e mais vergonhosos lançamentos da história. Uma combinação de mecânica mínima e conteúdo ofensivo que serve como lembrete de quanto o meio evoluiui desde a época em que esse tipo de produto parecia viável e aceitável.
Primero,aki ali parece um indio nao a moça segundo ,ela nem ta amarrada no post terceiro,o jogo era mto antigo mal daa pra ve as coisas ali! MAS MESMO ASSIM PRA EPOCA ERA PESADO!
"Se você parar para pensar, os games comerciais são normalmente inofensivos. Claro, eles podem ser violentos, mas raramente existe uma grande controvérsia envolvendo drogas, política ou sexo."
Fallout e Deus Ex entram nesse quesito e nem sequer são polêmicos
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